DARWIN, NIETZCHE E JESUS – A ADAPTAÇÃO COMO REAÇÃO A UMA CADEIA GLOBAL

fevereiro 28, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments



Olá caríssimo leitor! Tudo bem com você? Espero sinceramente que sim!

Depois de ter escrito sobre a Espetacularização da violência vinha estudando uns textos para escrever aqui no blog sobre ciência, espiritualidade e filosofia de forma mais contundente.

Hoje vou matar três coelhos com um só cajado.

Não sei se você percebeu, mas os meus textos estão mais objetivos.

Mais concisos e diretos ao assunto tratado.

Hoje será Darwin, Nietzche e Jesus que serão nosso objeto de estudo. O que os três têm entre si? É isso o que vou responder a partir de agora.

Em 1859 quando a “Origem das Espécies” foi lançada, Darwin mesmo que sem querer influenciou muitos pensadores e pesquisadores que tendiam para o ateísmo.

Nesse ínterim essa querela entre ateísmo e evolucionismo chegou à Alemanha, e Arthur Schopenhauer foi um dos seus maiores expoentes, que por sua vez influenciou o maior filósofo alemão moderno: Nietzche.

De família protestante, luterana, ele (Nietzche) começou a enveredar por outros caminhos. No seu último livro “O Anticristo” publicado em 1900 afirma que a religião cristã e sua mensagem de compaixão fazem mal.

E mais do que isso, prejudicam a evolução natural.

Ele passa a dizer que o homem evoluído será aquele que superar a ideia de Deus e dizendo que o mais forte sobrevive.

Essa ideia de que o mais forte sobrevive é justamente de Nietzche e não de Darwin, ou seja, a elite dominante capitalista adorou essa ideia central, pois através dela poderia colocar seus interesses em prática.

Darwin não falava em mais forte, mas em mais adaptado é sempre bom reiterar.

Quando pensamos em força, pensamos em brutalidade – Nietzche negava a compaixão.

Quando pensamos em adaptação pensamos em mudanças – Darwin mostrou isso claramente com o seu livro.

E Jesus? Onde entra nessa história toda?

Jesus entra para afirmar o pensamento Darwinista da seguinte maneira:

Jesus pregava o amor, a misericórdia, a compaixão; mas em todas as suas incursões seja com os apóstolos ou não Ele pregava que para se ter um coração digno de encontro com Deus era necessário a mudança.

Mudança de vida.

Mudança de rota.

Mudança de hábito.

Era necessário em meio a todas aquelas manifestações de respaldo intelectual por meio dos sacerdotes, doutores da lei e etc e tal que a adaptação fosse usada o mais rápido possível.

E a conversão é ou não é uma adaptação que parte de dentro pra fora?

Percebemos isso em várias passagens bíblicas como por exemplo:

A passagem da mulher adúltera é um bom exemplo (João 8.1-11).

Jesus no auge de sua sabedoria trata do caso com extrema maestria.

Porque se Ele fosse a favor do apedrejamento ele estaria sendo contra o que Ele mesmo pregava. Por outro lado se fosse contra, seria contra os ditames da época, da lei Mosaica.

E o que Ele fez todos sabemos, usou de seu método para atingir a consciência daqueles que estavam dispostos a atacar e ridicularizá-lo.

Ou seja, utilizou de meios hábeis para se adaptar as circunstâncias sem atingir de forma cruel quem quer que fosse, quem estivesse ali, no caso a mulher adúltera, escribas e fariseus.

E ainda disse mais: vai-te e não peques mais. Mais um exemplo de adaptação para ela seguir adiante e não cometer tal ato, tentar se adaptar a sociedade em que vive.

Por isso que digo que Darwin tem muito a falar sobre Jesus. Pois Jesus resolvia tudo na base da diplomacia, menos quando fizeram do templo um local de comércio... Mas aí é outra história.

Conversava com todos e sempre recomendava não pecar mais, essa referência nos diz muito, pois não pecar mais não significa somente deixar de praticar atos errôneos, mais do que isso, significa se adaptar a uma sociedade que está disposta a te atacar a todo momento.

