A MORTE DO TERAPEUTA
setembro 10, 2018
Randerson Figueiredo
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Hoje estou aqui para falar sobre um assunto delicado.
Suicídio.
Hoje é o dia mundial de prevenção ao suicídio - 10.09.2018.
Hoje estou aqui para falar sobre um assunto tabu na seara clínica, o suicídio entre profissionais da saúde mental: psiquiatras, psicólogos e psicanalistas.
Quem de nós já não precisou de algum desses profissionais?
Eu mesmo sou acompanhado por um grande profissional dessa área: psiquiatra. Tenho Transtorno Bipolar de Humor como já mencionado numa postagem anterior e desenvolvo a psicoterapia junto a este profissional.
Um grande médico por sinal. E também um grande amigo.
Esses profissionais lidam constantemente não só com as alegrias, mas principalmente com as frustrações dos seus pacientes.
São verdadeiros depositários das nossas angústias e chateações; alegrias e irritabilidade.
É necessário que também cuidem de sua saúde mental mais do que nunca. Sem antes enxergar o tabu por justamente serem profissionais da área psi deveriam enxergar as suas próprias limitações.
A pesquisa sobre suicídio entre esses profissionais é bastante escassa. Pela alta complexidade envolvida no desenvolvimento deste tipo de investigação.
Precisamos falar sobre suicídio no meio profissional, especialmente sobre o viés da prevenção. Falamos tanto abertamente sobre suicídio entre jovens e adultos e esquecemo-nos dos que nos ajudam.
Há um verdadeiro estigma.
Há o preconceito por ser alguém da área e também a ajuda pode ser interpretada como humilhação ou fracasso de quem é da área. Sabe-se que uma das razões mais comuns de psicólogos e terapeutas não admitirem sofrer depressão ou ideações suicidas está relacionada ao medo da censura profissional (Deutsch, 1985).
Todas essas questões dificultam muito a intervenção e prevenção do suicídio entre trabalhadores da saúde mental. DeAngelis (2011) sugere que algumas medidas deveriam ser tomadas para prevenir o suicídio entre psicólogos (e psiquiatras):
(1) treinamentos sobre risco e prevenção ao suicídio deveriam ser incluídos nos cursos de formação e qualificação de profissionais de saúde mental;
(2) melhoraria no treinamento dos profissionais qualificados não somente no gerenciamento do comportamento suicida com clientes, mas também em métodos de intervenção com colegas que eventualmente estejam vivenciando dificuldades;
(3) tornar habitual a discussão sobre os desafios envolvidos em ser um psicólogo;
(4) melhorar o ensino sobre estratégias de como lidar com possíveis casos de morte de colegas por suicídio;
(5) criar grupos de suporte profissional a fim de reduzir o isolamento inerente ao exercício da profissão.
Tema delicado.
Mas acredito que essa tarefa cabe aos amigos, familiares e profissionais dessas áreas, claro. Da mesma forma que trabalham divulgando aqui na sociedade como um todo, acredito que também trabalham nos consultórios de forma preventiva.
Mais do que seres ditos “intocáveis” por muitos, eles são nossos amigos também e merecem assim como a população, atenção de nossa parte (pacientes) e da sociedade como um todo.
Até a próxima.
Referência
ZORTEA, T. C. E quando o psicólogo ou psiquiatra morre… por suicídio?. Glasgow, 2015. Disponível em: http://comportamentoesociedade.com;. Acesso em: 10/09/2018
A RATOEIRA DE KARL MARX
setembro 09, 2018
Randerson Figueiredo
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O título da postagem de hoje é o reflexo de outras postagens que com o passar dos tempos venho a desenvolver aqui neste canal, farei menção a alguns termos que já vimos aqui.
Como alteridade, patriarcado, arquétipo da grande mãe, self, arquétipo, sombra e dentre outros.
Há algum tempo ansiava escrever sobre Karl Marx.
Mas numa visão que você já está acostumado(a) aqui no blog: da psicologia analítica. Mas não poderia escrever sem antes estabelecer alguns dados específicos sobre alguns temas de antemão reitero, já debatidos aqui.
Sugiro que se puder leia esses textos antes de prosseguir à leitura do texto:
Segundo o que já foi estudado, o arquétipo da alteridade iniciou há dois mil anos, mas continua a crescer, continua a se expandir. Pra ser sincero, ainda está no seu início.
Ele é uma inteligência muito mais profunda que os arquétipo matriarcal e patriarcal. Ele é muito mais que uma condição estruturante de poder, mas uma completa identificação de cada símbolo.
Por isso expressões como “dar a outra face”, “amar ao próximo como a ti mesmo” refletem essa perspectiva. Esse arquétipo da alteridade apoia-se nos outros dois arquétipos: matriarcal e patriarcal.
E por isso mesmo para a implantação desse arquétipo requer o desapego, o que é sempre muito difícil e doloroso.
Não foi por acaso que, ao se tornar Cristo, Jesus tornou-se também “o cordeiro sacrificial que tira os pecados do mundo”.
E com o passar da história, a Inquisição foi a grande perseguidora da Alteridade.
