CHAT – TAWK.TO | CONVERSAS E MENSAGENS

abril 29, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments




Querido leitor!

Mais uma vez faço propaganda aqui no blog sobre o chat que disponibilizo nesta plataforma: tawk.to

Fica no canto inferior a direita do seu monitor, lá embaixo. É um excelente serviço para conversarmos a valer sobre os mais variados assuntos.

Quando quiser conversar comigo é só chamar...

Sei que sou relapso e muitas vezes não fico online, mas acredito que mereço um voto de confiança e prometo que desta vez ficarei ligado nas conversas.

Mande-me mensagens quando estiver online e off-line também, de qualquer maneira responderei a todos, prometo.

É isso, hoje a nossa conversa foi rápida e também foi mais um informe do que uma postagem propriamente dita.

Aproveite o restinho de domingo e uma maravilhosa semana.

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MENSAGEM # 50 # FRASES - RANDERSON FIGUEIREDO

abril 28, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments



Esse é o último pensamento da série de frases aqui no blog. Ao todo reuni as melhores frases e pensamentos num total de 50 aforismos sobre variados temas. Espero que tenham gostado. Darei continuidade às postagens normalmente sobre psicologia, filosofia e espiritualidade.

Randerson Figueiredo.

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MENSAGEM # 49 # FRASES - RANDERSON FIGUEIREDO

abril 28, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments


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A SAMARITANA E O DIÁLOGO COM O SELF – PEDAGOGIA DE DEUS

abril 26, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments




Olá leitor!

Hoje daremos continuidade a série Pedagogia de Deus com a passagem bíblica sobre A Samaritana e sua relação com a psicologia analítica, mais precisamente com o SELF.

A passagem da Samaritana é fantástica, exuberante, mística e porque não dizer que nos apresenta uma centelha divina de forma precisa, o encontro com o SELF.

A passagem é essa aqui: Jo 4, 1-29

1.O Senhor soube que os fariseus tinham ouvido dizer que ele recrutava e batizava mais discípulos que João 2.(se bem que não era Jesus quem batizava, mas os seus discípulos). 3.Deixou a Judéia e voltou para a Galiléia. 4.Ora, devia passar por Samaria. 5.Chegou, pois, a uma localidade da Samaria, chamada Sicar, junto das terras que Jacó dera a seu filho José. 6.Ali havia o poço de Jacó. E Jesus, fatigado da viagem, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. 7.Veio uma mulher da Samaria tirar água. Pediu-lhe Jesus: Dá-me de beber. 8.(Pois os discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos.) 9.Aquela samaritana lhe disse: Sendo tu judeu, como pedes de beber a mim, que sou samaritana!... (Pois os judeus não se comunicavam com os samaritanos.) 10.Respondeu-lhe Jesus: Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água viva. 11.A mulher lhe replicou: Senhor, não tens com que tirá-la, e o poço é fundo... donde tens, pois, essa água viva? 12.És, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu e também os seus filhos e os seus rebanhos? 13.Respondeu-lhe Jesus: Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede, 14.mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna. 15.A mulher suplicou: Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la! 16.Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e volta cá. 17.A mulher respondeu: Não tenho marido. Disse Jesus: Tens razão em dizer que não tens marido. 18.Tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu. Nisto disseste a verdade. 19.Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que és profeta!... 20.Nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar. 21.Jesus respondeu: Mulher, acredita-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém. 22.Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23.Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. 24.Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade. 25.Respondeu a mulher: Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo); quando, pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas. 26.Disse-lhe Jesus: Sou eu, quem fala contigo. 27.Nisso seus discípulos chegaram e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher. Ninguém, todavia, perguntou: Que perguntas? Ou: Que falas com ela? 28.A mulher deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens: 29.Vinde e vede um homem que me contou tudo o que tenho feito. Não seria ele, porventura, o Cristo?

Como ficou claro na passagem, Jesus fez um trajeto de três dias para ir da Judéia à Galileia e passou pela Samaria, tinha um poço e ele parou para se refrescar.

Como se sabe os judeus odiavam os samaritanos, e estes por sua vez estavam cada vez mais afastados das Leis de Deus.

Parar naquele poço era estratégico para Ele, pois poderia conversar com a samaritana e assim fazer com que ela pudesse ter um encontro pessoal com a própria fonte de água viva.

