PECADO E MEDO – A SOMBRA COLETIVA DA CRISTANDADE OCIDENTAL

maio 22, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments



Olá caro leitor deste blog.

Hoje o assunto será sobre “pecado e medo - a sombra coletiva da cristandade ocidental”. Antes de mais nada quero aqui dizer que tomarei como base o livro do historiador francês Jean Delumeau: “Pecado e medo”.

O livro aborda uma importante pesquisa histórica sobre a questão do pecado e do medo numa perspectiva bastante interessante, pois o autor aprofunda o tema.

Eu, obviamente, não poderia deixar de trazer a você, leitor do Saber Jung algumas conclusões que tirei a respeito dessa pesquisa, “puxando brasa pra minha sardinha” em relação a psicologia analítica.

Um dos maiores medos que até hoje se arregimentam no que diz respeito a cristandade ocidental é o pecado. Não há algo tão aterrador quanto julgar a si mesmo como um pecador.

Esse será o meu gatilho para desenvolver esse texto.

O jesuíta francês Bourdaloue escrevera no século XVII: “Não é de forma alguma um paradoxo, mas uma verdade certeira, que não temos maior inimigo a temer do que nós mesmos.

Como isso é possível? Eu sou mais… temível para mim do que todo o resto do mundo, já que só cabe a mim aniquilar a minha alma e excluí-la do reino de Deus”.

Essa afirmação refletia antigamente a opinião geral dos diretores espirituais da cristandade.

O mais interessante dessa obra de Delumeau é que ele não trata a questão com o intuito de ser um inquisidor, mas de mostrar os fatos concretos, o que realmente aconteceu.

E o autor consegue fazer isso com uma precisão cirúrgica.

Até mesmo porque ele trata do funcionamento e da difusão de um discurso culpabilizador, ou seja, ele vai mais para o plano da constatação do que do julgamento.

Nunca uma civilização concedeu tanto peso à culpa e valor ao arrependimento do que o cristianismo nos séculos XVIII-XIX.

Deus é sobretudo bom ou sobretudo justo? Uma civilização inteira se perguntou incansavelmente durante séculos sobre essa questão.

Freud e Jung que se opuseram, estavam de comum acordo em relação ao pecado. O lugar que todo estudo das sociedades deveria concede-lo.

Freud apresentava o problema do sentimento de culpa como problematização da civilização.

Jung a meu ver foi mais profundo, vejamos...

É o cristianismo que criou os termos peccator e peccatrix, que não existiam no latim clássico. Só que, “nada é mais claro”, escrevia Jung, “para provocar a consciência e o despertar do que um desacordo consigo mesmo”.

O homem cristão, intenso submisso a culpabilização teve que se reordenar constantemente, seja através da sua memória, seja através da prática da confissão.

A prática da confissão faz o crente ser liberto do peso da culpa que tanto o afligia. E que o perdão traz de volta alegria e liberdade. É como se nascesse uma nova pessoa.

É importante salientar que nem todo sentimento de culpa é mórbido.

Mas também é importante dizer que a culpa se tornou um excesso vicioso na sociedade ocidental.

O discurso religioso sobre o pecado no Ocidente cristão se desenvolveu, é verdade, a partir dos textos bíblicos. Mas ele funcionou mais ainda a partir de uma definição de Santo Agostinho cheia de implicações legalistas e jurídicas: “O pecado é toda ação, palavra ou cobiça contra a lei eterna”.

São Tomás de Aquino aprova e endossa o enunciado de Santo Agostinho, mas mostra que essa fórmula inclui também os erros por omissão, pois “é sempre para juntar dinheiro que o avarento… não paga suas dívidas”.

Sem contar com a questão do inferno e purgatório que fez meio mundo de gente perecer só em falar de tais situações.

E o que falar do pequeno número de eleitos que muitos teólogos católicos e protestantes falaram até certo tempo atrás?

São Boaventura escrevera: “Todos pertencendo à massa de condenação eterna deviam ser condenados. Há então mais reprovados do que eleitos para que seja manifesto que a salvação vem de uma graça especial, enquanto que a condenação eterna resulta da justiça ordinária”.

