ERA UMA VEZ... – SÉRIE CONTOS DE FADA

outubro 28, 2019 Randerson Figueiredo 0 Comments




Boa noite caro leitor do blog Saber Jung.

Antes de qualquer coisa desejo ofertar um pedido de desculpas a você leitor deste blog, pois ficou acertado que iria postar sobre a série Contos de Fada sábado. Infelizmente não tive condições, pois tive um imprevisto, mas posto hoje.

Hoje será mais um aperitivo, vamos por assim dizer, mais uma introdução do que propriamente dito uma postagem recheada de informações.

Resolvi começar justamente nossa postagem de hoje com o famoso Era uma vez...

Os contos de fadas são uma variação dos contos populares ou fábulas. São estórias que foram originalmente transmitidas de forma oral. Eles possuem uma narrativa curta e iniciam-se pela famosa frase "Era uma vez", salientando que seus temas são atemporais, e estão presentes no inconsciente coletivo da humanidade.

Alguns temas fazem parte dessas narrativas como: confronto de gerações, confronto com o mal, velhice, morte, amadurecimento, nascimento, amor, ódio, inveja e amizade são alguns dos elementos que perpassam essas estórias.

Os contos de fadas começaram a fazer parte do estudo psicológico a partir da descoberta de Carl Gustav Jung da existência do inconsciente coletivo e seus arquétipos.

No entanto, o maior nome na Psicologia Analítica no estudo dos contos é Marie Louise Von Franz, discípula e colaboradora de Jung, que trouxe uma colaboração inestimável para a compreensão dos contos e sua importância no processo analítico.

Para a psicologia profunda os contos de fada representam uma simbologia muito concisa a respeito dos arquétipos. São de uma precisão muito interessante, pois são simples.

Afinal essas estórias representam nossos anseios, dificuldades e questionamentos mais profundos. Mostram um pouco de cada um de nós.

A meu ver, os contos de fada representam a expressão mais sublime de identificação com nós mesmos através das bruxas, ogros, vilões dos mais variados tipos e claro, os mocinhos e os heróis que tanto nos encantam.

Os contos de fada auxiliam de forma oportuna no nosso aprimoramento pessoal e interpessoal, na intersubjetividade. Nos nossos conflitos e relacionamentos.

Quando nos identificamos com um conto, podemos perceber que a situação-problema já foi resolvida de diversas maneiras com o passar dos anos no decorrer da humanidade.

E desta feita a estória terá um efeito rejuvenescedor e estimulante para o indivíduo.

Hoje caro leitor, foi somente uma amostra de como irei tratar essa nova série, de como irei abordá-la com o passar do tempo, como disse foi somente uma amostra. Espero que tenha gostado dessa introdução e até a próxima postagem.

Agora é aguardar um pouco, pois o blog também possui outras séries a serem abordadas por aqui. Até a próxima postagem sobre esse tema vai demorar um pouco, mas é bom que posso estudar mais e mais, e poder trazer até você o melhor da psicologia profunda.

Até a próxima.

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O FASCÍNIO PELOS VILÕES

outubro 19, 2019 Randerson Figueiredo 0 Comments




Olá leitor do blog Saber Jung, muito bom dia!

A postagem de hoje será sobre o universo dos vilões, resolvi de última hora dar uma misturada no universo da TV e do cinema, acredito que irá ficar uma boa postagem.

Na foto acima temos as imagens das personagens de Odete Roitman, Coringa, Nazaré Tedesco e Hannibal Lecter, digo logo de antemão que as escolhas não foram à toa.

Os vilões sempre despertaram um grande fascínio, mas porque isso acontece? Porque toda essa histeria com o mais recém-lançado filme do Coringa, por exemplo?

Será que existe alguma explicação para isso? Na realidade escolhi essa postagem de hoje sobre os vilões mais para preparar terreno para a próxima postagem sobre os contos de fada. Acredito que irei postar na próxima semana se tudo der certo.

Parte dessa atração por vilões pode ser explicada através da psicanálise.

Para Sigmund Freud, a personalidade humana seria dividida em três partes diferentes:

O id seria o lado dos impulsos primitivos, as paixões, a libido, a agressividade, etc;

O ego, que surgiria a partir da interação com a realidade, adequando os instintos ao ambiente em que se está inserido;

O superego, que seria formado a partir dos valores da sociedade, atuando de forma repressora para que o indivíduo aja sempre de maneira moral, mesmo que irracional.

Resumindo: os instintos primitivos são o id, o ego tenta equilibrar esses ímpetos e superego é o conflito com o id, criando uma culpa pelas ações impulsivas.

Os vilões da ficção representam a ausência do superego. Caras como o Coringa agem sem o menor sentimento de auto inibição por causa de amarras sociais. O id comanda e o ego tentaria harmonizar os desejos mais viscerais, com a supervisão repressora do superego… mas este não existe.

