PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 67

setembro 22, 2021 Randerson Figueiredo 0 Comments

 


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A IMPORTÂNCIA DOS CONTOS DE FADAS | SÉRIE CONTOS DE FADAS

setembro 19, 2021 Randerson Figueiredo 0 Comments

 


Olá nobre leitor desta plataforma! Hoje marco presença para tratarmos de um assunto que andava muito esquecido por aqui, a série contos de fadas.

 

Abordarei sobre a importância dos contos de fadas, principalmente no tocante ao imaginário infantil.

 

Antigamente, até mais ou menos o século XVII os contos de fadas eram contações de histórias destinadas as classes mais baixas da população, como lenhadores e camponeses.

 

Então pode-se concluir que os contos de fadas se tornaram tradições de histórias contadas e perpassadas de geração em geração, eram histórias de sabedoria popular segundo Marie Louis Von Franz, uma das maiores pesquisadoras do assunto.

 

Os contos enriquecem o imaginário infantil, pois estabelece uma relação entre a linguagem do cotidiano e a do texto dos contos de fadas, personagens como lobo mau, bicho papão e boi da cara preta (Diatkine, 1993).

 

Uma das principais características que desejo salientar no texto de hoje é uma constante nos contos de fadas: a presença do narrador da história. As histórias que são contadas com entusiasmo permanecem a longo prazo no imaginário infantil, pois diferente do que ocorre com os efeitos audiovisuais da televisão, as crianças ao ouvirem a história são obrigadas a imaginar, a pensar e a interagir verdadeiramente com o que está sendo dito.

 

Ou seja, chego à conclusão que essas histórias têm um grande potencial terapêutico, haja vista que o “Era uma vez...” demonstra uma segurança à criança, reportando-a a um primeiro contato da sua vida psíquica, trazendo confiança e amabilidade.


É por isso que a televisão e o computador não substituem uma boa contação de histórias, pois não é o que está sendo transmitido que importa, mas como está sendo dito.

 

A metáfora também é muito presente nos contos infantis.

 

É por meio de símbolos que as abordagens dos contos de fadas podem retratar os dramas cotidianos e mais do que isso, tratar com segurança, pois há um processo de identificação, já que projeta suas situações no enredo com os personagens.

 

Algo também que observei na construção deste texto é a constante percepção de leitura dos textos. As crianças pedem que sejam lidas repetidas vezes o que constrói de forma sólida uma identificação com as estruturas do texto, o que não é permitido nem mesmo uma alteração sequer do que é lido, as crianças se irritam quando algo no texto é modificado.

 

Na idade pré-escolar por exemplo, entre 4 e 6 anos, elas exercem o apogeu da separação do faz de conta e o que é real, o que evidencia uma maturação importante nessa fase.

 

Por isso que os contos de fadas são tão importantes, porque eles verbalizam com os adultos e transcendem às crianças o seu processo imaginário, elas conseguem se comunicar mais facilmente o que desejam, o que sentem e o que podem realizar.

 

Resumindo: os contos de fadas dão vida a formas psíquicas arquetípicas, dão vida a esse conteúdo. E dão de certa forma um conforto a questões de vivências individuais.

 

E nesse assunto cito a constante luta contra as dificuldades, como representação simbólica a sombra e o mal, simbolizado quase que unilateralmente por bruxas, madrastas (más) e dragões.

 

Um dos pontos que desejo abordar é sobre a bruxa, sua presença é praticamente inevitável nessas histórias. Agora porque sua presença se faz tão necessária?

 

Segundo as minhas pesquisas, Von Franz cita que a bruxa é uma figura arquetípica da grande mãe. Representa uma mãe no seu aspecto destrutivo.

 

A bruxa representa os lados opostos, um lado sombrio e um lado luminoso, algo que gostaria de salientar é sobre a Virgem Maria, que representa somente o lado luminoso. Foi destituído o seu lado sombrio, que foi projetado na mulher. Já abordei sobre esse assunto aqui no blog - Sobre a Virgem Maria

 

Por isso que a caça às bruxas tornou-se latente em determinado período, pois a importância da Virgem Maria tornou-se evidente em todo o processo histórico.

 

É por isso que a presença desses vilões arquetípicos tornam-se presenças fundamentais para um bom conto de fada, ao utilizarem de poções mágicas ao praticarem suas maldades eles se tornam peças-chave como contraponto a identidade do herói/mocinho.

