O DIVÃ DAS DOIDIVANAS – UM ROMANCE PSICOLÓGICO | À VENDA NA AMAZON BRASIL
Depois de um longo período de
afastamento aqui da plataforma, retorno com uma grande novidade, em breve,
muito em breve teremos o lançamento de uma nova obra.
Um livro só de aforismos,
intitulado Curtas & RARAS – Reflexões para o cotidiano.
Essa
obra vem sedimentar ainda mais o meu trabalho com aforismos e reflexões.
Há exatamente 12 anos, desde
janeiro de 2014, que trabalho com pensamentos dos mais variados tipos e formas.
Sempre disponibilizo os referidos axiomas em um site específico: Pensador.
Já contamos com mais de 2.500
reflexões sobre os mais diversos assuntos. E de lá do Pensador muitos sites
especializados acabam aderindo ao maravilhoso mundo dos aforismos.
Mas, no entanto, contudo,
entretanto e todavia... Não é ainda para divulgar a obra que está em fase de
preparação pela editora de Belo Horizonte em Minas Gerais, o Grupo Editorial
Letramento, que faço hoje mais um expediente por aqui
neste nosso blog.
O real motivo de estar aqui é
despertar em você, que me acompanha sempre por aqui nesse momento, a ler o meu
mais novo romance intitulado O DIVÃ DAS DOIDIVANAS.
Estou a participar de um
prêmio literário com essa obra e preciso muito da vossa ajuda, da vossa
colaboração, o Prêmio Literário Kindle Vozes Negras. O livro não será somente analisado pelos jurados, mas pela
receptividade, digamos pela temperatura e audiência junto aos leitores na
plataforma da Amazon BR.
Então hoje divulgo este
trabalho, este romance propriamente dito.
A obra O DIVÃ DAS DOIDIVANAS não
é um romance qualquer, é uma obra a tratar de temas sensíveis sociais, culturais,
emocionais e psíquicos.
Surgiu num momento de extrema
fragilidade de minha parte...
Quando minha mãe, Zuleide Lima
Figueiredo, fez a grande viagem, partiu deste plano em junho do ano passado. O
meu luto foi de uma forma diferente, foi escrever esse livro em uma homenagem à
altura daquela que me deu a vida, daquela que sempre fez tudo por mim...
Foi um trabalho muito difícil,
pois um dia após a missa de sétimo dia, comecei a escrever a narrativa que se
estendeu por um mês e 8 dias de forma ininterrupta, até aos domingos eu
escrevia, em menor escala é verdade, mas batia o ponto sentado à mesa da sala
de jantar da casa dos meus avós todo santo dia.
E assim conclui a trajetória do
meu alter ego Eugênio Lóris Monfort de Oliveira, um médico psiquiatra negro (é
bom frisar esse detalhe), que no dia do seu casamento sofre um abalo dos mais
sérios e é internado numa clínica psiquiátrica em Fortaleza, mais precisamente
no renomado Hospital Mente Aberta.
Um hospital psiquiátrico nada
ortodoxo cujo regimento normativo é a busca incessante pelo processo de
individuação, dentro de uma perspectiva junguiana.
O livro é todo recheado de
conceitos psicanalíticos e com uma abordagem leve e descontraída também no
mundo psiquiátrico, ou seja, o universo PSI é o grande mote da vez. O grande dínamo.
E sobre as doidivanas? As
doidivanas representam de forma simbólica a tríade do pensamento psicanalítico
freudiano: Id, Ego e SuperEgo. Cada uma configurada nessa perspectiva.
Jung não ficaria de fora desta
história do universo PSI...
Uma quarta mulher surge para
tentar fisgar o coração do Dr. Eugênio: Iandra Nascimento. Esta última
representa a quaternidade, símbolo da totalidade dentro da psi profunda. Iandra
reúne todos os simbolismos e amarras que as outras três possuem
individualmente.
