JESUS, PAULO E A SOMBRA – PEDAGOGIA DE DEUS
fevereiro 20, 2023
Randerson Figueiredo
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fevereiro 20, 2023 Randerson Figueiredo 0 Comments
Aquilo
que ocorre na vida de Cristo, ocorre em todos os momentos e locais. No
arquétipo cristão, todas as vidas de certo modo estão prefiguradas.
Carl
Gustav Jung
Olá
leitor do blog Saber Jung, mais um encontro nosso aqui nesta plataforma que
versa filosofia, espiritualidade e psicologia profunda. É uma honra poder
dividir um pouco das minhas pesquisas com você que me acompanha desde sempre,
há algum tempo ou desde agora.
Hoje
é sobre a série que mais gosto, Pedagogia de Deus.
O
assunto será sobre Jesus, São Paulo e a sombra coletiva, um dos arquétipos da
psicologia profunda que mais pesquiso, pois trata do nosso lado obscuro que
muitas vezes rejeitamos e fazemos questão de esconder.
Não
sei se você sabe leitor, mas eu pesquiso bastante sobre esse arquétipo, a
sombra coletiva já é meu alvo há anos, acredito que podemos tecer algumas
perspectivas sobre esse assunto desde já.
Paulo
de Tarso, mais conhecido como São Paulo foi uma figura gigantesca, nasceu cerca
de dez d.C., na capital da Cilícia, perto do Mediterrâneo, ao sul da Ásia
Menor.
Tarso
foi uma grande cidade, uma das maiores. Paulo de Tarso recebeu uma educação
primorosa, foi orientado por Gamaliel, um líder na época dentre os rabinos.
Para
se sustentar tornou-se fabricante de tendas.
Envolveu-se
na perseguição aos cristãos e a primeira vez que aparece é no Novo Testamento
em Atos 7, no apedrejamento de Estevão, no qual segundo os relatos ele
consentiu.
E
certo dia indo na estrada para Damasco que teve sua famosa experiência de
conversão. Nesse meio tempo tornou-se missionário e passou a escrever inúmeras
cartas, as quais formam a base de sustentação de boa parte do Novo testamento.
A
experiência de Paulo na estrada para Damasco foi uma experiência fortemente
psicológica a partir das reentrâncias do inconsciente, não com o Jesus
histórico, mas diretamente com o Self/si-mesmo/imago Dei.
Paulo
se referia a si próprio como “escravo do Self”. Em suas cartas ele utiliza tal
expressão. A palavra grega “dulos” significa escravo, uma tradução mais acurada
da expressão psicológica.
Ele
criou a teologia fundamental que não existia antes dele.
Em
relação ao estudo psicológico, cinco pontos fundamentais fazem parte dos
aspectos da teologia paulina:
1
– A redenção do pecado original
2
– A justificação pela fé
3
– A substituição de uma dispensação por outra
4
– O Cristo místico
5
– A doutrina da ressurreição
Eu
não vou me ater a falar de um por um, pois me alongaria bastante neste texto. O
que desejo salientar em relação a Jung e Paulo é que sobre a questão de
religião que Paulo professa mostra que esse termo revela ser uma atitude, sim,
uma atitude peculiar pela consciência alterada por uma experiência com o
Numinoso.
O
que desejo dizer e afirmar é que para Paulo, a experiência com o Numinoso
(Cristo), foi efetiva, real e concreta. Ela se aproxima como entendemos a
realidade da psique.
Essa
realidade da teologia paulina nos leva a crer uma certa imposição de conceitos
e prerrogativas que dificultam um entendimento maior e mais amplo de certos
significados.
E
o que a sombra tem de ligação com essa narrativa toda?
Tudo.
Bem,
seguindo a toada, vamos conversar um pouco sobre a sombra.
Eu
já falei aqui várias vezes sobre esse arquétipo da psicologia profunda, mas não
custa nada relembrar mais um pouco não é verdade?
A
“sombra” em poucas palavras é um conceito psicológico que se refere ao lado
obscuro, indesejado e ameaçador da nossa personalidade.
Resumindo:
refere-se a parte da personalidade que foi reprimida por causa do ideal do ego.
