A REAL NATUREZA HUMANA

junho 26, 2016 Randerson Figueiredo 0 Comments



“A consciência é a mola mestra que define o grau de maturidade e desenvolvimento de um indivíduo.”Randerson Figueiredo.

Estava a pesquisar sobre a natureza humana e deparei-me com textos da filosofia oriental clássica. Não tenho tanto conhecimento sobre esse assunto, mas acredito que poderemos tecer alguns comentários a respeito.

Os confucionistas no século III a.C. Mêncio e Xunzi tomaram como base algumas situações para estabelecer o que de fato está entrelaçado à natureza humana.

Para Mêncio: “todos tem um coração sensível aos sofrimentos de outros. Os grandes reis do passado tiveram este coração sensível, e políticas cheias de compaixão foram adotadas. Trazer a ordem ao reino é tão fácil quanto mover um objeto na palma de sua mão, e quando você tem um coração sensível tenta sempre pôr em prática políticas de compaixão.”

Xunzi disse: A natureza do homem é má. Bom é o produto humano. A natureza humana é tal que os povos nascem com amor ao lucro, e se seguirem essa inclinações, eles lutarão e arrebatar-se-ão uns aos outros, e as inclinações ao dever e a produção morrerão. Eles nascem com medos e ódios.

Se os seguirem, transformar-se-ão em violentos e tendenciosos, indo de contra a boa fé, que morrerá. Se forem indulgentes, a desordem da licenciosidade sexual resultará na perda dos princípios rituais e da moral.

Em outras palavras, se o povo agir de acordo com a natureza humana e seus desejos, eles inevitavelmente lutarão, arrebatar-se-ão, violarão as normas e agirão com violento abandono.

Conseqüentemente, somente depois de transformados por professores e por princípios rituais e morais, conforme a cultura, poderão permanecer em boa ordem. Visto por este lado, é óbvio que a natureza humana é má, e bom é o produto humano.

Extratos do Livro de Mêncio e do Livro de Xunzi.

Sinceramente, depois de todos esses argumentos filosóficos estou com Xunzi. Muitos vão me chamar de pessimista, mas não é questão de pessimismo é a realidade.

Pode observar que Mêncio e Xunzi são adeptos da educação como mola propulsora para desenvolver bons hábitos e delinear bons aspectos que fomentem uma boa conduta.

Partindo da filosofia oriental para a ocidental iremos perceber uma discreta linha tênue que entrelaça as duas linhas de pensamento: tanto a oriental quanto a ocidental.

Se pegarmos Xunzi como exemplo que diz que a natureza humana é má, e bom é o seu produto iremos recair na velha história de Adão e Eva, Sodoma e Gomorra, Caim e Abel...

O que os levou a agir desta forma?

E se a educação pautada por Mêncio e Xunzi fazem tanta diferença assim, porque pessoas que são tão impolutas e educadas ao extremo costumam a agir de forma inadequada quanto a questão moral e ética? Era para ser ao contrário não é mesmo?

Será que a educação lapida ou o mal realmente está conosco?

As transgressões morais fazem parte de nossa alçada. Até aí tudo bem, mas até que ponto somos realmente seres capazes de tudo para conseguir nossos objetivos?

Xunzi considerou a perspectiva de Mêncio demasiadamente idealista. E por essa razão,  a natureza humana seria má, selvagem, idêntica a natureza dos animais que se juntariam em bandos para caçar, matar e procriar.

No entanto, este mesmo ser humano precisou estabelecer limites que assegurassem sua existência, sendo capaz de gerar uma ideia de lei e justiça que intermediaria seus conflitos com o outro.

Xunzi entendia ser isso um Saber social (Cultura), ou seja, um sistema de reprodução da sociedade que disciplinava seu modo de vida, vinculada, fundamentalmente, a questão da educação, que seria a transmissão desta estrutura entre gerações.

Vemos aí, novamente, o problema dos estudos aparecendo como um fator primordial na ótica confucionista. Xunzi era pessimista, mas não descrente do ser humano: pelo contrário, acreditava que mesmo esse ser, de natureza vil, era capaz de articular um modo de vida que respeitasse os limites alheios.

Logo, se a China de sua época vivia uma crise, era porque realmente as pessoas não estavam sendo bem educadas: e isso permitia que seus instintos primitivos aflorassem em toda a sua força.

O ser humano tinha todo o potencial de ser bom, mas disso dependia que toda a sociedade exercesse uma pressão constante sobre si própria e sobre os governantes para regular suas ações, e disseminar a prática do bem e da cultura.

Eram necessários princípios rígidos na avaliação do cotidiano. E assim sendo, valendo-se de suas forças, a humanidade não dependeria mesmo do Céu, para sobreviver.

