PSICOLOGIA ANALÍTICA E AS BEM-AVENTURANÇAS – PEDAGOGIA DE DEUS
Olá caríssimo leitor deste blog!
Hoje o assunto será sobre as bem-aventuranças, uma intrincada lista de conceitos e conselhos dos mais variados tipos estipulados por ninguém mais ninguém menos que Jesus Cristo.
O Santo Evangelho é um manual antropológico, sociológico e psicológico que nos traz um novo olhar para a vida, uma nova forma de concebê-la.
Cada uma das Bem-Aventuranças são autobiográficas.
Elas representam as suas atitudes, suas virtudes e sua vida no tocante a pouco mais de trinta anos de caminhada e finalidade espiritual.
Mais do que isso: o seu mistério.
É como se elas fossem a digital de Jesus.
Formam em sua síntese, o Seu modo de enxergar a vida. Como proceder, como agir.
Jesus sempre proclama FELIZES os que devem passar por uma transformação interior, os que necessitam de um aparato bem mais desenvolvido; espiritualmente falando claro.
E Ele fala dessa felicidade no plural, não no singular, ou seja, a felicidade está intimamente relacionada com o outro, com a felicidade do outro também. Principalmente.
O que eu percebo com muita frequência é que a Igreja prefere escarnecer em relação ao pecado e ao medo do que mover as pessoas para a verdadeira felicidade.
O centro da fé cristã não está na religião com seus dogmas e entraves políticos, mas principalmente na felicidade dos seres humanos.
As Bem-Aventuranças são revolucionárias, não são utópicas e nem idealistas, elas são aquilo que realmente merecem via à tona para todos nós.
Chega a ser um tanto quanto exigente, sim claro, o Evangelho é exigente por si só, mas não menos enfático e amoroso com todos nós.
Chego até dizer que essa mensagem é elucidativa. Mas vamos sempre na contramão das situações, ao invés de agirmos a favor da luz caminhamos em direção à escuridão.
Só alcançaremos à luz quando definitivamente aceitarmos que seu ponto de partida é a escuridão – Randerson Figueiredo.
A ética de Jesus nos faz desconcertantes diante de tanta humanidade. Essa é minha concepção diante dessa grandiosidade, diante dessa quebra de paradigmas. Algo revolucionário.
Ao proclamar os bem-aventurados Ele jamais quis proclamar o sofrimento, mas as alternativas que nos tornam felizes por superar as adversidades.
As pessoas que quase nada têm são cheias de Deus na grande maioria das vezes, pois não se acomodam, não se entregam e não desanimam seja qual for a intempérie que viver.
A felicidade emana do centro do nosso ser.
Pois muito bem, falei tanto no Evangelho que até agora não relacionei com a psicologia analítica, vamos agora a cada uma das Bem-Aventuranças, ponto a ponto:
1. Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Felizes aqueles que têm consciência de sua pobreza espiritual e que buscam humildemente aquilo que necessitam.
2. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Os que choram se encontram envolvidos num processo de crescimento. Eles serão consolados quando o valor projetado, perdido, for recuperado no interior da psique.
3. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. Essa mansidão está relacionada ao Ego, que precisa ser trabalhado, essa atitude é afortunada, pois o ego está pronto para receber ensinamentos e aberto às novas considerações que podem levar a uma rica herança.
Herdar a terra significa adquirir uma consciência em saber se relacionar ao todo ou de ter uma participação pessoal no todo.
4. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Trata-se de um principio orientador interior, de caráter objetivo, que traz um sentimento de realizações do Ego que o busca com fome.
A justiça de estar vivendo de acordo com a verdadeira e real necessidade interior.
5. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Se o Ego é misericordioso, ele receberá misericórdia do íntimo.
6. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. A pureza ou a limpeza podem significar um estado do Ego, livre da contaminação de conteúdo ou motivações do inconsciente.
Aquele que é consciente é puro, porque é consciente de que seu erro abre uma porta para experimentar a sua própria essência.
7. Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados de filhos de Deus. O papel apropriado do Ego é mediar entre as partes oponentes aos conflitos intra-psíquicos internos.
8. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. O Ego precisa suportar a dor e o sofrimento, sem sucumbir ao amargor e ao ressentimento, para relacionar-se à lei interna objetiva.
9. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa.
Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós.
Carl Gustav Jung nos mostra através dessa correlação entre os ensinamentos de Jesus e a psique humana que o principal ponto das Bem-Aventuranças entendidas psicologicamente é a exaltação do Ego não inflado, um Ego humilde.
Percebemos que os relatos evangélicos estão cheios de muitas outras descobertas psicológicas importantes. Jesus formulou a concepção da projeção dois mil anos antes da psicologia analítica.
Para reiterar o que venho apresentando, os ensinamentos de Jesus representam sim um manual para ser estudado e entendido. É um marco para nossa renovação interior, um verdadeiro baluarte para nossos anseios.
Quando resolvi criar essa série, Pedagogia de Deus, criei não com o intuito de doutrinação, longe disso, até mesmo porque falo aqui sobre espiritualidade e não religião. Sobre psicologia analítica e espiritualidade.
Para fechar o post de hoje, a fonte de nosso sofrimento está dentro de nós, por isso podemos moldá-lo da melhor forma possível.
Não temos tempo a perder, pois tudo é passageiro. E o Evangelho está aí para nos fazer buscar a plena Verdade, como está em João 8:32, constantemente sem cessar, afinal os ensinamentos de Jesus nos faz crer que há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia.
Até a próxima se Deus quiser.
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