É como se fosse uma segunda personalidade que a psicologia veio a chamar de
“sombra”.
Um
bom modo de conhecer a nossa “sombra” é através da análise dos nossos sonhos, e
outro detalhe, a sombra é sempre do mesmo sexo de quem está sonhando, porque
ela personifica qualidades que poderiam fazer parte do ego.
Não
confundir a sombra com anima e animus.
Numa
personalidade dividida a sombra pode usurpar o papel do ego. Pode também ser
encarada como uma vida não vivida e reprimir vamos dizer assim uma raiva por
exemplo, não é nada bom.
Jesus
quando expulsou os cambistas do templo ficou possesso, zangado e naquele exato
momento Ele conseguiu direcionar sua raiva e fortificou sua personalidade. Se
Ele tivesse embotado tal reação não teria sido tão interessante.
O
que desejo salientar é que a sombra pode significar um sinal para nos
salvaguardar das dificuldades e ameaças que podem nos impelir a agir da pior
maneira possível.
Não
sermos passados pra trás por larápios é um exemplo disso.
Como
disse Jesus: “sede prudentes como as serpentes e sem malícia como as pombas.”
Outra
ajuda importante da sombra é o senso de humor. Quem ri é a personalidade da
sombra. O riso faz com que a sobra seja liberada sem perniciosidade.
Portanto
a personalidade da sombra está ligada ao ideal do ego.
É
por isso que saliento aqui neste espaço, uma educação infantil baseada em
valores morais e éticos que possam ser passados desde tenra idade são muito
importantes para a criança.
Obviamente
com pais ou substitutos paternos que deem o exemplo, pois nada mais
desalentador do que a hipocrisia, o famoso faça o que eu digo, mas não faça o
que eu faço.
É
por essa razão, que muitas crianças quando chegam à idade adulta identificam
seu ego com sua sombra, acabam se tornando mentes criminosas, violentas ou
sociopáticas.
Agora
também não é para fazer com que a criança crie uma espécie de barreira com seu
lado obscuro, mas uma integração com este lado, compreende?
A
sombra é muito perigosa quando seu lado consciente perde seu contato com ela. A
agressividade é um exemplo. Não é o que se fala, mas a forma como se fala algo
à criança.
A
forma como os pais lidam com a sombra reflete como os filhos lidarão com ela
também, ser extremamente autoritário no trato com os filhos e permissivo demais
tornam o ego enfraquecido e não possibilitará o filho quando adulto a lidar com
a sombra.
Devemos
confrontar com a sombra, isso a meu ver e de acordo com a psicologia que
estamos a estudar essencial para o autoconhecimento.
A
Igreja sempre conheceu sobre a sombra, sempre nos fez acreditar que carregamos
uma culpa eterna. Essa culpa, quando a confessamos, estamos a falar da sombra.
São
Paulo falou claramente sobre a sombra... Na famosa epístola aos Romanos: “não
pratico o bem que quero, mas faço o mal que não quero, não sou eu mais que
pratico a ação, mas o pecado que habita em mim. Eu sei que o bem não mora em
mim, ou seja, na minha carne.” (Rm 7,15-19)
Fica
claro que ele se refere à sombra coletiva.
A
maneira mais comum que as pessoas lidam com a sombra é negando a sua
existência.
Outro
fator importante para ser dito no texto de hoje é sobre a projeção. Diversas
vezes projetamos no outro nossas frustrações e amarguras.
Como
bem disse Jung: “aquilo que nos irrita no outro pode nos levar a um melhor
conhecimento sobre nós mesmos.” O relacionamento com o outro pode ficar
seriamente perturbado pelo nosso inconsciente.
Grupos
religiosos têm uma tendência a projetar suas sombras em outros grupos
religiosos, ou em qualquer outra coisa que acreditem ser inválida sua teoria a
respeito do que acreditam.
Um
carrega a sombra do outro.
Católicos
dos protestantes; judeus dos cristãos e mórmons dos gentios. Quanto mais
projetam a sua sombra no outro, mais cometem atrocidades tudo em nome de
Cristo, sem culpa consciente.