Poucos sabem, mas a samaritana foi a primeira missionária, pois depois da conversa que teve com Jesus foi anunciar ao restante do povo sua experiência com Ele.

E depois desse encontro, os samaritanos foram ao encontro do Mestre para ouvi-Lo.

Jesus sondou o coração daquela mulher e despertou o que de melhor havia ali.

Pois ela buscava água naquele horário, meio-dia para não passar por constrangimentos, desprezo, ira das outras mulheres.

Para preencher aquele vazio, ela buscava uma vida de prostituição, de muitos maridos e amantes. Um vazio existencial pairava sob sua cabeça e naquele momento que encontrou com Jesus brotou no seu profundo ser água viva de misericórdia.

Ele tinha como propósito levar aquela mulher para o céu, para a eternidade...

...ela possuía sede da alma.

Mas de forma concreta não se atentou muito para o que Jesus falava logo no início da conversa, ou melhor, para suas referências simbólicas e verdadeiras.

E por falar em simbologia...

Por falar em Deus, algumas religiões falam de um Deus imanente (que está dentro), a psicologia analítica fala do SELF ou Si-Mesmo, que é uma espécie de organizador da psique humana.

Percebe-se, igualmente, que em momentos excepcionais brota no ser (como uma fonte) uma força maior que os limites da personalidade. Encontramos uma grande expressão desta experiência na vida de homens como Paulo de Tarso (São Paulo), Ghandi e São Francisco de Assis.

São Paulo por exemplo escutou Jesus no caminho da estrada de Damasco, quando diz: “Saulo! Saulo! Porque me persegues?!” E outra também: “...vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”.

A meu ver, ali São Paulo teve um encontro particular com o SELF.

Esses exemplos dessas grandes personalidades encontraram sim a centelha divina dentro de si.

Muitos ainda não encontraram o divino dentro de si, acreditam que está fora. Era assim que entendia a samaritana, acreditava diante de tantas situações difíceis que tudo era fato concreto.

Psicologicamente podemos dizer, então, que para ter notícias da existência da fonte, devemos ter a humildade e a disposição de ouvir a voz que se coloca ao lado do poço de nossas conquistas materiais e humanas – e que de ordinário se pronuncia quando descobrimos que aquele poço se esgotará ou já se esgotou, a água seca e nova busca se efetua, enquanto uma voz nos diz: “há uma fonte que jamais seca...”

O versículo 19 para mim é um dos mais belos, pois a partir dele é traçado um novo caminho a samaritana:

- Senhor, vejo que és um profeta! - E desviando de assuntos tão delicados, e talvez pressentindo que o mestre lhe mostraria o lugar desta fonte de água viva – a samaritana lhe indaga dos locais apropriados para adorar a Deus.

Ao que o mestre lhe diz que a fonte - o Deus imanente -  deve ser buscado não nas coisas externas, mas no templo da alma.

Santo Agostinho nos diz um belíssimo texto que se coaduna com o que venho explanando:
As pessoas viajam para admirar a altura das montanhas, as imensas ondas dos mares, o longo percurso dos rios, o vasto domínio do oceano, o movimento circular das estrelas, e no entanto elas passam por si mesmas sem se admirarem.

Santo Agostinho

E assim, Jesus viria a permanecer dois dias entre os samaritanos, revelando a eles que era o messias esperado (João, 4, 1-42).

Essa história da Samaritana nos revela mais do que um lampejo de consciência, mas uma busca incessante e duradoura das maravilhas do amor de Deus.

De que Deus sempre está conosco, e que sua fonte inesgotável de fiordes cristalinos passa dentro de cada um de nós, é a centelha divina.

Dela não podemos nos separar e nem negligenciar sua força.

É através dessa fonte que receberemos o que há de melhor em matéria de espiritualidade e cura das mazelas interiores que muitas vezes tanto nos aflige.

Uma vez descoberto este córrego de águas cristalinas da alma, trilhá-lo, desbravá-lo, em busca da fonte, do nascedouro, do divino dentro de si, passa ser o significado de nossas vidas. E então talvez percebamos que a ligação com este centro orientador passa a ter o significado que Carl Jung se referia:
A consciência do homem foi criada com a finalidade de: reconhecer que sua existência provém de uma unidade superior; dedicar a esta fonte a devida e cuidadosa consideração; executar as ordens emanadas desta fonte, de forma inteligente e responsável, proporcionando deste modo um grau ótimo de vida e de possibilidade de desenvolvimento à psique em sua totalidade.