O livro além de ser uma grande
homenagem a minha amada mãe, é sim uma ode à vida como um todo, foi uma forma
que encontrei de lançar base do pouco conhecimento que tenho na seara PSI, mas
acredito que foi um aporte suficiente para deslanchar e tecer uma boa história.
O livro é uma mistura de
comédia e drama, tentei mesclar de forma coerente conceitos e inserções dentro
dos limites e liames desse maravilhoso universo o qual estou inserido há 17
anos, desde 2009.
Sim, desde 2009 pesquiso o
universo da psicologia, e é um prazer dos mais tocantes e sensíveis, a cada
descoberta e correlação com diversos assuntos, sinto-me motivado a sempre ler e
pesquisar.
O livro foi escrito no tamanho
A4, com 219 páginas, tem 12 capítulos.
A partir de amanhã
(10/04/2026) até terça-feira (14/04/2026) estará disponível gratuitamente na
plataforma da Amazon BR, eu vou deixar o link aqui embaixo, por favor convido-o
mais uma vez a baixar a obra para a sua biblioteca Kindle e fazer uma avaliação
com estrelas e comentário caso seja possível.
Conta com um prefácio mais do
que especial, do psicólogo Júlio César Walz, escritor e autor de várias obras
sobre psicanálise, dentre elas: O Sentimento de Culpa e Cuidar não é Educar. É professor da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS) em Porto Alegre e um querido amigo.
Se o senhor estiver lendo esta
postagem, muito obrigado professor Walz pelo prefácio e pelas sinceras
palavras. Imensamente grato. Que nosso bom e amado Deus sempre te abençoe e ilumine.
Então é isso, despeço-me por
ora por aqui, com a certeza de dever cumprido. Minha mãe, continuará a ser
lembrada não só pela sua grande e maravilhosa passagem por aqui neste nosso
aprazível planeta, mas porque tentei de todas as formas exemplificar nossa
relação nestas pouco mais de 200 páginas.
O que sei é que enquanto
tivermos nossos entes queridos acesos na lareira dos nossos corações, eles
continuarão mais vivos do que nunca, a ofertar o calor que tanto passaram para
nós enquanto aqui estiveram.
Antes de finalizar, não posso
deixar de agradecer ao meu antigo médico psiquiatra, às inúmeras sessões de
terapia que durante 15 anos me acompanharam sem cessar. Não vou dizer o nome
dele por questões de ética e preservação da sua imagem, ele é muito reservado e
mais do que isso, um grande ser humano.
Hoje conto com a colaboração
de um novo profissional, mas sou plenamente grato pelo trabalho desenvolvido
junto a clínica comigo. Muito obrigado, graças também ao meu antigo médico foi
possível desenvolver este trabalho tão sensível e verdadeiro.
A obra sem a gratuidade custa
simbolicamente R$ 1,99. Resolvi colocar o mínimo para que todos ou quase todos
possam adquirir, ter acesso à leitura. Se Desejar esperar até amanhã, reitero
que ela estará gratuita, de amanhã (10/04) até terça-feira (14/04).
É sempre imperativo
dizer que não sou psicólogo, psicanalista e muito menos psiquiatra, tudo que
você lê aqui nesta plataforma é o resultado de anos de pesquisa e dedicação, de
forma autodidata.
E graças a Deus um esforço e
autodidatismo muito prazeroso e salutar. Muito obrigado por ter lido até aqui.
Até a próxima, se Deus permitir. Boa leitura!
SOB OS CUIDADOS DE UMA PSICANÁLISE INFANTIL – CUIDAR NÃO É EDUCAR, OBRA DE JULIO CESAR WALZ | RESENHA
A temática que me traz hoje aqui na nossa plataforma Jung
para Leigos é tecer alguns comentários sobre a obra CUIDAR NÃO É EDUCAR do
professor de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS):
Júlio Walz.
Eu e professor Júlio nos conhecemos de uma forma bem
interessante quando ainda nem tinha esta plataforma sobre diversos assuntos,
principalmente sobre Jung.