Para
que uma pessoa chegue às últimas consequências, como por exemplo matar o outro,
é necessário que ele despersonalize o indivíduo: ele deixa de ser um ser humano
e passa a ser um bárbaro ou um imperialista por exemplo.
Por
outro lado, jamais devemos forçar a barra.
No
sentido de procurarmos ser bonzinhos ou boazinhas a todo momento, forçar uma
bondade natural, em que as pessoas ao invés de serem amadas serão odiadas,
detestadas.
Quando
excedemos nossa capacidade de bondade natural acabamos fazendo o mal. É como se
quanto mais luz (nesse caso artificial) mais sombra.
Isso
gera uma acumulação de obscuridade no inconsciente.
E
todo esse meu discurso para afirmar que Jesus sempre esteve ciente da questão
da sombra, sempre. Jesus era muito tolerante com as fraquezas da gente, mas
detestava a ocultação da sombra.
Refiro-me
especificamente aos que o perseguiam como os fariseus por exemplo e outros
grupos, os quais oportunamente Ele os chamou de sepulcros caiados.
Essa
ocultação da sombra levava sempre a uma falta de compaixão e rigidez
espiritual.
É
essa justamente a minha crítica que faço em relação a Paulo, enquanto Jesus buscava
um crescimento da consciência psicológica, Paulo procurava repreender
incentivando que as pessoas negassem a sua sombra.
Isso
pode ser atestado na passagem em Rm 7,14-20.
Nessa
passagem no qual ele diz: “...já não sou eu que está agindo, mas o pecado que
habita em mim.”
Ele
expressa claramente que foi tomado pela sombra, e que é necessário uma ruptura
com a sombra. Já vimos que essa atitude aprofunda ainda mais a problemática.
Essa
identificação de forma unilateral com o lado claro, jamais vai impedir um
afloramento do lado escuro, é importante que se diga isso. Em Romanos 12,17-19
ele ainda mais enfaticamente pede uma identificação unilateral mais severa com
a bondade.
Para
Paulo até as nossas fantasias são condenáveis.
A
ética de Paulo coloca o homem numa posição intolerável. Mas é importante que se
diga que ele só age assim porque a Igreja assim o determina.
É
uma pena que a Igreja tenha seguido os ensinamentos de Paulo e não os de Jesus,
que possui uma elevação clara e psicológica anos-luz à frente da teologia
paulina.
Eu
acredito leitor que se a Igreja tivesse seguido os ensinamentos de Jesus, os
sofrimentos poderiam ser menores, em prol da dinâmica da personalidade humana.
Jesus
à época nos deu alguns modos de como lidar com a sombra.
Em
Mt 5,25-26 nos dá um belo exemplo, para assumirmos uma qualidade conciliadora
com nosso irmão, naquela época era comum que os adversários viajassem juntos
para a corte, na esperança de que resolvessem juntos a contenda e não
precisassem enfrentar o julgamento.
Aí
eu pergunto a você: será que Jesus não desejava que esse costume fosse seguido?
Sim,
deve ser seguido. Num sentido psicológico esse adversário no qual devemos
conversar se encontra dentro de nós. Adivinha quem é?
A
sombra! Claro!
Jesus
nos diz que devemos fazer as pazes com nosso adversário interior no decorrer da
nossa vida. E note que não é a sombra que será punida, mas o ego.
E
é agindo conscientemente que poderemos chegar a um denominador comum. Isso é
uma tarefa da consciência agir em conformidade com os dissabores da nossa
personalidade.
Acredito
que uma das razões pelas quais a sombra é ignorada pela Igreja diz respeito a
nos levar a situações paradoxais e a uma ética paradoxal.
Não
gostamos de paradoxos. Preferimos o preto no branco.
E
o mais engraçado nisso tudo leitor, é que para chegarmos aos casos de santidade
é necessário antes de mais nada passar também em muitos casos pela sombra.
Temos muitos casos de santos que se analisarmos com uma lupa não chegariam nem
perto de ser canonizados dada a extrema rigidez da Igreja primitiva.
E
temos diversas passagens que fazem alusão à sombra, a do filho pródigo é outra
bem conhecida. Não vou me alongar mais, pois já estamos com 10 páginas no word.
