A FINALIDADE DO SOFRIMENTO.

outubro 31, 2012 Randerson Figueiredo 6 Comments




Em muitos momentos da vida é comum nos depararmos com problemas. E esses percalços muitas vezes surgem sem um caminho viável para solucioná-los. Por isso mais uma vez cito Carl Jung, pai da psicologia analítica, que menciona em um de seus trabalhos que jamais deveríamos nos perguntar sobre o porquê do problema, pois muitas vezes perguntar o porquê nos levaria a uma série de outras perguntas sem resposta.


Jung propõe o seguinte questionamento: para quê sofremos? Para a psicologia analítica, o sofrimento é um sintoma da alma. Nós não sofremos não só com fatores físicos, orgânicos. Sofremos principalmente com fatores emocionais.



Isso acontece porque os parâmetros de desejos mudaram. O homem desde suas origens passa a cultivar vírus emocionais que facultam outros degenerando seu estado de espírito. Passamos a abrir uma brecha às viroses emocionais.



Vivemos em uma sociedade onde não costumamos mais confiar no outro, a viver em um conflito sem educação com o semelhante. Tudo isso propicia um descontrole emocional em conjunto dissonante de uma vivência pacata e feliz.



Então essa sociedade começa a adoecer, e esse adoecimento gera sofrimento. Nessa valorização excessiva da persona, a mágoa toma conta e isso causa desequilíbrio. Por isso, situação que poderia passar tranquilamente, a pessoa já está contaminada pelo vírus psicológico.



Toda vez que meu ego é frustrado eu sofro. Agora o que é debatido é que o ego precisa ser frustrado para que eu amadureça. Portanto o sofrimento é a melhor terapia para o crescimento moral do indivíduo.



Por isso que toda vez que há uma frustração do ego devo me perguntar: mas para quê estou sentindo isso agora? 



Sem o sofrimento não cresceríamos. E não cresceríamos por quê? O sofrimento é só uma consequência de uma causa muito maior. Então não existem vítimas. Somos todos responsáveis pelos nossos atos. 


De alguma maneira continuamos sofrendo pelas mesmas coisas, desejando sempre os mesmos objetivos, as mesmas amizades. E isso é procurar sofrer. Temos que nos acostumar a dizer não, dizer não ao ego que sempre procura agir como um garoto mimado e insolente.


O que quero dizer é que o sofrimento está vinculado à sensibilidade de cada um, ou seja, o sofrimento vai ter intensidade da maturidade do meu ego, conforme a minha capacidade de ir além do ego.



Será que eu estou me sentindo importante demais? Será que não me acho merecedor demais? Será que estou conseguindo reconhecer minhas limitações?



Devemos reconhecer a sombra coletiva, nossos medos e anseios, a obscuridade do ser. 



O sofrimento assim como a dor, favorece a melhora da vida, todo conteúdo que é negligenciado guarda energia psíquica, assim é o sofrimento, a dor.



Portanto o sofrimento não é imposto por Deus. Costumamos simplificar as coisas, tudo achamos que é carma, pois não é sofrer o carma e sim com o carma, passamos a estabelecer uma relação com ele.



“O homem tem de lutar com o problema do sofrimento e não com o sofrimento. Com a causa e não com o sintoma. O sofrimento precisa ser superado e o único meio de superá-lo é suportando-o. Aprendemos isso com Ele (o Cristo).” Jung (Cartas, vol. 1)



Vivemos em uma sociedade em que sofre quem quer, a partir do momento de como encaro esta dificuldade, a causa propriamente dita. Onde está a causa desse problema? 



As questões que me causam sofrimento precisam ser superadas e dessa forma temos que suportá-lo.



O problema é que muitas vezes nos comportamos como crianças mimadas e temos que nos perguntar todos os dias: qual o tamanho do meu egoísmo?


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O CARMA DE SER CRISTÃO

outubro 19, 2012 Randerson Figueiredo 0 Comments




Hoje irei perpassar a filosofia do gigante Santo Agostinho. O questionamento que se segue é sobre o Carma de ser cristão, já que nós cristãos, estamos sujeitos a um forte dilema moral.

O Mestre Jesus em um dos seus grandiosos ensinamentos nos disse: “Faça ao outro aquilo que gostaria que fizessem a você”. Claro que aqui estou usando uma linguagem mais informal.

E é aí que está o problema meus caros. Se praticarmos o bem, queremos por analogia que o nosso irmão também faça o mesmo conosco, não é verdade?

Mas muitas vezes não é isso o que acontece, quando usamos a benevolência muitas vezes nos é devolvido em troca uma acachapante onda de malefícios, tempestades e sérios danos morais e até mesmo físicos.

E o que fazer com essa discrepância? Retornar essa onda de carga negativa? A minha resposta é curta e direta: não!

Devemos seguir como mencionei no início, os ensinamentos de Jesus Cristo, mas de que forma? Colocaria um adendo no ensinamento do Mestre: faça ao outro o que gostariam que fizessem com você, mas antes pergunte ao outro se ele gostaria de ser tratado assim, afinal você não irá modificar sua natureza por ninguém.

Essa seria minha colocação. Se retornam com o mal para você, com o mal não se deve pagar, pois é de sua condição humana continuar a fazer o bem, porque já que Ele nos diz que é para tratar o irmão como gostaria de ser tratado então se fizer o contrário você estaria sabotando seus próprios ideais para ser alguém em uma condição moral não tão melhor da que você já tem.

É aí que entra a filosofia de Agostinho, a filosofia agostiniana é uma constante busca da verdade, que culmina na Verdade, em Cristo. É um movimento incessante, uma paixão, e, precisamente, a paixão principal: o amor. “Amor meus, pondus meum”, o amor é o peso que dá sentido à minha vida. Verdade e Amor. “Fizeste-nos, Senhor, para Ti e o nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em Ti”, diz nas Confissões.

Essa “passionalidade” da filosofia agostiniana não é em nenhum momento irracionalismo ou voluntarismo. Se incita a ter fé para entender, também anima a entender para crer melhor. Nada nos pode fazer duvidar da possibilidade de chegar à verdade. Nada valem os argumentos céticos. Si fallor, sum: se me engano, é uma prova de que sou, diz, antecipando-se, num contexto muito diferente, a Descartes. E com mais clareza: “Sabes que pensas? Sei. Ergo verum est cogitare te, logo é verdade que pensas”.

É desta forma que Santo Agostinho vem nos falar da verdade em Cristo, por analogia, seguindo o ensinamento que citei acima assim estaremos mais próximos Dele e sem olhos vendados com uma “verdade incontestável”, pois nós cristãos estamos mais suscetíveis a nos decepcionarmos, estamos mais sujeitos a triste verdade do não acolhimento da palavra amiga por sempre querermos fazer o bem e nem sempre recebermos uma resposta favorável em troca.

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