Mas por meio do método científico, a alteridade conseguiu se expandir dentro das universidades.
Para ser mais direto, as grandes revoluções sociais na história foram causadas pelo arquétipo da Alteridade. Revolução Industrial e a Francesa foram as principais.
Mas com essa expansão ocasionou uma grande sombra do desenvolvimento, como desemprego, miséria, fome e desumanidade.
Nesse período, principalmente no Iluminismo e Revolução Francesa os arquétipos disputavam quem deveria tomar a dianteira nessa situação.
O que os movimentos de esquerda têm dificuldade de entender é justamente isso. Não resistem à patriarcalização do ódio, expressas pela luta de classes caminham para ditadura e depois se dizem vítimas, encobrindo sua ideologia totalitária.
Com o passar dos séculos houve uma dissociação do Self cultural, a ciência reduziu a verdade a uma dimensão puramente objetiva, a subjetiva passou a ser “descartada”.
Houve a partir daí uma disfunção da questão subjetiva.
O resultado desta cisão foi o surgimento, no século XIX, do positivismo, do materialismo científico e do materialismo dialético. Para expressar a verdade científica dissociada e com empáfia defensiva, assinalada por Jung como “a vaidade grosseira dos cientistas”.
É importante que se diga que o Socialismo surgiu a partir daí com o Iluminismo. Como expressão do arquétipo da Alteridade.
O Self Cultural dissociado e a verdade científica reduzida ao materialismo formaram a filosofia do século XIX, e nessa situação entram em cena dois personagens importantes que redigiram o Manifesto Comunista: Marx e Engels.
De cara já descartaram as demais correntes socialistas como sendo idealistas e classificaram a questão social a dimensão econômica. E manifestaram esse estudo na luta de classes.
Percebe como a questão da Alteridade com Jesus é necessária para o entendimento do texto de hoje?
E que essa dissociação do Self Cultural propiciou que o paradigma científico se tornasse a chave para se buscar a verdade e também foi reduzido a uma dimensão objetiva.
A essência do Socialismo é o acolhimento, por amor, dos menos favorecidos e das minorias oprimidas, daí o lema “liberdade, igualdade e fraternidade”, que empolgou a Revolução Francesa, em busca da República.
Sua analogia com o Sermão da Montanha de Jesus é inegável:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;... Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;... Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; ...
(Mateus 5:1-10).
Mas ao invés de expressar o Manifesto pela dialética da Alteridade, estabeleceu a ideia da ditadura do proletariado e pelo ódio ao outro. Coroou a eliminação da teoria de Hegel, que é da tese x antítese em direção a síntese.
Acredito que o erro de Karl Marx foi um erro epistemológico.
Sim, ele foi de um reducionismo severo sem antever o que lhe aguardava, ou melhor, ao que aguardava as classes menos favorecidas, sempre destroçadas.
Provando que os fins justificam os meios. Sem oposição de ideias.
Ele foi de um redutivismo sem tamanho, o que proporcionou mais adiante um extermínio em massa, com Lenin e Stalin (40 milhões de pessoas) e Mao Tse Tung (60 milhões).
É impressionante como a dinâmica arquetípica do comunismo é parecida com o Nazismo. Cuja principal arma era a eliminação da diferença.
Nazistas - judeus, ciganos, homossexuais, deficientes...
Comunismo – nobreza e burquesia
E hoje temos uma ameaça à paz mundial com o armamento da Coreia do Norte. Do ditador Kim Jong-Um.
O Socialismo comunista usurpou autocraticamente a representação da esquerda para justificar seus posicionamentos políticos e projetar defensivamente sua Sombra ditatorial em qualquer opositor com o rótulo de direita e de fascista.
Esse aprisionamento dos movimentos sociais dentro do dinamismo patriarcal defensivo da luta de classes é um dos maiores entraves, muitas vezes populistas e demagógicos, para a transformação progressista da cultura pelo Socialismo democrático.
Karl Marx armou a ratoeira que ele mesmo caiu.
Karl Marx armou a ratoeira que ele mesmo caiu.
Até a próxima!
Referências bibliográficas
BYINGTON, Carlos Amadeu Botelho (2008). Psicologia Simbólica Junguiana. A viagem de humanização do cosmos, em busca da iluminação. São Paulo: Linear B, 2008.
DESCARTES, René (1637). Discurso do Método. Porto Alegre: L&PM Eds., 2005.
ENGELS, Friedrich e MARX Karl, (1848). Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo Editorial, 2015.
LÉVI-STRAUSS, Claude (1958). Antropologia Estrutural. Biblioteca Tempo Universitário, Vol 7, pg. 393. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro, 1975.
ROUSSEAU, Jean-Jacques (1762). O Contrato Social. Porto Alegre: L&PM Eds., 2007.
PSICOLOGIA ANALÍTICA E DIREITO PENAL – PERCEPÇÕES SOBRE UMA SOCIEDADE PUNITIVA | POSTAGEM ESPECIAL - FERIADO DA "INDEPENDÊNCIA"
setembro 07, 2018
Randerson Figueiredo
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Olá leitor do blog Saber Jung!
