O QUE APRENDI COM JUNG?

dezembro 30, 2014 Randerson Figueiredo 0 Comments



A postagem de hoje será mais do que reflexiva, será a retrospectiva desses dois anos e poucos meses de blog, um bebê, diga-se de passagem.

Quero dizer a você leitor do blog Jung na Veia, que você é mais que um leitor de um blog de filosofia e psicologia analítica, somos parceiros na jornada do conhecimento.

E nesses dois anos lanço a pergunta: o que aprendi com Jung? Muita coisa não é verdade? Sombra coletiva, inconsciente coletivo, processo de individuação, arquétipos, anima e animus e muitas outras situações.

Vejamos algumas delas:

A sombra coletiva manifesta-se o nosso lado mais sombrio, pois quanto mais o escondemos pior será...

No inconsciente coletivo temos mais dos nossos antepassados do que suponhamos...

O processo de individuação é o encontro consigo mesmo, o âmago da sua essência... Nas próprias palavras de Jung (O Eu e o Inconsciente, pág. 49) : “Individuação significa tornar-se um ser único, na medida em que por individualidade entendermos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso próprio si mesmo. Podemos pois traduzir individuação como tornar-se si mesmo ou o realizar-se do si mesmo”.

Arquétipo é descrito pelo psicólogo Carl Gustav Jung como um conjunto de imagens psíquicas presentes no inconsciente coletivo que seria a parte mais profunda do inconsciente humano. Os arquétipos são herdados geneticamente dos ancestrais de um grupo de civilização, etnia ou povo.

Os arquétipos não são memórias coesas e "palpáveis" no contexto ou definição clássica de memória, mas são o conjunto de informações inconscientes que motivam o ser humano a acreditar ou dar crédito a determinados tipos de comportamento.

Os arquétipos correspondem ao conjunto de crenças e valores comportamentais básicos do ser humano. Podem se manifestar nas crenças religiosas, mitológicas ou no comportamento inconsciente do indivíduo.

Anima e animus, o masculino e o feminino que há no homem e na mulher, sendo dito de uma forma mais simples...

Esses são só para citar alguns casos da psicologia analítica e a porção de coisas que aprendemos com Jung ao longo desse tempo.

A verdade é que eu aprendi com você leitor com sua crítica bem fundamentada e elogios sinceros, muito obrigado por se fazer presente na minha vida.

Obrigado pela quantidade de visualizações que são feitas todos os dias e pelos comentários bem elaborados. Sua presença é de fundamental importância para o sucesso do meu trabalho.

Afinal meu trabalho não é só informar e sim instigar o máximo que eu posso para que possamos ter uma avaliação crítica de nós mesmos, para os outros e conosco.

Essa é a verdadeira missão do escritor, despertar o que há de melhor nas pessoas e nele mesmo.

Os meus sinceros agradecimentos a você que desperta em mim a vontade de escrever sobre assuntos tão interessantes que são filosofia e psicologia analítica.

Até o ano que vem com mais postagens e novidades...

Muito obrigado,


Randerson Figueiredo.

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A SOLIDÃO DOS DESTEMIDOS

dezembro 12, 2014 Randerson Figueiredo 0 Comments



"A solidão é para mim uma fonte de cura, que faz minha vida valer a pena. Falar é muitas vezes um tormento para mim, e eu preciso de muitos dias de silêncio para me recuperar da inutilidade das palavras." 
C. G. Jung.

Mais uma vez estou por aqui para escrever sobre meus pensamentos. E o tema de hoje é solidão. Um tema que muitas vezes causa arrepios só em pensar.

Mas engana-se quem pensa que solidão é de todo ruim, ou melhor, ela não é ruim, muito pelo contrário, é ótima. Facilita encontrar a essência que existe dentro de nós.

A frase acima do Jung é um belo exemplo de que poucas boas palavras nos fazem bem e quanto o silêncio do acaso é benéfico as situações do nosso cotidiano.

A meu ver a pior solidão é você estar cercado de pessoas e estar só, fazer-se só e sentir-se sozinho. Acredito que não há nada pior do que isso.

A grande sensação de hoje é justamente a seguinte frase: APAREÇO, LOGO EXISTO. Uma paráfrase de Descartes que tem muito sentido haja vista o número gigantesco de selfies que são tiradas.

É nessa perspectiva que escrevo o texto de hoje, numa nuance mais de informar do que de criticar. Afinal de contas a solidão é para quem não tem medo. A verdadeira solidão dos destemidos.

Essa solidão, a de quem não tem medo possui uma característica em comum que é justamente não ter a vaidade de parecer algo que não é, até mesmo porque ela não cobra, não exige e não procrastina uma vida mais intensa do ponto de vista interior.