 

As crianças são motivadas pelos aspectos horripilantes dos contos de fadas porque conseguem enxergar neles um jogo onde a angústia humana pode ser retratada.

 

O medo tem uma função importante nos contos, representando uma emoção fundamental para toda a vida do ser humano e constituindo-se em um fator de proteção durante a infância.

 

Aprender a lidar com ele é um desafio para a criança. Entretanto, as possibilidades de representação de situações assustadoras parecem ser um dos atrativos em um conto infantil.

 

A partir das minhas observações no texto de hoje podemos perceber que os contos de fadas são extremamente importantes para o crescimento imaginativo, digo até mais, cognitivo das crianças.

 

Suas percepções fazem valer a máxima de que o “Era uma vez...” ainda hoje se faz necessário para o seu crescimento, para o seu amadurecimento, e que o medo, as dificuldades, a sombra e a maldade de fato fazem parte da vida como um todo.

 

É a partir desses pressupostos que as crianças validam sua entrega para a vida. Elas se sentem representadas por vários aspectos sombrios e luminosos que depreendem da história.

 

Não é somente de maldade que se faz uma boa narrativa, e nem somente de bondade também. Esse entrelaçamento é mais do que necessário, é fundamental para o avivamento dos infantes.

 

Bem, essas foram as minhas percepções, espero que você tenha gostado da postagem de hoje sobre os contos de fadas, demorei muito a escrever nesta série, mas saiu. Tentarei ser mais assíduo.

 

Qualquer crítica sinta-se à vontade para discorrer, ou por aqui nos comentários ou por e-mail:

 

E-mail: randersomfigueiredo@hotmail.com

 

No mais desejo tudo de melhor, e que sigamos lendo para nossas crianças os maravilhosos contos de fadas, afinal será com eles que conseguiremos deixar belas lições do famoso “E foram felizes para sempre.” Com o toque de verniz da realidade, claro.

 

Até a próxima.

 

Referências bibliográficas


Bonaventure, J. (1992). O que conta o conto. São Paulo: Paulinas

Diatkine, R. (1993). Histórias sem fim. Veja, 26, 17, 7-9.

Franz, M.L. (1985). A Sombra e o mal nos contos de fadas. São Paulo: Paulinas.

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PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 66

setembro 12, 2021 Randerson Figueiredo 0 Comments


 

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O GRITO DOS EXAURIDOS – POSTAGEM ESPECIAL 7 DE SETEMBRO

setembro 07, 2021 Randerson Figueiredo 0 Comments

 


Olá nobre leitor desta plataforma, como tem passado? Espero sinceramente que bem, esse é meu desejo.

 

Primeiro desejo oferecer uma satisfação por não ser muito assíduo nos últimos tempos aqui no blog, ocupações acadêmicas são o cerne hoje da minha situação, o que me impede de estar muito presente na plataforma.

 

Hoje é o 199º aniversário de “independência” do Brasil e o dia do chamado grito dos excluídos. Sinceramente leitor, eu trocaria o nome de grito dos excluídos para grito dos exauridos.

 

Afinal todos estamos muito cansados em relação a tudo que está acontecendo, inflação absurdamente alta, alta do preço dos combustíveis, crise infindável na política (um egocentrismo político sem fim) e dentre outras situações.

 

E desde que eu me entendo por gente esse país vive em crise...

 

Por isso que colocaria sem nenhum remorso o atual grito como o dos exauridos, dos cansados, dos que lutam e lutam e nada alcançam, a não ser ficarem cansados.

 

Acredito que cada povo realmente tem o governo que merece, essa é uma grande verdade apregoada pelos grandes cientistas políticos e midas políticos das mais variadas castas.

 

E eu concordo!

 

Será que jamais iremos acordar do pesadelo que se instaurou no país?!

 

Uma crise que se apresenta somente para os mais necessitados, uma crise que tem rosto, que tem nome e que não tem voz diante dos mais abastados... Porque uma evidência concreta é que a pobreza se alastra mais rápido do que rastilho de pólvora, cresce exponencialmente enquanto que a riqueza dos mais afortunados se mostra cada vez mais latente e mais robusta a enlarguecer a conta dos que muito possuem em detrimento dos que nada têm.