Mais uma vez estabeleço contato com você e de antemão desejo um excelente feriado, aproveite para ler esse texto e dizer o que achou a respeito, vou adorar ler sua opinião.
Acredito que conseguirei expressar o tema central desta postagem de forma coesa e coerente com conceitos junguianos estudados até aqui.
Será sobre psicologia analítica e o direito penal – percepções sobre uma sociedade punitiva.
O Direito Penal apresenta-se ao coletivo com uma máscara (persona) que convém a alguns setores da sociedade tão somente, e procura legitimar discursos dissimulados, simbólicos, ineficazes e maliciosamente interesseiros.
Quanto mais penal se torna o Estado, menos social ele é.
Isso obviamente caro leitor é uma constatação.
Com este propósito é que abordarei alguns aspectos (os quais repercurtem mais intensamente na ciência jurídica) da Teoria Analítica, procurando identificar a presença ou não de algumas categorias junguianas (inconsciente coletivo, persona, sombra e self) no Direito Penal, bem como as consequências desta correlação e sua relação com a sociedade como um todo.
Vamos revisar a partir de agora alguns conceitos importantes sobre a psicologia analítica, friso já tratados aqui neste espaço, mas não custa nada reiterar o pensamento de Jung.
Sobre arquétipos... Qual seu significado?
O termo arquétipo refere-se em sua forma mais completa como imagens mais remotas e universais, comumente encontrados nos mitos, contos esotéricos e contos de fada.
Resumindo: os conteúdos do inconsciente coletivo são chamados de arquétipos. Basta lembrar do encontro que a Dra. Nise da Silveira teve com Jung num congresso em Zurique e mostrou ao mestre Jung os desenhos que pacientes esquizofrênicos desenharam com a representação de símbolos inconscientes, Jung ficou tão maravilhado que mostrou aos conferencistas naquela oportunidade os desenhos, todos ficaram impressionados e constataram ser verdadeiras as assertivas de Jung. Ali era sim manifestação do inconsciente coletivo daqueles pacientes. Exemplo bem elucidativo.
Os arquétipos são possibilidades herdadas, preexistem.
Falei de arquétipo para abordar/elucidar três arquétipos essenciais para entendermos o texto de hoje, são eles: self, sombra e persona.
Self pode ser compreendido como o arquétipo da totalidade, para não me alongar muito nesse nosso texto você pode ler sobre self no texto que escrevi chamado O DEUS DE JUNG neste blog de forma mais profunda. Ao ler essa postagem você entenderá melhor sobre esse arquétipo.
Persona: é a máscara que o indivíduo utiliza para ser visto pelo coletivo Escrevi uma poesia sobre esse assunto, confira clicando aqui. Essa relação com a persona é um tanto conturbada para alguns seres que a subutilizam, tornam-se seres sem expressividade, como se a sua utilização ao preencher com precisão os papéis sociais fosse uma mera formalidade.
Com o uso da persona, falta obviamente expandir sua identidade. Nessa perspectiva muitas pessoas se sentem inúteis quando ela não lhe tem mais valor, o ambiente de trabalho e o social é um ótimo exemplo do uso da persona.
E agora sobre a sombra: eu já falei inúmeras vezes sobre sombra coletiva aqui no blog, como já falei, para facilitar deixo uma lista aqui de artigos que já escrevi:
Agora vamos adentrar ao objeto central do texto de hoje.
Feriado da independência, o texto de hoje não foi escolhido ao acaso, foi pensado e repensado, estudado e analisado por muitos dias.
Diante da atual conjuntura meu papel é pelo menos tentar enquanto pesquisador e escritor, tornar a questão social com uma certa visibilidade, e nessa perspectiva eu me lanço.
O Direito Penal está impregnado por “verdades” ditas coletivamente, as quais, não restam dúvidas, constituem-se num exemplo de inconsciente coletivo.
A noção repassada sobre a função do direito penal está de tal forma enraizada no senso comum que é difícil modificá-la.
Já alertou Salo de Carvalho, professor de direito penal da UFRJ que:
A ausência de debate tem possibilitado o nascimento de ideias que estão sendo divulgadas como verdades oficiais, únicas. Invariavelmente reproduzidas em linguagem coloquial e despidas de cerimônia, estas verdades são servidas em manuais que reproduzem um conhecimento epidérmico e que deflagra a crise do ensino jurídico nacional. O pior, no entanto, é que tais verdades são consumidas pelo mass media jurídico com uma naturalidade que causa temor.
Em Os arquétipos e o inconsciente coletivo, Jung faz uma citação muito interessante:
Quando uma grupo é muito grande cria-se um tipo de alma animal coletiva e claro que é inevitável que um amontoado de pessoas a psicologia desça ao nível da plebe.
Onde estou querendo chegar?
Que o direito penal é visto como mantenedor de uma certa ordem social. Isso além de absurdo é um discurso falacioso. O direito penal mantem uma persona falsa, simbólica e ineficaz.
Isso é um discurso, de que o direito garante a ordem das coisas, malicioso.
