DELEUZE ME LIVRE! – FILOSOFANDO

abril 29, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments



Leitor, o Filosofando de hoje será com o filósofo francês Gilles Deleuze. 

Certa feita ele disse uma frase que me intrigou e será como ponto de partida do Filosofando de hoje: 

o verdadeiro charme de uma pessoa são seus traços de loucura.

Deleuze me livre dessa afirmação dele, e eu vou esclarecer o porquê.

Muitos filósofos têm uma péssima mania em tratar a loucura, como sendo uma atitude vanguardista. Horrível. Péssimo e de extremo mau gosto.

Loucura é loucura e ponto final.

Não tem essa de amenizar a situação. De tratar como sendo algo de vanguarda como já mencionei como atitude de gente que é transgressora ou algo a mais do tipo.

Isso beira ao ridículo, sinceramente. Michel Foucault foi outro, que usou e abusou sobre a loucura. Se muitos o aplaudem é porque não compreendem verdadeiramente o significado dessa patologia, dessa psicose.

Sou totalmente contra rotular a loucura como meio para ser uma pessoa além das expectativas, quase sempre ou sempre dá errado por quem colocou a alcunha.

Muitos aplaudem esses filósofos ou arremedos de filósofos justamente porque são famosos, ou porque não entendem nada de filosofia e nem de psiquiatria.

Ou se assim agem dessa maneira é para sim dar amostras de sua falsa autenticidade, se assim o fazem é para aparecer ou parecer que são de fato pessoas cools.

É um perigo leitor suavizar a patologia, sou radical sim, mas é necessário. Se não possuirmos saúde mental não vamos a lugar nenhum, não saímos nem para comprar pão na esquina.

E vem uns filósofos dessa estirpe dizer que a loucura é sinônimo de potencialidade, de vivência e até mesmo de transgressão? Ora, façam-me o favor: Deleuze me livre dele mesmo!

A psicose é um assunto seríssimo, e já tratei aqui neste espaço, com todo o respeito devido, claro. Já indiquei até livro, como o do psicanalista Darian Leader: O que é loucura? Delírio e sanidade na vida cotidiana.

Elaborei o filosofando de hoje com um único intuito: ser verdadeiro com minhas concepções. E estou sendo. Como sempre fui. Não vamos amenizar essa questão porque não há espaço para isso, verdadeiramente não há.

Deleuze e Foucault nunca foram meus filósofos preferidos. E eu nem preciso dizer o porquê não é? Não é só por causa deste pensamento, mas de muitos que os identificam como falsos filósofos, como filósofos de assuntos banais, uma filosofia excludente e não inclusiva.

Acredito mais ainda que o texto de hoje possa ser um contraponto a interferência desses filósofos numa questão importante como é o caso da psicose.

Em nenhum momento a psicose poderá ser tratada da forma como é tratada por esses filósofos: como se estivéssemos num pesadelo e desse pesadelo pudéssemos acordar a qualquer momento lindos e belos.

Só que Deleuze e Foucault se esqueceram de avisar que a realidade pode vir a ser esse maior pesadelo e do quais muitos sequer deram conta de que estão presos nele e que não poderão despertar.

E Deleuze me faz recitar a máxima: Deleuze me livre, dele!

Até a próxima.

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DE UM JESUS HISTÓRICO A UM JESUS HISTÉRICO – PEDAGOGIA DE DEUS

abril 29, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments



Olá leitor, tudo bem? Espero sinceramente que sim, principalmente devido aos últimos acontecimentos não é verdade? Espero que esteja realmente tudo bem com você.

A série Pedagogia de Deus de hoje trará um assunto que, acredito eu, nem é mais polêmico haja vista a profusão de causos e casos, de vastos acontecimentos que marcaram profundamente a história das religiões.

Uma das coisas que mais me perturba é transformar Jesus histórico em Jesus histérico, mas como assim? Onde estou querendo chegar com essa história?

Acredito que há uma deturpação da figura de Jesus, mais do que nunca feita por pregadores que como os fariseus desejavam fazer adeptos a todo custo.

E dessa forma, Jesus não é mais histórico, mas histérico!

É o desespero em fazer novos cristãos, arregimentar a massa e esquecer a principal figura do cristianismo: Jesus Cristo. Desta forma, o pastor vale mais que Cristo, e isso é perigoso.

