UMA BABÁ QUASE PERFEITA – ANÁLISE DE FILME

maio 30, 2019 Randerson Figueiredo 0 Comments



A análise de filme de hoje será o grande sucesso de crítica e de público lançado em 1993 chamado Uma babá quase perfeita, ou Mrs. Doubtfire nos Estados Unidos.

Sinceramente esse é um dos filmes que marcou minha infância.

A história narra a trajetória de pais que se separam e se veem obrigados a disputar a guarda dos filhos na justiça. Robin Williams é Daniel Hillard enquanto Sally Field é Miranda.

Logo após a separação, Daniel Hillard é impedido de manter um relacionamento mais costumeiro com seus três filhos, e logo tem a ideia de se vestir de uma senhora inglesa chamada Efigênia Doubtfire.

Tudo isso para se aproximar dos filhos.

O que mais me chamou a atenção no filme foi a sensibilidade de Robin Williams ter criado a senhora Doubtfire. Foi de uma sensibilidade extrema.

A transformação da personagem de Daniel em um pai de verdade, deixando de lado aquele bobão e homem sem noção também é um ponto alto na trama.

O filme traz ótimas críticas a sociedade, pois fala de divórcio, relação entre pais e filhos, novo relacionamento do pais, reconstrução da vida após a separação. Um filme que nos ensina muito sobre vida familiar.

Acredito que o grande potencial da trama é a identificação com as personagens, pois quando os pais se separam abre-se um vácuo na vida do(s) filho(s).

E os filhos precisam se adaptar com dinâmicas parentais de estilos totalmente diferentes. O que por vezes gera toda uma variedade de conflitos na imposição de regras e rotinas e, inclusive, sobre os afetos.

O filme em questão, mesmo com uma lente mais cômica, sabe o peso e o poder de identificação pessoal do material que tem em mãos, e se aproveita disso para construir uma bela história de amadurecimento paterno.

Williams, muito a vontade na pele do a princípio infantilizado pai bobão, cresce conforme o andamento da narrativa de forma despretensiosa e cada vez mais assegurado de ser um grande homem na vida dos filhos.

A persona que assume, a de uma babá que sabe ter as rédeas da situação diante das piores manifestações comportamentais se funde e é incorporada a sua vivência de pai.

Ao final, aprendemos junto com o personagem que o amor mútuo deve continuar existindo apesar das significativas mudanças, um amor responsável.

E o que falar mais a respeito desse filme?

Diálogos inteligentes, piadas afiadas e uma maquiagem impressionante fazem de Uma babá quase perfeita um clássico da comédia.

O filme ganhou em 1994 o Oscar de melhor maquiagem e dois globos de ouro, Robin Williams de melhor ator e melhor comédia/musical.

Fique agora com alguns trechos desse maravilhoso filme:




Ficha técnica

Data de lançamento: 25 de dezembro de 1993 (2h 05min)
Direção: Chris Columbus
Elenco: Robin Williams, Robert Prosky, Sally Field
Gêneros: Comédia, Drama
Nacionalidade: EUA

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MENSAGEM # 91 # FRASES - RANDERSON FIGUEIREDO

maio 25, 2019 Randerson Figueiredo 0 Comments


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MENSAGEM # 90 # FRASES - RANDERSON FIGUEIREDO

maio 25, 2019 Randerson Figueiredo 0 Comments


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MENSAGEM # 89 # FRASES - RANDERSON FIGUEIREDO

maio 25, 2019 Randerson Figueiredo 0 Comments


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MENSAGEM # 88 # FRASES - RANDERSON FIGUEIREDO

maio 25, 2019 Randerson Figueiredo 0 Comments


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TEMPOS MODERNOS – ANÁLISE DE FILME

maio 22, 2019 Randerson Figueiredo 0 Comments


Hoje a análise de filme é um clássico do cinema: Tempos Modernos de Charles Chaplin.

Tempos Moderno é um filme que retrata a vida urbana nos Estados Unidos no ano de 1930, demonstrando os modos de produção industrial baseados na divisão e especialização do trabalho na linha de montagem.