Não precisa ser gênio para constatar isso. Peço até desculpas pelo tom.
Basta ver que os crimes que acontecem na sociedade ocorrem de forma banal e na velocidade da luz, e nada acontece. A impunidade ganhou um status mantido pela falsa sensação de liberdade a qual estamos submetidos.
Ou seja, o direito penal orbita numa esfera de arbitrariedade sem tamanho. É seletivo, dirigido especialmente às camadas mais vulneráveis da sociedade. Age de forma pretensiosa e nebulosa.
O exercício de poder criminalizante programado (intenção de punir) é muito maior que a capacidade operativa dos órgãos, fazendo com que o direito penal seja direcionado a conter certos grupos sociais ao invés do próprio delito.
E quase sempre desde o ladrão de galinhas ao assassino bárbaro representa grupos sociais menos favorecidos.
E quase sempre desde o ladrão de galinhas ao assassino bárbaro representa grupos sociais menos favorecidos.
Ver texto que escrevi sobre a A ESPETACULARIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA. Nesse texto que escrevi há alguns meses traço de forma simbólica sobre diversas questões sociais.
Não é com o aumento da pena ou com o aumento da criminalização de condutas que iremos diminuir a violência. Isso é notório!
A lei dos crimes hediondos está aí para provar isso, ao invés de diminuir, o índice fez foi aumentar.
Será que é difícil de entender que não praticamos crimes porque está prescrito no código penal? Não praticamos crimes por uma questão mais abrangente e profunda do que um emaranhado de leis e assertivas jurídicas... Por questões morais e éticas.
Mais uma vez a persona do direito penal é falsa no que tange a esse sentido.
A ideia de que relacionar direito penal como instrumento de paz é fruto de medo do inconsciente popular! Nasce, pois de uma criação coletiva. Coercitivamente falando claro.
E o Jung, sempre o Jung, já tinha alertado sobre o ser humano numa multidão ser sugestionado a acatar uma série de situações. O Jung foi até bonzinho ao usar esse termo, sejamos sinceros.
A criminalização e o aumento da pena não é a melhor solução para se resolver os problemas sociais, reitero.
Agora sem querer fazer mea culpa, exigimos muito do Estado, mas esquecemos de que o mesmo Estado é constituído por todos nós. Ao passo que exigimos tornamo-nos reféns de nossas próprias conjecturas.
Assegura Zaffaroni, jurista argentino, que o sistema penal é o maior obstáculo à paz social e o principal instrumento de dissolução comunitário. Vivemos uma cultura do medo, onde a mídia exerce papel preponderante (a espetacularização da violência, Randerson Figueiredo).
O direito penal deveria ser a última instância a ser sinalizada, mas é a primeira.
Alguma coisa aí está errada. Prefere-se investir em punição à (res)socialização.
Alguma coisa aí está errada. Prefere-se investir em punição à (res)socialização.
Outra máscara que veste o direito penal é de que o aumento da criminalização (de tipos penais) e o aumento da pena é a solução para a diminuição da criminalidade e a pacificação social.
Devemos combater esta persona do direito penal que se projeta ao social como sendo um instrumento eficiente na prevenção do crime, que ressocializa o infrator – muitos que sequer foram socializados – e que deve ser o primeiro instrumento estatal de controle a ser aplicado em caso de conflito.
Isso é agir com pensamento determinista. E claro confundir o uso do direito da força em detrimento da força das ideias. Esta última sempre a meu ver deverá ser respaldada no que tange aos direitos do cidadão expressos na constituição. Quase sempre desrespeitada. Tornando os ditos cidadãos em marginais, não só aqueles que abusam do seu "poder bélico", mas realmente àqueles que estão à margem do social, da sociedade como um todo.
E através da individuação pode-se alcançar o self, que nesse caso é redescobrir a função real do sistema. Que nós sabemos muito bem qual é.
O intuito desse texto é realmente traçar um novo olhar sobre essas questões sociais que tanto nos aflige. Tentar reintegrar o direito penal a sua verdadeira função.
Reanalisar o papel do Estado enquanto integrador e fazer uma análise sincera no tocante ao que está nos massacrando. A esta violência que tanto nos assusta.
Por exemplo, aqui em Fortaleza onde moro está um caos, uma onda de violência tomou conta da cidade. E o que o Estado sabe fazer? Fazer concurso e equipar com armas e colocar mais policiais na ronda ostensiva.
Ao invés de investir no social principalmente com educação e outras medidas necessárias age na contramão do que é viável e inviabiliza o essencial.
Estamos vivenciando um verdadeiro colapso e as providências tomadas são sempre paliativas e que prestam um desserviço as constantes buscas por melhorias e qualidade de vida.
É como se a violência estimulasse o debate, arregimentasse as massas, a mídia faz isso como ninguém e claro porque tem público para isso. Não à toa a grande maioria dos estudantes de direito aderem ao estudo de direito penal. O que vocês estuda? A resposta vem como uma flecha em tom assertivo: penal!