O jesuíta São Roberto Bellarmin (fim do XVI-começo do XVII), retomando uma comparação de São Jerônimo, afirmava: “O número dos reprovados será semelhante à quantidade de azeitonas que caem por terra quando se balança a oliveira; e o pequeno número dos eleitos será comparado a algumas azeitonas que tendo escorregado das mãos dos que sacudiram a árvore, ficaram no cimo dos galhos e serão retiradas à parte”.

No início do século XVIII, o pregador São Luis Grignion de Montfort assegurava quanto ao tema do pequeno número dos eleitos: “Ele é tão reduzido, tão reduzido, que, se nós o conhecêssemos, nós desfaleceríamos de dor. Ele é tão pequeno, que apenas, dentre dez mil, existe um, como foi revelado a vários santos”.

Nos séculos passados Deus era tido mais como um ser perverso e sádico do que misericordioso. Ele refletia sem parar sobre o rigor dos julgamentos, sobre o horror da morte, sobre a fúria dos condenados e as penas inconcebíveis das almas que estão nas chamas do purgatório.

Portanto diante de tudo o que foi dito aqui, o pecado e o medo formaram sim a simbiose da sombra coletiva da cristandade ocidental, durante muitos séculos a Igreja dominou pelo temor, pelo medo, pela culpa. E ainda domina, só que de forma mais suave. 

Através de um Deus 2.0 que se comunica em bytes e não em orações e formas religiosas, principalmente através das redes sociais, onde as informações se espalham como rastilho de pólvora.

Surgem inúmeras perguntas eu sei depois de um texto como esse. Eu mesmo, como católico que sou, me fiz muitas...

Mas se quiser aprofundar sobre esse assunto, adquira este livro, acredito que vai gostar. É incrível como mal falamos no bem, falou-se muito no mal.

Que como diz a música do Raul Seixas, O Trem das 7: “vem de braços e abraços com o bem num romance astral”.

Até a próxima.

Indicação de leitura e referência bibliográfica

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A CONVERSÃO DE SÃO PAULO – PEDAGOGIA DE DEUS

maio 20, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments



Oi leitor do blog Saber Jung!

O texto de hoje será sobre “A conversão de São Paulo” continuando a série Pedagogia de Deus.

Aqui neste espaço já falamos sobre vários assuntos nesta série que particularmente gosto muito: sobre a adúltera, sobre os ladrões, a samaritana, o bom samaritano, Jó e dentre outros assuntos.

Mas nada me toca tanto quanto falar sobre São Paulo e sua conversão.

A meu ver é uma das passagens mais tocantes na Bíblia.

Apesar de se ter pouca informação sobre a vida do apóstolo Paulo, tentarei esmiuçar tudo o que sei, de acordo com as minhas pesquisas sobre sua história.

Paulo, nome romano de Saulo, nasceu em Tarso na Cilícia (Atos 16:37; 21:39; 22:25). Tarso não era um lugar insignificante (Atos 21:39), ao contrário, era um centro de cultura grega.

Tarso era uma cidade universitária que ficava próxima da costa nordeste do Mar Mediterrâneo. Embora tenha nascido um cidadão romano, Paulo era um judeu da Dispersão, um israelita circuncidado da tribo de Benjamin, e membro zeloso do partido dos Fariseus (Romanos 11:1; Filipenses 3:5; Atos 23:6).

Recebeu ensinamentos do renomado Doutor da Lei Gamaliel, neto de Hillel.

Na morte de Estevão, que foi o primeiro mártir da Igreja, ele recebeu autoridade oficial para liderar as perseguições. Além disso, na qualidade de membro do concílio do Sinédrio, ele dava o seu voto a favor da morte dos cristãos (Atos 26:10).

Ele acreditava piamente que estava fazendo cumprir a lei e servindo a Deus. A questão é que as passagens sugerem uma súbita conversão, mas acredito que Deus o preparou para esse momento.

O que se sabe realmente é que Paulo de Tarso partiu furiosamente em direção a Damasco com o intuito de destruir a comunidade cristã daquela cidade.

De repente, algo inesperado aconteceu, algo que causou uma mudança radical, não só na vida de Paulo de Tarso, mas no curso da História. Vejamos a passagem:

E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer.(Atos 9:3-6)

Ao escrever Atos dos Apóstolos, Lucas descreve essa passagem como um ato miraculoso, fantástico, haja vista que um inimigo de Deus acabara por se transformar em apóstolo.