Eu era administrador da plataforma Pistas da História, um
blog que nem existe mais devido à alta demanda em pesquisa e direcionamento que
ficava sob minha custódia.
O blog inclusive foi premiado pelo selo Top Blog, como um dos
mais prestigiados blogs de história da internet à época, isso lá pelos idos de
2010, pois muito bem, certa feita realizei uma pesquisa sobre Judas Iscariotes
e o sentimento de culpa, uma flechada histórica e psicanalítica surgiram
naquelas linhas traçadas por mim naquele momento.
Pois muito bem, o texto foi devidamente escrito, quando menos
espero recebo um correio eletrônico e é ninguém mais ninguém menos que o
professor Walz a escrever em conjunto com seu parceiro de pesquisa Professor
Doutor Paulo Sérgio Rosa Guedes.
Fiquei muito feliz, o texto sobre a traição de um dos
discípulos de Jesus numa mescla com tom psicanalítico havia deveras chegado num
bom contexto e nas palavras do próprio Julio, havia ficado bastante satisfeito
com as analogias empregadas por mim.
Professor Julio Walz e o professor Paulo Sérgio Rosa Guedes
quando do lançamento da obra O Sentimento de Culpa, edição própria,
foram entrevistados por ninguém mais ninguém menos que Jô Soares no concorrido
e famoso Programa do Jô.
Eu estava assistindo ao programa e no dia seguinte tratei de
adquirir a obra e traçar os paralelos e meridianos que só a escrita pode
ofertar como mencionei nas linhas anteriores.
E deste período pra cá passei a estreitar laços com o
professor Júlio nas diversas redes sociais, um senhor muito distinto e com
ideias e debates bem coerentes de acordo com sua expertise pode revelar.
Hoje cá estou para dialogarmos a respeito de sua mais nova
obra: CUIDAR NÃO É EDUCAR, também edição do autor, a minha é a primeira. E
ainda com registro de autógrafo, com desejo que eu tenha bons momentos nas
páginas que se seguirão.
A partir de agora, as linhas que irei tecer de agora em
diante cobrirão argumentos sobre a obra do professor Walz, uma obra que adianto
desde já consistente e fundamentada na pedra angular da psicanálise.
Sendo bem sincero, psicanálise nunca foi minha praia, e
principalmente na abordagem no que diz respeito à infância. Tentarei segundo
minhas pesquisas em psicologia profunda ou junguiana, pesquiso desde 2009 essa
abordagem, então é um pouco mais a minha vibe, a minha praia por assim dizer.
A meu ver a síntese da obra do professor Júlio Walz é a
máxima: se você não tiver uma boa infância, consequentemente não terá uma
boa idade adulta.
Seremos adultos frustrados, cheios de culpa, remorso, ressentimentos
e rancor. Um adulto que tenderá a podar todos os galhos de florescimento da
criança. Muitas vezes da sua criança interior.
Irá procurar educar e não cuidar.
Puxando nosso diálogo para a filosofia, se pegarmos o mito
platônico do homem original, o homem original era redondo e tinha o formato de
uma mandala, na obra O Banquete de Platão ele afirma que o homem agia no
seu estado inflado, no estado de inflação do EGO.
Ser redondo no período inicial na existência equivale a ser
um Deus.
Há um estudo de Rhoda Kellog sobre o homem original e sobre a
arte na pré-escola. Ela observou que a mandala ou o círculo era a imagem
predominante em crianças que estão aprendendo a desenhar.
Quando a criança tenta desenhar figuras humanas, estas surgem
como círculos. Estes estudos sugerem que de acordo com a sua natureza empírica,
a criança experimenta o ser humano como uma estrutura redonda, semelhante à
mandala.
Os terapeutas também descobriram que a mandala funciona como
cura para as criancinhas.
O professor Júlio na sua obra aborda alguns questionamentos
essenciais e muito importantes, um deles é de que algumas pessoas lidam com
crianças e simplesmente não gostam de crianças.