Mas não é somente Freud que explica... O nosso velho amigo de todas as horas Jung também tem sua parcela de explicação no quesito vilania...

De acordo com o inconsciente coletivo que não estão ligadas a experiências pessoais, mas principalmente coletiva, contém uma série de arquétipos.

Mas o que isso quer dizer?

Quanto mais o vilão entrar nesse ínterim de consciência coletiva, mais consegue se conectar com o público de forma mais profunda, e antes que você possa indagar os heróis também entram nesse inconsciente coletivo.

Como bem disse Jung: não somos ou anjos nem demônios, somos os dois.

E digo mais, os antagonistas tendem a despertar uma motivação natural no espectador, pois são eles que fomentam a narrativa, que fazem despertar o desejo de vitória no protagonista.

Outro vilão do cinema que destaquei na imagem foi Hannibal Lecter de O silêncio dos Inocentes. Um vilão pra ninguém botar defeito.

Sinceramente acredito que por trás de toda essa admiração pelo lado negro da força há uma espécie de complexo de inferioridade. É como se nos identificássemos com a superioridade de fazer maldade, com a maledicência alheia.

Outra situação que gostaria de mencionar é que os séculos XX e XXI podem ser considerados também como os séculos sangrentos e a era dos extremos, acredito piamente que o modo como nos comportamos representam um fator preponderante para nossas ações e consequentemente gostar dos vilões.

Assassinatos em massa, grandes crimes e escândalos, desastres, tragédias naturais, avanços tecnológicos e instauração da era digital, expressivos movimentos de contracultura, consolidação do capitalismo, diferenças ideológicas, guerras e notáveis eventos são alguns acontecimentos que permearam a trajetória do homem até aqui. Testemunhamos o mundo virar de cabeça pra baixo, num intenso processo de drásticas transformações.

A partir desse momento banalizamos a privacidade e exaltamos o individualismo, o que configura na minha humilde opinião outro fator crucial para defendermos a maledicência. O individualismo é realmente uma mácula que corrói a sociedade, onde todos ou quase todos são vistos como meu inimigo.

A ficção permite que outros sejam os monstros que nós somos – Rodolfo Viana.

Ou seja, se o herói é a certeza, o vilão é a dúvida. É aí o ponto-chave da identificação. O romantismo foi estraçalhado sem dó nem piedade e agora o que está em pauta é o relativismo entre bem e mal. Tudo com cinismo e com uma dose cavalar de falta de vergonha na cara o mal se tornou uma chaga adaptável em tempos pós-modernos.

Falei um pouco dos vilões do cinema, agora será das telenovelas.

Na imagem acima temos as fotos de Odete Roitman e Nazaré Tedesco, interpretadas por Beatriz Segall e Renata Sorrah respectivamente.

Sendo bem sincero, como você está acostumado a ler meus textos, não vou ficar aqui tecendo elogios ou impropérios em relação à produção televisiva, mas tecer comentários pertinentes da novela em si.

Acredito que a telenovela é um produto antropológico, e se você não concordar comigo vou respeitar sua opinião. 

E porque estou dizendo isso?

Porque de acordo com o que percebo, ela, a telenovela é capaz de moldar mesmo que sejam por um curto ou longo período de tempo algumas diretrizes de uma sociedade.

Até hoje Beatriz Segall é lembrada pela icônica vilã que interpretou.

Renata Sorrah também, que deu vida a desequilibrada Nazaré Tedesco.

Vale Tudo que foi ao ar originalmente em 1988 foi uma telenovela política, na qual tive o prazer de assistir em 2011 no canal por assinatura Viva. E no final saber quem matou Odete Roitman.

A telenovela tem uma vantagem que sua história se arrasta por meses a fio, o que possibilita uma identificação ainda maior com o público.

E por ter essa capacidade de identificação, ela molda de certa forma alguns hábitos e costumes como, por exemplo, no modo de falar, de se vestir, no modo de agir. Até a taxa de natalidade é influenciada pelo material televisivo, de certa forma.

Pode observar que hoje na sociedade os casais quase não têm mais filhos, ou se tem têm somente um e olhe lá. Isso de certa forma é influenciado pela telenovela.

Alguns hábitos como, por exemplo, fumar e beber, caíram em descrédito nas produções. Antigamente era muito fácil ver algum personagem fumando ou bebendo. Hoje já é mais difícil.

Desequilibrada, louca e muito perigosa... Nazaré Tedesco também foi uma personagem que arrancou raiva e também gargalhadas na novela Senhora do Destino de 2004.

Era uma personagem que tinha muito bom humor.

E por falar em bom humor o que percebo também é uma humanização dos vilões, o que faz com que a identificação seja ainda maior. Técnica hoje muito utilizada, muito mesmo. O que é muito perigoso, pois transforma a maldade num parque de diversões e a coloca no senso comum.

