A BUSCA POR UMA VIDA SIMBÓLICA

novembro 26, 2022 Randerson Figueiredo 0 Comments

 

Muito bem nobre leitor deste simples, não simplório, blog de filosofia, espiritualidade e psicologia profunda desta imensidão chamada internet.

 

Hoje é nossa última postagem do ano, em dezembro estarei em férias.

 

E o nosso assunto de hoje será sobre: a busca por uma vida simbólica. E por falar em busca, nossa vida é uma busca constante por tantas situações não é verdade? Buscamos tantas coisas em nossas humildes vidas. Muitas mesmo.

 

Mais do que simplesmente almejar, nossa vida é uma corrida contra o tempo por muitas situações, uma busca incessante, uma corrida frenética...

 

Até mesmo às vezes nem sabemos o que estamos buscando.

 

Um belo dia aqui em casa fui reler um livro maravilhoso do analista junguiano Edward Edinger chamado Ego e Arquétipo e um dos capítulos aborda exatamente sobre o ponto de hoje: vida simbólica.

 

Sabe quando você lê uma obra e depois é que você presta atenção nos pormenores? Pois esse livro trata exatamente sobre o Ego e a sua relação com o Si-mesmo(Self), uma obra ímpar.

 

Eu vou indicar esse livro na série Psicologia para Leigos, em breve.

 

Mas enquanto não indico o Edinger, um dos maiores analistas junguianos do mundo, ao lado da professora Verena Kast, James Hillman, John Sanford e Marie Von Franz.

 

E não se preocupe, vou deixar como referência bibliográfica no final.

 

Vamos adentrar o nosso assunto de hoje. O que vem a ser vida simbólica?

 

Quando fui procurar a leitura desta riquíssima obra, estava um tanto quanto borocoxô, para não dizer triste. Estava à procura de algo que me animasse, que levantasse meu astral...

 

Que através da minha consciência pudesse me mostrar algo diferente e que eu pudesse compreender melhor as minhas dificuldades.

 

Encontra-se exatamente na segunda parte (a individuação como modo de existência), no capítulo 4, no terceiro ponto: A VIDA SIMBÓLICA.

 

Esse capítulo 4 da segunda parte é sensacional, aliás, o livro todo é maravilhoso. Fala-nos sobre diferença entre signo e símbolo, a função do símbolo... Dentre outras coisas.

 

A diferença entre signo e símbolo de forma bem rápida é bem simples: o signo é uma unidade de significado que representa uma entidade conhecida. Portanto, a nossa língua é um sistema de signos e não de símbolos.

 

O símbolo é uma imagem ou representação que indica algo desconhecido, é um mistério.

 

O signo veicula um significado abstrato e objetivo. É morto.

 

O símbolo veicula um significado vivo e subjetivo. É vivo!

 

Resumindo: os símbolos são um produto espontâneo da psique arquetípica. Não é possível fabricar um símbolo, só é possível descobri-lo.

 

Os símbolos têm a capacidade de penetrar no ego e a relação que mantêm com ele é extremamente importante, são três as relações que podem manter com ele:

 

1 – O ego pode identificar-se com o símbolo.

2 – O ego pode estar alienado do símbolo – o símbolo será reduzido a signo.

3 – O desejável. O ego embora separado da psique arquetípica, é receptivo aos efeitos das imagens simbólicas.

 

Essas diferentes formas de relação entre o ego e o símbolo dão origem a duas possíveis falácias: concretista e redutivista.

 

Na falácia concretista está a ação dos religiosos que compreendem erroneamente as imagens simbólicas religiosas, acreditam ser fatos concretos em termos literais, para dar um exemplo.

 

É importante mencionar que os símbolos só têm efeito válido e legítimo quando servem para modificar nosso estado psíquico ou nosso estado consciente.

 

Seus efeitos são ilegítimos quando aplicados de forma mágica à realidade física.

 

A falácia redutivista comete o erro oposto.

 

Nessa concepção não há símbolos verdadeiros, ou seja, símbolos capazes de traduzir um verdadeiro mistério, nenhum elemento essencial desconhecido que transcenda a capacidade de compreensão do ego.

 

O simbolismo religioso não passa de sinal de ignorância e superstição primitiva.

 

Deu pra perceber o que desejo mostrar?

 

O cerne do conflito contemporâneo entre a visão religiosa tradicional do homem e a chamada visão científica moderna. E como esse é um conflito coletivo, todos nós carregamos um pouco desse conflito dentro de nós.

 

Na página 138/139 da minha edição de Ego e Arquétipo, 2ª edição de 2020 da Editora Cultrix, tem um longo depoimento de Carl Gustav Jung sobre esse assunto, bem pertinente.

