PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 72

janeiro 30, 2022 Randerson Figueiredo 0 Comments

 


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PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 71

janeiro 17, 2022 Randerson Figueiredo 0 Comments

 


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O ARQUÉTIPO CRISTÃO – PEDAGOGIA DE DEUS

janeiro 08, 2022 Randerson Figueiredo 0 Comments

 


Aquilo que ocorre na vida de Cristo, ocorre em todos os momentos e locais. No arquétipo cristão, todas as vidas desta espécie estão prefiguradas.

 

Carl Gustav Jung – Psicologia e religião

 

Olá, nobre leitor deste blog, mais um encontro marcado na série Pedagogia de Deus, de antemão gostaria de esclarecer algumas diretrizes nesta plataforma.

 

A primeira é que vou escrever menos por aqui, vou deixar um espaço maior entre uma postagem e outra, desta forma vou investir na qualidade e autonomia do blog.

 

A segunda é que nesse período que permaneci afastado pesquisei muito, andei a garimpar em sebos e em livrarias especializadas sobre os mais variados assuntos para trazer pra cá, ou seja, o debate vai ser muito bom daqui pra frente.

 

Terceiro que este ano completamos 10 anos de blog, mais precisamente em setembro. Vou procurar trazer novidades no decorrer do ano.

 

Quarto, no decorrer do ano trarei postagens especiais para estampar um amplo debate amplo cordial e sincero. As séries irão continuar, claro, irei trabalhar arduamente para que as séries andem a pleno vapor.

 

Quinto, peço também a compreensão de você caro leitor, que se por acaso não conseguir arcar com as demandas do blog é porque tenho também outros projetos literários e acadêmicos para capitanear.

 

Agora, depois de tantos avisos e salamaleques vamos ao que interessa... Hoje é a reestreia da série Pedagogia de Deus com a análise o Arquétipo Cristão.

 

Falar sobre a palavra arquétipo nos remete a uma série de possibilidades. O Arquétipo é uma matriz primitiva herdada pela Psique, ele é um conteúdo hipotético que faz parte das camadas mais profundas do ser. Estamos falando aqui de um local onde podemos alocar os Arquétipos e este local é o Inconsciente Coletivo (JUNG, 2000).

 

Com essa possibilidade em vista e aprofundando estudos sobre o inconsciente, chegamos a uma estrutura conhecida como Arquétipo, que pode ser definido como um conjunto de caracteres que em seus significados remetem à situações mitológicas, pertencentes a toda humanidade e sua história (JUNG, 2000; 1987).

 

Em uma definição mais apurada, Jung coloca que o arquétipo representa essencialmente um conteúdo inconsciente, o qual se modifica através de sua conscientização e percepção, assumindo matizes que variam de acordo com a consciência individual na qual se manifesta.

 

O arquétipo que irei tratar no texto de hoje é o cristão.

 

Numa análise mais apurada e significativa temos a figura central dentro da perspectiva cristã de Jesus Cristo, Ele, como figura central do cristianismo remete a uma encarnação de Deus aqui na Terra.

 

Segundo os preceitos da psicologia profunda, Jesus representa a prefiguração de Jó no Velho Testamento, ou seja, Jesus representa o lado luminoso, é a encarnação do Self, Si-Mesmo ou Imago Dei.

 

Segundo minhas pesquisas, enquanto o demônio, que representa o lado sombrio da parte luminosa aparecia somente umas três vezes no Antigo Testamento, ele, o capiroto aparece mais de 60 vezes no Novo Testamento, diz que no Novo Testamento Deus governa o mundo com Jesus na mão direita e o demônio na mão esquerda.

 

Jesus Cristo representa somente o lado luminoso, era evidente que o lado sombrio fosse ficar recalcado e reverberasse em forma de energia psíquica negativa: o demônio.

 

Jesus Cristo é o grande mito da encarnação.

 

Em outras palavras, a vida de Cristo representa um processo de individuação exemplar. Não somente pelo fato de ser parecido em carne e osso conosco, mas por ter feito do pecado o seu desdém.

 

Jesus se tornou o amuleto que rechaça de todas as maneiras as forças arquetípicas que tentam se apossar de todos.

 

Algo curioso que observei com as pesquisas, o destino terreno da Igreja como corpo de Cristo toma como modelo o destino do próprio Cristo.

 

Isso significa que a igreja no curso de sua história dirige-se para a morte.

 

O ego individual é a manjedoura na qual nasce o menino Jesus.

 

Não há espaço neste mundo para o nascimento do Si-mesmo, por isso quando Jesus nasceu não havia espaço para ele, ele nasceu praticamente numa estalagem entre animais e cocô de cavalo, sendo bem direto.

 

Para se estabelecer uma relação com o Self é necessário uma grandiosa humildade, é preciso descer ao nível dos ratos. A junção entre a humildade e a grandeza é representada pelos dois grupos de visitantes que vão visitar o menino Jesus: os pastores e os reis Magos.

 

A estrela da natividade é relacionada com a estrela de Jacó, mencionada na profecia de Balaão. A espera de um Messias aparece sempre associada com o aparecimento de uma estrela, isso desde tempos imemoriais.

 

A estrela é um símbolo do Si-mesmo.

 

Outra curiosidade, o Natal, simboliza a estrela da Natividade, a imagem pagã do aniversário do novo sol. O equinócio de inverno.

 

Em relação a última ceia, ela simboliza o arquétipo do banquete.

 

A missa significa portanto o ritual do processo de individuação. O que faz despertar para uma nova consciência, a consciência do Si-mesmo, permitindo observar os preceitos sob um aspecto da eternidade.

