UM REI EM NOVA YORK – ANÁLISE DE FILME
junho 26, 2021
Randerson Figueiredo
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junho 26, 2021 Randerson Figueiredo 0 Comments
Hoje trago nesta plataforma a análise de filme Um Rei em Nova York do genial Charles Chaplin.
A película é uma sátira ao modo de vida norte-americano, é mais precisamente uma sátira política, motivada acredito eu por questões políticas do próprio Chaplin, ele era acusado de ser comunista e foi perseguido pelo Macarthismo na época, na terra do tio Sam.
A atuação de Charles Chaplin não é das melhores, assim como em outras produções, por exemplo, em O grande ditador, mas podemos dar boas gargalhadas e refletir sobre diversas temáticas da obra.
Chaplin interpreta um rei falido, destronado do seu posto, o rei Shahdov, que ao partir para os Estados Unidos se vê numa montanha-russa de situações.
Apesar de notar uma certa mágoa na interpretação de Chaplin, o filme é magistral, exceto a interpretação de Michael Chaplin, filho de 11 anos do diretor. Mas podemos dar um desconto.
O filme é uma grande brincadeira (séria) sobre as ideologias da época, a Guerra Fria estourava e ele também nesse filme. Tem cenas que lembram até o casal Rosenberg, que marcou profundamente Charles Chaplin.
O teor satírico-político já pode ser visto nos primeiros minutos da fita, com o povo meio abobalhado invadindo o castelo do rei Shahdov que, em seguida, é mostrado chegando aos Estados Unidos.
A perda da majestade, o choque cultural e a readaptação a um modo completamente diferente de vida são ingredientes que servem de alívio cômico e alfinetadas no decorrer da obra.
Há cenas memoráveis como a que ele tem que prender o riso em uma pequena representação cômica e seu rosto está costurado devido a uma cirurgia plástica (que lembra muito os seus curtas-metragens da era silenciosa), ou a relação dele com Ann Kay, a especialista em marketing televisivo que tentava inserir Shahdov no show business americano a todo custo.
Um Rei em Nova York consegue passar uma mensagem bem positiva no final, apesar de desvelar certa amargura, ele passa o seu recado com cenas antológicas.
Como não citar o banho que ele dá, ou melhor, que Shahdov dá um banho nos políticos do Comitê de Atividades Antiamericanas. Uma das cenas finais.
Não poderia deixar de indicar essa maravilha aqui no blog.
Não por se tratar somente de uma sátira-política, mas por ser um filme que nos mostra muito de nós mesmos, nos faz rememorar quem realmente somos e o que há por trás das aparências.
Não deixe de assistir Um Rei em Nova York, você vai se deliciar.
Ficha técnica
Elenco: Charles Chaplin, Maxine Audley, Jerry Desmonde, Oliver Johnston, Dawn Addams, Sidney James, Joan Ingram, Michael Chaplin, John McLaren, Phil Brown, Harry Green
Duração: 110 min.
BENDITA DESOBEDIÊNCIA - PEDAGOGIA DE DEUS
junho 20, 2021
Randerson Figueiredo
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junho 20, 2021 Randerson Figueiredo 0 Comments
Quem come do fruto do conhecimento, é sempre expulso de algum paraíso.
Melanie Klein
Muito bem, caro leitor, a premissa de hoje para o desenvolvimento da série Pedagogia de Deus será sobre a abordagem bíblica de Adão e Eva.
Começarei o texto de hoje com um relato.
Quando participava das missas aqui na comunidade, em Fortaleza/Ceará o padre da paróquia já era um senhor bem idoso, inclusive o mesmo fez o meu batismo, muitos acreditavam que ele já estava senil, numa linguagem mais tupiniquim: esclerosado. Diante das inúmeras inserções que ele fazia na homilia, poderia até parecer isso mesmo, mas somente poderia...
O fato é que o padre em questão estava mais lúcido do que todos que participavam das suas missas sempre refesteladas com abordagens sobre Adão e Eva.
Quando passei a prestar verdadeiramente atenção no que ele dizia comecei a me entusiasmar a pesquisar ainda mais sobre a intrincada relação do Santo Evangelho e psicologia profunda.
A frase de Melanie Klein é bem assertiva quanto ao texto de hoje. Acredito que você, leitor, vai entender tudo direitinho, o que desejo exemplificar em cada parágrafo deste texto.
À medida que vou tecer o texto vou deixá-lo a par de tudo.
Pois muito bem, esse padre que muitos consideravam gagá era o mais lúcido de todos! Ele abordava de uma forma exegética sem igual sobre Adão e Eva. Quem estava atento conseguia entender tudo.