A qualquer vacilo, a qualquer distração... Penalidades serão aplicadas.

Acredito que essa é a ligação que Darwin e Jesus têm em comum e Nietzche está aí no meio para atrapalhar a mensagem que o pai da teoria evolucionista veio para passar.

Agora já finalizando esta postagem leitor, acredito que a grande questão disso tudo foi o demônio que criaram em relação a ciência com essa teoria. Rejeitá-la significa refutar no que a ciência trabalhou e está trabalhando. É injusto.

E digo mais, é muita injustiça com milhares de cientistas no mundo todo, que trabalham arduamente em busca de uma ciência séria e de qualidade. Temos sim muitos cientistas entusiastas da religião, como o geneticista Francis Collins, ex-chefe do renomado projeto Genoma. 

Tudo isso atrapalhou demais chegar num consenso, num bom papel de argumentação para destrinchar tudo isso, até mesmo porque o Darwin explicou muito bem a teoria das espécies, já a criação do mundo aí já é outra história. Essa parte não é com ele.

Procurar compreender a Bíblia literalmente não é a melhor saída.

A melhor saída, acredito, é unir os dois roteiros: fé e ciência. Mas não trata-los como meros antagonista e protagonista, devemos trata-los como atores que cumprem seus papéis da melhor maneira possível. Entrelaçando-os.

Como bem disse o grande Albert Einstein:



Até a próxima.

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A ESPETACULARIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA

fevereiro 12, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments


“Solidariedade é o compasso da diferença fechando o círculo da igualdade”.
Randerson Figueiredo

Olá caro leitor, tudo bem? Espero que sim. Hoje retomo nossos costumeiros textos aqui no blog Saber Jung numa segunda-feira de carnaval.

O tema hoje será sobre uma questão muito atual: violência!

Diante do que está acontecendo em vários estados do Brasil, a proliferação da violência, não posso ficar calado e não falar sobre essa situação lamentável.

A violência tem se alastrado de uma forma fora do comum, em progressão geométrica. Acredito que hoje os cidadãos de bem estão presos e os verdadeiros criminosos estão soltos.

Acompanhamos rotineiramente nos meios de comunicação rebeliões em presídios, sequestros, ataques a bancos, homicídios e isso ao mesmo tempo que nos causa indignação, nos faz pensar sobre uma série de fatores.

Um deles é sobre a mídia, principalmente a televisiva.

Vivenciamos hoje uma espetacularização da violência. Mas de que forma?

A meu ver a mídia fomenta de forma pretensiosa e alarmista questões que poderiam ser resolvidas da melhor maneira possível, sem alarde e sem requintes de crueldade.

Pois pode perceber que ao mesmo tempo que ela traça planos para sanar as dificuldades proporcionadas pela violência, também proporciona um verdadeiro circo dos horrores.

Como por exemplo esses programas policiais que facilmente conseguem presas na hora do almoço. Aquilo ali é um verdadeiro acinte a dignidade humana.

E nesse ínterim a violência se torna um espetáculo.

Pessoas que aplaudem o linchamento do próximo, o esquartejamento de fulano de tal para ser limado da face da terra num discurso de ódio sem tamanho.

Se alguém errou que pague com a justiça, que a justiça seja feita, mas não pagar ódio com ódio, rancor com rancor e terror com terror. Não é assim que as coisas funcionam, ou pelo menos não era para funcionar.

E nessa perspectiva as pessoas que assistem a esses programas são tragadas por esses pensamentos deletérios capazes de leva-los ao fundo do poço.

São insufladas, manipuladas descaradamente com o único objetivo de serem trazidas não para um mundo habitual, mas para um conceito de realidade atrelada a uma falsa percepção do que vem a ser a justiça.

É como se essa realidade fosse distorcida, aumentada num nível catastrófico. E quando isso acontece passamos a enxergar um pandemônio em nossa frente.

E sem contar que os apresentadores desses mesmos programas policiais se sentem no direito de serem representantes do povo.