Agora
a meu ver o ponto de vista de Jesus é muito bem elaborado nessa passagem de Mt
5,48: “Portanto, deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.”
Nessa
passagem há uma tradução mal elaborada.
Quando
se diz perfeito Ele quer dizer em relação a integridade. A palavra grega teleios que quer dizer levado à
integridade.
O
que Jesus no meu entendimento quer nos mostrar é que devemos a partir do
desabrochar da consciência psicológica criar uma maturidade a ponto de
reconhecer nosso lado obscuro tanto quanto do nosso lado claro.
Jesus
não deseja que repreendamos a sombra, jamais.
Até
mesmo porque, no Novo Testamento, Jesus dialoga com a sombra, e de quem eu
estou falando? Do demônio, claro. No NT o capiroto aparece cerca de 66 vezes.
O
que isso significa?
Se
Jesus representa a extrema bondade, o demônio representa a sua sombra, o seu
oposto. Por isso, a meu ver, que Ele não deseja exterminar com o mal, mas
dialogar com a sombra a ponto de tornar-se consciente sua vivência aqui na
Terra.
Então
os ensinamentos essenciais de Paulo e de Jesus são vários:
Paulo
nos ensina uma experiência unilateral de bondade;
Jesus
faz com que nos tornemos completos e íntegros.
Paulo
nos faz inconscientes da sombra;
Jesus
nos faz conscientes da sombra.
Ou
seja, diante de tudo isso que expus, o que nos leva a entender?
Que
a Igreja não conseguiu chegar ao pleno desenvolvimento da consciência que Jesus
tanto instiga, permanece num nível psicológico inferior.
A
Igreja ao invés de solucionar a sombra, dividiu o homem.
A
questão é a seguinte, quando Jesus fala da porta estreita Ele está se referindo
ao propósito individual e não coletivo que devemos passar, por falar em porta
estreita é dessa forma que cada um pode atravessá-la: individualmente.
A
meu ver, esse pensamento reitero é meu, a ética de São Paulo fere e tira a
liberdade do homem. Coloca-nos diante de uma unilateralidade do bem por si só.
Jesus
não faz isso, ele permite que possamos escolher uma honestidade psicológica. O
valor da consciência tem para Jesus um crescimento muito maior do que a
conformidade somente com a bondade.
A
liberdade caro leitor nos mostra que a pedagogia de Deus, que dá nome a esta
série, permite crer que ela por si só possibilita o desenvolvimento da
consciência e do amor.
A
razão pela qual somos criados numa natureza dualística é porque essa é a
precondição para o nosso desenvolvimento psicológico consciente.
Então
é isso, vou parar por aqui, hoje o texto foi um tanto quanto extenso, mas foi
necessário expor tudo isso, esses esclarecimentos sobre o Santo Evangelho e a
psicologia profunda.
A
relação entre Jesus, Paulo e a sombra. São estas as perspectivas e opiniões que
tenho obviamente com base em muita pesquisa, utilizei para este texto 3 obras
sobre psicologia analítica, as quais vou indicar agora.
Espero
que tenha gostado do texto, eu sinceramente gostei muito de ter escrito estes
apontamentos sobre esse assunto tão intrincado e difícil.
Até
a próxima com mais uma série, se Deus quiser.
BIBLIOGRAFIA
MAL
– O LADO SOMBRIO DA REALIDADE
Editora:
Paulus Editora; 1ª edição (1 janeiro 1998)
Idioma:
Português
Capa
comum: 200 páginas
ISBN-10:
8534912645
ISBN-13:
978-8534912648
Dimensões:
19.81 x 12.95 x 1.02 cm
EGO
E ARQUÉTIPO – UMA SÍNTESE FASCINANTE DOS CONCEITOS PSICOLÓGICOS FUNDAMENTAIS DE
JUNG
Editora:
Cultrix; 1ª edição (5 fevereiro 2020)
Idioma:
Português
Capa
comum: 344 páginas
ISBN-10:
8531615623
ISBN-13:
978-8531615627
Dimensões:
16.99 x 1.78 x 24.41 cm
PSIQUE
NA ANTIGUIDADE – LIVRO 2 – GNOSTICISMO E PRIMÓRDIOS DA CRISTANDADE
Editora:
Cultrix; 1ª edição (18 outubro 2000)
Idioma:
Português
Capa
comum: 224 páginas
ISBN-10:
8531606519
ISBN-13:
978-8531606519
Dimensões:
19.05 x 12.95 x 1.27 cm
UMA SOCIEDADE ESPETACULOSA, POR GUY DEBORD – FILOSOFANDO
fevereiro 20, 2023
Randerson Figueiredo
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fevereiro 20, 2023 Randerson Figueiredo 0 Comments
Muito
bom dia nobre leitor do Saber Jung, a temática de hoje é dar continuidade às
séries do blog, pois devido as comemorações dos 10 anos de blog não tive como
seguir com elas.