A solidão dos destemidos é uma decisão de ser mais forte. Agora sem parecer antiquado e radical não digo para sair por aí desfazendo amizades, não é isso.

Falo em recolher-se de quando em quando para um melhor aproveitamento de nós mesmos e até mesmo com os outros, pois se não nos conhecermos quem irá?

Parece que temos medo de estarmos sozinhos pelo menos por alguns momentos. E sem contar aquelas pessoas que vivem sozinhas sempre pelos mais diversos motivos? Doença, morte, distância...

A escola existencialista vê a solidão como essência do ser humano. Cada pessoa vem ao mundo sozinha, atravessa a vida como um ser em separado e, no final, morre sozinho.

Aceitar o fato, lidar com isso e aprender como direcionar nossas próprias vidas de forma bela e satisfatória é a condição humana.

Alguns filósofos, como Jean-Paul Sartre, acreditaram numa solidão epistêmica, onde a solidão é parte fundamental da condição humana por causa do paradoxo entre o desejo consciente do homem de encontrar um significado dentro do isolamento e do vazio do universo.

Essa é a grande questão da vida. A solidão é importante sim e necessária. Torna-nos mais fortes e aguerridos diante das batalhas que estamos dispostos a enfrentar.

E a solidão dos destemidos é justamente isso, não ter medo de ficar só em muitos momentos dessa jornada; é nesse momento que temos que reabastecer o tanque com litros e litros de alegria e otimismo.


Até a próxima.

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O COMPLEXO CRIATIVO DO AMOR

dezembro 05, 2014 Randerson Figueiredo 0 Comments



"Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro".
(Carl Jung)

Pois muito bem, de volta a escrever meus textos aqui nesta plataforma desta vez sobre: O complexo criativo do amor. E escrever sobre esse tema é sempre muito interessante haja vista que as opiniões discordantes são muitas.

Quanto mais você se dedica ao amor mais você o obtém, e digo isso não só na esfera complementar a situações, mas sim de pessoa para pessoa e animais(irracionais) para pessoas.

Digo por experiência própria que quando praticamos a caridade revelamos o sublime amor da máxima: amai-vos uns aos outros como a ti mesmo...

Deus nos ajuda sob todas as circunstâncias. É como se disséssemos que o universo está conspirando a favor, mas na verdade é Deus quem está colaborando com a situação.

E por falar em Deus, a expressão máxima e irresoluta sobre o amor, ter criado um Ser único foi revolucionário, não que eu esteja criticando sociedades politeístas, mas terem criado um único Ser que vela por nós e que façamos a Sua vontade e não a nossa foi sensacional.

Aí é que está a essência do amor. Quando rezamos o pai-nosso sempre dizemos: "Que seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu". Mas não é assim que agimos não é verdade?

A supremacia do amor está no âmago da nossa existência. Aí que entra o título do texto de hoje, pois o complexo criativo do amor está em dar a cada ser seu valor não financeiro mas sentimental/espiritual.

Fulano representa isso para mim: docilidade, afabilidade, fraternidade e por aí vai. Não olhar o outro somente pela singela aparência do bem-querer instantâneo, como num passe de mágica.

"A mas eu gostei tanto de você! Mas você só me conhece faz 5 minutos, o que pode ter gostado em mim? Sei lá você é muito bonita(o)". 

Fisicamente falando pode ser que um relacionamento deslanche, como também pode ser que não dure muito, o que é comum acontecer.

A questão é que não adianta olhar com os olhos da razão primeiro, mas ele insiste em azucrinar nossa paciência e os maiores devaneios sentimentais que podemos produzir.

E esse olhar da razão em demasia é o que nos torna mais egoístas, menos caridosos e menos amáveis.

Não há uma fórmula mágica para agradar a todos os seres, como dizem: se nem Cristo conseguiu... Mas tirando os clichês da cartola vale a reflexão.

Acredito que o amor verdadeiro é justamente como disse Jung lá no início do texto, onde não há prevalência de poder, sobre o outro, sobre si mesmo e de todas as formas e circunstâncias.

Se na maioria dos casos nos apaixonamos pela beleza física que ela faça valer a beleza espiritual do indivíduo. Que um seja o contra-ponto do outro. Pois as nossas necessidades são momentâneas, fugazes e alienantes. Digo isso por experiência própria.

Apaixonar-se pelos atos espirituais do outro, é isso que nos leva a seguir adiante, e não nos deixar enganar pela soberba vacilante da beleza envaidecida, é assim somente assim que podemos descobrir o complexo criativo do amor.

Até a próxima,

Randerson Figueiredo.

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