Essa questão da educação nos coloca em outro nível de questionamento: pode uma cultura (a educação em si) lapidar de vez, modificar o espírito de um povo?

Caberia a meu ver a sociedade instruir cada pessoa. O que de fato "acontece".

Mas a índole caberia à consciência de cada um, de cada ser, de cada cidadão.

Diante disso, somente a consciência poderia determinar, realmente, o caminho a ser tomado pelo indivíduo, fosse qual fosse sua índole natural. A educação seria um instrumento, mas não capaz de moldar de uma vez por todas o caráter de um indivíduo.

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A MODERNIDADE LÍQUIDA

junho 20, 2016 Randerson Figueiredo 0 Comments



Há algum tempo deparei-me com a Modernidade Líquida do sociólogo polonês Zygmunt Bauman e sempre quis trazer aqui pro blog Jung na Veia esse pensamento desse sociólogo, um pensamento de vanguarda e que contrapõe a ideia de pós-modernidade.


Bauman com sua lucidez tamanha, no auge dos seus 90 anos, nos mostra de fato o que é a modernidade líquida. Hoje não vou escrever nenhum texto propriamente sobre esse assunto, quem sabe em outra oportunidade? Mas apresento entrevista com o próprio Bauman logo abaixo. Nada melhor que o próprio autor falando sobre sua ideia em análise. 

Vamos ao vídeo...


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O VOO DO ALBATROZ

junho 19, 2016 Randerson Figueiredo 0 Comments


“Se não respeitarmos a natureza por livre e espontânea vontade, um dia seremos obrigados a fazer isso”.Randerson Figueiredo.
Costumo sempre falar que nossa vida é muito parecida com o albatroz. Primeiro vamos definir albatroz.

Os albatrozes, incluindo os piaus, da família biológica dos diomedeídeos (Diomedeidae), são aves marinhas de grandes dimensões que, em conjunto com os procelarídeos, painhos e petréis-mergulhadores, formam a ordem dos Procellariiformes ou Tubinares.

Distribuem-se por quase toda a extensão do Oceano Antártico e norte do Oceano Pacífico. Os albatrozes estão entre as aves voadoras de maiores dimensões.

Reverenciada pelos poetas, respeitada pelos marinheiros, que a veem sob uma ótica supersticiosa, crendo realmente que ela atrai azar quando é eliminada, esta ave constrói seu ninho em ilhas distantes, dividindo o local escolhido, às vezes, com pássaros de outras classes.

Mas tem um ponto que não é técnico que gostaria de observar. Diz respeito ao seu voo. Elas são aves altamente desastradas quando fora do seu ambiente aéreo.

E assim é a nossa vida. Somos como o albatroz.

Quando vamos alçar voo temos uma dificuldade enorme, principalmente quando não tem vento suficiente para nos soerguer definitivamente. Um empurrãozinho.

E quando se retorna ao solo também, o albatroz é altamente desastrado, não consegue fincar suas garras e acaba se atrapalhando na aterrissagem.

Quem nunca de nós se comportou como um albatroz?

Somos grandes porque Deus nos fez grandes, a envergadura de suas asas chega a ser um metro e é uma das aves mais elegantes do globo terrestre.

Mas até alçarmos voos e aterrissar aí já é uma complicação. Somos atrapalhados com a vida, com nós mesmos, com os outros... Enfim, atrapalhados em muitas situações.

Uma das poucas diferenças do albatroz conosco é o relacionamento, eles, os pássaros, são monogâmicos ao contrário da gente, que não respeita nada que está ao nosso redor, não respeita o parceiro.

Com o texto de hoje desejava estabelecer uma relação não somente de comparação com o pássaro, mas também de conformidade com nossas vidas.

Eles, os albatrozes, representam para a gente um algo a mais, afinal podemos e devemos aprender muito com a natureza, é ela quem vai nos ensinar sempre.


Se não respeitarmos a natureza por livre e espontânea vontade, um dia seremos obrigados a fazer isso.

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FALSAS EXPECTATIVAS

junho 12, 2016 Randerson Figueiredo 0 Comments



“A falsa expectativa é como uma miragem: quanto mais nos aproximamos, mais queremos senti-la”.Randerson Figueiredo.

A problemática da falsa expectativa refere-se principalmente a algo que projetamos sobre o outro, nossos anseios, perspectivas e condições mais adversas possíveis.

É assim que nos iludimos, é assim que nos aprisionamos.

E essa mesma expectativa nos torna reféns de nossas próprias conjecturas à medida que nos aproximamos dela mais queremos senti-la.

É assim que funciona, não de forma simples e engessada, mas forma uma engrenagem tão complexa capaz de fazer arrefecer os corações mais bravios.

