A MELODIA DO AMOR | POESIA
março 22, 2025
Randerson Figueiredo
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Hoje, no dia Nacional da Poesia, apresento uma poesia de minha lavra. Uma poesia inédita, elaborada sábado passado (15/03).
A MELODIA DO AMOR
Por Randerson Figueiredo
Em tempos ainda vindouros
Onde o presente já é passado
Reviver um romance anunciado
Sinto-me como os mouros
Não por invadir como um intruso
O terreno sutil e sensível da amada
Mas por plantar uma ideia aflorada
O romantismo antes de cair em desuso
Longas são as horas em relógio adiantado
Cujos ponteiros acenam sem demora
Para meu olhar insidioso a toda hora
Não vejo a hora de pôr fora o cadeado
Cuja chave abrirá todas as tramelas
O respeito dança em passo sóbrio
Resignado é o opróbrio
A pintar em cores marcantes as telas
Juntas vibrantes formam os sabores
De uma vida ordeira e frugal
Dissabores em instinto animal
A domar verdadeiros amores
No bailar de um doce Dezembro
Onde jorra afeto e nesse tempo amadurece
Rememorar nossas idas à quermesse
É salgar o insosso daquilo que lembro
Hoje ponho-me a cantarolar nossa canção
Nossa melodia em estado de graça
Necessariamente não será a traça
A roer como desgraça o meu coração
Que palpita incessante a cada respiro
Ofegante solto as correntes da prisão
Em harmonia você Isolda eu Tristão
Atingidos com um único tiro
Lesionados dançamos a última alegoria
Como uma profunda despedida
Já não lembramos mais da acolhida
Sustento dissipada em lágrimas a euforia
Que logo secam na minha face corada
Pois bailamos como a primeira vez
Reluzente e linda estava a sua tez
Como é bom a presença da amada
Como num encanto tímido e com furor
O afeto está num canto escondido
É um desejo puro e reprimido
A quem eu juro sempre tocar a melodia do amor
Randerson Figueiredo, em 15 de março de 2025 às 20h50.
JESUS CRISTO – UMA VIDA SIMBÓLICA | PEDAGOGIA DE DEUS ESPECIAL QUARESMA
março 19, 2025
Randerson Figueiredo
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É da roseira que provêm
os espinhos que sutilmente nos machuca, mas foi a partir das mãos dos homens a feitura de uma coroa
que feriu a humanidade.
Randerson Figueiredo
Olá, leitor da
plataforma Saber Jung, hoje com mais uma postagem da Série Pedagogia de Deus,
como é sabido, a série de que mais gosto, pois consigo somente nela elencar a
tríade que sustenta não somente este blog, mas a psicologia profunda como um
todo: filosofia, espiritualidade e psicologia.
E no feriado de hoje,
dia de São José, nada melhor do que retomar a série, faz mais de um ano que não
pesquiso e escrevo sobre estas temáticas. Quero dizer, nunca deixei de pesquisar, mas escrever retomo hoje esta série.
Estamos no tempo
quaresmal, hoje sobre JESUS CRISTO - UMA VIDA SIMBÓLICA, quais suas implicações
simbólicas e perspectivas dentro da psicologia profunda?
É o que vamos trabalhar
no texto de hoje, pelo menos um pouco.
Well... Quando se fala
em Bíblia, exegese, hermenêutica e outras cositas más do universo canônico e
perspectivas eclesiais é bom sempre parar para refletir e ter a convicção de
que a Bíblia é um retrato psicológico, antropológico e sociológico de uma
sociedade...
Mas com um adendo do
tamanho do “bonde”: em aspectos simbólicos. Tudo isso que citei, mas em um
retrato simbólico. A simbologia da cristandade ocidental é puramente enraizada
e se apresenta nos aspectos primordiais da psique.
Em outras palavras: a
psique se manifesta através de símbolos.