O Taylorismo e o Fordismo são modelos de produção baseados na divisão do trabalho, ou seja, cada operário fica responsável por uma etapa do processo produtivo.

A produção em massa deve ser realizada no menor tempo possível, a repetição de exercícios por parte do operário causa a alienação do mesmo.

Esse fato é retratado no filme onde Carlitos, figura principal, é um operário que trabalha em uma linha de montagem apertando parafusos, em razão da quantidade excessiva de exercícios repetitivos, Carlitos, mesmo fora da função industrial, continua efetuando movimentos como se estivesse apertando os parafusos na linha de montagem.

Várias características do Taylorismo e do Fordismo são expressas no filme. A questão da alienação física e ideológica causada por esses modelos de produção são abordadas em forma de arte e com muita ironia por Charles Chaplin. O filme é uma crítica ao sistema capitalista e ao modo de produção industrial.

E claro, não poderia deixar de citar que o contexto engloba a crise de 29 que assolou meio mundo.

É uma crítica sobretudo à modernidade.

Se inicialmente o lançamento do filme chegou a dar prejuízo, mais tarde tornou-se um clássico na história do cinema. Chegou a ser proibido na Alemanha de Hilter e na Itália de Mussolini por ser considerado "socialista".

Aliás, nesse aspecto Chaplin foi boicotado também em seu próprio país, não de origem, mas no qual mantinha laços cinematográficos (EUA) na época do "macartismo".

Juntamente com O Garoto e O Grande Ditador, Tempos Modernos está entre os filmes mais conhecidos do ator e diretor Charles Chaplin, sendo considerado um marco na história do cinema.

Abaixo o filme completo, assista aqui no blog Saber Jung.


Ficha técnica:
Filme: Tempos Modernos


Ano: 5 de fevereiro de 1936 (estreia mundial)
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Produção: Charles Chaplin
Fotografia: Ira H. Morgan, Roland Totheroh. Totheroh
Trilha Sonora: Alfred Newman, Charles Chaplin
Estúdio: Charles Chaplin Productions, United Artists
Elenco: Allan Garcia, Charlie Chaplin, Chester Conklin, Hank Mann, Henry Bergman, Louis Natheaux, Paulette Goddard

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JOHN RAWLS E A EQUIDADE DA JUSTIÇA – FILOSOFANDO

maio 15, 2019 Randerson Figueiredo 0 Comments



Olá caro leitor, hoje trago um tema muito pertinente: equidade da justiça. Uma abordagem do jusfilósofo John Rawls a respeito de seu livro Uma teoria da justiça.

Continuo a série Filosofando e suas abordagens, uma série que anda, ou melhor, andava meio esquecida aqui no blog Saber Jung, mas que agora trato de ressuscitá-la a partir de hoje.

A primeira vez que li sobre John Rawls foi numa obra do escritor Michael Sandel, nosso justiceiro literário, uma espécie de Clint Eastwood em relação à justiça. A obra se chama Justiça – O que é fazer a coisa certa, formada a partir de palestras em Harvard. Ele cita Rawls em um dos capítulos da obra.

John Rawls, o mais conhecido e celebrado filósofo político norte-americano, falecido aos 81 anos, em 2002, A sua obra Uma Teoria de justiça completa-se no aperfeiçoamento e condensação de inúmeros artigos e pesquisas.

De acordo com Rawls não podemos separar à justiça da moral ou da política ou do sistema econômico.

O conceito de justiça dá-se através de dois pontos: um deles é pela equidade e o outro é na forma do contratualismo. Busca na realidade um contratualismo contemporâneo.

Para Rawls pensar a justiça é pensar o justo e o injusto de cada instituição. A melhor forma de administrar a justiça seria através das instituições sociais.

Para John Rawls o conceito de equidade tem um leve teor do contratualismo do século XVII, e que carrega em seu interior um conceito de igualdade que corresponde ao estado de natureza na teoria tradicional do contrato social.

Para sistematizar essa questão basta observar que essa é uma ação que parte do individual para o coletivo, para uma ação humana. Cada pessoa com o uso da razão deve escolher aquilo que constitui o seu bem.