Criamos em nossas mentes suposições, teses, fatos que achamos que são ou serão concretos em algum momento de nossas vidas e que porventura virão a ser realizados.

Ledo engano.

Essa falsa expectativa nos remete a um castelo de areia, quanto mais enfeitamos, mais problemática será a sua derrocada quando a onda destruir tudo.

Como bem disse Osho:
“Uma vez que você abandone as expectativas, você aprendeu a viver”.

É complicado não criar expectativas sobre coisas, situações e principalmente sobre pessoas, mas devemos pelo menos ficar alertas a tudo.

Pois uma situação desagradável poderá nos adoecer, de forma severa.

A falsa expectativa vem acompanhada da frustração, são grandezas diretamente proporcionais e que proporcionam um mal-estar terrível e alucinante na parte mais ferida.

E com as pessoas sempre tendemos, eu disse tendemos, a nos machucar de forma mais cáustica, a nos ferir mais, a decepção sempre é maior com toda certeza.

Porque justamente alguém não correspondeu a nossas expectativas. Como disse no início do texto tendemos a projetar nossas perspectivas no outro, e isso é muito prejudicial.

Por isso quando escrevi o texto sobre O inferno são os outros, Sartre sabia perfeitamente o que estava falando, entendia muito bem as facetas da psique humana. Sobre a projeção...


E essa mesma projeção é quem poderá nos salvar de todos os reveses da vida, das intempéries e dificuldades em geral. Pois quando aprendermos a facilitar nossa condição humana ao invés de dificultar nossa estada nesse planeta, talvez um dia possamos respirar fundo e saber que perdemos tanto tempo com falsas expectativas.

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NA TEIA DA ARANHA

junho 05, 2016 Randerson Figueiredo 0 Comments



Eles são sedutores, charmosos e muito, mas muito inteligentes. Conquistam sua atenção numa fração de segundos e quando você menos espera está preso na sua teia...

Estou falando dos psicopatas. Hoje iremos falar sobre esse ser que tem prazer em destruir nossas vidas, muitas vezes se fazem de bons cidadãos, pacatos, mas que escondem algo de podre em seu interior.

O texto de hoje é mais que um alerta, é a prova viva de que podemos ser enganados a qualquer momento por qualquer pessoa que queira nos ludibriar com atitudes milimetricamente bem ensaiadas.

Entre 1 e 3% das pessoas são incapazes de seguir voluntariamente regras sociais. E, com o raciocínio intacto, são capazes de maquinar quaisquer maldades para satisfazer seus desejos. O psicopata age assim.

Ele ou ela é capaz de conquistar nossa confiança, como amigo, parceiro sexual, colega de trabalho... Até que cai a máscara e você descobre com quem está lhe dando.

Pessoas assim se tornam indiferentes ao bem-estar alheio, são amorais e são capazes de por em prática qualquer plano para atingir seus objetivos.

A bíblia da psiquiatria chama de Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS) ou de psicopatia.

Ele conhece as regras sociais, só não está nem aí para elas. Essa é uma de suas grandes características.

O psicopata também tem dificuldade em sentir emoções. Com isso, sua empatia - a capacidade de se colocar no lugar dos outros - é nula. Quando ele pensa, é só raciocínio, sempre a favor de si.

Age desta forma, pois seu cérebro é diferente das pessoas normais.

Sejam predadores, sejam apenas parasitas, os psicopatas estão entre nós. E não é fácil reconhecê-los a tempo: "O leigo pode confundi-lo com uma pessoa sem nenhum transtorno psiquiátrico.

Isso por motivos diversos: a ideia equivocada de que o transtorno deva sempre estar acompanhado de sintomas psicóticos, e o fato de ele ser um sujeito eloquente, sedutor, manipulador", diz o psiquiatra forense Elias Abdalla Filho, da Universidade de Brasília.

"Por isso é tão comum vizinhos, ao tomarem conhecimento de crimes bárbaros praticados por psicopata, afirmarem que sempre pareceu uma pessoa normal."

Nas minhas pesquisas para escrever esse texto, encontrei o Dr. Robert Hare um dos maiores especialistas em psicopatia no mundo e ele diz o seguinte:

A ESCALA DE ROBERT HARE:

Psiquiatras dão de 0 a 2 a cada um dos 12 tópicos abaixo, a partir da avaliação clínica e do histórico pessoal do paciente. A soma dos pontos é comparada numa escala, que determina o grau de psicopatia.

1. BOA LÁBIA
O psicopata é bem articulado e ótimo marketeiro pessoal. Como um ator em cena, conquista a vítima bajulando e contando histórias mirabolantes de si. Com meia dúzia de palavras difíceis, se passa por sociólogo, médico, filósofo, escritor, artista ou advogado.