Às vezes eu sei que é difícil de entender e compreender isso, mas é necessário, e muito. Ah, mas muita gente diz assim: eu a partir de hoje serei igual a Cristo! Vou seguir todos os seus passos como Ele assim o fez.
Pura blasfêmia e tempo
perdido.
Ora, se nem Jesus se
achava perfeito, nós é que seremos? Falta uma séria vontade e desejo de tentar
perpetrar uma melhora em nós mesmos, sendo bem sincero.
É como Jung disse: "é
como tentar macaquear os traços do Mestre" (Psicologia e Religião – Obras
Completas 11/1 – parágrafo 522). O sentido de Imitação de Cristo transcende,
vai muito além de imitá-lo de forma sorrateira e rasteira, mas tentar encontrar
nosso próprio EU individuado, encontrar nossa própria individuação.
A tentativa de imitar a
Cristo de forma literal constitui um erro! E grave! Um erro concretista na
compreensão de um símbolo. A vida de Cristo deve ser vista de forma simbólica e
não puramente um arremedo servil de imitação barata. Pois jamais conseguiremos
alcançar sua abnegação e concretude como ser humano.
Devemos tentar compreender Jesus Cristo do ponto de vista subjetivo e não objetivo. Se se tentarmos ir por esse caminho aí excelente, os ensinamentos de Jesus se tornam uma espécie de manual do processo de individuação.
Quer um bom exemplo?
As Bem-Aventuranças em
Mateus 5:3-10. A minha tradução é a Bíblia de Jerusalém, só para constar.
Psicologicamente, essa passagem reflete a exaltação do Ego esvaziado ou não
inflado.
Sabemos que à época de
Jesus o clima não era dos melhores na sociedade que Ele estava inserido, então
a melhor saída para ter um contato com a psique transpessoal é esvaziar o Ego
de uma identificação inflada.
Para perceber como algo
distinto de si.
As Bem-Aventuranças são
um manual psicológico da individuação.
O próprio nome: Jesus
Cristo é algo muito interessante de avaliarmos. O nome Jesus representa o Ego,
o aspecto humano, o aspecto falível e do Ego ideal.
O Cristo já é a
representação psicológica do Self (Si-mesmo).
Ou seja, Jesus Cristo é
o aspecto duplo tanto do encontro do Ego quanto do Self, a imagem simbólica
perfeita da totalidade, pois ele em aspectos humanos representa a nossa
vivência terrena (menos no pecado), e em aspectos transcendentes a própria encarnação
do Self, tudo junto ao mesmo tempo agora!
Tanto é que no livro O
Arquétipo Cristão, o autor, Edward F. Edinger analisa de forma bastante
profunda sobre essas questões exegéticas e teológicas. Numa visão bem ampla.
Uma delas é sobre o
demônio.
Ele aparece cerca de 3
vezes no Antigo testamento, no Livro de Jó, e nada mais nada menos que 66 vezes
no Novo Testamento. O que isso significa? Como Jesus é a representação da
totalidade aqui na Terra, a Suprema Bondade, ele necessita de uma compensação,
não esqueçamos: quanto mais luz mais sombra.
O demônio arrisco dizer: é a sombra de Deus. Como bem esclarece a terapeuta junguiana Françoise O'kane na sua excelente obra A Sombra de Deus, obra do ano de 1999.
Essas aparições
demoníacas no NT reflete como disse uma compensação do aspecto luminoso de
Jesus, a sombra, assim como na obra Interpretação psicológica do Dogma da
Trindade nas Obras Completas – 11/2 – Jung aborda sobre o quatérnio e a Virgem
Maria, um posicionamento puramente teológico, enquanto que ele, Jung desperta
uma coerente abordagem: para formar a quaternidade não seria interessante a
presença da sombra? Ou seja do demônio ao invés da Virgem Maria?
Concordo com Jung. Caso contrário, teríamos somente o aspecto luminoso.
A Igreja habilmente
adicionou a presença da Virgem Maria para dar seguimento à Mariolatria, onde
esta se uniria à Santíssima Trindade como forma proeminente do quatérnio ou
quaternidade, símbolo da totalidade.