 

Tudo que estou a falar aqui resume num ponto culminante: o objetivo básico da psicoterapia junguiana é tornar consciente o processo simbólico.

 

O que devemos notar é a percepção de observar como se comporta um símbolo quando é inconsciente, por isso essa prosa toda com você caro leitor.

 

Porque um símbolo inconsciente é vivido, mas não é percebido.

 

Você tem noção do que isso significa?

 

Que devemos entender nosso ego não com o objetivo de viver concretamente o símbolo ou psique arquetípica, mas procurar entender de modo consciente sua representação simbólica.

 

Lembra quando disse no início que estava triste antes de ler?

 

Fiquei imensamente feliz depois de ter visualizado sobre esse assunto na obra de Edward Edinger, porque inconscientemente nós até podemos saber como nos comportar, mas só podemos agir da maneira correta quando nos identificarmos adequadamente com o simbólico ou com nossa psique arquetípica.

 

Isso é o que é verdadeiramente a busca por uma vida simbólica.

 

Na psicanálise, por exemplo, em Freud nós temos a figura do Id. E o que é o Id? O Id a meu ver é uma caricatura do espírito humano. É o inconsciente considerado instintivo.

 

A psicologia freudiana reduz e muito as imagens simbólicas, agora coloco a minha crítica, os psiquiatras não negam que as necessidades instintivas sejam vivas e efetivas, mas negam a vida, pois passam a negar a realidade das imagens simbólicas em si.

 

Salvos raras exceções, claro.

 

Essa atitude, principalmente dos psiquiatras de enxergar que a psique inconsciente é movida pelos instintos é no fundo no fundo antiespiritual, anticultural e destruidora da vida simbólica.

 

Enquanto for sustentada será impossível cultivar uma vida interior significativa.

 

A ausência de simbolismo sobrecarrega a esfera do instinto. É isso.

 

Por isso que nesse sentido é importante salientar que, ao tratar dos sintomas dentro principalmente das psicopatologias é necessário enxergar que todo sintoma deriva da origem de alguma ação arquetípica.

 

Muitos sintomas de decepção e ressentimento derivam, por exemplo, do diálogo de Jó com Deus. Por isso que nosso diálogo hoje requer uma dose de atenção extrema.

 

A busca por uma vida simbólica é a busca pelo sentido da existência.

 

Quando passamos a enxergar o arquétipo, de ver a imagem simbólica oculta no sintoma podemos transformar a experiência, que pode ser tão dolorosa quanto, mas que agora tem sentido.

 

A busca por um simbolismo na existência é crucial se quisermos vivenciá-la de forma coerente e honesta. Passaremos por uma evolução na consciência humana, que começou no pântano, mas terminará em algum lugar que não sabemos.

 

É por isso que o Santo Evangelho é tão importante.

 

Não só Ele, mas os mitos, os contos de fadas e outras tantas situações que nos remontam aos nossos antepassados, a quem de fato somos.

 

Eu citei o Evangelho porque ele é a representação máxima simbólica que se encontra encrustada na nossa psique arquetípica ou simbólica como estou a chamar.

 

Ao lermos cada passagem dos textos sagrados não é à toa que nos sentimos invadidos por um sentimento de êxtase, de amor, às vezes de melancolia e raiva, mas jamais sairemos ilesos ao ler tais textos.

 

Enquanto estivermos inconscientes da dimensão simbólica da existência, experimentaremos as situações da vida como sintomas. Os sintomas são símbolos degradados pela falácia redutivista do ego.

 

Por isso que para arrematar: a busca por uma vida simbólica diz respeito a trazer à tona um significado para o sintoma, ou seja, discernir um sentido para a nossa existência.

 

Então é a descoberta da vida simbólica que nos liberta de uma vida banal e sufocante. Que não passa de uma sucessão de sintomas desprovidos de sentido.

 

A vida simbólica é um pré-requisito da saúde psíquica.

 

Sem ela o ego fica alienado, os sonhos tentam a todo custo curar o ego, através da veiculação de algum sentido para sua origem.

 

Então voltando a falar sobre mim, quando li os textos de Edinger me senti aliviado, pois pude perceber que a busca por uma vida simbólica é maravilhosa.

 

E isso não significa que será fácil.

 

Muito pelo contrário, pode até ser mais difícil, mas o mais importante é que será cheia de sentido, de significado. Acredito que a falta de sentido a nossa existência é o grande mal deste século.

 

E continuemos a buscar por uma vida com sentido, uma vida simbólica.

 

Até o ano que vem, se Deus quiser.