Ele ouviu Cristo e seguiu seus ensinamentos:

Respondeu ao chamado de Cristo: o primeiro aspecto da mudança na vida do apóstolo Paulo pode ser percebido quando, imediatamente, ele responde à voz de Cristo: “Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 9:6). Essa pergunta marcou o começo de seu novo relacionamento com Cristo (Gálatas 2:20).

De perseguidor a pregador do Evangelho:a mudança radical que atingiu a vida do apóstolo Paulo fica evidente na mensagem que ele começou a pregar na própria cidade de Damasco. Isso é realmente impressionante. Ele começou a pregar o Evangelho no mesmo lugar em que pretendia prender os seguidores de Cristo (Atos 9:1,2).

Mudança de vida total:antes da conversão, Paulo de Tarso não aceitava a divindade de Jesus. Ele até acreditava que ao perseguir seus seguidores como um animal selvagem, tentando força-los a blasfemar contra Jesus, estaria fazendo a vontade de Deus (Atos 26:9-11; 1 Coríntios 12:3). É certo dizer que ele via Jesus como um impostor. Após sua conversão, sua pregação não era outra senão anunciar que Jesus é o Filho de Deus (Atos 9:20). O Paulo duro, rigoroso, ameaçador e violento de outrora, depois de convertido passou a demonstrar ternura, sensibilidade e amor. Essas características ficam evidentes em suas obras.

Após o encontro que teve com Cristo, o apóstolo Paulo chegou em Damasco e recebeu a visita de Ananias. Foi Ananias quem o batizou (Atos 9:17,18). Também foi ali, naquela mesma cidade, que Paulo começou sua obra evangelística.

Depois de tentar se enturmar com os apóstolos ele se tornou um missionário.

A estratégia missionária usada pelo apóstolo Paulo pode ser resumida da seguinte forma:

1.    Ele trabalhava nos grandes centros urbanos, para que dali a mensagem se propagasse nas regiões circunvizinhas.
2.    Ele pregava nas sinagogas, a fim de alcançar judeus e prosélitos gentios.
3.    Ele focava sua pregação na comprovação de que a nova dispensação é o cumprimento das profecias da antiga dispensação.
4.    Ele percebia as características culturais e as necessidades dos ouvintes. Assim ele aplicava tais particularidades em sua mensagem evangélica.
5.    Ele mantinha o contato com as comunidades cristãs estabelecidas. Esse contato se dava por meio da repetição de visitas e envio de cartas e mensageiros de sua confiança.
6.    Ele estava atento as desigualdades presentes na sociedade de sua época, e promovia a unidade entre ricos e pobres, gentios e judeus. Além disso, ele solicitava que as igrejas mais prósperas auxiliassem os mais pobres.

É nessa perspectiva que acredito que Paulo, assim como a samaritana, como Tomé; ele, Paulo teve um encontro especial com o Self, Si-mesmo, Imago Dei.

Até mesmo porque o processo de conversão ocorre de dentro pra fora e não o contrário.

Portanto é necessário ouvir a voz de Deus dentro de nós, uma voz inconsciente para alcançar a plena liberdade consciente. No caso o encontro de São Paulo reflete a voz interior advinda do Self.

Acredito leitor que o encontro com o divino também é o encontro com a nossa sombra! E foi isso que aconteceu com a história de Paulo de Tarso.

Cada fase da nossa vida reflete uma tentativa de tentar se relacionar com Deus. Pois sua ideia reflete nossa capacidade e estado emocional.

Não me refiro aqui ao conceito de Deus, mas a imagem psicológica que trazemos em nós de Deus. Digo e repito, é praticamente impossível nos relacionarmos com o Deus criador de tudo, mas podemos nos relacionar com o Deus que habita em nós, com sua imagem psicológica.

Temos vários exemplos simbólicos de como esse encontro pode ocorrer, vou citar alguns:

1-   O encontro de Jacó e o Anjo de Iahweh no Antigo Testamento
2-   Arjuna e Krishna, na Sagrada Escritura dos Hindus
3-   Nietsche e Zaratustra
4-   Paulo e Cristo, nossa análise.