Sobre estes símbolos
temos alguns bem legais:
- 4 Evangelistas
- 12 apóstolos
- Alfa e Ômega
- A cruz
É o que nós chamamos de
fenomenologia do Si-mesmo.
Quando Jesus Cristo é
confrontado com a Lei Mosaica, vide a passagem da mulher acusada de adultério,
fica evidenciado os aspectos das leis terrenas.
Mas quando Ele passa
seus ensinamentos, fica bem claro que ele se refere aos estados psíquicos
interiores, através das passagens psicológicas.
É bem bacana afirmar
que a projeção psicológica foi formulada por Jesus há mais de 2.000 anos, Ele
sempre esteve bem à frente de questões puramente psicossociais.
Um exemplo claro é a
passagem da trave e do argueiro (Mateus 7:3-5).
Outra questão também é
o chamado Estado de identidade inconsciente, onde praticamente sempre os
inimigos são os próprios familiares, há uma identificação inconsciente com os
familiares, pois são as pessoas com as quais mais se convive, sabem as tuas
dificuldades e pontos fracos.
Por isso um dos
mandamentos é honrar pai e mãe. Justamente para sanar esse imbróglio de
identificação inconsciente. Bacana, né?!
E sobre a cruz?
Ora, a cruz numa visão
psicológica representa o destino de Cristo. Em outras palavras, representa um
renascimento para o Ego, pois o Ego (Jesus) foi crucificado numa mandala (a
cruz – representa a totalidade).
Faço questão de abordar
sobre esses assuntos aqui no blog, pois percebo uma grande incidência, seja
lendo ou ouvindo os noticiários de que muitas neuroses têm um condicionamento
religioso.
O próprio Freud
questiona sobre isso em O Futuro de uma Ilusão, salvo engano, obra de 1927.
Freud demonstra que a
religião (“a neurose obsessiva universal da humanidade”) depende de sentimentos
infantis não resolvidos e afirma ser ela, bem como seus dogmas, a culpada pela
atrofia intelectual da maior parte dos seres humanos.
Então é isso, todos
esses questionamentos trazidos pra cá hoje à luz da psicologia profunda,
remetem ao fator abertura de consciência e interpretação simbólica das Sagradas
Escrituras.
Reitero, não é possível
humanamente, seguir a mensagem de Jesus sem antes entendê-lo simbolicamente.
Sem esmiuçar os pormenores disso ou daquilo, dessa ou daquela passagem.
A Bíblia está aí como
um manual a ser estudado de forma interdisciplinar, afinal, é um recorte
histórico e antropológico bem específico, isso nos insere em contextos bem
precisos.
Decorar passagens como
alegorias de vida, não é o caminho.
A Bíblia é muito mais
do que processos mnemônicos, do que vociferar versículos e dizer: ah mas a
Bíblia diz, a Bíblia diz...
Acredito que o que ela
realmente quer dizer ela não explicita, temos que procurar e ter a
sensibilidade de trazer à lume suas prerrogativas e conceitos não só
teológicos, mas da vida como um todo.
Vou encerrar por hoje,
vou fazer de tudo para os textos ficarem cada vez mais objetivos, mais concisos
e cheios de nuances, de indicações, só no texto de hoje indiquei várias obras e
citações.
Espero que tenha
gostado, até a próxima, se Deus permitir.
OBS.:
É IMPORTANTE MENCIONAR QUE NÃO SOU...