E obviamente não somente esses programas, mas os noticiários jornalísticos, jornais impressos, revistas e dentre outros veículos entram no rol dessa violenta orgia.

Lógico que tudo isso é muito lucrativo.

O crime organizado está aí para provar isso, facções que dominam não somente os morros, mas o país inteiro.

E o que dizer sobre isso? Bem, os políticos desde o início sempre souberam o que fazer, sempre acreditei nisso e não há quem tire isso da minha cabeça.

A violência tem cor, sexo e etnia. A maioria dos casos de homicídios ocorrem com a população de baixa renda, preta e maioria do sexo masculino.

Será que nunca ninguém se atentou para isso? Para esses dados?

O que eu vou dizer agora é um pensamento particular.

Acredito que o que ocorre com senão todas as pessoas que se envolvem com o tráfico, mas com a grande maioria é uma espécie de efeito bumerangue.

O que é lançado, como um bumerangue, irá voltar.

Pessoas desassistidas tendem a agir num efeito contrário contra o sistema que tanto os desamparou, que tanto os sugou, que tanto causou danos a cada um.

É uma espécie não de revanche, mas uma forma arbitrária de se fazer justiça com as próprias mãos, o que causa um transtorno enorme. Tendem a ter um sentimento de discórdia com aqueles que nunca moveram uma palha com eles, os mais necessitados.

Sim porque sejamos sinceros, essas organizações criminosas são crias do próprio estado que incentiva esse clima de insubordinação sem precedentes.

Se hoje o Estado é dominado por esse tipo de estratagema rebelde dentro até mesmo dos presídios é graças ao próprio estado que isso está acontecendo.

Que nunca proporcionou condições adequadas de sobrevivência, um saneamento básico e o principal: a uma educação que salvaguardasse sua pele dos ditames do mundo do crime.

O resultado é esse: uma espécie de rebeldia geral.

E mais uma vez volto a repetir que o papel da mídia tem efeito nocivo diante desse espetáculo grotesco, principalmente com as crianças, através dos pontos a seguir:

1.    Imitação de comportamento – com as reportagens abusivas tendemos a imitar o comportamento daqueles que infligiram as leis, principalmente as crianças.
2.    Violência recompensada - A violência, que é glamourizada ou mostrada como eficaz, ensina às crianças que esta é premiada em nossa sociedade.
3.    Violência justificada – frases como: “está correto recorrer a violência desde que você esteja no seu direito”
4.    Dessensibilização – o aumento a exposição da violência faz com que se tenha um aumento da falta de ser sensível com os demais.
5.    Aumento do medo – o mundo parece ser um lugar atemorizante demais, que o real é pior do que realmente aparenta ser. Para crianças sensíveis demais, pode parecer um pesadelo viver num mundo assim.

A questão da violência na mídia não faz parte do setor de saúde pública no Brasil, o que é um grande problema, pois demonstra que a sociedade aceita a sua representação ou sub-representação das classes menos favorecidas de forma claramente distorcida.

Devemos ser solidários uns com os outros. No tratamento com a dor do outro, das suas insatisfações e com a sua tragédia. Digo isso no que tange em especial aos que mais precisam.

Solidariedade é o compasso da diferença fechando o círculo da igualdade.Randerson Figueiredo

O caminho a perseguir é de um equilíbrio mais adequado, na mídia, entre a preocupação com a proteção e o reflexo acurado do mundo real, com relação à diversidade cultural e os preconceitos sob diversos aspectos.

Só assim teremos uma representatividade que garanta não só respeito como lisura diante do que está sendo dito e não uma glamourização da violência.

Bem, leitor esses são meus pensamentos diante desse tema, espero que tenha gostado do assunto e da forma como o abordei, senão entre em contato comigo para debatermos da melhor maneira possível, será um prazer conversar com você e saber também o que pensa sobre o assunto.

Até a próxima.

{ Referências bibliográficas }

01. ADORNO, S., 1995. Violência, ficção e realidade. In: Sujeito: O lado oculto do Receptor (M. W. Souza), pp. 181-188, São Paulo: Brasiliense.

02. BOURDIEU, P., 1997. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.


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