Não é possível estabelecer a partir daí uma identificação com
a mesma.
A ideia arquetípica que abordo aqui é que há uma aproximação
contundente entre infância e estado divino, ou seja, o estreito vínculo entre o
Ego da criança e a divindade constitui um estado de inflação.
Até onde sei, o Freud descreveu o estágio da infância como um
quadro de perversão polimorfa. O nosso amigo Freud pegava pesado, mas apesar de
uma descrição brutal não deixa de ser verdade.
A infância é inocente, mas é também irresponsável.
Aí vem outro ponto dentro da psicologia analítica que desejo
relacionar com o livro CUIDAR NÃO É EDUCAR do professor Walz, sobre a educação
dos nossos infantes.
O principal tema do livro diga-se de passagem.
A criança tem naturalmente uma experiência de ser o centro do
universo, mas até que ponto podemos manter a integridade do eixo Ego-Si-mesmo e
dissolver essa identificação do eixo Ego-Si-mesmo?
É como diz aquela música: se correr o bicho pega, se ficar
o bicho come.
Vem sempre em mente as disputas entre indulgência e
disciplina rigorosa no âmbito da educação infantil. A meu ver não há escolha
entre essas duas formas, são os famosos pares de opostos e devem operar em
conjunto.
Sobre essa questão de ser o centro do universo, a mãe
normalmente encoraja tal situação, tendemos a pensar que seus desejos constituem
uma ordem universal que deve ser acatada a todo custo.
Eu posso dizer uma coisa: é necessário que seja assim.
Se a demanda mãe-filho não for atendida, a criança não se
desenvolve psicologicamente. Isso o professor Júlio explica de forma mais bem
desenvolvida na sua obra.
Depois desse processo de inflação vem a alienação do ego, que
consiste em se deparar com a dura realidade de que a criança não é esse Deus do
panteão grego.
O eixo ego-Si-mesmo é duramente danificado. É nesse momento
quando a criança é expulsa do paraíso, como bem citou Melanie Klein: quando
se come do fruto do conhecimento é sempre expulso de algum paraíso.
O mundo passa a confrontar o ego, e é nesse momento que o ego
cresce e se separa da sua identidade inconsciente com o Si-mesmo. Agora sendo
bem sincero, se uma ruptura violenta acontecer e romper o vínculo vital que
liga o eixo ego-Si-mesmo estaremos alienados do nosso próprio íntimo.
Aí o terreno estará adubado para o surgimento de enfermidades
de caráter psicológico. Acredito que é essa a mensagem que o professor Júlio
Walz deseja passar no que concerne a cuidar de uma criança ao invés de educa-la.
O educar está ligado a conceitos rígidos, morais e bem duros.
O educar segundo o que a obra deseja passar, isso sob minha
ótica, diz respeito a uma identificação unilateral com o Si-mesmo, pois muitas
psicoses ilustram a criança se achar o centro do universo numa íntima relação
de identificação do ego ao Si-mesmo.
O cuidar é o oposto disso, pois tenta manter o equilíbrio da
dança de opostos. Não ser coberto pela sombra do puer aeternus, é uma
das imagens do Si-mesmo, mas estar identificado com ele significa não deixar
nascer a realidade.
Educar pressupõe orgulho, prepotência e onipotência. Sintomas
de todo tipo, negativos, diga-se de passagem, explosões de ira, de vingança e
poder são exemplos de estados inflados.
O educar está intimamente ligado a rigidez e onipotência, o
que lembra Deus, pois onipotência está ligado à divindade, ou seja, o educar em
poucas palavras diz respeito a um estado de inflação do ego, para moldar ao
nosso bel prazer aqueles que um dia poderão fazer a mesma coisa com os seus
rebentos ou com qualquer outra criança.
O educar é um excesso de cuidado desnecessário e prejudicial.