Então para não me alongar ainda mais com essa postagem, encerro por aqui, com a conclusão de que a vilania pode até exercer fascínio em tempos cada vez mais sombrios, mas cabe a cada um de nós desenvolvermos o antídoto capaz de neutralizar o mal que insiste em nos persuadir.

Até a próxima.

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UMA PERVERSIDADE BEM PLANEJADA

outubro 05, 2019 Randerson Figueiredo 0 Comments



Olá nobre leitor! Sempre um prazer estar aqui para conversarmos um pouco sobre algum assunto específico. Hoje o assunto será sobre psicopatia.

Sempre quando observo alguma notícia de determinado telejornal ou até mesmo jornal impresso sobre algum caso que envolve psicopatia fico de cabelo em pé.

Primeiro por perceber que o ser humano é capaz das maiores atrocidades que se pode imaginar e que essas mesmas atrocidades representam uma lacuna sem fim no seio da sociedade.

Segundo por notar que nosso falho sistema prisional também é um grave risco aos cidadãos, que não compactuam com tamanha sensação de impotência diante do que ocorre. Somos vítimas de pessoas perversas.

Sim, para a psicanálise o perverso é o psicopata.

Engana-se quem pensa que o psicopata é só aquele que mata, sangra e esquarteja a vítima. A maioria dos psicopatas não mata, mas ele destrói sua vida de forma pretensiosa e sorrateira.

Uma comparação fria para essa situação é que ele sabe a letra da música, mas não sente a melodia, deu para compreender?

São 100% razão e zero emoção, não possuem empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro para eles é nula. São seres calculistas, manipuladores e insensíveis.
É bom enfatizar que é um transtorno de personalidade que acomete cerca de 4% da população mundial.

Na mídia no geral temos casos e mais casos sobre a ação desses mentes perversas, como é o caso do serial killer norte-americano Ted Bundy que inspirou a película O silêncio dos inocentes.

Aqui no Brasil temos a Susane Von Richtofen que mandou matar os pais com os irmãos cravinhos, o caso de um empresário da Yoki que foi esquartejado, Isabella Nardoni que foi jogada da janela e por aí vai.

O que mais me impressiona em tudo isso é que eles podem estar em qualquer lugar, agindo como pessoas normais e acima de qualquer suspeita.

Cabe a cada um estar bem atento e saber identificar os possíveis sinais que caracterizam um psicopata. Para isso, temos disponível uma escala elaborada por um psicólogo canadense chamado Robert Hare em 1991. O teste possui 20 itens de avaliação com notas de 0 a 2.

Foi em 1991 que Hare criou o método de avaliação para diagnosticar os graus de psicopatia de uma pessoa e identificou os critérios hoje universalmente aceitos para diagnosticar os portadores desse transtorno de personalidade. Apenas no ano 2000 Escala Hare PCL-R (Psyco­­pa­­thy Checklist Revised) foi traduzida e validade no Brasil.

Vamos a alguns pontos da Escala de Hare.


É importante que o sistema penitenciário faça essa distinção entre o preso que é ou não psicopata, pois este último não consegue ser ressocializado como possivelmente podem ser os demais.

Acredito que avanços devem ser realizados a todo momento não somente dentro da psiquiatria, como também dentro das esferas sociais.

Dessa maneira, faz-se necessário um método que possa averiguar, de forma segura, se esse indivíduo pode ser considerado ou não um psicopata, uma vez que isso acarreta uma série de implicações jurídicas e sociais.

Essa dificuldade de se estabelecer um diagnóstico propicia que a psicopatia seja compreendida em sentido amplo, sendo corriqueiramente associada ao Transtorno de Personalidade Antissocial, como se ambos constituíssem um mesmo diagnóstico. Entretanto, embora existam semelhanças, conforme entendimento de alguns autores da área psiquiátrica, o TPAS e a psicopatia são considerados transtornos distintos. (HARE, 2013, p. 33)

Tal distinção é embasada em decorrência dos resultados do Psychopathy Checklist, de autoria de Robert Hare. O Psychopathy Checklist (PCL) é uma ferramenta que, por meio de um questionário a ser aplicado por um profissional devidamente qualificado, averigua a existência de traços psicopáticos na personalidade de um indivíduo e afere a sua incidência e graus evolutivos. (TRINDADE, BEHEREGARAY, CUNEO, 2009, p. 149)

Então diante dos dados apresentados, encerro o texto de hoje com a convicção de que nós, seres humanos, podemos representar nosso melhor e também o pior lado. Mas com seres tão específicos como os psicopatas temos que ficar de olhos bem abertos.

Até a próxima.

Referências bibliográficas

HARE, Robert D. Sem consciência: o mundo perturbador dos psicopatas que vivem entre nós. Tradução: Denise Regina de Sales. São Paulo: Artmed, 2013.

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes perigosas – o psicopata mora ao lado. São Paulo: Principium, 2018

TRINDADE, Jorge. BEHEREGARAY, Andréa. CUNEO, Mônica Rodrigues. Psicopatia: a máscara da justiça. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009

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