PSICÓLOGO
PSICANALISTA
PSIQUIATRA
AS PESQUISAS ELABORADAS NESTA PLATAFORMA SÃO EVIDENCIADAS EM ESTUDO INDIVIDUAL (AUTODIDATA), DE FORMA CONCISA E INTERDISCIPLINAR BASEADA NAS OBRAS COMPLETAS DE CARL GUSTAV JUNG E OBRAS CORRELATAS DE ANALISTAS JUNGUIANOS.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS:
BÍBLIA DE JERUSALÉM –
Editora Paulus
EDINGER, Edward F. –
Ego e Arquétipo, uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos fundamentais
de Jung – Editora Cultrix – Ano: 2020
EDINGER, Edward F. – O arquétipo cristão, um comentário junguiano sobre a vida de Cristo – Editora Cultrix – Ano: 1988
FREUD, Sigmund – O
futuro de uma ilusão – Editora Companhia das Letras (Obras Completas de Freud)
– Ano: 2014
JUNG, Carl Gustav – O
símbolo da transformação na missa (Obras Completas 11/3) – Editora Vozes – Ano:
2012
JUNG, Carl Gustav –
Interpretação psicológica do dogma da trindade (Obras Completas 11/2) – Editora
Vozes – Ano: 2013
O'KANE, Françoise - A sombra de Deus - Editora Axis Mundi - Ano: 1999
WHITMONT, Edward C. – A
busca do símbolo, conceitos básicos de Psicologia Analítica – Editora Cultrix –
Ano: 2002
SÓCRATES – O EVANGELISTA DO PENSAMENTO CLARO E SUA MAIÊUTICA PROFUNDA | FILOSOFANDO
março 12, 2025
Randerson Figueiredo
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março 12, 2025 Randerson Figueiredo 0 Comments
Sócrates e Platão são estrelas
duplas que os instrumentos mais poderosos não separarão inteiramente.
Ralph
Waldo Emerson
Hoje com mais uma das
séries nesta plataforma, a série Filosofando.
A filosofia, em
conjunto com a espiritualidade, no caso leia-se transcendência, e também com a
ciência (a própria psicologia) formam o tripé necessário epistemológico para o
estudo da psi profunda.
Por esse motivo resolvi
criar essa série, pois sem esses estudos filosóficos voltados em consonância
com o estudo da espiritualidade e psicologia ficaria sem nexo, sem estrutura e
acabaria por ruir.
A meu ver, resumir
filosofia num aparato sistemático e dogmático de conceitos acadêmicos é
assassiná-la dia após dia, resumir estudos profundos e cadenciados num mero
canudo acadêmico é de um reducionismo e frieza sem tamanho, além de um
desserviço prestado à vida intelectual e coerente como um todo.
A filosofia é muito
mais do que isso.
A filosofia está
baseada em conceitos não só abstratos puramente falando, mas em conceitos
metafísicos, ou seja, para além do mundo físico da matéria.
E os gregos souberam
fazer análises como ninguém.
Comparo os filósofos
gregos aos grandes visionários, sempre à frente dos seus tempos, de modo muito
semelhante aos grandes profetas hebraicos.
Obviamente cada um a
seu tempo e proclamando a verdade dentro das suas perspectivas, no caso dos
profetas a religião hebraica e no caso dos gregos a língua do racionalismo
grego em seus primórdios.
O que se pode inferir
que tanto a filosofia quanto a religião dos primeiros tempos são
fundamentalmente psicologia. Um surgimento da fenomenologia da psique, ou seja,
ela (a psique) constitui o fundamento de todas as afirmações filosóficas.
E ao examinar o
interesse dos filósofos gregos em geral, o interesse estava para além do mundo
material, além do físico. Esse interesse é possível perceber que se trata da
projeção da realidade da psique.
E essa questão foi
tratada pelo discípulo de Sócrates, Platão.
Jung além de citar
Platão, também cita outros tantos filósofos nas suas Obras Completas, sim, a filosofia
grega pode-se dizer: representa um conjunto de imagens arquetípicas da Psique
Ocidental.
A qual Jung utilizou
como base para a formulação da sua teoria.
Nietzsche, um dos
filósofos que influenciou Carl Gustav Jung, observou que os gregos encarnaram
para a humanidade todos os tipos eternos e todos os arquétipos do pensamento
filosófico.