Ela deve buscar, assim um grupo de pessoas deve decidir uma vez por todas tudo aquilo que entre elas se deve considerar justo ou injusto (RAWLS, J. 2000, p. 13).

Não é um acordo histórico, mas hipotético, daí o título de seu livro: Uma teoria da justiça... E essa igualdade é o pilar de toda teoria.

E nesse ínterim os princípios de justiça são escolhidos sob o véu da ignorância, ou seja, isso garantia que nenhuma pessoa, ou melhor, nenhum pactuante, seja favorecido ou desfavorecido nas escolhas dos princípios pelo resultado do acaso natural ou pela contingência de circunstâncias sociais.

Isso explica a propriedade da frase “justiça como equidade”: ela transmite a ideia de que os princípios da justiça são acordados numa situação inicial que é equitativa. A frase não significa que os conceitos de justiça e equidade sejam a mesma coisa, assim como a frase “poesia como metáfora” não significa que os conceitos de justiça e metáfora sejam a mesma coisa (RAWLS, J. 2000, p. 14).

Todavia uma das características marcantes da justiça como equidade é a de gerar as partes na situação inicial como racionais e mutuamente abnegados: desigualdade de riqueza e autoridade, são justas apenas se resultam em benefícios compensatórios para cada um, e particularmente para os membros menos favorecidos da sociedade (CER. RAWLS, p. 15).

Ou seja, não há injustiça para uns poucos agraciados com fortuna desde que a situação dos menos afortunados seja melhorada, esse é o espírito basilar da equidade de Rawls.

Segundo palavras do próprio John Rawls:

A palavra contrato sugere essa pluralidade, bem como a condição que a divisão apropriada de benefícios aconteça de acordo com os princípios aceitáveis para ambas as partes (CER. RAWLS, p. 16).

O contrato é estruturado tomando por base dois princípios basilares de seu sistema acerca de justiça, que são:

Primeiro: cada pessoa deve ter um direito igual ao mais abrangente sistema de liberdades básicas iguais que seja compatível com um sistema semelhante de liberdades para as outras. Segundo: as desigualdades sociais e econômicas devem ser ordenadas de tal modo que sejam ao mesmo tempo (a) consideradas como vantajosas para todos dentro dos limites do razoável, e (b) vinculadas a posição e cargos acessíveis a todos (RAWLS, J. 2000, p. 64).

É certo que como teoria esse pensamento de Rawls é muito interessante, mas por outro lado não há como erradicar as desigualdades econômicas e sociais entre as pessoas.

Acredito que o filósofo pensava em um sistema autorregulador, de uma forma que os benefícios e dificuldades se ajustem e estejam voltados para a própria sociedade como um todo.

Nós teríamos liberdade, ou melhor, liberdades:

As mais importantes entre elas são a liberdade política (o direito de votar e ocupar um cargo público) e a liberdade de expressão e reunião; a liberdade de consciência e de pensamento; as liberdades da pessoa, que incluem a proteção contra opressão psicológica e a agressão física (integridade da pessoa); o direito à propriedade privada e a proteção contra a prisão e a detenção arbitrárias, de acordo com o conceito de estado de direito. Segundo o primeiro princípio, essas liberdades devem ser iguais (RAWLS, J. 2000, p. 65).

É visivelmente uma teoria que busca definir as desigualdades naturais e possivelmente corrigi-las, fica evidente diante de todos esses argumentos.

Veja bem caro leitor, a questão aqui não é somente uma releitura de Rousseau, mas se, em Rousseau, a igualdade é o ponto de partida do seu raciocínio, com Rawls ela é o único compasso moral a ser seguido, do início ao fim de todo o processo político. 

Acredito que a utopia de Rawls é altamente relevante do ponto de vista político, mas deficitário do ponto de vista social, haja vista que a justiça só pode existir na sua aplicabilidade para uma determinada parcela da sociedade, observamos isso de forma gritante com o que nos circunda.

E o direito entra em todo esse viés.

Justiça social é um slogan ideológico, direitos humanos entra como perversão ao se expandir em um círculo mais sombrio: o Poder.