Psicologicamente foi uma transformação radical, a de Paulo.

A ponto de uma nova identidade nascer do encontro com a Grande Personalidade. O ego mudou tão significativamente que não respondeu mais ao mesmo nome.

Resumindo: o encontro de Paulo com Cristo foi o encontro do eu pequeno com a Grande Personalidade (Self). Que o transformou num novo homem, num novo ser.

Jung já afirmava em relação a São Paulo:

“Foi o próprio ataque aos cristãos que o transformou. Trata-se daquilo que se fala. Não da sua aceitação, ou negação”

São Paulo tornou-se “escravo” do Cristo. Ele em sua carta aos Romanos e aos Filipenses diz ter se tornado “escravo” do Cristo.

Por isso, celebrar a Conversão de São Paulo é celebrar o chamado que Jesus faz a todos nós de, no encontro com Ele, mudar a direção da vida, fazendo do Evangelho a Palavra que ilumina todas as nossas escolhas.

Até a próxima se Deus quiser.

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BEM-VINDO AO BRASIL FEUDAL

maio 17, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments



Peço licença a você leitor, para hoje escrever um texto de cunho político, sei que este blog é de psicologia analítica e filosofia, mas você irá entender o motivo, acredito.

Não muito tempo atrás, nos idos de 2007, quando assistia às aulas no ensino médio com o grande mestre em história D’laias Moares, especialista em Idade Média pude perceber que o Brasil nunca saiu do referido período.

Segundo M. Monteiro: "Por feudalismo devemos entender o modo de produção no qual as relações sociais de produção estão baseadas na servidão; a propriedade dos meios de produção está dividida entre a classe dominante (a nobreza feudal) e a classe dominada (os servos), e o objeto fundamental da produção é o valor de uso."

O colonialismo empregado aqui no Brasil admitiu um feudalismo fragmentado, mas a economia mercantil estava em formação. Portanto a economia latifundiária tomava uma base forte não do feudalismo, mas do capitalismo.

Mas essa mistura de conceitos e características não foi suficiente para diluir os efeitos de uma sociedade feudal...

Muito frequentemente as formas escravistas entrelaçaram-se com as formas servis de produção: o escravo provia o seu sustento dedicando certa parte do tempo à pesca ou à lavoura em pequenos tratos de terra que lhe eram reservados.

Desse modo, o regime de trabalho escravo se misturava com o regime medieval da renda-de-trabalho e da renda produto, além de outras variantes da prestação pessoal de trabalho.

Não faltava aos senhorios coloniais a massa de moradores "livres" ou de agregados, utilizados nos serviços domésticos ou em atividades acessórias desligadas da produção, os quais coloriam o pano de fundo do cenário feudal.

O regime latifundiário no Brasil hoje acredito que chega a ser tal e qual ao que era empregado no Brasil-Colônia, se não for pior. A meu ver o aspecto mais preponderante a respeito do feudalismo.

Essa estrutura latifundiária feudal e colonial, apresenta características primordiais do capitalismo. Ou seja, ter terras, ser dono de terras era sinônimo de poder e ainda hoje é!

Mostram-nos tais conclusões, que a redistribuição da terra, a divisão da propriedade latifundiária não é uma simples operação aritmética, uma reparação de injustiças ou uma medida de assistência social.

Sem contar que nesse texto dou ênfase a poucas situações que caracterizam este país como um dos mais ricos e ao mesmo tempo um dos mais atrasados do mundo.

Não é necessário ser do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) para saber que uma reforma agrária é necessária para sair de um governo que possui um sistema espoliativo e opressor.

Tudo isso para libertar as forças produtivas e abrir novos caminhos à emancipação econômica e ao progresso de nosso país.

Por isso que sempre afirmei que o Brasil nunca saiu do feudalismo.

Por essas e outras que segundo a visão de grande parte dos historiadores que as superestruturas feudais influenciaram bastante a colônia. Impregnaram-se de forma constante aqui no Brasil. Por exemplo para Caio Prado Júnior que analisava principalmente a circulação e não o processo de produção como os marxistas.

Até hoje temos a presença de trabalho escravo, algo que acredito ser análogo à servidão. Essas e outras situações transformam esse país num campo minado para a sobrevivência.