Até a próxima se Deus quiser.

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MENSAGEM # 48 # FRASES - RANDERSON FIGUEIREDO

abril 22, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments

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MENSAGEM # 47 # FRASES - RANDERSON FIGUEIREDO

abril 22, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments

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MENSAGEM # 46 # FRASES - RANDERSON FIGUEIREDO

abril 22, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments


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LIVRO SABER JUNG | AMAZON

abril 21, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments


A postagem hoje será diferente caro leitor.

Será mais para expor a obra Saber Jung e os melhores textos aqui deste humilde blog que sempre interage com você quinzenalmente, às vezes até semanalmente.

A obra Saber Jung é uma compilação de 40 melhores textos do blog, esses textos foram escolhidos com base na visualização de você leitor.

Ao todo são 50 textos, sendo que 40 pertencem ao blog e os outros 10 são inéditos, elaborados especialmente para o livro.

Por isso venho mais uma vez aqui apresentar a obra Saber Jung.

Graças a Deus estou muito bem classificado, mas como as categorias são muito voláteis há uma oscilação constante entre essas categorias.

Adquira o seu ebook na Amazon.

Até daqui a alguns dias com uma nova postagem.

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A CONDIÇÃO HUMANA, POR HANNAH ARENDT - FILOSOFANDO

abril 13, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments



Hoje estou aqui para dar continuidade a série Filosofando.

O livro abordado hoje será A condição humana da filósofa alemã Hannah Arendt.

O trabalho é o tema central da obra. Ela a divide em três categorias: labor – trabalho – ação.

O eixo dessa análise são as atividades por ela chamadas de vida ativa, ou seja, a capacidade humana de ação. Para a filósofa, essas três categorias são a base da condição humana.

Sobre o labor...

É nessa perspectiva que aparece o homo faber, aquele que se distingue dos outros animais por criar coisas com base no mundo natural e onde o trabalho em si não está contido no processo vital.

O labor corresponde ao processo biológico do corpo.

Para Arendt esse processo é chamado de condição política, onde temos a capacidade de tomar as rédeas da situação e guiar nosso próprio destino.

Continuando com a abordagem...

Há uma diferenciação do homo faber que é aquele que produz o que é durável do homo laborans abordado no livro, que é aquele que produz algo para ser consumido.

A ação é o que nos define.

Ela é especial, pois ela não tem a ver com a matéria e sim com as pessoas. Ela quem define nossa condição humana.

Portanto deve haver uma interação entre pessoas. Interação tipicamente humana, chamada pela filósofa. Arendt não desmerece o trabalho, pelo contrário, traça paralelos de como podemos nos inserir da melhor forma possível e ampliar sempre o debate a respeito do que realmente interessa.

Porque se abandonarmos esse pensamento, nos alienamos.

O tema central do livro é a diminuição do status do ser humano de ser político (que age) para homo faber (que cria) até animal laborans (que se reproduz).

Para a autora a prática da liberdade sofreu transformações com o passar dos tempos, na Grécia era comum a vida pública acontecer de forma mais progressiva. Já na Idade Média isso não acontecia, a hierarquia, dominada principalmente pela religião era quem exercia influência, ou seja, passou a ser uma vida meramente contemplativa e não atuante/ativa.

E essa inversão de ação para contemplação é resultado da ascensão do cristianismo, afirma Hannah Arendt.

Outra conceito que sofre inversão é sobre a valorização intensa do trabalho. O homo faber adquire uma maior importância e isso é resultado da invenção do telescópio, algo que a princípio parece banal.

Ou seja, a terra não é o centro do universo como afirmava o pensamento da Igreja, fato que roubou da criatura (o homem) o papel importante emprestado a ela por esse falso postulado.

Uma segunda inversão ocorre quando o homo faber perde sua importância e o animal laborans chega a mais alta posição na hierárquica da vida ativa, que tem três modos: o trabalho (ciclo biológico, mortalidade), a obra (artefato, sobrevivência) e a ação (política, pluralidade).

O homem de ação é substituído pelo homo faber e este dá lugar ao animal laborans que, por sua vez, desaparece em favor do empregado, último estágio da redução do humano a um puro funcionamento automático.