Sabe leitor, acredito que o paraíso só existe graças às lacunas que estão ao redor do paraíso, caso contrário não existiria a ideia, veja bem, eu disse a ideia de paraíso.
Quem está no paraíso não sabe, não se apercebe que está no paraíso, a não ser que seja retirado de lá. E foi o que aconteceu com o nosso casal de estudo de hoje: Adão e Eva.
Muitas são as insinuações a respeito de Adão e Eva. Muitas!
Mas poucas são capazes de esmiuçar o que de fato convém realmente saber. Adão significa aquele que vem da terra, homem=húmus.
Eva significa aquela que dá vida.
Então o quer dizer sobre Adão e Eva? Todo homem e toda mulher, e não somente um casal. Não necessariamente um casal com nomes próprios.
É notório que há uma sedução do mal dentro dessa perspectiva representada por alguns elementos simbólicos, são exteriorizações, são expressões dessa verdade:
- A árvore
- A maçã
- As folhas da figueira e a nudez
- A serpente
O que percebo é que diante de todos esses elementos é que há uma tomada de consciência diante de tudo que é apresentado, e claro, da decisão tomada.
E desta forma temos a nudez como um símbolo de tomada de consciência crucial diante de Deus. O esconder-se de Deus (Gn 3,8b.10) é o símbolo do homem que se reconhece pecador, culpado e consciente.
O homem estava nu e escondeu-se de Deus.
A serpente simboliza a inclinação que o homem tem para o mal. E utiliza a serpente porque era o símbolo da religião de Canaã. Um emblema fálico. E é símbolo do mal.
Portanto a origem do mal, teologicamente falando, está pelo fato do homem ter dado ouvidos à serpente e não a Deus, é um sentido etiológico.
Então a questão dessa desobediência a meu ver propiciou para que houvesse uma tomada plena de consciência, saber o verdadeiro motivo pelo qual lutamos.
É o homem quem constrói ou quem destrói o paraíso.
E a frase da grande psicanalista Melanie Klein reverbera isso. Quando se passa a ter uma tomada de consciência é possível trazer a lume a verdadeira essência, nos aproximamos do que por ventura tratamos como verdade.
Foi na Idade Média que houve a ideia-mor de paraíso, e Dante na sua Divina Comédia expandiu bastante.
Para não dizer que não falei das flores...
Voltando ao início do texto, quando fui a outra missa com outro padre, ele arrematou o que o padre mais idoso havia dito: Adão e Eva é uma mitologia impregnada na psique do homem. Disse.
Dentro dessa perspectiva desse padre mais subversivo, vamos dizer assim, o homem completo ou o sentimento de integridade psíquica corresponde ao paraíso das religiões judaico-cristãs.
Falei tudo isso para chegar a esse arremate. Foi necessário, acredito.
A expulsão do Jardim do Éden é um exemplo de como o homem deve sacrificar algo para obter a consciência em cujo centro está o Ego, argumento utilizado diversas vezes para explicar o surgimento da civilização e o sofrimento do homem.
Temos uma grande ignorância sobre o que é bom e/ou que é mal. É algo plenamente subjetivo segundo Jung.
Em poucas palavras houve nesse caso da experimentação da árvore uma consciência dos opostos. Edward Edinger, um dos meus analistas junguianos preferidos diz:
“É o fruto da árvore do conhecimento sobre o bem e o mal o qual trás a consciência dos opostos (…)”. (F.Edinger, 2020).
E esse ato poderia ser considerado um ato malvado por parte do casal.
Bem, querido leitor desta plataforma, escrevi tudo isso para chegar à conclusão de que o mito de Adão e Eva nada mais representa que o surgimento da consciência.
Já trabalhamos esse ponto aqui algumas vezes, o Ego é o oposto direto do Self que por sua vez controla a psique. O ego é o jardim do Éden e o Self a figura divina.
Esse crime cometido causa a separação da inconsciência paradisíaca e a consciência. E a culpa é o pecado original, que surge com o nascimento da consciência.
“Senhor Deus chamou o homem e lhe disse: “Onde estás”?”, ‘”Ele respondeu: “Ouvi a tua voz no jardim, tive medo porque estava nu, e me escondi” (Bíblia: Tradução Ecumênica, 1994).
O sofrimento anunciado por Deus, reflete ao trabalho, agora terão que se sustentar com o fruto do próprio trabalho e sofrer as dores do parto. Acredito que é por isso que a nudez é tão evidenciada, não a física, mas uma nudez moral.
“A aquisição da consciência é um crime, uma hybris contra os “poderes estabelecidos”; mas é um crime necessário, pois traz uma alienação necessária do estado natural de plenitude inconsciente” (F.Edinger, 2020).