Um governo que tolhe cada vez mais direitos.

Que prioriza os ricos e pretere os pobres.

Que faz de tudo para ridicularizar ao passo que é ridicularizado, óbvio.

Um país que só regride cada vez mais.

Sinceramente leitor, sei que este espaço é para psicologia analítica preferencialmente como já falei, mas diante de tudo que está acontecendo não posso nem devo me calar. E olha que só fiz pincelar um quadro que merece mais tinta guache.

Olho para todos os lados e não vejo saída, a situação é de amargar.

Tinha que escrever esse texto hoje. Que Deus nos ajude hoje, porque na época da Idade Média diziam que Ele tirou férias.

Um fraternal abraço e até a próxima.

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O PREÇO DA INTIMIDADE

maio 06, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments



Hoje o texto será mais filosófico do que o habitual.

Irei falar sobre uma temática cada vez mais constante que se alimenta dos dissabores da vida de uma forma na maioria das vezes inusitada.

A falta de respeito ou intimidade exacerbada, como queira chamar.

Paga-se um preço por se deixar ser levado pela intimidade alheia, e alheio a tudo nos tornamos reféns de tudo e de todos com uma falsa percepção do que é respeito.

Acredito sim que respeito e intimidade estão interligadas de forma contínua, simétricas.

Existem pessoas que nem bem te conhecem e já estão lá invadindo o espaço que era antes de mais nada ser ocupado somente por você, ou pelos seus.

Isso de certa forma me incomoda, sou sincero.

Não gosto de exacerbações em tratamentos de honra muito menos forçar, vamos por assim dizer, uma barra que não vale a pena. Uma situação que deixará feridos.

Por isso que há uma questão habitual chamada RESPEITO.

E com respeito vamos onde queremos, fazemos o que fazemos, tudo em prol do bem que conquistamos.

Randerson Figueiredo

Há pessoas que realmente passam dos limites, de forma acintosa.

Mas muitas vezes isso é uma questão de falta de uma educação esmerada e delicada, como bem dizia minha avó: não saber entrar e não saber sair em qualquer lugar.

Pagamos vários preços ao longo da vida.

E quando tratamos essa pessoa com certa dose de esquecimento, elas dizem que somo antipáticas, chatas ou até mesmo insuportáveis.

Não é uma questão de ser isso ou aquilo, é ser o que não se é.

Tenho amigos que conheço há mais de vinte anos, mas nunca os tratei diferente daquilo que eles merecem, trato-os sempre com altivez e uma certa dose de humor, mas nada de exageros linguísticos e profanos.

Não há necessidade disso. Intimidade não tem relação com o tempo, intimidade é energia. E sinceramente: dessa energia estou fora!

A intimidade exagerada é um passo para um relacionamento malfadado. Um relacionamento exagerado e sem conquistas diárias, pois já que se conhece muito bem o outro a ponto de tê-lo como tábua de guerra como conquistarei o seu outro lado? O lado que de fato não conheço?

Só posso conhecer bem alguém convivendo com ele ou ela de forma a não invadir seu mundo e nem deixar invadir o meu de forma pretensiosa.

Dar-se o respeito é a melhor forma de nos relacionarmos com o outro. Sermos respeitosos conosco e com o outro é o que se espera de alguém com o mínimo de civilidade para melhor extrair a essência que de fato fica e que também vai embora.

Até a próxima.

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PSIQUIATRIA – FICÇÃO E ESTIGMA

maio 01, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments





Hoje nossa conversa será sobre o tema Psiquiatria – Ficção e Estigma.

Recentemente a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP veiculou um importante debate sobre esse assunto especificamente, ficção e estigma.

Acredito que a ficção ela na sua grande maioria das vezes presta um desserviço à população. A caracterização de personagens com transtornos mentais é assombrosa, no mau sentido da palavra é claro.

Pode observar que o estigma aumenta de forma assustadora.

A doença psiquiátrica não é nenhum bicho-papão, muito pelo contrário, quando contamos com informação de qualidade poderemos sim ser inseridos de forma coesa na sociedade.

A doença mental deveras deve ser comparada com qualquer outra doença crônica como hipertensão e diabetes, deve-se ter os devidos cuidados obviamente para manter-se em equilíbrio.