A síntese do pensamento
clássico ocidental está no tripé: Sócrates – Platão – Aristóteles. Esse
trio, é o responsável pela formulação de ideias em torno do que está fincada a
psique ocidental.
E a filosofia é um modo
de estudar os arquétipos.
O objetivo do texto de
hoje é justamente rastrear a psique nos modos como se manifesta nos primórdios
da filosofia, o que a análise faz é tentar uma renovação da nossa psicologia,
da psi individual.
Nesse ínterim surge
duas figuras imprescindíveis para se entender toda essa celeuma de contextos,
percepções e ligações numa teia ramificada e cheia de significado:
Sócrates e Platão.
É praticamente
impossível falar em Sócrates e deixar Platão de lado.
Dentro das minhas
pesquisas, Sócrates foi um cidadão Ateniense assim como Platão, enquanto aquele
não tinha digamos tantas condições assim, Sócrates era filho de um entalhador
de pedra e de uma parteira e não deixou nada escrito, era um propagador de
ideias, um conversador; este era mais abastado e deixou inúmeros escritos, e
era também seu pupilo e escritor.
Sócrates era um
conversador – um tipo extrovertido.
Platão um escritor – um
tipo introvertido.
No campo das ideias,
Sócrates deixou duas importantes contribuições: as palavras Daimon (onde deriva a palavra
demônio que naquela época o conceito era diferente da usada hoje) e Maieusis (parto de ideias -
partejamento).
Por ser filho de uma
parteira, ele se considerava como um parteiro de ideias, implementou uma
prática filosófica denominada de maiêutica.
A prática clínica é uma
maiêutica aprimorada, fina e mais bem estruturada. Refinada. Jung disse isso em
1912 na obra: Freud
e a Psicanálise - Obras Completas, volume 4 – parágrafo 519.
Sobre essa questão do Daimon, funciona como uma voz
interior, uma espécie de anjo da guarda que avisa em momentos de incertezas e
perigos.
Basta lembrar que essa
origem pode ser perfeitamente bem conceituada dentro do estudo da psi profunda
como sendo a Imaginação Ativa, cunhada por Jung, uma manifestação clara
do inconsciente, simbolizada pela atuação da totalidade da psique: o SELF.
É possível sim fazer
essa inferência. Fica bem claro, concorda?
É um fenômeno que
transcende o EGO e opera à margem da consciência. Sobre a maieusis socrática, ele mesmo
dizia que cuidava não dos corpos das pessoas, mas das almas em dores de parto.
Marie-Louise von Franz
analisa a psicologia de Sócrates em “O sonho de Sócrates” e critica o
filósofo pela falta de desenvolvimento da anima (aspecto psicológico feminino
na psique do homem) e pelo fato dele se identificar com a mãe.
Ora, mas essa
característica era de praticamente todos os filósofos.
Acredito que von Franz
erra o alvo e feio, essa é uma percepção minha, a profundidade psicológica de
Sócrates era imensa e ele era um pensador muito à frente do seu tempo.
Dentro dos conceitos de
Sócrates e Platão é possível até afirmar que em grande parte deles o cerne do
pensamento clássico ocidental, o ponto de partida, posso até estar enganado,
vem deles principalmente.
É como se os dois
representassem a Imago-Dei (imagem de Deus) presente no pensamento
ocidental, o start deu pra entender? Sei que alguns pensamentos e conceitos o
precederam, mas é quase impossível não relacionar os dois a essa constatação.
Quatrocentos anos mais
tarde, Jesus Cristo surge como um propagador do amor, no chão da Palestina,
enquanto Sócrates foi o evangelista do pensamento claro, da lógica, onde mais
tarde (na época de Platão), Aristóteles que era discípulo de Platão vai
implementar sua lógica clássica, a chamada lógica aristotélica.
Está tudo conectado.
Quando nós vamos ao
médico, faz-se a anamnese, conceito platônico,
todo exame extenso da experiência da infância é uma anamnese platônica.