O que eu percebo muitas vezes é que qualquer um está apto a pregar a palavra de Jesus, a pregar o Evangelho... Eu sei, eu sei, que você pode me dizer: mas está no Evangelho. Ide e pregai o Evangelho a toda criatura.

Mas o suporte que o Evangelho oferece é ter o mínimo de conhecimento e embasamento sobre o que se está falando, caso contrário às igrejas tornar-se-ão somente casas de arrecadação de dízimo e de ofertas das mais vantajosas.

Qualquer um que acaba de sair dos cueiros se acha na condição de pregar o Santo Evangelho a quem bem entender e propagar impropérios e pseudoverdades das mais levianas.

Estão sempre pregando o dinheiro, esquecendo-se da figura, mais uma vez repito de Jesus Cristo. A figura do pregador é quem prevalece, e isso é desleal.

Há, a meu ver, uma imensa competição entre igrejas, para ver quem pode mais, templos suntuosos são erguidos, igrejas com helicópteros e até carro-forte são utilizados para recolher o dízimo.

E essa divisão é extremamente prejudicial à mensagem de Jesus.

Acredito mais ainda que o ecumenismo pudesse ser a prática mais saudável para nos adaptarmos às constantes dissenções no mundo contemporâneo.

Pois analise junto comigo, como poderemos ofertar uma mensagem de paz ao mundo se não conseguimos distinguir e enxergar um palmo além do nosso nariz com questões banais?

Sim, porque essa divisão não soma, mas subtrai esforços.

Se não formos ecumênicos, não ensinaremos nada ao mundo.

E a palavra-chave que delimita todo esse questionamento é: individualismo. Voltando a questão central do texto, o Jesus histórico se torna histérico devido justamente às práticas que já se tornaram comuns no métier religioso.

Jesus Cristo é o mesmo para todos, mas muitos insistem em afirmar que o meu Cristo é melhor que o seu Cristo, fazendo valer a máxima de que existem Cristos, um para cada denominação religiosa.

Existem obviamente pregadores que são excelentes, bons mesmo.

Que fazem da figura de Jesus o baluarte para os seus ensinamentos, mas em contrapartida, muitos sujam de lama o que de fato deveriam aderir a um pensamento imaculado, digno e principalmente valoroso à figura do Salvador.

Muitos querem fazer da mensagem do Santo Evangelho a seu bel-prazer, fazer da importante mensagem rediviva de luz o seu próprio quinhão e obviamente reduzir a quatro ou cinco versículos a grandiosa e imponente mensagem de salvação.

Fazem o que bem entendem, afinal são coachs da religião e não estudiosos e viventes da espiritualidade. Propagam mentiras e sandices daqui e dali e não suportam a Verdade, ou seja, seu trabalho não é com Jesus, mas com a mentira, com o dinheiro.

Propagar aos quatro cantos que Ele dará riquezas e poder é o mesmo que dizer que ele é amigo do demônio, o que seria uma blasfêmia do ponto de vista escatológico, mas sejamos sinceros, o que mais importa nesse jogo sujo não é descobrir a Verdade, mas ter que suportá-la.

Até a próxima.

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PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 17

abril 26, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments


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UMA CONSTELAÇÃO (NADA) FAMILIAR - POSTAGEM ESPECIAL

abril 23, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments



Nobre leitor, hoje apresento um assunto que tem se tornado febre nos últimos tempos: constelação familiar. Mas essa temática não será estabelecida aqui no blog somente no viés puro do assunto, mas como sempre procuro fazer intercalar com a psicologia analítica/profunda.

Fiz inúmeras pesquisas sobre o tema, muitas mesmo e fiquei espantado com o que vi. Li prós e contras e tudo o mais e o resultado foi alarmante!

A Constelação Familiar é um método psicoterapêutico, criado pelo alemão Bert Hellinger.

Bert Hellinger nasceu em 1925 na Alemanha. Era um Sacerdote Católico, que foi enviado em missão para a Africa do Sul, e por lá conviveu em torno de 16 anos em meio a tribos zulus, na qual observou seus comportamentos, costumes, rituais; e observou uma maneira muito particular desta tribo de cultuar os seus antepassados.

Após 25 como sacerdote Hellinger deixa o sacerdócio e vai estudar psicanálise. Em seus estudos, Hellinger conheceu uma outra metodologia de estudo dentro da psicanálise formulada por uma americana chamada Virginia Satir, em meados dos anos 70.