2. EGO INFLADO
Ele se acha o cara mais importante do mundo. Seguro de si, cheio de opinião, dominador. Adora ter poder sobre as pessoas e acredita que nenhum palpite vale tanto quanto suas ideias.

3. LOROTA DESENFREADA
Mente tanto que às vezes não se dá conta de que está mentindo. Tem até orgulho de sua capacidade de enganar. Para ele, o mundo é feito de caças e predadores, e não faria sentido não se aproveitar da boa-fé dos mais fracos.

4. SEDE POR ADRENALINA
Não tolera monotonia, e dificilmente fica encostado num trabalho repetitivo ou num casamento. Precisa viver no fio da navalha, quebrando regras. Alguns se aventuram em rachas, outros nas drogas, e uma minoria, no crime.

5. REAÇÃO ESTOURADA
Reage desproporcionalmente a insulto, frustração e ameaça. Mas o estouro vai tão rápido quanto vem, e logo volta a agir como se nada tivesse acontecido - é tão sem emoções que nem sequer rancor ele consegue guardar.

6. IMPULSIVIDADE
Embora racional, não perde tempo pesando prós e contras antes de agir. Se estiver com vontade de algo, vai lá e consegue tirando os obstáculos do caminho. Se passar a vontade, larga tudo. Seu plano é o dia de hoje.

7. COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL
Regras sociais não fazem sentido para quem é movido somente pelo prazer, indiferente ao próximo. Os que viram criminosos em geral não têm preferências: gostam de experimentar todo tipo de crime.

8. FALTA DE CULPA
Por onde passa, deixa bolsos vazios e corações partidos. Mas por que se sentir mal se a dor é do outro, e não dele? Para o psicopata, a culpa é apenas um mecanismo para controlar as pessoas.

9. SENTIMENTOS SUPERFICIAIS
Emoção só existe em palavras. Se namorar, será pelo tesão e pelo poder sobre o outro, não por amor. Se perder um amigo, não ficará triste, mas frustrado por ter uma fonte de favores a menos.

10. FALTA DE EMPATIA
Não consegue se colocar no lugar do próximo. Para o psicopata, pessoas não são mais que objetos para usar para seu próprio prazer. Não ama: se chegar a casar-se e ter filhos, vai ter a família como posse, não como entes queridos.

11. IRRESPONSABILIDADE
Compromisso não lhe diz nada - tende a ser mau funcionário, amante infiel e pai relapso. Porém, como a família e os amigos são fonte de status e bens materiais, para cada mancada já tem uma promessa pronta: "Eu mudei. Isso nunca mais vai acontecer de novo".

12. MÁ CONDUTA NA INFÂNCIA
Seus problemas aparecem cedo. Já começa a roubar, usar drogas, matar aulas e ter experiências sexuais entre 10 e 12 anos. Para sua maldade, não poupa coleguinhas, irmãos nem animais.

Fonte Without Conscience, de Robert Hare, The Guilford Press, 1993; esta é a versão reduzida da Escala de Hare; o dianóstico somente pode ser feito por profissionais treinados.

DEPOIMENTO

E porque todo esse texto hoje?

Porque eu simplesmente fui vítima de um psicopata, ou melhor, de uma psicopata. Uma mulher atraente, sofisticada, muito bonita, inteligente e outros tantos predicados começou e me enlaçar em sua teia, por isso o título do texto: Na teia da aranha.

Não vou entrar em detalhes, pois posso expor algumas pessoas, mas o que posso dizer é que foi uma experiência muito ruim, e graças a Deus primeiramente nada me aconteceu.

As minhas leituras e vivência me ajudaram muito também a identificar essa psicopata, saber quem ela era de verdade, a saber quais eram suas intenções comigo.

Livros como Mentes Perigosas – o psicopata mora ao lado da Dra. Ana Beatriz Barbosa e Silva e Conduta Cruel da pesquisadora Carol Anne Davis que nos mostra de forma contundente como age esse ser me ajudaram muito a fazer essa identificação.

Por isso que o texto de hoje é mais que um alerta, eu Randerson Figueiredo, sou prova viva de que essa situação de se deixar envolver por uma mente doentia como essa pode acontecer com qualquer um. Fui vítima disso.

Aconteceu comigo, mas eu graças a Deus, agi de forma rápida e segura, me afastei imediatamente desse ser que só deseja destruição por onde quer que passe.

Então vamos ficar alerta com todos que estão ao nosso redor, não sabemos de fato com quem estamos nos dando, com quem estamos ofertando nossa atenção, nosso coração.

Cuidado para um dia você não cair na teia da aranha...


Até a próxima.

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