E a ação política foi perdendo força, pois era justamente isso que mantinha o homem livre, que o fazia pensar. Se antes era a Igreja que alienava agora era a força de produção e a “indústria cultural”.

Mais adiante Arendt lança uma discussão fantástica não somente sobre as categorias de trabalho, mas também sobre diversos outros assuntos como poder e violência, propriedade e riqueza...

E o que ela vai chamar de mal-estar do indivíduo chamado “sociedade de trabalhadores”. É necessário que possamos sair dessa imersão do trabalho e possamos agir.

Arendt alerta que a ciência e a tecnologia se transformaram na arena da “ação na natureza”. A visão da pensadora sobre a condição humana nos lembra de que os seres humanos são criaturas que agem no sentido de fazer as coisas acontecerem e desencadear sequências de acontecimentos.

Para a filósofa o trabalho é o que fazemos para nos descobrirmos a cada instante nossa percepção de mundo. E de que forma estamos inseridos na sociedade.

O que é, portanto, uma forma de autoconhecimento na medida em que a percepção de quais aspectos do mundo do trabalho revela mais afinidade e habilidade. Assim, o trabalho se apresenta como forma de se desenvolver e buscar realização.

Essa foi a pesquisa sobre a série filosofando, sobre o livro A condição humana da filósofa alemã Hannah Arendt.

Até a próxima.

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MENSAGEM # 45 # FRASES - RANDERSON FIGUEIREDO

abril 08, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments


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MENSAGEM # 44 # FRASES - RANDERSON FIGUEIREDO

abril 08, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments


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O LIVRO DE JÓ À LUZ DA PSICOLOGIA ANALÍTICA

abril 06, 2018 Randerson Figueiredo 4 Comments




Olá leitor! Hoje vamos debater sobre um dos livros da bíblia: o livro de Jó. Mas à luz da psicologia analítica.

Quando escrevi sobre o Deus de Jung estava de certa forma preparando você e também me preparando para escrever sobre alguns temas abordados em relação a essa postagem.

Jung escreveu um livro intitulado Resposta a Jó e segundo ele anos mais tarde depois de ter escrito, Jung disse que esse seria um livro que ele não mexeria, que estava pronto.

Como falei na postagem anterior sobre o Deus de Jung, Deus representa uma imagem arquetípica dentro de nossa psique, justamente o Self, Si-mesmo ou Imago Dei (Imagem de Deus). Como queira chamar.

Para os teólogos isso era inconcebível. O Deus retratado na bíblia era o Deus criador do universo, o grande ser numinoso que só espalha o bem por onde quer que ande.

Mas no Antigo Testamento o Deus todo poderoso era injusto e irascível, pelo menos é o que percebemos em relação a inúmeras passagens.

Jung acredita que o livro de Jó é um livro pivô na bíblia. Por isso foi uma grande polêmica quando foi lançado.

A tese de Jung é que Deus sofreu uma evolução após sua discussão com Jó: foi obrigado a encarnar em Cristo e veio ao mundo para aumentar seu nível de consciência.

Javé, o Deus do Antigo Testamento é completo, incorpora o bem e o mal. Para Jung Ele incorpora sua sombra. Quando encarna em Jesus, um Deus exclusivamente bom ele projeta o demônio, tanto é que a prova disso é bem evidente: o demônio aparece 4 vezes no AT e 66 vezes no Novo Testamento.

Um dos primeiros Padres da Igreja, Clemente de Roma, é citado como tendo dito que Deus dirige o mundo com Cristo na sua mão direita e Satanás em sua esquerda.

Claro que os teólogos iriam relutar essa visão de um Deus inconsciente, pois para eles o mal viria exclusivamente de nós, seres humanos.

Antes de adentrarmos no universo do livro de Jó quero aqui deixar bem claro que Jung não poderia dizer nada a respeito de Deus, pois como já mencionei o Deus de Jung era arquetípico e não incognoscível como esse Deus que se apresenta aos teólogos.

Jung não era um teólogo, mas um cientista empírico! É bom frisar.

Provavelmente apenas os místicos poderiam ter um contato direto com essa grande força, mas não poderiam descrevê-la com as limitadas palavras da linguagem humana.

A Bíblia, composta por seres humanos, só poderia falar sobre essa imagem de Deus (Imago Dei)/Self e nunca sobre o Deus Maior. Nossa capacidade é limitada para adentrar o vasto caminho das veredas.