É como se fosse um êxtase, não só estudar os mecanismos de violência como acompanhar de perto os índices alarmantes de descuido e falta de medidas protetivas.
Para você ter uma ideia estimado leitor, temos na Universidade Federal do Ceará - UFC o LEV - Laboratório de Estudos da Violência capitaneado pelo excelente professor César Barreira, referência nacional e internacional em estudos sobre violência. Inclusive ia ser meu professor no curso de Ciências Sociais da referida instituição, mas acabei mudando de curso. Não tive o privilégio de ser seu aluno. Uma lástima.
Agora o que ocorre é que estuda-se demais e não se chega a um consenso. Por ser uma temática complexa, os meios para se extirpar por completo esse cancro social reflete a fragilidade a qual estamos submetidos.
Estudos indicam que a polícia de Fortaleza é uma das mais bem equipadas do Brasil, no entanto padece de um dos maiores índices de violência a nível mundial.
Porque isso ocorre?
Assim como a corrupção, estudada em um texto anterior aqui no blog (TEXTO AQUI), a violência antes de mais nada é resultado também de diversos fatores como já mencionado aqui neste blog neste e em outros textos:
- Falta de educação
- Falta de melhores condições de vida
- Fatores sociais
- Saneamento básico
- Dignidade
- Políticas públicas adequadas
- E muitos outros fatores
Ainda segundo o professor César Barreira, segurança não deve ser debatida a partir do pânico. Segundo suas palavras: “Temos que aprofundar a questão da segurança para o cidadão, saber que a polícia trabalha para essas pessoas”.
Ele disse na entrevista de 2016 disponibilizado no site do LEV que o debate em Fortaleza sobre violência é precário. Acesse o artigo completo aqui e conheça o LEV, um excelente grupo de pesquisa atuante e engajado com a sociedade.
Por exemplo, aqui em Fortaleza onde moro está um caos, uma onda de violência tomou conta da cidade. E o que o Estado sabe fazer? Fazer concurso e equipar com armas e colocar mais policiais na ronda ostensiva.
Ao invés de investir no social principalmente com educação e outras medidas necessárias age na contramão do que é viável e inviabiliza o essencial.
Estamos vivenciando um verdadeiro colapso e as providências tomadas são sempre paliativas e que prestam um desserviço as constantes buscas por melhorias e qualidade de vida.
É como se a violência estimulasse o debate, arregimentasse as massas, a mídia faz isso como ninguém e claro porque tem público para isso. Não à toa a grande maioria dos estudantes de direito aderem ao estudo de direito penal. O que vocês estuda? A resposta vem como uma flecha em tom assertivo: penal!
É como se fosse um êxtase, não só estudar os mecanismos de violência como acompanhar de perto os índices alarmantes de descuido e falta de medidas protetivas.
Para você ter uma ideia estimado leitor, temos na Universidade Federal do Ceará - UFC o LEV - Laboratório de Estudos da Violência capitaneado pelo excelente professor César Barreira, referência nacional e internacional em estudos sobre violência. Inclusive ia ser meu professor no curso de Ciências Sociais da referida instituição, mas acabei mudando de curso. Não tive o privilégio de ser seu aluno. Uma lástima.
Agora o que ocorre é que estuda-se demais e não se chega a um consenso. Por ser uma temática complexa, os meios para se extirpar por completo esse cancro social reflete a fragilidade a qual estamos submetidos.
Estudos indicam que a polícia de Fortaleza é uma das mais bem equipadas do Brasil, no entanto padece de um dos maiores índices de violência a nível mundial.
Porque isso ocorre?
Assim como a corrupção, estudada em um texto anterior aqui no blog (TEXTO AQUI), a violência antes de mais nada é resultado também de diversos fatores como já mencionado aqui neste blog neste e em outros textos:
- Falta de educação
- Falta de melhores condições de vida
- Fatores sociais
- Saneamento básico
- Dignidade
- Políticas públicas adequadas
- E muitos outros fatores
Falta olhar para o cidadão como cidadão - Randerson Figueiredo
Ainda segundo o professor César Barreira, segurança não deve ser debatida a partir do pânico. Segundo suas palavras: “Temos que aprofundar a questão da segurança para o cidadão, saber que a polícia trabalha para essas pessoas”.
Ele disse na entrevista de 2016 disponibilizado no site do LEV que o debate em Fortaleza sobre violência é precário. Acesse o artigo completo aqui e conheça o LEV, um excelente grupo de pesquisa atuante e engajado com a sociedade.
Agora deixo bem claro, não devemos imaginar o Estado sem direito penal, mas com um adendo: deve-se reestruturar sua atuação. Devemos analisar o papel extremamente punitivo do Estado.
Quanto mais se reprime a sombra, mais ela se manifesta. E quase sempre de forma violenta.
Quanto mais penal se torna o Estado, menos social ele é.
Nesse dia da independência fica o meu escrito, a minha reflexão com base nessa linha de pesquisa da psicologia que acredito ser tão interessante. A psicologia analítica.
Acredito no ser humano! Acredito no outro! Acredito que podemos ainda um dia mesmo morando na área urbana trazer um ar bucólico e tranquilo a nossa convivência.