 

OBS.: É IMPORTANTE DESTACAR QUE NÃO SOU PSICÓLOGO, PSICANALISTA E MUITO MENOS PSIQUIATRA. AS OBSERVAÇÕES QUE FAÇO EM RELAÇÃO À PSICOLOGIA PROFUNDA SÃO DE MINHA INTEIRA RESPONSABILIDADE, SOU AUTODIDATA NO ASSUNTO. É MUITO IMPORTANTE DIZER ISSO. SEMPRE PROCURANDO APRENDER.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

EGO E ARQUÉTIPO – Uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos fundamentais de Jung.

Autor: Edward F. Edinger

Editora: Pensamento (Selo – Cultrix)

Ano: 2020

Edição: 2ª

Páginas: 344

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O PAPA É POP! O PAPA NÃO POUPA NINGUÉM! – POSTAGEM ESPECIAL

novembro 05, 2022 Randerson Figueiredo 0 Comments



De todos os homens maus, os homens maus religiosos são os piores.

C.S. Lewis

Olá estimado leitor deste blog.

 

Hoje aqui para argumentar sobre a minha amada igreja... Tudo bem, nem tão amada assim ultimamente, mas por razões que irei elencar na postagem de hoje. A postagem de hoje será especial.

 

Por onde começo? É tanta coisa a falar hoje...

 

Bem, vamos retroceder um pouco na história para tecer argumentos. É sabido que não é de hoje que a igreja, vou falar assim com “i” minúsculo mesmo, ela não merece boas considerações, não consegue se manter alheia a diversos assuntos e situações.

 

É justamente por aí que vou começar.

 

Não vou me deter a falar dos primórdios da igreja porque é chover no molhado, mas o que desejo salientar é esse desejo inconteste de querer se intrometer na vida de tudo e de todos.

 

Nas eleições presidenciais de 2022 não foi diferente.

 

Uma “séria ameaça comunista” sempre rondou o Brasil, e por esse motivo João Goulart foi envenenado e a ditadura militar eclodiu neste país em 1964 e que foi até 1985.


E por falar em 1964, a igreja foi a principal articuladora do regime ultradireitista que se instalou no Brasil até 1985 com a redemocratização, quando João Batista Figueiredo não quis passar a faixa presidencial ao Sarney e disse a odiosa frase: me esqueçam!

 

Sim, Figueiredo, nós até podemos esquecer, mas a história jamais.

 

Quando Dom Helder Câmara tentava ajudar os mais fracos e oprimidos era acusado de ser subversivo, disse a famosa frase: quando dou comida aos pobres me chamam de santo, quando pergunto porque eles têm fome, me chamam de comunista.

 

E graças a essa fantasmagórica ameaça comunista que muita desgraça em nome de Deus foi feita. Padres que nas suas homilias ao invés de falarem sobre o Santo Evangelho, incitam os fiéis uns contra os outros. Armam um verdadeiro pandemônio em nome de Deus... 

 

Isso é deprimente, triste e deplorável.

 

Quantos padres eu não vi fazendo campanha abertamente a favor desse genocida que em breve sairá do poder, e eu digo: com a graça de Deus! Com a graça de Deus que ele sairá em breve.

 

A verdade é que a igreja vem perdendo fiéis a cada dia que se passa.

 

E começaram a perder para a besta fera que eles mesmos criaram: o protestantismo. Uma corrida desenfreada por fiéis começou a aparecer de uns tempos pra cá, a chamada renovação carismática começou a angariar adeptos por toda a América Latina.

 

A renovação carismática é uma versão mal engendrada do protestantismo, o chamado efeito gospel, que a partir da teologia da prosperidade (Max Weber) que enxerga Deus como um office-boy viu que poderia se dar bem e muito bem obrigado.

 

A Idade das Trevas, na chamada Idade Média a igreja era considerada a maior senhora feudal, detentora de terras e do poderio não só religioso, mas social como um todo.

 

Teve até um historiador que procurou retratar sobre os papas de uma forma muito pejorativa, aqui do Ceará, não vou citar o livro nem o nome do historiador, não vale a pena, o livro é muito, mas muito mal escrito.

 

Tanto é que esse historiador não tem a visibilidade que tanto almeja. O grande historiador medieval que conheço se chama Jacques Le Goff, para dizer que não brinquei com o assunto, o papa da idade média.

 

Quando o Bento XVI assumiu o trono de Pedro fiquei em choque. Logo ele?! Porquê? Eu sei, eu sei, muito capacitado e intelectualmente profícuo... Mas é aí que mora o perigo.

 

Bento XVI sinceramente não poupou ninguém no seu pontificado.