Basta observar que só existe direito para ser humano, porque é necessário saber a noção de justiça.

Mas aí vem a pergunta que não quer calar: o que seria essa noção exata de justiça?

A justiça é uma medida exata, mas invisível, como descobriu o estadista grego Sólon, porque se encontra na alma e, graças à temperança que existe em cada um de nós, ela pode ser expandida para o resto de nossos semelhantes.

Para ser mais exato, todos nós sabemos o que é justiça, a partir de uma função transcendente. Chego até dizer que a questão de justiça no seu mais amplo contexto remete a um arquétipo. Mas não vou aprofundar nisso.

E é nessa perspectiva em relação ao direito para regular a igualdade de força que surge o Poder. Um ponto que os atuais políticos nunca perceberam, ao pregarem pela igualdade e pelos direitos de todos sob uma mesma lei, é o de que o Poder não se alimenta da divisão proporcional que cada um tem direito a receber, mas da suposta igualdade que cada um sonha em ter.

O Poder precisa da ilusão da igualdade para que ela seja apenas uma: a manutenção da sua própria igualdade, realizada em uma artimanha muito sutil de roubo e coerção, usando das leis que deveriam reger a justiça e o direito.

Por isso nunca, eu disse nunca, podemos confundir a lei com a justiça e a justiça com a lei, muito menos o direito com a lei, como muitas pessoas fazem.

E toda essa confusão é um dos efeitos da idolatria da igualdade e um dos efeitos que o Poder provoca na mente das pessoas.

Escrevi tudo isso para chegar a essa conclusão, mas o texto não foi e nem será em vão, acredite.

A justiça meu caro não é uma criação humana, mas o direito está dentro da justiça e tem uma finalidade em sua ação, a curto ou em longo prazo.

Ou seja, John Rawls ao criar sua teoria esqueceu que a desigualdade é o comum em nossa sociedade e não o contrário, pois o direito trabalha com as proporções e não com a igualdade.

O direito só pode existir se o homem respeitar a noção da razão humana como única, em constante contato com as coisas que o circundam. Ele é apenas o início de um longo processo, no qual o fim é a justiça. 

E o meio?

As leis representam o meio. E aí que está o aparato viciante.

Rawls explicita logo nas primeiras páginas que sua intenção é formular um modelo abstrato, autossuficiente e fechado em si mesmo, no qual a “justiça social” possa prevalecer sobre tudo e sobre todos. Por isso a obra como já disse é uma teoria.

A meu ver o que John Rawls criou foi uma teoria não da justiça, mas da injustiça.

Temos que entender que na filosofia política clássica a medida de todas as coisas era Deus e a lei invisível da alma, e no final do século XIX esta mesma medida tornou o homem capaz de mudar o mundo graças às ideologias positivistas e à luta de classes inflamadas por Marx, a partir de agora, no final do século XX – e com a ajuda da obra de John Rawls –, o governo tornou-se a única medida possível para descobrir o que é justo e o que é injusto. 

Hoje, por exemplo, a questão da igualdade não diz respeito a valores intrínsecos do ser humano, mas a uma mera representatividade monetária que será feita mediante impostos e tributos.

Deu para perceber diante de toda essa explanação que John Rawls foi responsável não pela criação de uma sociedade bem-ordenada, mas por um mundo da fantasia, que na prática, é um verdadeiro inferno.

Vivemos em um mal-estar tão grande que um homem acadêmico da envergadura de Rawls cometeu um erro gigantesco como esse, resta-nos reconhecer todo seu arcabouço intelectual, mas refutar veementemente sua aplicabilidade.

Até a próxima.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BITTAR, Eduardo Carlos Bianca. Curso de Filosofia do Direito. 1º Ed. São Paulo: Atlas, 2001.

BOBBIO, Norberto, Teoria Geral da Política, Trad: Daniela Beccaccia Versiani. 5º Ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000.

RAWLS, John, Uma Teoria da Justiça/John Rawls: Trad. Almiro Pisetta e Lenita M. R. Esteves – São Paulo: Martins Fontes, 1997.