Agora sim, vamos falar um pouco sobre o referido livro: o livro de Jó.

No seu livro Bíblia e Psique, Edward F. Edinger, importante discípulo de Jung, nos informa que a “individuação é o processo do encontro e da progressiva relação do ego com o si-mesmo” (Edinger, 1990, p. 30). Ele diz também que “o Antigo Testamento documenta um diálogo contínuo entre Deus e o homem, tal como se expressa na história sagrada de Israel”.

Na visão do psicólogo junguiano, a Bíblia é como um compêndio de encontros com o numinoso. Esses encontros são compreendidos “como representações do encontro entre o ego e si-mesmo, que é o aspecto mais importante da individuação” (Edinger, 1990, p. 32-33).

Edinger comenta também a respeito da seqüência dos livros do Antigo Testamento da Bíblia, dizendo que é uma seqüência significativa que “enfatiza um processo de desenvolvimento linear compatível com a qualidade histórica da psique ocidental” (Edinger, 1990, p. 33). É uma sequência que forma um arranjo, um todo equilibrado, constituindo-se de três blocos de livros: os históricos, os sapienciais e poéticos, os proféticos.

Nos livros chamados históricos, Israel é tomado coletivamente como nação. 

“As imagens da individuação têm como portador a nação como um todo, o povo escolhido.” (EDINGER, 1990, p. 33) Do outro lado há os livros chamados proféticos, sendo “cada um deles intitulado com o nome de um indivíduo importante que teve encontro pessoal com Iahweh e foi destinado a ser portador individual da consciência de Deus” (Edinger, 1990, p. 34).

Entre os livros históricos e os livros proféticos temos os livros chamados sapienciais e os poéticos, que são encabeçados pelo livro de Jó.

Jó é o pivô da história do Antigo Testamento. (...) Aqui, pela primeira vez, um homem se encontra com Iahweh como indivíduo e não como uma função do coletivo. Da mesma forma, Iahweh não trata Jó como se ele fosse representante de Israel, e sim como um homem individual. Este livro, portanto, marca a transição da psicologia coletiva para a psicologia individual. (Edinger, 1990, p. 34)

Esse é o objeto da nossa reflexão a partir da psicologia junguiana: o indivíduo Jó do livro de mesmo nome na Bíblia.

Tomaremos como base a Bíblia de Jerusalém (2004), para a utilização do texto bíblico, e as obras do psicólogo junguiano Edward F. Edinger, quais sejam Bíblia e Psique, simbolismo da individuação no Antigo Testamento (1990); Ego e Arquétipo, uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos fundamentais de Jung (1989); A Criação da Consciência, o mito de Jung para o homem moderno (1996) e O Encontro com o Self, um comentário junguiano sobre as “Ilustrações do Livro de Jó” de William Blake (1991). Com base nestas obras, faremos uma reflexão sobre o processo psicológico da individuação vivenciado por Jó.

A visão que Edinger tem do livro de Jó, baseando-se no livro de Jung Resposta a Jó, é a de que a história toda do livro de Jó “é uma imagem arquetípica que retrata um certo tipo de embate entre o ego e o Self.” (Edinger, 1991, p. 13) Aí estão presentes o ego individual e o Si-mesmo (Self) que é a Personalidade Maior (Deus).

É importante dizer que o “Livro de Jó é um relato da experiência real de um indivíduo” (Edinger, 1989, p. 133).

Em Jó 1,1 lê-se que Jó temia a Deus, o que para Edinger é a estrutura religiosa estabelecida. Ou seja, Jó e sua mulher têm valores transpessoais, têm religião.

Em Jó 1,14-19 mensageiros vão à casa de Jó para dar más notícias.

O primeiro diz que tribos nômades que praticavam a pilhagem mataram os servos de Jó e roubaram todos os bois e todas as mulas do seu rebanho; o segundo conta que um raio atingiu as ovelhas e os pastores do rebanho de Jó; um terceiro conta que outro grupo de nômades roubou todos os camelos e matou os servos de Jó e um quarto mensageiro conta que os filhos e as filhas de Jó estavam na casa do irmão mais velho e foram todos mortos quando um furacão desabou a casa sobre eles.

O que tudo isso até agora quer dizer?