 

Este texto é mais do que um texto de cunho político, mas é também um grito de um jovem escritor que também está cansado do desgoverno e das irremediáveis e infindáveis pisadas na bola de um governo bur(r)ocrata que faz diligências com o neoliberalismo batendo à porta com delicadeza dos plutocratas, enquanto escancara, levando a bancarrota os que já não tem nada a oferecer, a não ser o suor do seu trabalho.

 

Vou pular a parte sobre Karl Marx e suas pomposas diretrizes sobre o proletariado, não concordo com muitas das suas visões, chego até dizer que é uma ditadura com um verniz, bem aplicado de liberdade, não há nada de liberdade na visão marxista, muito pelo contrário... É uma grande ditadura e das mais pesadas.

 

Sabe leitor, sempre fui a favor da liberdade de expressão, com tanto que não fira o direito do outro, porque quando fere deixa de ser liberdade e passa a ser maldade, maledicência, crueldade.

 

Passar a reprimir sem qualquer tipo de seleção os que manifestam mais do que seus interesses individuais, mas coletivos, estes sim serão sempre alvo de uma constante balbúrdia social.

 

Quantos intelectuais, pessoas de renome, artistas dos mais variados tipos foram perseguidos em diversos governos, muitos não é mesmo? Lembrei-me de um em especial: Milton Santos.

 

O grande geógrafo Milton Santos, detentor de 20 Doutor Honoris Causa e professor de diversas universidades pelo mundo todo foi extremamente perseguido. Para dar continuidade ao raciocínio do que estou a desenvolver, é autor de uma maravilhosa frase: existem apenas duas classes sociais, as do que não comem, e as do que não dormem com medo da revolução dos que não comem.

 

Para não dizer que não falei dos grandes... Dom Helder Câmara certa feita disse: quando alimento os pobres me chamam de santo, quando pergunto porque eles tem fome, me chamam de comunista.


Em todas as esferas, principalmente em relação aos que pensam haverá perseguição. Os que verdadeiramente combatem, que selecionam suas ideias e movimentam seus ideais estes sim serão perseguidos.

 

E o meu grito hoje vai para estas pessoas.

 

E em todo o mundo essa varredura social deu o ar da (des)graça. Nos Estados Unidos houve o aparecimento de Joseph MacCarthy, perseguiu até a sapateadora mirim Shirley Temple, aquela dos cachinhos, foi considerada subversiva aos 9 anos de idade. Perseguiu Charles Chaplin, tanto é que quando o Chaplin foi fazer o filme Um Rei em Nova York filmou na Inglaterra, filme já retratado aqui na plataforma.

 

O grito dos que estão cansados não é só para os que nada têm, não somente, mas principalmente àqueles que buscam por um ideal muito maior que define a sua existência e não só a sua vida.

 

Afinal somos metralhados a todo momento com uma enxurrada de péssimos hábitos, com ações desnecessárias e uma falta de educação de tirar os ânimos dos mais ávidos pelas mais dolorosas pilhérias.

 

Isso de certa forma cansa a todos nós.

 

Não temos pelo singelo hábito respeitar o outro, ah o respeito, o maior dos mosqueteiros, os outros são o amor, a paciência e a doçura. Quando estes mosqueteiros estão juntos não há erro.

 

Tudo começa com o respeito.

 

Outro hábito costumeiro que desejo abordar é que costumamos desdenhar das conquistas alheias, é como se fosse proibido ser feliz aqui no Brasil, você pode ser feliz, mas não mais do que eu. Existe cansaço maior do que esse?

 

É como se estivéssemos numa praia começássemos a nadar e nada. É um despeito sem tamanho, não valorizamos quem de fato merece, para fazer troça com o que não merece atenção.

Somos muitos excluídos, mas acima de tudo somos mais do que excluídos, exauridos de tanta trapaça, de tanta desfaçatez e de tantos atos hediondos que mancham a bandeira deste país.

 

Luto por um país melhor, um destes expedientes é aqui neste blog, que graças a Deus alcança milhares de pessoas Brasil e mundo afora. Se esta mensagem tocar pelo menos uma única pessoa já me dou por satisfeito.

 

Como bem diz a letra da música de Juízo Final de Nelson Cavaquinho: o sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de chegar aos corações, o mal será queimada a semente, o amor será eterno novamente... Quero ter olhos pra ver... A maldade desaparecer...

 

Um ótimo feriado, e que nosso grito saia do mais profundo dos corações.

 

Até a próxima.

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