Virginia Satir aplicava uma espécie de técnica mais desenvolvida do criador do psicodrama: Levy Moreno.

Mas e o que vem a ser psicodrama?

“Psicoterapia de grupo em que os pacientes escolhem os papéis que vão desempenhar na dramatização de uma situação com forte carga emocional, o que dá ao terapeuta a oportunidade de apreender os sintomas que afloram no relacionamento entre os participantes.”

O Hellinger simplesmente juntou tudo e bateu num liquidificador e criou a constelação familiar.

Esse método da constelação familiar reúne os principais argumentos de Virginia, mas com um detalhe: hereditariedade. Sim, Hellinger uniu os conceitos de hereditariedade para criar sua pseudoterapia.

É aí que entra a base da psicologia analítica/profunda. Sim, porque já que ele resolveu unificar e fazer sua salada mista pseudocientífica é claro e óbvio que também iria unir o útil ao agradável: resolveu aplicar conceitos junguianos na sua receita nada convencional.

Hellinger tornou-se seguidor fervoroso da psicologia profunda de Jung. O inconsciente coletivo é uma das principais teorias de Carl Jung, na qual acredita-se que existe um conjunto de pensamentos e sentimentos compartilhados com outras pessoas. O que mais tarde a neurobiologia veio a chamar de epigenética.

Sendo assim, a mente humana teria características inatas impressas como resultado da evolução e essas predisposições são originados dos nossos ancestrais.

Ele adotou um termo do psicólogo Alfred Adler —“constelações familiares” — e alguma coisa de teorias da psicoterapeuta Virginia Satir e inventou princípios de dinâmica de grupo e pronto: habemus pseudoterapia.

Hoje, esse coquetel com adições de 'campos mórficos' de Rupert Sheldrake e alguma memória celular é chamado pomposamente “abordagem fenomenológica sistêmica transgeracional”.

Uma teoria tão maluca quanto o próprio Bert Hellinger.

Há, nesse caso, distorções da história evolutiva humana, da arqueologia e da antropologia cultural. O que estou querendo salientar nobre leitor, é que esse senhor é um guru dos mais fajutos.

E o pior de tudo é que tem psicólogo que defende viu? E digo mais, tem psicólogo especialista no assunto, como se isso fosse assunto para alguém ser especialista.

Para resolver esses problemas, pela maluquice de Hellinger, o paciente de exercícios dinâmicos, que, normalmente, envolvem a teatralização de papéis ou representações com figuras ou letras para representar a nossa família, voltando a várias gerações.

Depois de uma encenação com forte conteúdo da sugestão, em que as pessoas chegam a chorar, o pseudoterapeuta localiza a origem dos problemas.

É bom frisar que esta metodologia não é reconhecida pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia), nem pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), por falta de estudos científicos que comprovem sua eficácia.

E certamente não deverá ser reconhecido nunca, pois o próprio Hellinger chama o seu método, de “método fenomenológico”, isso é, um método empírico, que se baseia na observação e dados obtidos através da experiência e da vivência do pesquisador, para que após os dados obtidos e comprovados os resultados, o mesmo possa se tornar um método científico.

E para espanto geral da nação, o que já era ruim pode piorar ainda mais, descobri nas minhas pesquisas que esses sistema está implementado em boa parte do sistema jurídico do país, principalmente na Bahia, onde surgiu. 

Uma lástima. Já pensou? Casos sérios de questões familiares sendo resolvidos através desse sistema?! O chamado direito sistêmico está em voga atualmente. Acredite se quiser.


O método foi reconhecido oficialmente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) desde março de 2018 como uma prática complementar de saúde.

Ela é uma das 29 terapias alternativas complementares ofertadas pela saúde pública (incluindo aromaterapia, reiki, hipnoterapia e terapia de florais).

Isso significa que cidadãos podem buscar esses tratamentos de forma gratuita através do Estado. Uma verdadeira tragédia, sinceramente...

E digo mais, essa pseudoterapia pode trazer consequências graves: fisicamente, psiquicamente e financeiramente falando. Até mesmo porque não é, vamos dizer assim, gerenciados por pessoas sérias, mas por coachs que muitas vezes não possuem sequer diploma ou certificado de psicologia.

São pessoas que simplesmente se debruçam sobre o tema e pronto.