Cada passo ao despertar é doloroso, cheio de culpa e sofrimento, mas o “Ser como Deus ao conhecer o Bem e o Mal” deixa bastante claro o fato de que no caminho há muito mais que o aparente.
Afinal, sempre com a tomada de consciência seremos expulsos de algum paraíso, parafraseando Melanie Klein.
Então por hoje é só.
Fiquei muito feliz por ter chegado a desenvolver essa análise que há muito tempo planejava. Espero que tenha gostado e se tiver algo a mais que me esqueci de elencar é só falar nos comentários.
Ou então se quiser pode me enviar um e-mail diretamente:
randersomfigueiredo@hotmail.com
Até a próxima.
Referências bibliográficas
Bíblia: Tradução Ecumênica. (1994). São Paulo: Edições Loyola.
F.Edinger, E. (2020). Ego e Arquétipo. São Paulo: Cultrix.
Jung, C. G. (2014). Volume 10: Civilização em Transição. RJ: Editora Vozes.
O PODEROSO CHEFINHO – ANÁLISE DE DESENHO ANIMADO
junho 12, 2021
Randerson Figueiredo
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junho 12, 2021 Randerson Figueiredo 0 Comments
Olá caro leitor. Hoje entrarei na seara infantil com a análise de desenho animado O Poderoso Chefinho, uma versão baby da película O Poderoso Chefão, pelo menos o nome faz referência.
Acredito que o nome poderia ser outro, pois ele (bebê) é um empresário e não um gângster. Acredito que colocaram o nome por questões mercadológicas.
Primeiro gostaria de dizer que é um desenho inteligente demais.
Esse desenho especificamente lida com diversas questões sociais, uma delas é o aspecto de se ganhar um irmão. Outro ponto a ser questionado é que a história pode não ser nada mais que parte da vívida imaginação do protagonista.
O personagem principal em questão se chama Tim Templetom e possui uma imaginação muito fértil e é criado pelos pais com uma atenção fora do comum, 24 horas por dia.
Mas essa atenção acaba com a chegada de mais um integrante à família, mais conhecido como Chefinho. E Chefinho não é qualquer bebê, é um super bebê e está ali para uma grande missão.
Ele trabalha na Baby Corp, uma empresa que envia recém-nascidos para suas respectivas casas. Os menos aptos para ser o bebezinho da família são levados para trabalhar na empresa e garantir que tudo funcione corretamente.
No entanto, a Baby Corp passa por uma grande crise, já que casais estão optando por cachorros ao invés de filhos. A grande sacada é que Chefinho entra para a família certa, pois os pais de Tim trabalham na concorrência, a famosa Puppy Co, responsável pelo lançamento do cachorrinho mais fofo do mundo.
Como Tim tem uma imaginação fértil, o Chefinho já chega de terno, gravata e maleta, como um grande empresário a tomar seu devido posto.
O Poderoso Chefinho fala exatamente sobre esse amor, sobre questões familiares, mundo imaginário das crianças. Um dos pontos altos do filme é justamente isso: quanto à veracidade do que é retratado na trama.
Tudo o que se passa na projeção é tratado como se fosse real, mesmo que surjam as coisas mais absurdas, gerando em seu espectador até certa dúvida em relação à veracidade do que se vê, se aquilo está num plano real ou imaginário.
Em um ponto da narrativa, aquele bebê, uma espécie de chefe dos recém-nascidos de todo o mundo, convoca uma reunião em sua nova casa, chamando os bebês do bairro, um momento cômico pelo estranhamento que gera.
Personagens de fralda, munidos de suas mamadeiras, discutindo negócios a sua forma, pedindo aumento de salário (pirulitos, no caso), definindo estratégias e tudo mais.
Tem também o conflito entre o mundo dos pets x bebês... Dá uma ideia de que os animais de estimação poderiam substituir os bebês, essa mensagem para mim é muito significativa, bem atual.
Essa película cut cut nos revela algo muito interessante também...
Sobre envolvimento emocional, acredito ser essa a grande sacada do filme. Aborda a relação entre irmãos de uma forma leve, mas com um tom acima, ressignificando a relação fraternal num ambiente corporativista. Muitas vezes o chefinho utiliza um laço pecuniário para sanar suas discussões, é uma questão financeira, e sabemos que nada se resolve somente por esse ponto de vista.
Aconselho que se você puder assistir a esse filme valerá a pena. Bom filme!
Espero que tenha gostado da primeira análise de filme infantil.
Até a próxima.
TRAILER
FICHA TÉCNICA
Título original: The Boss Baby
País de origem: EUA
Idioma: Inglês
Gênero: Infantil/Comédia
Classificação: Livre
Tempo de duração: 1h 37m
Ano: 2017
Adaptação: –
Elenco principal: –
Direção: Tom McGrath
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