AMAR TAMBÉM SE APRENDE

julho 21, 2014 Randerson Figueiredo 0 Comments



Sobre o amor cristão...

Para exercitar o amor é necessário amar, para isso não é preciso mestrado, doutorado ou pós-doutorado. É praticando, como disse, exercitando a prática do ato de amar que tudo se restabelece.

Um exemplo desse amor praticado com um desvelo imensurável foi o de Jesus Cristo por nós. Amar é um ato de completa caridade que tem o poder altíssimo de cura.

A caridade empreendida por Jesus implicava em benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.

Quando substituímos na definição as palavras: benevolência, indulgência e perdão por amor/respeito compreenderemos realmente esse sentimento incondicional do Mestre por todas as criaturas.

Fica assim: “amor/respeito para com todos; amor/respeito para com as imperfeições alheias; amor/respeito aos ofensores”. Essas são as regras básicas do amor cristão.

Caridade é amor, e não há amor onde não houver profundo respeito aos seres humanos.

Há certa similitude entre amor e caridade. Ambos são estados de alma, assim como a juventude ou a velhice não são uma época da existência terrena e sim um estado de espírito. A pobreza ou a riqueza são um modo íntimo de ver a vida.

Com características idênticas, a felicidade ou a infelicidade não são, respectivamente, uma época boa ou ruim da existência, mas um estado de graça (que independe dos fatos circunstanciais).

Sobre o amor platônico...

O amor platônico é na sua acepção usual a ligação amorosa entre duas pessoas sem aproximação sexual. Ele é considerado único, completo, detentor de todas as boas qualidades e sem defeitos.

De acordo com Platão, o amor verdadeiro não deseja a outra pessoa, pois a identificação está no intelecto; refere-se a algo que seja perfeito, mas que não existe no mundo real, apenas no mundo das ideias.

Apenas a ideia do amor basta por si só, ela já é suficiente; não há necessidade de se tornar tangível e, por isso, a criatura não sofre. Pelo contrário ela evita o amor físico conscientemente, pois sabe quando ele se concretiza, deixa de ser equilibrado e pleno.

Uma vez realizado ele demonstra ser uma cópia do ideal, e toda cópia, segundo Platão, é imperfeita e deve ser evitada.

Sobre o amor na amizade...

Agora vou citar um livro, um dos meus livros de cabeceira, chamado O Profeta de Khalil Gibran que fala o seguinte sobre amizade:

“E um jovem disse, fala-nos da amizade. E ele respondeu, dizendo: O vosso amigo é a resposta às vossas necessidades. Ele é o campo que cultivais com amor e colheis com gratidão. E é o vosso apoio e o vosso abrigo. Pois ides até ele com fome e procurai-o para terdes paz. Quando o vosso amigo fala livremente, vós não receais o ‘não’, nem retendes o ‘não’. E quando ele está calado o vosso coração não deixa de ouvir o coração dele; pois na amizade, todos os pensamentos, todos os desejos, todas as esperanças nascem e são partilhadas sem palavras, com alegria.”

Acredito que não preciso dizer mais nada sobre o amor na amizade.

Citei aqui algumas formas de amar, mas acredito que não podemos nos abandonar “nos braços do amor”, não é o amor por si só que alimenta o vínculo de aprendizado afetivo, mas a forma de amar que dá sustento à convivência amorosa.

O modo de estabelecer relações com quem amamos é que faz toda a diferença. Só por empenho e dedicação é que a relação pode ser levada adiante.

O amor precisa ser cultivado, não só por um lado da relação, mas pelos dois lados. Não podemos perder nossa individualidade, não devemos nos amalgamar no outro. Porque afinal de contas o amor só cresce quando é regado dia após dia, estamos no abecedário das relações interpessoais, porque amar também se aprende.

Até a próxima,


Randerson Figueiredo.

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A UTILIDADE DA INUTILIDADE

julho 06, 2014 Randerson Figueiredo 0 Comments



Até que ponto nós conseguiríamos aguentar um estorvo em nossas vidas? Aquela pessoa que aparentemente não serve mais para nada e se apresenta como um entrave em nossas duras batalhas cotidianas?

Essa é uma pergunta difícil de ser respondida haja vista que basicamente nos aproximamos dos outros devido a sua utilidade, sobre o que ele pode nos proporcionar, em uma linguagem mais clara, o que ele está disposto a ofertar.

A sociedade em que vivemos está repleta de pessoas dispostas a pagar um preço cada vez maior para ser cada vez mais útil aos outros, e essa suposta utilidade recai em uma grande inutilidade.

Uma inutilidade que desencadeia uma série de consequências desastrosas a vida de quem inconscientemente a pratica.

Já que vivemos em uma sociedade altamente acelerada, temos a todo custo demonstrar aos outros, aos olhos alheios que somos feitos de aço e não de carne e osso e que nossas vicissitudes não passam de meros caprichos quando estas não atendem aos anseios de outrem.

Por isso que retomo o que falei no início do texto: será que estamos dispostos a suportar um moribundo moral, espiritual e físico em nossas vidas?

Além de ser uma atitude altruísta, revela um traço digno e plenamente divino receber na barca da vida alguém que nada tem a te oferecer, alguém que por mais que você tente espremer até a última gota você só vai conseguir extrair a essência da gratidão, e isso na melhor das hipóteses.

Alguém que quando você for alimentar, colocar para tomar banho de sol, tomar banho e não, não estou falando de um recém-nascido, estou falando de um adulto mesmo, pessoas que tinham tudo para serem sadias, mas precisam da boa ação dos outros.

E essa condição é extremamente útil aos intolerantes e até mesmo aos tolerantes para exercitarem seu limite de aceitação.

Mais uma vez repito, somos úteis a alguém quando temos algo a oferecer, seja a uma única pessoa ou a sociedade. E essa relação de cobrança que parte de nós mesmos para ter esse algo a ofertar é que é frustrante.

Por isso que o que eu acredito ser o mais bonito e o mais singelo no ser humano é essa prática de tolerar o inútil em nossas vidas, que não se torna inútil, pois a gratidão cobre todas as nossas mazelas espirituais e até mesmo carnais.

Aceitar que a utilidade da inutilidade serve para crescermos como bons cidadãos e firmar um compromisso com o outro quando podemos dizer: você não serve para nada, mas eu não sei viver sem você.

Até a próxima,


Randerson Figueiredo.

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