O
tema de hoje será sobre o livro A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO, lançado em 1967, o
livro nos mostra uma série de situações provocadas pelo sistema capitalista e
sua estrutura de dominação, principalmente no que diz respeito a “sociedade
midiatizada”.
Antes
de mais nada desejo mencionar que para esta postagem contei com a honrosa
colaboração do doutorando em filosofia pela Universidade Federal do Ceará –
UFC, Inácio Costa. A obra de Debord faz parte de sua análise, e Inácio resolveu
me ajudar nesta perspectiva, fomos colegas de curso num projeto de extensão na
mesma universidade.
Muito
obrigado Inácio, pela valorosa colaboração.
Mas
e o que vem a ser sociedade do espetáculo?
Espetáculo
é ao mesmo tempo uma relação social e a relação interpessoal mediada por
imagens. É o modelo atual da vida que domina na sociedade. É a justificação
total das condições e dos objetivos do sistema capitalista.
E
como elemento da constituição do espetáculo, a publicidade faz suas honrarias a
todo instante. E cada forma de valorização de um poder se faz a partir de
ingredientes dogmáticos, que ao mesmo tempo não pode chegar a um dogma sólido.
O
âmago da sociedade do espetáculo reina em todas as formas sociais que a
precederam, a questão da dominação do espetáculo moderno nasceu à época do
bolchevismo, quando triunfou na Rússia e o proletariado passou a se opor à
classe.
O
segundo passo foi quando Stálin passou a apoiar governos burgueses em troca de
retribuição em seus negócios, sabotando movimentos revolucionários obviamente.
O
passo seguinte foi o fascismo. Chego a dizer que o fascismo é um dos fatores do
espetáculo moderno. Principalmente por desarticular/destruir o movimento
operário.
A
grande questão nisso tudo, que desejo salientar e frisar é que o proletariado
não foi erradicado, pelo contrário. Suas ramificações se manifestam através do
trabalho intelectual, cito aqui os artistas.
E
dessa forma, o capitalismo na sua linhagem mais crua, vai atacar diuturnamente
a cultura, que é algo produzido de forma genuína pelas camadas de classes sociais
nos seus mais diversos acabamentos.
O
espetáculo é a ideologia por excelência, porque expõe e manifesta em sua
plenitude a essência de todo o sistema ideológico: o empobrecimento, a
subordinação e a negação da vida real.
Nunca
a censura foi tão utilizada, principalmente pelos meios que sustentam a
sociedade do espetáculo, a mídia é uma delas, que aplica sua força para cada
vez mais dissuadir os espectadores, a ponto de se tornarem figuras movimentadas
por linhas quase invisíveis a fomentar o processo da divisão de classes por
exemplo.
A
sociedade do espetáculo só poderá ser combatida a partir de sua crítica real e
verdadeira no que tange a retomada da luta de classes, que é justamente a
crítica das suas condições atuais.
A
manutenção de uma sociedade ignorante e manipulada pelo seu vasto sistema de
incremento aquilo que o sistema ensina: uma preguiça intelectual internalizada
e paralisante. Mantendo sempre um discurso falacioso e enganador.
Como
sua obra se deu início no período da Guerra Fria, Guy Debord desenvolve seu
conceito de sociedade do espetáculo a partir do conceito de Marx de fetiche da
mercadoria.