É por esse processo que
o paciente promove a sua integração do inconsciente individual em conjunto com
o Self, ou seja, o inconsciente coletivo se abre, quando tudo ocorre bem,
claro.
Dentro da perspectiva
da religião a influência dele também foi gigantesca, pois dentro do contexto da
história mundial a influência grega em Roma acabou por levar a criar conceitos
como Purgatório e Inferno (Tártaro para os gregos) pela igreja.
Nietzsche também disse
algo bem interessante sobre essa questão:
“A cristandade é o
platonismo para o povo”
A questão do julgamento
final por exemplo numa visão psicológica representa o encontro do Ego com a sua
sombra, ou seja, com seu lado obscuro inconsciente.
Platão destacou a
última noite de Sócrates em Fédon, e como em qualquer outra ocasião foi
dialogar sobre filosofia junto aos seus pupilos.
O tema da conversa foi:
existe
vida após a morte?
Ele estava inclinado a
acreditar que sim. Bem, o que se sucedeu depois disso foi que ele ingeriu cicuta
e depois de pedir que acertassem o pagamento de um galo com Esculápio, ele
estava devendo, e deu ordens a Criton para fazer o acerto.
Depois disso adormeceu
de forma tranquila e silenciosa.
Platão de forma
sensível e consciente disse: Tal foi o fim do nosso amigo, o melhor, o mais
justo e o mais sábio de todos os homens que nos foi dado conhecer.
Até a próxima, se Deus
permitir.
É SEMPRE BOM LEMBRAR QUE
NÃO SOU FORMADO NA ÁREA PSI:
PSICOLOGIA
PSICANÁLISE
PSIQUIATRIA
OS CONCEITOS E TEORIAS
AQUI ABORDADOS SÃO DE ESTUDOS SISTEMÁTICOS E CORRELATOS DENTRO DA PERSPECTIVA
DA PSICOLOGIA PROFUNDA, FEITOS DE FORMA INDIVIDUAL E AUTODIDATA. AGRADEÇO
SEMPRE A SUA VISITA À PÁGINA.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
EDINGER, Edward F. – A
Psique na Antiguidade – Livro um, filosofia grega antiga de Tales a Plotino –
Editora Cultrix – Ano: 2005
EDINGER, Edward F. –
Ego e Arquétipo – Editora Cultrix – Ano: 2020
JUNG, Carl Gustav –
Freud e a Psicanálise – Obras Completas – Editora Vozes – Ano: 2014
NIETZSCHE, Friedrich –
Além do Bem e do Mal – Editora Vozes – Ano: 2014
PLATÃO – Fédon (Edição
de bolso) – Editora Vozes – Ano: 2022
LIVRO DE BIOGRAFIAS
FAMOSAS REVISTA SELEÇÕES – READER’S DIGEST – Grandes Vidas Grandes Obras –
Biografia de Sócrates (página 215) – Ano: 1980
PSICOLOGIA PARA LEIGOS # 6 # GUIA PRÁTICO DE PSICOLOGIA JUNGUIANA | ROBIN ROBERTSON
março 09, 2025
Randerson Figueiredo
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março 09, 2025 Randerson Figueiredo 0 Comments
Olá leitor, muito bom dia!
Correr um pouco atrás do tempo
perdido é o que me resta.
Um ano afastado da plataforma,
um período sabático meio que forçado, férias forçadas devido a ausência da
máquina, do notebook, pifou, depois de longos 11 anos de uso.
É assim mesmo, coisas da vida,
nada de reclamar.
Esse afastamento até que me
fez bem, fiquei afastado um pouco da plataforma, mas a plataforma não se
afastou de mim, tentei transferir meio a contragosto para a fanpage no
Facebook, mas não me adaptei.
Sabe como é né, eu falo... ou
melhor, tagarelo pelos dedos.
A plataforma lá do tio
Zurckeberg acabou por se tornar um tanto quanto assimétrica aos textos um tanto
quanto longos e cheios de significados.