Vamos trabalhar com exemplos...

Os vilões, os antagonistas. Seja no cinema ou na televisão, na literatura ou no teatro o seu fim é traumático em todos os sentidos. Ele ou ela, ou é assassinado, preso ou colocado numa camisa de força e colocado à força num manicômio.

Em pleno século XXI temos que ser colocados à prova em relação a isso, é um grande absurdo!

Ou seja, cria-se uma atmosfera medieval em relação as doenças psiquiátricas, como se a psiquiatria fosse uma grande vilã e não uma importante aliada no combate ao estigma.

Disse “temos” porque possuo um transtorno mental, o Transtorno Bipolar de Humor – TBH e sei bem como é esse estigma, esse preconceito. A Psicofobia!

A ABP tem se esforçado de forma bastante didática para transformar esse combate ao estigma numa campanha nacional com vídeos de debates de grandes psiquiatras, de grandes estudiosos sobre os mais variados transtornos mentais.

Toda segunda-feira você leitor pode acompanhar na página da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, pela ABPTV os debates, são excelentes. Sempre acompanho. Acompanho pelo Facebook, pela página da ABP.

É sempre às 21h00min. Em ponto.

A doença mental é representada de forma caricata, de forma errônea.

Quando escrevi a obra Desconfiei de quem não deveria pela Editora Premius em 2015, tive todo um cuidado para retratar de forma mais fidedigna possível quem possui um transtorno mental.

Arsenia Bittencourt possuía o Transtorno Bipolar de Humor e de forma aguerrida e com muita coragem nos brinda com uma baita lição de vida. Pois ela conta com a ajuda de familiares, amigos e do seu médico.

O livro está estruturado em três fases: doença, psiquiatria e espiritualidade. Graças a Deus a obra foi um sucesso de crítica e de público e dessa forma consegui cumprir meu objetivo:

Informar para esclarecer e não para confundir.

A obra não está mais à venda, pois vendi todos os exemplares. Estou em busca de fazer uma nova tiragem. Afinal é sempre importante passar essa história para o maior número de pessoas possível.

Vale lembrar sempre que Psicofobia é crime!

Acredito que esta plataforma que alimento constantemente, o Saber Jung, presta seu serviço à sociedade e passa a esclarecer de forma limpa e segura sobre os mais variados assuntos.

Sempre tenho todo o cuidado com os temas, para além de não ferir ninguém não informar errado.

A nossa audiência gira em torno de 12.000 leitores mensais o que me faz acreditar que se pelo um também possuir algum canal como esse, a mensagem pode se alastrar como rastilho de pólvora.

Combater o preconceito seja ele qual for é uma das minhas missões.

Estou junto com a ABP e com quer que seja que realmente tenha como brado não alimentar a chama do estigma e combater o preconceito, em todas as esferas.

Na minha humilde opinião a ABP está de parabéns por sempre buscar informar da melhor qualidade possível a sociedade e trazer à tona um assunto de tamanha importância como esse.

E vamos à luta, combatendo o preconceito e seguindo nossas vidas com muita paz, fé e esperança de que dias melhores virão.

Até a próxima!

Páginas da ABP - ABPTV | ABP no Facebook - ABP Facebook - fanpage

{ Indicações de leitura }

Desconfiei de quem não deveria
Autor: Randerson Figueiredo
Editora: Premius
Ano: 2015


"A obra deste que vos escreve narra a história de Arsenia Bittencourt e sua vida com a descoberta do TBH - Transtorno Bipolar de Humor.
Trata sobre as desconfianças geradas sobre a 
ótica da paciente, de amigos e corpo médico".






O brilho de sua luz
Autor: Danielle Steel
Editora: Record
Ano: 2001


"Um emocionante relato da autora Danielle Steel com seu filho portador de psicose maníaco-depressiva (PMD).
O livro é simplesmente emocionante, pois Danielle Steel no faz adentrar das páginas da obra com sua linda narração".







Uma mente inquieta
Autor: Jamison,Kay Redfield
Editora: Martins Fontes
Ano: 2009 




"Livro imprescindível para quem estuda sobre transtornos mentais, e também para quem procura entender sobre o assunto. Uma obra referência sobre psicopatologia".


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