Sim, isso é possível!
O texto de hoje é sim um alerta, de como a nossa sociedade capitalista nos transformou em “selvagens capitalizados” e como essa mesma sociedade nos suga para um caminho amargo e violento. Mas sempre com chances de melhorias.
Até a próxima.
*Na elaboração desse texto tive todo o amparo além das referências bibliográficas de uma excelente dissertação de mestrado que virou livro do jurista Bruno Amabile Bracco, também pesquisador da obra de Jung.
*Na elaboração desse texto tive todo o amparo além das referências bibliográficas de uma excelente dissertação de mestrado que virou livro do jurista Bruno Amabile Bracco, também pesquisador da obra de Jung.
Atualizado em 07.09.2018 às 16h00min.
Referências bibliográficas
BARREIRA, César. Cotidiano Despedaçado: cenas de uma violência difusa. Coleção Conflitos Sociais e Práticas Políticas. Campinas: Pontes, 2008, 263p.
BENNET, E. A. O que Jung disse realmente? Zahar Editora, 1985
BRACCO, Bruno Amabile. Direito Penal e processo de individuação - um estudo junguiano sobre o impacto das leis penais na sociedade. Lumen Juris, 2016
BRACCO, Bruno Amabile. Direito Penal e processo de individuação - um estudo junguiano sobre o impacto das leis penais na sociedade. Lumen Juris, 2016
JUNG, Carl Gustav. Memórias, sonhos e reflexões: Nova Fronteira, 2017.
JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 7 ed. Petrópolis: Vozes, 2011.
MEDNICOFF, Elizabeth. Dossiê Jung. São Paulo: Universo dos Livros, 2008.
ZAFFARONI, Eugenio Raúl. O inimigo no Direito Penal. 2 ed. Rio de Janeiro: Revan, 2007.
ZAFFARONI, Eugenio Raúl. Em busca das penas perdidas: a perda da legitimidade do sistema penal. 5 ed. Rio de Janeiro: Revan, 2001.
CIÊNCIA X ESPIRITUALIDADE – DOIS PENSADORES, DUAS VISÕES DE MUNDO – BOA LEITURA
setembro 05, 2018
Randerson Figueiredo
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setembro 05, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments
Olá estimado leitor!
Mais uma vez marco presença neste espaço de debate.
Hoje para falar sobre a série Boa Leitura de um livro que me possibilitou enxergar a ciência com outro olhar e a espiritualidade também.
Refiro-me à obra Ciência x Espiritualidade de Deepak Chopra e Leonard Mlodinow da editora Sextante. Um livro instigante e fascinante a ponto de você não querer largar mais.
Primeiro que o livro é um debate entre dois grandes mestres, um da seara espiritual que é o médico indiano Deepak Chopra e o cientista físico quântico Leonard Mlodinow.
Segundo que a obra te deixa muito à vontade para a pesquisa.
Isso mesmo, não é uma leitura definida e acabada por si só. A cada página lida o leitor é levado a enveredar por entre caminhos da espiritualidade e da ciência até então, pelo menos pra mim, não explorados.
Os autores divergem em muitos conceitos e pontos fundamentais que regem o trabalho de cada um, mas uma coisa é certa, quem sai ganhando é quem lê esta preciosidade.
Qual dos pontos de vista está correto? Para descobrir isso, Ciência x Espiritualidade aprofunda o choque das duas perspectivas em torno de quatro questões fundamentais: o Universo físico, a vida, o cérebro humano e Deus.
Os diálogos são um banho de conhecimento de duas expertises em suas respectivas áreas, são cordiais e respeitosos o tempo inteiro e não caem no marasmo simplista de reducionismo teórico.
Superar a intolerância! Essa é a palavra, é o que discerne nessa questão. Nesse debate.
Já admirava o trabalho de Deepak Chopra exceto por um livro que ele escreveu em 2006 chamado O efeito sombra, no qual ele e mais duas mulheres dentre elas Deebie Ford, analisam um dos pontos da psicologia analítica, a sombra coletiva.
Esse livro é muito ruim. Não comprem! Muito simplório ao tratar a obra de Jung. Péssimo!
O Leonard Mlodinow não conhecia o trabalho dele mais de perto, até ler essa obra fantástica. Ele também é o autor de O Andar do bêbado.
“À nossa volta, as pessoas sofrem com o vazio e a ansiedade. Há um vácuo a ser preenchido, e este é um vácuo espiritual. Só quando tivermos esperança de curar esse sofrimento saberemos o que o futuro nos reserva. Que a ciência faça parte da cura, pois, de outra forma, podemos nos enredar em maravilhas tecnológicas que só irão multiplicar os corações vazios e as almas desamparadas.” - Deepak Chopra
“Admito que nosso amor-próprio torna difícil aceitar uma visão de mundo em que os seres humanos não tenham um papel central no Universo. Mas o triunfo final da ciência está na integridade de seus métodos, na flexibilidade de seu ponto de vista, em seu empenho de chegar à verdade. Talvez a ciência nunca venha a ter todas as respostas, mas jamais deixará de procurá-las, e jamais tomará o caminho fácil em sua busca pelo conhecimento.” - Leonard Mlodinow
Lógico que o Brasil não ficaria atrás em copiar a fórmula dos autores acima não é mesmo?