Sem qualquer método científico, sem qualquer análise e principalmente sem responsabilidade por parte do “constelador” que é assim que são chamados esses negociantes que trafegam livremente pela condição psíquica do cliente, como são chamados os que aderem a esta prática.

Este tipo de método também tem sido aplicado quando pessoas já falecidas, fazem parte do contexto problemático. E ai, uma pessoa do grupo também é chamada para representar essa pessoa, e “sentir” e “falar” tudo o que ela vivenciou quando ainda estava viva, antes de morrer…

É tipo uma sessão de necromancia! A pessoa só não diz que está incorporada pelo espírito, mas age e reage como se estivesse sentindo as mesmas coisas que a pessoa já falecida.

Resumindo tudo, pois já estou me alongando no texto de hoje...

No meu modo de ver e avaliar tudo isso, essa realidade de Terapia de Constelação Familiar, não passa de um teatro de indução sobre a mente das pessoas, que fantasiam sentimentos e emoções, como se estivessem ligadas à alma ou energia daqueles que estão ali representando.

E é visível que as constelações familiares têm grande sucesso, porque, afinal, para essa pseudociência, ninguém é culpado por seus problemas.

Você tem câncer de pulmão? Não é por fumar desaforadamente, é porque seus avós tiveram uma separação desagradável.

Não consegue encontrar um parceiro? Não é porque você está fazendo algo errado, é que você está expiando um fracasso amoroso da juventude de sua mãe.

As constelações familiares consideram a homossexualidade uma doença causada por algum problema não resolvido da família, estigmatizando quem sente atraído pelo mesmo sexo.

Se isso não bastasse, outros problemas dessa pseudoterapia são a misoginia e machismo.

Em terapia de casais, a mulher é quase sempre apontada como a responsável pela coisa errada. O que é natural de uma sociedade onde o patriarcado e o machismo imperam.

Um exemplo é a maneira como a pseudoterapia caracteriza os abusos sexuais de um pai a sua filha. O incesto é tratado como forma natural de quem pratica e a vítima é vista como uma simples peça de quebra-cabeça num campo de teatralização.

Enfim, um dos problemas que já estão acontecendo, é que há pessoas que dizem serem sensitivas a “comunhão de almas” e dizem serem desenvolvidas mediunicamente, e trabalham somente com “atores” nestas terapias, pela facilidade de se ligar à alma ou energia de outros.

Há também como já mencionei a questão dos coachings, bem, já falei aqui a respeito dos coachings, você pode ler nessa matéria:


É um método certamente de indução, de persuasão, de sugestão da mente, mas que podem trazer consequências desastrosas!

Resumindo: Pessoas com problemas, projetando seus problemas, sobre pessoas que estão procurando ajuda de seus problemas! Resultado disso, só podem ser PROBLEMAS!

Psiquiatras e Psicólogos são quase que unânimes em dizer que este tipo de método pode trazer prejuízos futuros, uma vez que as pessoas podem tocar em feridas que viveram, e depois não terem um tipo de acompanhamento, e terão que lidar com suas dores e traumas sozinhos.

Além do mais, nem sempre quem conduz este tipo de terapia tem uma formação na área de psicologia ou psiquiatria! Vou ser bem sincero: quase sempre não tem.

As constelações familiares não têm nenhum respaldo científico.

Não curam nada.

Elas são o resultado de uma doutrinação sectária formada em torno de um guru. Perpetuam uma visão familiar e social reacionária permitindo que instituições arcaicas e cada vez mais segregacionistas possam vir a constituir as bases e os alicerces de um pensamento reducionista e cada vez mais preconceituoso.

Quem estiver fazendo esse tipo de terapia, não hesite em deixar o tratamento, porque está diante de um trapaceiro. Relato com todas as letras e fonemas. E olha que li muito sobre o tema, antes de escrever este artigo.

Bem, estou disposto a conversar sobre o tema, você pode deixar sua opinião nos comentários logo abaixo, mas vou logo avisando, comentários de baixo nível não serão validados.

Você caro leitor, pode até criticar, discordar do que apresentei aqui, mas com tanto que seja com embasamento e que mantenha o nível da conversa, afinal este é um blog de respeito. Sempre procurei manter o nível em nossos diálogos.

Tudo que faço neste espaço é para que tenhamos um cordial e amplo debate. O que você considera a respeito do assunto? Deixe sua opinião, terei o maior prazer em responder.