Muito bem, depois dessa explicação
a você que me acompanha por aqui no blog Saber Jung, vamos ao que interessa: ao
texto de hoje. Versa sobre uma das séries: PSICOLOGIA PARA LEIGOS.
A obra indicada hoje é uma
obra bem básica, a quem inicia seus estudos em psi profunda, do pesquisador
Robin Robertson, o livro em questão faz parte da Biblioteca Cultrix de
Psicologia Junguiana.
O selo Cultrix é uma velha e
boa conhecida de nós estudiosos psi.
Pertence à centenária Editora
Pensamento, uma casa editorial que preza principalmente pelos estudos em
psicologia e ocultismo, uma excelente editora por sinal, livros muito bons e
clássicos até fazem parte do catálogo da renomada editora.
O livro é um guia básico, mas
não se engane em termos de profundidade e ensinamentos dentro da perspectiva da
psicologia analítica.
Muito bem dividido e rico em
explicações, a obra se destaca como um manual robusto e consistente. O primeiro
que indiquei aqui da série, pertence a professora Verena Kast, também é um guia
prático, mas o diferencial é justamente a abordagem de conceitos de um para o
outro.
O da Verena Kast aborda mais
sobre os complexos e inconsciente coletivo, este a que me refiro trata mais de
um estudo sistemático no que tange a toda a abordagem, é realmente um guia/manual
para estudos sistemáticos de conceitos.
Considero essa biblioteca
junguiana da Cultrix muito boa. Não só no quesito conceitual, mas também físico,
papel, capa, lombada e tudo o que se refere ao livro em si.
Livros muito bem acabados e de
referência.
Essa obra também difere do
livro da Dra. Nise da Silveira: Jung – vida e obra, da Editora Paz e Terra
(reedição), o da Dra. Nise é mais enxuto e requer um conhecimento prévio de
conceitos muito próprios da abordagem analítica, tanto é que no final de cada
capítulo a psiquiatra indica obras de referência dentro de cada estudo no
capítulo.
Um pouco mais pra frente vou
indicar esse da Dra. Nise. Está na mira.
DESCRIÇÃO
DO LIVRO:
Este livro trata das
descobertas na área da psicologia que foram sistematizadas por Carl Gustav Jung
na primeira metade do século XX, e de absoluta relevância para o século XXI.
Por meio desta introdução
prática ao trabalho e às ideias de Jung, o dr. Robertson explica como o grande
médico psiquiatra suíço reintroduziu os ocidentais no mundo dos arquétipos – as
imagens do inconsciente coletivo –, da mitologia e dos símbolos da natureza.
De forma clara, direta e
didática, tal como em um curso, ele discute a estrutura e a dinâmica da psique,
o significado dos sonhos, a sombra, os tipos psicológicos, os conceitos de
anima e animus, e a misteriosa figura do Self.
Um livro inspirador, que
tornará a empolgante filosofia/psicologia de Jung parte de sua vida, assim como
uma busca pela melhor e mais completa versão de si mesmo.
SOBRE
O AUTOR:
Robin Robertson, Ph.D., passou
a vida inteira criando uma ponte entre os mundos da ciência, da psicologia e
das artes. Trabalhou como psicólogo clínico, matemático e estatístico na área
de informática. Ele é graduado em Matemática e Literatura Inglesa pela
Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, mestre em Psicologia de
Aconselhamento, e doutor em Psicologia Clínica. Lecionou durante muitos anos e
ministrou cursos de pós-graduação em Psicologia Junguiana para o Instituto de
Estudos Integrais da Califórnia (EUA) e para o programa de Estudos Junguianos
da Universidade Saybrook (EUA). Robin escreveu diversos livros e mais de cem
artigos, muitos deles relacionados à psicologia junguiana ou que mostram a relação
entre psicologia e ciência. De 1986 a 2019, foi editor, colunista e membro do
conselho editorial da revista junguiana Psychological Perspectives. Também
esteve fortemente envolvido com as aplicações da teoria do caos em psicologia,
como escritor, editor, palestrante e membro oficial da Sociedade para a Teoria
do Caos em Psicologia e Ciências da Vida. Independentemente da área com a qual
esteja lidando, ele escreve sobre ideias complexas em uma linguagem clara e não
técnica.