O cuidar, o sublime cuidar, para que a criança não seja
tolhida e nem ferida nas suas maiores circunstâncias em que ela está inserida,
aí sim, é o melhor processo para que mais adiante ela não seja flechada pela
arrogância, pelo autoritarismo e nem pelo sentimento de onipotência que muitos
adultos trazem da sua infância mal vividas.
Como bem disse Donald Winnicott: toda mãe se torna
necessária quando se faz plenamente desnecessária. O renomado pediatra e
depois alçado a categoria de psicanalista inglês acertou em cheio, Winnicott é
citado também na obra do professor Walz, mas com outro pensamento, não vou
revelar qual é para que você possa ter prazer em adquirir a obra.
Winnicott tinha plena razão. Esse é um exemplo de cuidar, um
cuidado sem ser enviesado e preso a conceitos morais, sem ferir a dignidade e
principalmente, sem transgredir os limites da estrutura da psique da criança.
Cuidar é uma sublime apreciação de não desejar ser Deus. Para
resumir a narrativa que já estamos prestes a encerrar por aqui nestas linhas,
quando presenciamos adultos cheios de neuroses e psicoses pode ter certeza que
as raízes estão cheias de ervas daninhas advindas de uma infância problemática.
E assim, todo excesso esconde uma falta.
Excesso de altruísmo, de amor, de bondade... Xiiii, isso
também é inflação do ego, mostra que fomos uma criança que possivelmente
necessitou muito destes itens e hoje procura suprir uma demanda que não teve lá
atrás.
Quanto mais luz, mais sombra, não esqueçamos disso.
É na infância que se esconde nossas dificuldades, nossas
mazelas de hoje, nossos medos e angústias mais sutis, e não é procurando educar
aos moldes de Pinochett que tudo será resolvido, mas cuidando como Piaget.
Aí sim, quando nossa criança se afogar jogaremos boias e não
procuraremos ensiná-las naquele momento a nadar de forma hostil e com rigidez
sem precedentes.
Lembremos sempre: CUIDAR NÃO É EDUCAR!
Estas foram as minhas impressões sobre essa excelente obra do
professor de psicologia da UFRGS, Júlio Walz: CUIDAR NÃO É EDUCAR. Espero que
tenha gostado, como disse, tentei relacionar segundo meus conhecimentos em psi
complexa ou junguiana. Recomendo a obra de olhos fechados.
Randerson Figueiredo.
Escritor e pesquisador em filosofia e psi profunda.
OBSERVAÇÃO: O PROFESSOR WALZ TEM UMA SÉRIE NO YOUTUBE SOBRE
ESSA EXCELENTE OBRA, EU SEMPRE ACOMPANHO, UM PODCAST MARAVILHOSO E BEM
DESCONTRAÍDO, NÃO É CHATO NEM MONÓTONO, ACONSELHO VOCÊ CASO POSSA, ACOMPANHAR
AS INSERÇÕES DO PROFESSOR COM O MEDIADOR, VALE MUITO A PENA.
<<< EPISÓDIO 1 - PODCAST CUIDAR NÃO É EDUCAR >>>
SERVIÇO:
DESCRIÇÃO: Cuidar não é educar é um livro realista. Mostra que o convívio familiar é um enorme desafio. Brincadeiras, desenvolvimento, limites, tecnologias, ser bom pai e ser boa mãe e a diferenciação entre cuidar e educar, são temas apresentados no livro com o propósito de colaborar com a qualidade de vida da família e, especialmente, na relação entre pais e mães e os seus filhos.
CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO:
Autor: Julio
Cesar Walz
112 páginas
12,8 x 19,5
cm
ISBN:
978-65-00-73295-5
JUNG PARA LEIGOS – NOVA PLATAFORMA SOBRE FILOSOFIA, ESPIRITUALIDADE E PSICOLOGIA PROFUNDA
Bom dia.
Eu me chamo
Randerson Figueiredo, autor da antiga plataforma Saber Jung, tive que deletar a
antiga plataforma, pois a minha conta do blog foi invadida (hackeada).