SANDEL, Michael J. Justiça - O que é fazer a coisa certa - 26ª Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

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O OLHO QUE TUDO VÊ – O PODER DO OLHAR DO OUTRO

maio 10, 2019 Randerson Figueiredo 1 Comments



Muito me questiono a respeito do olhar do outro, por isso a temática do texto de hoje. Não irei falar do olho esotérico que está presente em diversas fraternidades.

Existem pessoas que conseguem atravessar a sua alma só com um olhar, chega a ser algo assustador, realmente apavorante.

Porque o olhar do outro nos incomoda tanto?

Acredito que o olhar do alheio é taxativo, é a primeira coisa que vem à cabeça.

Segundo porque acreditamos que devemos alguma satisfação às pessoas por aquilo que fazemos ou que deixamos de fazer, é como se tivéssemos que prestar contas, compreende?

Isso além de ser extremamente desagradável é adoecedor.

Não vou falar em terceira pessoa, porque não cabe aqui me fazer de vítima, até mesmo porque quando me refiro “as pessoas” estou também nesse rol, algumas vezes.


E terceiro, que a maioria de nós repreende aquilo que não lhe agrada, mas faz do proselitismo sua arma de barganha, pois como bem disse Jung: aquilo que te irrita no outro pode levar a um melhor conhecimento sobre nós mesmos.

Não devemos buscar no outro a permissão para ser nós mesmos.

Acredito que essa é a grande sacada.

Herman Hesse, grande escritor, disse certa feita:


Quando está em nós e achamos que está no outro incomoda muita gente não é verdade? Essa percepção de Hesse é sensacional, pois é elucidativa.

Não vivemos para estarmos presos na caverna, adorando sombras e não vivenciando não só o belo, mas o feio também, afinal de contas a sociedade possui principalmente seus desarranjos.

Não basta procurar esmiuçar e encontrar somente defeitos na sociedade. Deve-se extrair o que há de melhor, pois já disse e repito, a maioria dos seres humanos tem uma inclinação para a maledicência, para o mal mesmo.

Por isso esse olho é tão taxativo, repressor e calcificante, no sentido de fazer estagnar o semelhante com suas palavras ofensivas e doutrinárias. Diminuindo-o cada vez mais.

Devemos ser quem somos e isso basta.

Nada de procurar agradar o outro, pois no frigir dos ovos não se agradará a ninguém, a não ser se tornar uma pessoa frustrada por não ter conseguido massagear o ego de alguém.

É notório como muitas pessoas têm tendência a querer agradar o outro, de serem bajuladores, dissimulados e uma série de outros adjetivos que dão náuseas só em falar.

Não podemos esquecer que a grande maioria, mais de 90% dos casos fazem isso com segundas intenções e digo mais, são seres mesquinhos e que possuem uma sombra atrelada em humilhações e em conceitos arraigados na tragédia humana.

Então, não percamos tempo tentando agradar o outro, só nós podemos creditar poder no olhar penetrante do próximo; tem tantas outras situações mais importantes a fazer do que perder tempo com essa questão.

Até a próxima.

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A CRUZ E O PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO – PEDAGOGIA DE DEUS

maio 04, 2019 Randerson Figueiredo 1 Comments



Porque motivo – perguntará o leitor – falo aqui de Cristo e de sua parte contrária? Falamos necessariamente de Cristo porque Ele é o mito ainda vivo de nossa civilização. É o herói de nossa cultura, o qual, sem detrimento de sua existência histórica, encarna o mito do homem primordial, do Adão mítico. É Ele quem ocupa o centro da mandala cristão; é o senhor do Tetramorfo, isto é, dos símbolos dos quatro Evangelistas que significam as quatro colunas de seu templo. Ele está dentro de nós e nós estamos Nele. Seu reino é a pérola preciosa, o tesouro escondido no campo, o pequeno grão de mostarda que se transforma na grande árvore; é a Cidade celeste. Do mesmo modo que Cristo, assim também o seu reino está dentro de nós. Acho que estas poucas referencias universalmente conhecidas são suficientes para caracterizar a posição psicológica do símbolo de Cristo. Cristo elucida o arquétipo do Si-mesmo.