O Dr. Robertson facilita e
muito nosso estudo, isso é uma certeza como água cristalina, como dito acima,
explana de forma clara e objetiva conceitos muito precisos e específicos da psi
junguiana.
Essa foi a nossa indicação de
hoje, na série Psicologia para leigos.
É IMPORTANTE SEMPRE ESCLARECER
QUE APESAR DE TER UMA PLATAFORMA CUJA TEMÁTICA PRINCIPAL É PSI PROFUNDA,
FILOSOFIA E ESPIRITUALIDADE, NÃO SOU PROFISSIONAL DA ÁREA PSI: PSICÓLOGO,
PSICANALISTA E/OU PSIQUIATRA.
DESEJO ENFATIZAR ESSE
PEQUENO-GRANDE DETALHE É MUITO IMORTANTE DEIXAR CLARO, POIS
SOU APENAS UM ESTUDIOSO DESSAS ÁREAS, APENAS ISSO, SOU AUTODIDATA, UM LEIGO QUE
AMA ESSES ASSUNTOS, NADA MAIS DO QUE ISSO.
APROVEITO SEMPRE PARA
AGRADECER A SUA PRESENÇA, MUITO GRATO.
Eu adquiri o meu livro num sebo aqui em Fortaleza, Letra L Livraria, na Avenida 13 de Maio, número 2383 – Benfica. Com o excelente professor Majela, proprietário da livraria.
CARACTERÍSTICAS:
Autor: ROBERTSON, ROBIN
Editora: CULTRIX
ISBN: 9786557361108
Ano Publicação: 2021
Dimensões: 19,00x14,00x1,70
Páginas: 304
Acabamento: BROCHURA
Assunto: PSICOLOGIA
Idioma: PORTUGUÊS
AS DORES DO MUNDO | POESIA
março 08, 2025
Randerson Figueiredo
0 Comments
março 08, 2025 Randerson Figueiredo 0 Comments
AS DORES DO MUNDO
- POESIA
Por Randerson
Figueiredo
Lava-me a alma caridosa
As lágrimas que por ora choro
Fenece os rompantes daquilo que adoro
Cura os amores em ideia caprichosa
Em tom solene a vida traz à lume
O colorido já desbotado da aquarela
Entre becos sem saídas está a viela
A seguir o ponto de luz do vaga-lume
A iluminar o breu profundo
Que se aproxima da montanha Sagrada
Esta sempre bem iluminada
Um mistério insondável deste mundo
Onde os lenhadores acendem a fogueira
Recolhem suas lenhas como trabalho
Elas choram pelo ato falho
Ao queimarem na lareira
Se hoje o meu interior
Reflete o frio que vem de fora
Chegou a grande hora
Espelhar o verdadeiro amor
As dores sofridas não calam o viver
É forte aquele que mergulha com a alma
Mantém uma incrédula calma
Entre o nascer e o morrer
Preciosas são as fragilidades
São elas que nos ofertam diamantes
Lapidados e amarrados em barbantes
A riscar todas as iniquidades
Brilham ao menor sinal de luminescência
Como os olhos de um gato siamês
Coradas são as bochechas da minha tez
Hoje presto minhas preces em vidência
De tudo que vivi hoje labuta minha coragem
Sossegada e abraçada com a realidade
Hoje sorrio ao navegar no lago da bondade
Sementes foram plantadas em aragem
Onde o meu pranto ressuscita o moribundo
E ele mesmo conserta o arado
Nem de perto vivi o que viveu o Crucificado
Ao morrer e a reviver por este mundo
Randerson Figueiredo, em 3 de março de 2025 às
20h30.
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