Sua
obra foi de fundamental importância para as manifestações de maio de 68 que se
caracterizou como sendo a revolta dos estudantes e da classe trabalhadora
francesa que visou mudança no status quo.
O
que permite a caracterização do capitalismo como a sociedade do espetáculo é o
caráter cotidiano da produção de espetáculos, a quantidade incalculável de
espetáculos produzidos e seu vínculo com a produção e o consumo de mercadorias
feitas em larga escala.
O
que a meu ver o pensamento Deboriano propõe é que a vida alienada possa ser
retomada a partir de decisões tomadas coletivamente em assembleias, e que o
poder deveria ser retomado em relação as suas próprias vidas.
Mais
tarde em 1988, Guy Debord publica COMENTÁRIOS SOBRE A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO,
no qual ele avalia que a sociedade do espetáculo se fortaleceu depois do
movimento de maio de 68.
O
neoliberalismo se fortaleceu e assumiu as rédeas de uma sociedade cada vez mais
capitalista. O movimento trabalhista ficou muito enfraquecido tendo em vista o
crescimento dos grandes conglomerados empresariais, causando muito desemprego e
precarização das condições de trabalho, enfraquecimento dos sindicatos e por aí
vai.
Nos
últimos tempos as campanhas políticas na América Latina têm uma evidência em
particular, o surgimento de candidatos de esquerda como baluartes e sendo
porta-vozes das crises sofridas pelas camadas mais populares da sociedade.
Será
que a sociedade do espetáculo nesses governos foi inexistente?
Fazendo
uma avaliação bem criteriosa acredito que não, na verdade houve em linhas
gerais uma manutenção econômica do neoliberalismo. E digo mais, houve uma farta
utilização das técnicas de marketing para garantir, no caso aqui do Brasil, a
eleição, reeleição e altos índices de popularidade, no caso do governo Lula lá
nos idos de 2002 e anos seguintes.
O
que estou querendo dizer é que a mídia é a principal controladora do sistema
capitalista em questão, este por sua vez é o principal financiador dessa orgia
midiática. A mídia funciona como uma espécie de teúda e manteúda do capitalismo.
As
mídias eletrônica e impressa funcionam por aqui, em terras tupiniquins, muito
bem no que diz respeito à manipulação da massa, como disse no início do texto
seus espectadores apresentam uma espécie de letargia profunda.
Letargia
essa que mais adiante foi capaz de eleger o inominável em 2018, no qual
representava tudo de melhor para o empresariado e apesar de ser um asno no
sentido mais profundo da palavra, no qual era maliciosamente mal assessorado
acabou entrando em discordância com o grande conglomerado televisivo em voga no
país, o resultado foi o que graças a Deus aconteceu, sua derrocada na eleição
passada.
Resumindo:
a sociedade do espetáculo é ainda hoje a grande bola da vez.
De
qualquer maneira, a realidade contemporânea possui elementos suficientes para
que uma reflexão sobre a possibilidade de um retorno da crítica teórica e
prática da sociedade capitalista do espetáculo se torne indispensável.
E
essa realidade hoje, acredito, é manifestada pela crescente crise econômica que
se instala a cada dia nos grandes países capitalistas, na casa dos trilhões de
dólares. Isso está provocando um abalo no sistema neoliberal.
Não
temos escapatória, haja vista que essa sociedade espetaculosa se utiliza do
pensamento único como a única via capaz de salvaguardar nossos ideais, que há
muito tempo já foram exterminados.
O
objetivo do texto de hoje é somente oferecer uma panorâmica sobre o filósofo
analisado hoje, como sempre costumo fazer com essa série.
Para
concluir a análise do texto de hoje e indicação de leitura do nosso filósofo em
questão, vou encerrar com um pensamento de George Orwell:
“A massa mantém a marca, a marca
mantém a mídia, e a mídia controla a massa.”
Até a próxima, se Deus quiser.
BIBLIOGRAFIA:
Editora: Contraponto; 1ª edição (5
fevereiro 2007)
Idioma: Português
Capa comum: 238 páginas
ISBN-13: 978-8585910174
Dimensões: 21 x 14 x 1.8 cm
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