A chegada de todas estas más notícias tem um importante significado psicológico, ou seja, de que os valores transpessoais vivenciados por Jó e sua mulher “estão sendo destruídos pela energia que rompe do inconsciente” (Edinger, 1991, p. 31).

O sacrifício de Jó é, portanto, a demonstração do que ocorre em seu processo de individuação, no qual:

As imagens e atributos do Si-mesmo são agora experimentados como coisas distintas do ego e situados acima dele. Essa experiência traz consigo a percepção de que não se é dono da própria casa. A pessoa toma consciência de que há uma orientação interna autônoma, distinta do ego e, com freqüência, antagônica a ele (Edinger, 1989, pp. 143-144)

Jó passou por inúmeros sofrimentos, mas o ego reconheceu que era menor que o Self, que a imagem de Deus e assim pode reconstruir sua vida.

Ao lermos os últimos versículos do livro, ou seja, os versículos de 10 a 17 do capítulo 42, somos informados de que Javé mudou a sorte de Jó, ou seja, o encontro com o numinoso possibilitou a Jó uma nova sorte.

Jó recebe a visita dos irmãos, que almoçam com ele e lhe oferecem uma soma em dinheiro e anel de ouro. Jó voltou a possuir rebanhos, teve sete filhos e três filhas e sua riqueza era tamanha, a ponto de ele repartir a herança entre os filhos e as filhas, o que não era costume em Israel, sendo que a herança se repartia entre as filhas somente no caso de ausência de filhos varões (cf. Bíblia de Jerusalém, 2004, p. 857).

Jó viveu cento e quarenta anos, número bíblico que se refere à soma de setenta com mais setenta, ou seja, resgatando o número sete, que quer dizer no contexto bíblico que ele viveu uma quantidade de anos perfeita para realizar seu processo de individuação.

E quanto a Jó, podemos concluir a respeito de seu processo de individuação dizendo que para encontrar-se com o Si-mesmo/Self, Jó teve de enfrentar seu ego inflado.

Para isto, foi necessária a queda (seu sofrimento) que provocou o contato com o conteúdo do seu inconsciente e, portanto, com a sombra, que ele não conseguia reconhecer.

Ao reconhecer as imagens monstruosas que estavam na sua sombra, Jó pôde reconhecer que o Si-mesmo é maior que ele. Assim foi possível a Jó encontrar-se com Javé, pois passou a reconhecer a sua realidade psíquica, composta do ego, da sombra, da persona e do Si-mesmo (Self).

Neste processo de individuação, Jó pôde lançar mão da matéria- prima da psique. Ao fazer o contato com a matéria-prima do inconsciente, Jó experienciou a criatividade, refazendo sua família, reconstituindo suas posses, vivendo cento e quarenta anos.

Ou seja a pergunta que muitas vezes paira no ar é a seguinte: porque Deus permitiu a um homem tão bom passar por todas essas provações?

A resposta vem como uma flecha: para que ele pudesse experimentar o que de melhor estivesse ao seu alcance. Para que ele pudesse extrair o melhor dentro de si e encontrar no seu processo de individuação o seu verdadeiro caminho de luz interior.

Jung afirmou que o livro reflete sua reação subjetiva, dando expressão à "emoção devastadora que o espetáculo de selvageria nua e crua de divina crueldade produz em nós."

A estimativa comum é que o livro de Jung é um ataque apaixonado e implacável ao Deus do Antigo Testamento. Isso não é verdade. Psicologicamente falando, é uma tentativa de se chegar a um acordo com a imagem luminosa do Self e sua realidade dramática.

Essa foi a pesquisa de hoje, espero que tenha gostado.

Até a próxima se Deus quiser.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bíblia de Jerusalém. Nova Edição, Revista e Ampliada. São Paulo: Paulus, 2004.

EDINGER, Edward F. A Criação da Consciência, o mito de Jung para o homem moderno. São Paulo: Cultrix, 1996.

_______ Bíblia e Psique, simbolismo da individuação no Antigo Testamento. São Paulo: Edições Paulinas, 1990.

_______ Ego e Arquétipo, uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos fundamentais de Jung. São Paulo: Cultrix, 1989.

_______ O Encontro com o Self, um comentário junguiano sobre as “Ilustrações do Livro de Jó” de William Blake. São Paulo: Cultrix, 1991.

JUNG, Carl Gustav. Resposta a Jó. Rio de Janeiro: Vozes, 2011.

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