 

Nem os muçulmanos, principalmente estes foram visceralmente atacados pelo sumo pontífice, o resultado? Ou Bento XVI sairia do trono ou o mundo religioso entraria em guerra, e poderia colocar meio mundo em chamas.

 

O alemão Joseph Aloisius Ratzinger, mais conhecido por Bento XVI, é detentor de uma ficha intelectual de fazer inveja a qualquer acadêmico que se acha a última coca-cola gelada com gelo e limão do deserto.

 

Ratzinger tem 8 doutorados, só para começar, mas a quantidade de titulações acadêmicas é proporcional ao seu falso manejo social. Não tem tato para lidar com situações que requerem um pouco mais de sensibilidade.

 

O que sobra no seu sucessor: Francisco.

 

A começar pelas encíclicas lançadas durante seu pontificado, li várias delas, e sempre puxando para as ações sociais e com um pé firme no chão. Deu até puxão de orelha nas ratazanas da igreja com a sua Alegria do Evangelho (Evangelium Galdium).

 

A igreja não deveria se aprumar tanto com a política, a história está aí para comprovar tal remelexo. 

 

Na década de 30 o papa Pio XII (Eugenio Pacelli) facilitou diversas ações com Adolf Hitler, tudo é mostrado em detalhes no excelente livro O Papa de Hitler de John Cornwell. Estou a ler a obra, tudo é muito cruel.

 

E obviamente com o intuito de dificultar toda a ação com a obra de Cornwell foram lançadas diversas obras falando contra o livro, como por exemplo: o mito do papa de Hitler. E até um romance: um papa contra Hitler.

 

Tudo jogo furado. A história está aí para comprovar tudo.

 

Novamente a falar do Bento XVI, hoje papa emérito, para não dizer afastado e/ou aposentado, era um papa muito, mas muito vaidoso. Até seus sapatos vermelhos da grife Prada, isso mesmo, grife Prada. Isso, aquela mesma do filme.

 

Se o diabo veste Prada, o papa também veste.


Outro processo também nebuloso na história da igreja é colocar culpa e medo na cristandade ocidental. Isso é terrível, triste e aterrador. Já falei aqui sobre a culpa diversas vezes e sobre o medo também.

 

Ela, a igreja, utiliza de técnicas mais aprimoradas para por medo, mas no fundo no fundo o que ela deseja é te pegar pelo cabresto e te acorrentar numa prisão onde temos um Deus que é libertador.

 

Procurar seguir o caminho do bem, procurar entrar na porta estreita e tentar ser uma pessoa melhor a cada dia é o que devemos seguir. O resto é tudo conversa pra boi dormir.

 

O corpo da Igreja jamais rejeitará o mínimo, o corpo do irmão, haja vista nos primórdios ter rejeitado o máximo: o corpo de Cristo.

Randerson Figueiredo

 

Acredito que nossa oblação a Deus é mais que possuir coisas ou títulos seja de que categoria for, é tentar fugir das dificuldades, socorrer a nós mesmos e se der tentar socorrer o outro.

 

A igreja mesmo enterra a si própria, com sua arrogância e endeusamento de falsos profetas/padres que buscam a todo custo serem mais que o próprio Deus.

 

Um querido amigo do facebook, JD Lucas, no dia 21 de outubro disse algo que considerei muito interessante: o que encanta o evangélico não é o Cristo, é o drama da cruz. São capazes de crucificar o salvador novamente apenas para que o simulacro finja cumprir seu drama coletivo preferido. São de uma pobreza espiritual profunda, e compensam isso engajando-se na fabricação desse gozo mitológico fundamentalista, contra o qual nenhum discurso racional é eficaz.

Concordo plenamente. Esse meu amigo é um grande pesquisador, também na área de psicologia profunda e profissional do texto. Faz um lindo e especial trabalho no cuidado com cães e gatos abandonados em situações precárias em Belford Roxo no Rio de Janeiro.

 

É um trabalho que nos dignifica, lindo e maravilhoso esse trabalho.

 

Acredito ser por esse motivo que nos apegamos tanto às coisas. Somos tão apegados ao dinheiro, aos bens materiais e outras tantas situações.

 

Depois de escrever mais de 6 páginas hoje no Word, espero que esse artigo/desabafo possa abrir mais os nossos olhos, e que possamos enxergar um Deus mais misericordioso para com todos e uma igreja mais acolhedora e humana, no melhor sentido da palavra, já que se diz santa e pecadora.

 

Já que tudo é justificado em Seu nome...

 

Até a próxima, se Deus quiser.

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PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 110

novembro 05, 2022 Randerson Figueiredo 0 Comments

 




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