Para não deixar de
escrever sobre o que tanto gosto, sobre estas temáticas, resolvi criar uma nova
plataforma, a plataforma JUNG PARA LEIGOS sobre os mais diversos assuntos.
Este blog seguirá
as mesmas diretrizes do Saber Jung, até minha indexação foi prejudicada,
principalmente a indexação nos navegadores de pesquisa. Os leitores não
conseguiam encontrar o blog.
Então tive que
tomar uma decisão muito séria e retomar as atividades praticamente do zero.
Isso é muito bom, porque é um novo desafio de não parar, mas de continuar mesmo
caindo, levantar e continuar.
Agradeço
imensamente a você, leitor, que me acompanha por aqui.
E vamos continuar a
aprender sempre, sempre a procurar diminuir o tamanho da minha ignorância. Um
grande e fraternal abraço.
A BUSCA PELA QUATERNIDADE, ALQUIMIA E A DIALÉTICA DE HEGEL – POSTAGEM ESPECIAL
Olá, mais uma vez cá estamos
para mais um encontro salutar a envolver psicologia, filosofia e
espiritualidade num só momento, tudo ao mesmo tempo agora.
Estava a pesquisar sobre os
assuntos acima e resolvi entrelaçar os temas, tudo no seu devido lugar.
Acredito que nosso encontro hoje será muito especial.
Quando me deparei com um dos
volumes das Obras Completas de Jung, mais precisamente A Interpretação
Psicológica do Dogma da Trindade (OC – 11/2) considerei de bom tom trazer
esse tema aqui pra plataforma, haja vista religião ser um assunto consoante às
perspectivas da psi profunda.
E entrelaçar os pormenores
destes ou daqueles assuntos torna tudo muito interessante e maravilhoso. Do
ponto de vista natural, a religiosidade é uma função natural, inerente à
psique.
A religião é um instinto.
E dentro do conceito da psi
analítica, a religião é tida como um processo terapêutico que assim como a
psicoterapia tem a função de aliviar o sofrimento intrínseco a natureza humana.
As religiões originam-se de
conceitos e fatores dinâmicos do inconsciente, e esses fatores se apresentam em
formas de imagens dos mais variados tipos: deuses, demônios, espíritos...
William James, disse certa
feita, que apesar dos cientistas darem uma importância maior aos fatos
objetivos, a ciência funciona como uma espécie de sentimento religioso: “Essa
importância em si mesma é quase religiosa. Nosso temperamento científico é
devoto.”
A linguagem das religiões é
elaborada a partir de símbolos.
E esses símbolos têm uma
importância significativa na psique da gente, Jung ocupou-se mais
especificamente dos símbolos cristãos, pois há mais de dois mil anos sob a
custódia da cristandade ocidental.
O ponto de partida de Jung é a
de que a Trindade cristã é um significado psicológico vivo. Se não fosse dessa
forma, já teria caído no esquecimento.
Essa concepção trinitária do
cristianismo vem de tempos remotos.
Babilônios, egípcios e gregos
já esboçavam de forma bastante proeminente características bem peculiares em
relação à trindade. O que se pode inferir que a trindade é um arquétipo que vem
evoluindo ao longo dos séculos.
E o desenvolvimento da imagem
de Deus de um para três é importantíssimo dentro da evolução da psique como um
todo, esse desenvolvimento corresponde as três etapas evolutivas da psique.
Mas aí vem a pergunta que não
quer calar...
A totalidade exprime-se em
símbolos quaternários, a mandala é um exemplo que exprime a totalidade da
psique, dividida em quatro. E o que falta para completar a trindade?
Já que as três pessoas divinas
são perfeitas?
Bem, nesse ponto em 1950 a
Igreja Católica resolveu dar o ar da graça e promulgar o Dogma da Assunção de
Maria, segundo Jung esse acontecimento significa que a quaternidade poderia
estar completa.
Isso segundo a Igreja.
Poderia... Jung foi bem claro.