Cal Gustav Jung, em AION, estudos sobre o simbolismo do si-mesmo, parag 69.

Hoje iremos tratar sobre a cruz e o processo de individuação na série Pedagogia de Deus.

Jung, em suas diversas obras vê na cruz o processo de individuação, da autorrealização humana. Jung não escreve sobre a morte de Jesus na cruz, mas sobre a simbologia da cruz.

E esse símbolo representa um papel importante no processo de individuação do indivíduo.

É necessário que para se ter uma realização, digamos plena, temos que passar do Ego ao Self, que inclui simultaneamente o consciente e o inconsciente de um indivíduo.

E durante todo esse processo os símbolos têm uma missão especial, pois eles determinam arquetipicamente e desencadeiam o processo de individuação.

Para Jung, Cristo e a cruz podem transformar todo um processo de individuação do ser humano, pois Cristo é o símbolo mais desenvolvido do Self.

E a cruz, note, desempenhou um papel importante no caminho de transformação de Jesus, ou seja, nosso caminho de individuação passa pela cruz, pelo sofrimento.

Por um lado a cruz é o símbolo de sofrimento, mas por outro é também de redenção, de se redimir por tudo o que aconteceu.

O sacrifício na cruz não quer despedaçar o ser humano, mas promovê-lo em seu caminho interior. O sofrimento é o portão pelo qual o ser humano precisa passar quando quer se tornar consciente de si mesmo.

O rei não é o Self, mas a manifestação simbólica desse arquétipo. Isso é, o rei de nossa civilização é Cristo, ele é o símbolo do Self, ele é o aspecto específico do Self que domina a nossa civilização, o Rei dos Reis, o conteúdo dominante. Eu diria que Buda é o aspecto formulado do simbolismo do Self  nas civilizações budistas. Assim, o rei não é o arquétipo, mas o símbolo do Self que tornou a representação central dominante numa civilização.Marie-Louise von Fraz, em " A sombra e o mal nos contos de fadas".

Para Jung, o fato de sermos vamos assim dizer: humanamente humanos, diz respeito de como lidamos com o sofrimento. Quem se desvia do sofrimento que existe necessariamente junto a sua existência humana procura a neurose como sofrimento substituto.

Nesse sentido, carregar a cruz significa para Jung aceitar a própria cruz e não pensar que poderíamos carregar a cruz de Cristo.

O símbolo de Cristo” é da maior importância para a psicologia, porquanto constitui, ao lado da figura de Buda, talvez o símbolo mais desenvolvido e diferenciado do Si-mesmo. Isso pode ser avaliado pela amplitude e pelo conteúdo dos predicados atribuídos ao Cristo, que correspondem a fenomenologia psicológica do Si-mesmo de um modo incomum, apesar de não incluir todos os aspectos deste arquétipo.Carl Gustav JungEm “Espiritualidade e Transcendência”, Capítulo III, Psicologia e Religião, livro editado por Brigitte Dorst.

Nós, seres humanos somos um misto de contradições e opostos.

E nesse ínterim, representamos assim um conflito insolúvel.

E é exatamente nesse conflito que Deus é a união de todos os opostos.

Quando o ser humano está disposto a confrontar-se com esse conflito, então experimenta nisso Deus, então “realiza-se dentro dele a imago Dei, a encarnação de Deus”.

Resumindo: a cruz é para cada um de nós o fio condutor do processo de individuação, promovendo a transformação necessária para que possamos encontrar a completude que nos falta.

Partindo desse ponto de vista, a cruz tem um papel de ordenar, manter a ordem, pois é um dos símbolos mais antigos nesse sentido.

Para Jung, a cruz é uma imagem de reconciliação e não uma imagem de demonstrar poderio do império romano sobre a figura de Jesus Cristo. Vai muito além disso...

A imagem da cruz tem para Jung um efeito sanador. Ela nos protege de divisões interiores que sempre causam doenças, e nos estabiliza em meio à instabilidade de nosso tempo.

Não foi por acaso que o próprio Jung colocou uma cruz na parede de seu escritório para se lembrar constantemente de como o caminho da individuação humana pode dar certo.

Até a próxima.

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