 

A última ceia era uma refeição baseada numa dieta à base de peixe, ora, o próprio Jesus era equiparado a um peixe. Esse detalhe vincula a última ceia com o banquete messiânico da lenda judaica.

 

O que desejo dizer com essa informação é que a Eucaristia representa uma certa dualidade entre Ego e Self. Por um lado fornece uma conexão redentora com o Self transpessoal e por outro esse alimento espiritual antropofágico deve ser transformado pelos esforços individuais do Ego.

 

Chegando já ao Gethsemani, o problema da crucificação é o início da individuação, eis o caminho do sentido cristão: um caminho de dor e sofrimento.

 

O Gethsemani completa o simbolismo da última ceia.

 

Jesus no Gethsemani sabe que será crucificado. É uma completa agonia entre carne e espírito, suas percepções vão além. Esse conflito é restaurado na psique, que é justamente o meio que os une.

 

Na prisão e julgamento temos a questão da traição.

 

Bem, a traição é um tema da individuação, tendo vista pertencer à fenomenologia dos opostos. É outra palavra para enantiodromia.

 

Jesus sabia quem iria traí-lo, e possivelmente por isso o beijo (ósculo – katafileim/anafileim) é uma marca dessa traição e por saber que Judas iria cumprir sua sina Jesus teve um ato de amor, pois levou Judas a cumprir seu próprio destino.

 

Jesus chama Judas de amigo, esse é um detalhe muito importante.

 

Ora, caro leitor, Jesus Cristo a bem da verdade é considerado um subversivo, um herético, pois para a ala conservadora, os mais radicais e isso eu falo fariseus, saduceus, escribas, anciãos... Ele era considerado um traidor!

 

Por isso que Ele, Jesus, foi traído pelo seu discípulo, negado três vezes e rechaçado pelo povo. A traição representa um oposto, o da lealdade. Sua representação simbólica é a de um Messias que veio para aprimorar um sistema arcaico e empoeirado formado pela coalisão de antigas classes dominantes.

 

Para uma comunidade religiosa, a heresia é uma traição espiritual.

 

Mais perigosa que a traição ao Estado.

 

A heresia ameaça o valor psíquico, mais perigosa que a morte, que só é uma questão do aspecto físico. Essa foi a “desorganização” que Jesus instaurou entre os sacerdotes judeus.

 

Ou seja, a lei de causa e efeito sempre será aplicada dentro de uma perspectiva da psique. Não devemos nos esquecer que a experiência do Si-mesmo é sempre uma derrota para o Ego.

 

A totalidade do Self traz consigo a sombra, encontro que é sempre uma dolorosa humilhação. Salvo engano, quase um ou dois dias antes Jesus havia castigado os vendilhões do templo, e esse castigo lhe é devolvido numa dimensão muito maior.

 

Jesus Cristo passou por uma tortura física e psicológica.

 

E ao chegarmos à crucificação, ela representa a imagem central da psique ocidental. Representa a justaposição de opostos. É um momento de intersecção entre o humano e o divino.

 

A figura humana que representa o Ego é sobreposta a cruz-mandala que representa o Self. Em ambos os lados de Cristo são crucificados ladrões, dois, Dimas e Gestas, o bom e o mau ladrão, um vai pro céu e o outro vai pro inferno.

 

Essa tripla crucificação remete a ideia de que Cristo estava se unindo a si mesmo com o seu oposto: o Anticristo. A imagem da crucificação é uma mandala...

 

Outra imagem do Si-mesmo aparece na inscrição INRI (Iesus Nazarenus Rex Iuodaeorum), é um tetragrama. No Antigo Testamento o nome de Yahweh jamais era vocalizado. Esse tetragrama representa a uniformidade básica da psique objetiva.

 

A cruz de Cristo era considerada como instrumento de unificação do universo.


Ao chegarmos na ressurreição, temos que há a transformação do ego em arquétipo. A morte e ressurreição de Cristo formam um arquétipo que vive não somente na psique individual, mas também na coletiva.

 

A ressurreição é na realidade a primeira etapa de uma tríplice sequência: ressurreição, ascensão e descida (Pentecostes).

 

Para finalizar, sobre a Assunção de Maria, algo que considero um dos assuntos mais relevantes desde a Reforma Protestante num aspecto mais recente traço as seguintes considerações...

 

A Assunção de Maria transformou o dogma da trindade cristã numa quaternidade: Espírito Santo (Pomba) – Cristo – Deus Pai – Maria.

 

Essa simbologia da quaternidade é perfeitamente identificada pelos 4 evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João; os 4 elementos: terra, fogo, água e ar; as sensações térmicas: quente, frio, seco e molhado; as estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. A simbologia está presente de forma sutil em muitas situações como foi apresentada.

 

No céu, a trindade foi transformada em quaternidade com Maria.

 

Essa transformação representa em grande parte que chegou a hora de os opostos psíquicos: céu e terra / masculino e femino / espírito e natureza / bem e mal se reconciliarem de uma vez por todas, pois eles foram apartados na psique ocidental.

 

Ufa! Chegamos a mais uma postagem aqui na plataforma. Tentei realizar uma postagem completa e dinâmica, espero que você tenha gostado.

 

Se assim desejar e quiser comentar, basta adicionar um comentário ou enviar um e-mail:

randersomfigueiredo@hotmail.com


Desde já agradeço por ter lido até aqui. Até a próxima leitor, e não esqueça, nosso próximo encontro será daqui a quinze dias. Até lá.


OBS.: É importante dizer que NÃO sou psicólogo, psicanalista e muito menos psiquiatra, as pesquisas que realizo são autônomas e de forma autodidata.

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PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 70

janeiro 02, 2022 Randerson Figueiredo 0 Comments

 




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