A versão tupiniquim do livro citado acima é Crer ou não crer do Padre pop star Fábio de Melo e do intelectual nem tão intelectual assim Leandro Karnal da editora Planeta.
O livro é morno e para não dizer cansativo. Não gostei da obra e não recomendo a ninguém a leitura. Trazem conceitos banais de filosofia e espiritualidade.
Ao contrário dos autores internacionais os autores daqui prestam um desserviço a quem é ateu e a quem de fato acredita em Deus, ao invés de esclarecer embaralham a cabeça do leitor.
Eu comprei as duas obras, tenho os dois livros aqui em casa, inclusive as fotos que ilustram essa postagem eu que tirei, e digo sem medo: ciência x espiritualidade ganha de goleada. É uma temática muito profunda que merece ser respaldada por quem realmente entende.
Então é isso caro leitor, a boa leitura de hoje foi essa, espero que tenha gostado. Desejo uma boa leitura e até a próxima se Deus quiser.
JESUS CRISTO E A DIALÉTICA DA COMPAIXÃO – PEDAGOGIA DE DEUS
setembro 02, 2018
Randerson Figueiredo
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setembro 02, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments
Quando escrevi sobre o arquétipo pai e a psicologia analítica estava a preparar você leitor para o que viria aqui no blog, para você compreender um pouco melhor o texto de hoje sobre Jesus e a dialética da compaixão terá que ler o referido texto, isso claro se você achar conveniente, caso contrário prossiga.
Lá falo um pouco sobre as questões anima x animus e patriarcado. Uma sociedade patriarcal que marca a nossa sociedade até hoje.
Após milhares de anos de dominação patriarcal, durante os quais nações e impérios foram formados, escravizados e destruídos, classes sociais foram firmemente estabelecidas. A rígida mentalidade de tradição, família e propriedade – e desigualdade – foi incorporada à consciência coletiva.
O patriarcado e a figura do herói estavam se mostrando cada vez mais fortes. E uma série de situações começou a ameaçar a nossa sobrevivência. Guerras, fome, pobreza, crime organizado...
O arquétipo patriarcal messiânico no misticismo judeu foi ativado com base na tradição patriarcal gloriosa, estruturada desde o êxodo do Egito, da revelação dos Dez Mandamentos e da longa jornada para a Terra Prometida. A glória militar veio das monarquias brilhantes de Saul, Davi e Salomão. Em muitas profecias messiânicas patriarcais, o messias patriarcal é o retorno do próprio Rei Davi.
Essa forte tradição patriarcal dominou o Sinédrio, o governo da comunidade israelita. Dessa forma, a maioria do povo seguiu a tradição patriarcal identificada com a rebelião armada contra Roma. Ela ansiava pelo arquétipo do herói messiânico patriarcal que inclui a conotação gloriosa da morte do sacrifício na batalha.
Só que nessa perspectiva surgiu um herói messiânico que atingiu profundamente o Self cultural judeu. Ele pertencia à tradição judaica, mas ao invés de resolver os problemas pelo poder e pela agressão era extremamente pacífico e simbolizava com a dialética da compaixão.
Era uma verdadeira revolução, pois Ele (Jesus Cristo) substituía o poder pelo amor.
Acredito que essa oposição de antigos conceitos patriarcais representou uma verdadeira ruptura com velhos padrões, ou seja, o ego-outro patriarcal deu lugar ao ego-outro da alteridade.
E esse arquétipo da alteridade representa o que há de melhor, pois une o ego-outro matriarcal e o ego-outro patriarcal, marcado pelo poder, pela agressão e hierarquia.
O arquétipo da alteridade é composto pela compaixão e pela igualdade das diferenças, ou seja, ele é completo pois reúne os arquétipos da anima e do animus descritos por Jung que são os arquétipos condutores, que fazem com que possa haver uma transcendência da dominação patriarcal do Self individual e do Self cultural.
O mito que coordenou predominantemente a implantação do arquétipo patriarcal na cultura ocidental foi ilustrado, de forma exuberante, pelo Antigo Testamento. Sua transformação com a implantação do arquétipo da alteridade foi ilustrada pelo Novo Testamento e por Cristo.
A história de Cristo e o de Buda mostraram o desenvolvimento histórico da consciência no Ocidente e no Oriente para transcender a dominação patriarcal.
O mito de Buda expressou a implantação cultural da posição dialética ego-outro do arquétipo da alteridade na Índia e no Oriente, por intermédio das funções de compaixão e desapego do desejo, 500 anos antes da história de Cristo.
Agora o que não quer calar é, porque a implantação da alteridade no Oriente foi menos repressiva do que no Ocidente?
Ora, porque a concepção de arquétipo matriarcal no Oriente é menos reprimida do que no Ocidente, que é extremamente patriarcal, repressora e violenta.
