UMA PERVERSIDADE BEM PLANEJADA

outubro 05, 2019 Randerson Figueiredo 0 Comments



Olá nobre leitor! Sempre um prazer estar aqui para conversarmos um pouco sobre algum assunto específico. Hoje o assunto será sobre psicopatia.

Sempre quando observo alguma notícia de determinado telejornal ou até mesmo jornal impresso sobre algum caso que envolve psicopatia fico de cabelo em pé.

Primeiro por perceber que o ser humano é capaz das maiores atrocidades que se pode imaginar e que essas mesmas atrocidades representam uma lacuna sem fim no seio da sociedade.

Segundo por notar que nosso falho sistema prisional também é um grave risco aos cidadãos, que não compactuam com tamanha sensação de impotência diante do que ocorre. Somos vítimas de pessoas perversas.

Sim, para a psicanálise o perverso é o psicopata.

Engana-se quem pensa que o psicopata é só aquele que mata, sangra e esquarteja a vítima. A maioria dos psicopatas não mata, mas ele destrói sua vida de forma pretensiosa e sorrateira.

Uma comparação fria para essa situação é que ele sabe a letra da música, mas não sente a melodia, deu para compreender?

São 100% razão e zero emoção, não possuem empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro para eles é nula. São seres calculistas, manipuladores e insensíveis.
É bom enfatizar que é um transtorno de personalidade que acomete cerca de 4% da população mundial.

Na mídia no geral temos casos e mais casos sobre a ação desses mentes perversas, como é o caso do serial killer norte-americano Ted Bundy que inspirou a película O silêncio dos inocentes.

Aqui no Brasil temos a Susane Von Richtofen que mandou matar os pais com os irmãos cravinhos, o caso de um empresário da Yoki que foi esquartejado, Isabella Nardoni que foi jogada da janela e por aí vai.

O que mais me impressiona em tudo isso é que eles podem estar em qualquer lugar, agindo como pessoas normais e acima de qualquer suspeita.

Cabe a cada um estar bem atento e saber identificar os possíveis sinais que caracterizam um psicopata. Para isso, temos disponível uma escala elaborada por um psicólogo canadense chamado Robert Hare em 1991. O teste possui 20 itens de avaliação com notas de 0 a 2.

Foi em 1991 que Hare criou o método de avaliação para diagnosticar os graus de psicopatia de uma pessoa e identificou os critérios hoje universalmente aceitos para diagnosticar os portadores desse transtorno de personalidade. Apenas no ano 2000 Escala Hare PCL-R (Psyco­­pa­­thy Checklist Revised) foi traduzida e validade no Brasil.

Vamos a alguns pontos da Escala de Hare.


É importante que o sistema penitenciário faça essa distinção entre o preso que é ou não psicopata, pois este último não consegue ser ressocializado como possivelmente podem ser os demais.

Acredito que avanços devem ser realizados a todo momento não somente dentro da psiquiatria, como também dentro das esferas sociais.

Dessa maneira, faz-se necessário um método que possa averiguar, de forma segura, se esse indivíduo pode ser considerado ou não um psicopata, uma vez que isso acarreta uma série de implicações jurídicas e sociais.

Essa dificuldade de se estabelecer um diagnóstico propicia que a psicopatia seja compreendida em sentido amplo, sendo corriqueiramente associada ao Transtorno de Personalidade Antissocial, como se ambos constituíssem um mesmo diagnóstico. Entretanto, embora existam semelhanças, conforme entendimento de alguns autores da área psiquiátrica, o TPAS e a psicopatia são considerados transtornos distintos. (HARE, 2013, p. 33)

Tal distinção é embasada em decorrência dos resultados do Psychopathy Checklist, de autoria de Robert Hare. O Psychopathy Checklist (PCL) é uma ferramenta que, por meio de um questionário a ser aplicado por um profissional devidamente qualificado, averigua a existência de traços psicopáticos na personalidade de um indivíduo e afere a sua incidência e graus evolutivos. (TRINDADE, BEHEREGARAY, CUNEO, 2009, p. 149)

Então diante dos dados apresentados, encerro o texto de hoje com a convicção de que nós, seres humanos, podemos representar nosso melhor e também o pior lado. Mas com seres tão específicos como os psicopatas temos que ficar de olhos bem abertos.

Até a próxima.

Referências bibliográficas

HARE, Robert D. Sem consciência: o mundo perturbador dos psicopatas que vivem entre nós. Tradução: Denise Regina de Sales. São Paulo: Artmed, 2013.

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes perigosas – o psicopata mora ao lado. São Paulo: Principium, 2018

TRINDADE, Jorge. BEHEREGARAY, Andréa. CUNEO, Mônica Rodrigues. Psicopatia: a máscara da justiça. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009

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