O JULGAMENTO DOS VENCEDORES

dezembro 16, 2013 Randerson Figueiredo 1 Comments



“Não julgueis, para que não sejais julgados.
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.
E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?
Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?
Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.
Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem.
Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á”.

Mateus 7:1-7

Mais objetivo que o Evangelho impossível não é? E como sempre comento aqui neste blog que se trata de psicologia, mais precisamente de psicologia analítica, Carl Jung nos apresenta de forma bastante concreta a mensagem do Evangelho da seguinte forma: “aquilo que te irrita nos outros pode nos levar a um melhor conhecimento de nós mesmos”.

Mas como assim? Funcionamos como verdadeiros espelhos uns dos outros, só que muitas vezes este espelho pode estar sujo, embaçado, ou até mesmo um pouco quebrado.

Por isso quando Jung faz esta citação ele sabiamente quis dizer que aquela trave que observamos no olho do outro na verdade deixamos de observar a trave gigantesca que está em nós.

Que por mais que queiramos consertar as inquietudes alheias isso não nos torna melhor, pelo contrário, só faz crescer os limites desconcertantes em nossas vidas.

Temos que agir como os vencedores, o julgamento dos vencedores é fantástico, pois eles fazem o mínimo de julgamentos ou até mesmo não fazem julgamento algum.

Assertivas presunçosas só salientam o quanto somos inseguros em relação a nós mesmos, o quanto perdemos tempo fazendo tempestade em como d’água.

Agora me lembrei de um provérbio judaico que diz assim: “aquele que não sabe dominar a si mesmo, torna-se ridículo quando quer dominar os outros”. E é a mais pura verdade, sejamos sinceros.

Eliminar por completo qualquer tipo de ato inescrupuloso deve fazer parte de nossa alçada, só que aí falamos: como é difícil! Só este ato de rebeldia revela o quanto temos que evoluir espiritualmente.

Cabe a cada um não só fazer a sua parte, mas também ajudar ao outro fazer a sua, já que o grau de crescimento cognitivo varia e muito de pessoa pra pessoa.

O julgamento dos vencedores é esse, julgar que pode controlar somente a si e não os outros sob nenhuma hipótese, isso faz com que todos possam agir em completude e entendam de uma vez por todas que somos individualidades, e que essa individualidade deve ser respeitada.


Até a próxima.

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A ERA DO “EU FALSO”

dezembro 14, 2013 Randerson Figueiredo 0 Comments



Como é comum gostar de receber elogios não é? Nada mais normal e contagiante do que participar de tal situação, só que o questionamento que levanto no texto de hoje é bem mais interessante do que somente falar de elogios.

Receber um elogio aqui e acolá é prova cabal de que as coisas estão indo do jeito que você espera, mas cuidado leitor! Isso pode ser uma grande armadilha.

De acordo com a psicanálise estamos vivenciando uma particularidade que atinge a totalidade, deu-se o nome de: A era do “eu falso”.

Como mencionei essa particularidade atinge principalmente aquelas pessoas mais envaidecidas e que são dominadas pelo ego, porque desejam e querem ardentemente ouvir aquilo que lhes convém.

Pessoas que se comportam utilizando esta linha de raciocínio, meticulosa e altamente seletiva fazem da vida de seus interlocutores um verdadeiro martírio.

Porque elas só querem ouvir e presenciar o que bem entendem. E o outro tem praticamente a obrigação de tecer elogios homéricos mesmo sabendo que tudo aquilo pode ser uma grande mentira.

E o grande problema é justamente esse, guardamos em nosso íntimo o que há de melhor e principalmente o que há de pior em relação a alguém.

Transmitir uma mensagem falsa aquele que quer ouvir uma mensagem sincera transforma a máquina da sensibilidade em uma roleta russa que a qualquer momento pode soar o estampido do tiro a queima roupa.

E na maioria das vezes a bala da insensatez fere os dois lados, uma crueldade sem tamanho, pois por mais que doa dizer a verdade ela é a solução mais adequada.

Ai surge outro problema, aliás, para muitos se torna problema, mas para mim particularmente não é. Os “amigos” começam a sumir quando você se torna um poço de sinceridade.

Não estou falando também para você sair dizendo verdades a todo o momento e ser o dono de uma ou outra verdade, não é isso. Mas ser sincero consigo mesmo é uma excelente alternativa.

E quanto às pessoas que só querem ouvir elogios, falsos diga-se de passagem, dê-lhes o silêncio, inclusive até já falei sobre esse assunto aqui no blog, pois o silêncio acalma os instintos mais bravios e faz com que “eu falso” do sujeito torne-se um “eu verdadeiro”, porque só ele pode encontrar sua verdadeira essência.


Até a próxima.

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