O conflito Israel-Roma, em seu confronto mais intenso, incluiu a crucificação de Jesus, herói da alteridade.
Aquilo que havia sido perdido para o poder patriarcal na crucificação foi recuperado pelo milagre da fé da alteridade, na Ressurreição. Esse milagre expressa a função arquetípica transcendente do Self (JUNG, 1916).
O fato de a Igreja ter como modelo a tradição imperial romana influenciou, decisivamente, na patriarcalização defensiva do cristianismo. Eu a considero defensiva porque a essência da alteridade dialética da mensagem cristã foi fixada, deformada e dominada regressivamente em muitas dimensões pela posição patriarcal polarizada. Pessoas foram presas, torturadas e mortas durante muitos séculos em nome do Cristo (BYINGTON, 1991).
Por exemplo, a inquisição institucionalizou a perseguição aos hereges, ou seja, aqueles que se opunham aos ditames doutrinários cristãos. Isto faz com que o homicídio orientado pela Inquisição, dentro da Igreja, em nome de Cristo, tenha durado 1.432 anos.
A inquisição e o Santo Ofício representam a instalação do patriarcado defensivo, e põe defensivo nisso, na história durante muitos séculos.
A meu ver Jesus se deixou crucificar como sinal de denúncia, para repudiar e transcender a repressão patriarcal. A crucificação de Jesus representou uma ruptura de antigos conceitos e ações patriarcais no Antigo Testamento, de um Deus voltado a repressão, para um Deus marcado pela compaixão, pela misericórdia.
Para transformá-lo na Trindade: com seu sacrifício, sua morte e sua ressurreição.
Quando Jesus no ato da crucificação diz: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” Na realidade ele estava recitando um salmo davídico, o salmo 22, portanto estava se fazendo cumprir a sua missão, uma transição.
Tudo isso aconteceu para que Jesus pudesse se unir ao antigo Deus patriarcal e formar uma união dentro de uma relação dialética do arquétipo da alteridade.
Com o passar dos anos a implantação cultural do mito cristão teve continuidade com a extroversão e o exame de consciência na Igreja começou ver a sombra como instrumento de pecado e sua recidiva incluíam confissão e penitência. O arrependimento.
Com o passar dos séculos podemos perceber a participação dos cientistas e dos monges nos monastérios, uma prática extrovertida e introvertida respectivamente.
Os monges estavam protegidos pela introversão secreta dos monastérios; os cientistas, não, porque publicavam suas ideias abertamente, para a consciência coletiva.
Vide Nicolau Copérnico!
O que eu sei é que esse embate entre ciência e religião durou por baixo uns 246 anos. Infelizmente, até hoje, a maior parte dos historiadores da ciência e da religião vê o conflito entre ciência e religião como um conflito entre fé e razão.
Nada disso!
O conflito foi uma batalha mitológica dentro da fé, entre a essência do mito cristão, que era a posição dialética da alteridade, e sua patriarcalização defensiva, expressa pelo direito canônico criado pelo Santo Ofício na Inquisição.
A ciência a meu ver é o maior exemplo de arquétipo da alteridade. Humildemente se coloca a disposição de ser refutada e não faz disso um sinal de vitimização, mas sim de crescimento científico e moral que marca sua trajetória.
A Igreja deformou a essência do mito e patriarcalizou a seu bel prazer. De acordo com suas prerrogativas.
Agora algo que deve ser dito aqui neste espaço é que infelizmente a ciência não conseguiu unir a sua objetividade com a subjetividade de forma mais coerente como fé, humanismo e mediunidade.
Será que se tivesse essa união, a ciência deixaria de ser ciência? Deixaria de possuir sua verdadeira formação?
Sei que em todas as disciplinas (como medicina, sociologia, antropologia, arqueologia, economia, educação e política), encontramos a disputa pelo controle entre a posição patriarcal, geralmente fixada e defensiva, e a posição dialética quaternária do arquétipo da alteridade, frequentemente também fixada e defensiva.
Geralmente, a alteridade dialética apresenta-se defensiva na economia, no sindicalismo defensivo, na demagogia e no populismo que formam a maior deformação social, econômica e política da modernidade. Ela é subutilizada.
Fazendo uma análise do texto de hoje, podemos identificar que o arquétipo da alteridade extremamente disseminado por Jesus está intimamente ligado à expansão da consciência, pois é o caminho simbólico que afasta a humanidade da miséria e da destrutividade individual e coletiva, em direção ao amor, à liberdade, ao bem-estar social, à sustentabilidade, à igualdade, à compaixão e à autorrealização.
Até a próxima se Deus quiser!
Referência bibliográfica
BYINGTON, C. A. B. Uma teoria simbólica da história. O mito cristão como principal símbolo estruturante do padrão de alteridade na cultura ocidental. Junguiana, Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica. Petrópolis, n.1, p. 120-177, 1983.
JUNG, C. G. (1916). A função transcendente. Petrópolis: Vozes, 1983. (Obras completas, v. 8, p. 131-193).
NEUMANN, E. (1949). História e origem da consciência. São Paulo: Cultrix, 1995.
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