Para a quaternidade figurar
completa seria necessário juntar aos aspectos numinosos da trindade a sombra, o
lado obscuro, o lado sombrio para que a união de opostos possa sim fazer jus à
totalidade.
À medida que as minhas
pesquisas iam avançando mais eu percebia que a temática é mais profunda do que
parece. É importante salientar quando Jung fala de religião, ele não fala de
qualquer credo ou religião em particular.
O que interessa é a atitude
religiosa como função psíquica.
É a experiência religiosa como
processo psíquico, é isso.
Jung não só aborda sobre esse
tema da trindade no OC – 11/2, mas também em Aion (OC – 9/2) e Resposta a Jó
(OC – 11/4), este último não utilizado por mim, a não ser para citações.
Acredito que essa questão da
trindade e do quatérnio é um ponto muito significativo a despeito do
inconsciente coletivo, pois fica claro que a trindade é um arquétipo que sempre
aparece ao longo dos séculos.
E nem precisa falar sobre a
questão dos números: o uno – o outro – o terceiro. O três é um número perfeito,
representa Deus, pois significa início, meio e fim.
O número um não inicia a
contagem, mas sim com o dois, o outro.
Iremos nos deparar com essa
questão da numerologia com Platão e Pitágoras (indico a obra Psique na
Antiguidade – Volume I de Edward F. Edinger, capítulo sobre Pitágoras página 31
e capítulo sobre Platão página 81).
Para Jung, a trindade é uma representação
incompleta da divindade.
Tanto é que as imagens das
mandalas exprimem um sentimento de estabilidade e repouso, um sentimento de
equilíbrio. Normalmente quando se está em perigo a mandala surge como um
propósito estabilizador.
Todo evento que se desenrola
no tempo tem um início, um meio e um fim. Passado, presente e futuro. É bem por
aí que se desenrola nossa conversa, nobre leitor.
Então em relação a todo esse
processo, pode-se dizer que o número 3 representado pelo Espírito Santo é uma
união de contrários, segundo Jung.
Agora ao traçar um paralelo
com o filósofo alemão Hegel é possível perceber um paralelo para esse
simbolismo dos números, para a compreensão do processo histórico.
De acordo com Hegel, todos os
movimentos e acontecimentos da história humana se enquadram num padrão cíclico
ternário:
- Tese – uma oposição original;
- Antítese – a oposição se
forma, cresce e supera a primeira;
- Síntese – a unilateralidade
e a inadequação da antítese são reconhecidas, e a síntese dos dois opostos a
substitui.
A
fórmula é: TESE – ANTÍTESE – SÍNTESE.
Só que muita gente não se dá
conta que a síntese pode se tornar uma nova tese, aí o ciclo se repete. Essa
fórmula é aplicada até hoje, principalmente em formulações científicas.
Essa foi uma percepção de
primeira grandeza, é ou não é uma evidente expressão do arquétipo trinitário?
Acredito que sim, tenho a mais plena certeza.
Até mesmo porque, através de
mais um exemplo, o desenvolvimento da consciência se desenvolve através de três
fases, olha aí mais uma perspectiva da trindade:
1 – O ego identificado ao Si-mesmo;
2 – O ego alienado do Si-mesmo;
3 – O ego unido de novo ao
Si-mesmo – O eixo ego-Si-mesmo.
Por isso é muito importante
compreender essa questão da trindade cristã analogamente ao desenvolvimento da
consciência da nossa psique:
- A idade do Pai (Si-mesmo);
- A idade do Filho (ego);
- A idade do Espírito Santo
(eixo ego-Si-mesmo).
A ideia medieval de CORPO –
ALMA – ESPÍRITO, também é outra representação trinitária da totalidade. A
questão da teoria alquímica com o uso de MERCÚRIO – ENXOFRE – SAL.
O próprio Freud com o Id – Ego
– Superego.
Agora me lembrei de Lao Tsé
que diz: O um gera o dois, o dois gera o três e o três gera todas as coisas
(Tao Te King, 42).
Percebo que essa questão do
três e do quatro funciona mais ou menos assim, que três é a tese e o quatro é a
antítese, que devem ser resolvidos numa nova síntese.
Sendo mais preciso, a
quaternidade só não deu o ar da graça, pois o quatro é tido simbolicamente com
traços da personalidade feminina, os números pares têm essa representação, o
três por ser um número ímpar representa fidedignamente a sociedade patriarcal
em que vivemos.
Esse é um dos motivos do
quatérnio não ser o protagonista em toda essa história que envolve o três e o
quatro: a trindade e a quaternidade.
A quaternidade não representa
um símbolo completamente adequado para a totalidade, segundo Jung, é necessário
haver uma síntese entre a quaternidade e a trindade.
Mais especificamente falando,
o símbolo da trindade representa um processo dinâmico, de constante mudança, de
melhorias numa expansão consciente, ou seja, ao processo de individuação.
A missa por exemplo, para
Jung, é um rito do processo de individuação, interessante não é? Em todas essas
pesquisas, e não foi pouca pesquisa, pude perceber a extensão de todos esses
questionamentos.
É tudo muito ramificado. Tudo
interligado. É maravilhoso.
Para concluir o texto de hoje,
chego à conclusão que a quaternidade não deu o ar da graça ao marcar a nossa
civilização por mais do que questões psicológicas, mas políticas e
antropológicas de organização tribal e patriarcal.
Ficou claro que a presença do
feminino não era bem vista numa sociedade marcada profundamente por presença
masculina. E a trindade é a representação máxima do patriarcado.
Apesar da busca pela
quaternidade ser uma constante e temos vários exemplos:
- Os 4 evangelistas (Matheus –
Marcos – Lucas – João);
- As localizações cardeais
(Norte – Sul – Leste – Oeste);
- As estações da natureza (Primavera
– Verão – Outono – Inverno);
- Os estados da matéria
(Quente – Frio – Seco – Molhado).
Deixo bem claro no nosso
diálogo hoje que deveria haver uma combinação, um diálogo do trino com o
quatérnio. Essa relação com a dialética Hegeliana acende ainda mais o debate,
de ter sempre o trino como completude no pleno desenvolvimento da consciência
como um todo, numa rota para o processo de individuação.
Como indicação vou deixar mais
uma obra: A doença que somos nós – A crítica de Jung ao cristianismo, de
John P. Dourley. Aborda sobre toda essa questão de forma bem concisa e
didática, o livro foi editado pela Paulus, principalmente o capítulo 5 página
72.
Essa obra é muito boa, fora as
que vou deixar nas referências.
Então já vou finalizar o texto
de hoje com uma frase do Oráculo de Delfos, na qual Jung fez gravar em pedra, e
colocou no alto da sua porta da sua casa em Küsnacht: Invocado ou não
invocado, Deus estará presente.
E eu completo: a trindade
também!
Até a próxima, se Deus
permitir.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
DA SILVEIRA, Nise – JUNG, vida
e obra. Editora Paz & Terra, Ano: 2023.
DOURLEY, John P. – A doença
que somos nós - A crítica de Jung ao Cristianismo. Editora Paulus, Ano: 1987.
EDINGER, Edward F. – A psique
na Antiguidade – Volume I (Filosofia Grega Antiga). Editora Pensamento (Selo
Cultrix), Ano: 2005.
EDINGER, Edward F. – Ego e
Arquétipo, uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos fundamentais de
Jung. Editora Pensamento (Selo Cultrix), Ano: 2020.
HEGEL, G. W. F. – Hegel –
conceitos fundamentais. Editora Vozes, Ano: 2021.
JUNG, Carl Gustav –
Interpretação psicológica do dogma da trindade (OC – 11/2). Editora Vozes, Ano:
2013.
JUNG, Carl Gustav – AION,
estudos sobre o simbolismo do Si-mesmo (OC – 9/2). Editora Vozes, Ano: 2013.
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