Até a próxima.

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PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 16

abril 22, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments


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A SÍNDROME DE GABRIELA, CRAVO E CANELA

abril 19, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments



Olá caro leitor deste blog, a postagem de hoje será sobre a síndrome de Gabriela, cravo e canela... Mas antes gostaria de agradecer sobre a postagem sobre o domingo de páscoa, o soneto que elaborei rendeu quase 1400 visualizações num único dia, essa marca sinceramente leitor é sensacional, representa muito para mim diante de tudo que está acontecendo, é muito significativa. Fiz um print justamente do alcance da postagem, confira abaixo. E que se possível escute a música do tema de Gabriela interpretada por Gal Costa.




Gabriela Cravo e Canela é um dos romances mais célebres de Jorge Amado e representa um momento de mudança na produção literária do autor. Se numa primeira fase o romancista abordou temas em que a preocupação social sobressaía, posteriormente sua obra caracteriza-se por uma crônica de costumes, deliciosamente marcada por tipos populares, poderosos coronéis e mulheres sensuais. Dona Flor e Tereza Batista, personagens, respectivamente, dos romances Dona Flor e seus dois maridos e Tereza Batista cansada de guerra são figuras típicas dessa fase.

Se desde o primeiro momento a prosa de Jorge Amado é recheada de tipos característicos que representam a gente da sua terra, a partir de Gabriela o autor reforça ainda mais uma perspectiva popular e não tem medo de abusar da linguagem simples e do tom coloquial na construção de sua narrativa, fato que lhe proporciona cair nas graças do grande público.

Trata-se de uma história de amor entre Gabriela, a morena feita de cravo e canela, que conquista o amor do árabe Nacib e desafia os costumes de sua época. O romance é ambientado na Ilhéus dos anos 1920, uma cidade do interior baiano que passa por súbitas transformações graças à riqueza que a cultura do cacau está trazendo para a região.

Na verdade o que eu desejo trazer nesta postagem não é sobre literatura, mas sim a essência da mensagem da obra de Jorge Amado, em relação a música que abre esta postagem modinha para Gabriela magistralmente interpretada por Gal Costa, inclusive uma curiosidade: Jorge Amado bateu o pé e desejava que somente Gal Costa interpretasse a canção.

Mas muito bem, curiosidade à parte, como ia dizendo o que desejo realmente é mostrar o que diz a modinha... 

Eu nasci assim eu cresci assim, eu sou mesmo assim vou ser sempre assim... Gabriela...

Ou seja, mostra a famosa síndrome de Gabriela, aquela pessoa que não está aberta às mudanças e que é irredutível, que não deseja melhorar seja em que ambiente for.

A síndrome de Gabriela caracteriza-se justamente por essa característica. Muitos não conseguem enxergar um rumo para a vida e não conseguem transformá-la para suas nuances, para o que a vida realmente oferece.

Ser irredutível acredito não ser a melhor opção. Devemos a meu ver procurar ser maleáveis, procurar o melhor caminho, não é porque nascemos de uma certa maneira e cotidianamente colocamos em nossas cabeças que somos daquele jeito e pronto, está tudo acabado. Definido.

Acredito que essa é a síndrome de Gabriela. As pessoas acreditam que não precisam mudar, é isso, ou que não precisam se adaptar a situações que não lhe agradam. As pessoas ficam eternamente em suas zonas de conforto.

E meu caro, zona de conforto é algo que não deve nos pertencer.

Essa zona nos paralisa, nos deixa incrivelmente a esmo na vida.

É por isso que Gabriela deve existir somente na trama de Jorge Amado e na canção de Dorival Caymmi interpretada por Gal Costa, de outro modo ela poderia nos seduzir com sua beleza brejeira e nos deixar entoando a música e assim ficarmos paralisados diante de tudo, diante da vida.

Até a próxima.

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PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 15

abril 14, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments


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PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 14

abril 07, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments


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PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 13

abril 04, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments


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AS MARAVILHAS DA LOGOTERAPIA – POR VIKTOR FRANKL | FILOSOFANDO

abril 04, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments



Hoje irei abordar o tema Logoterapia, de Viktor Frankl.

A logoterapia também é conhecida como a “terceira escola de psicologia de Viena”. A primeira escola de psicologia foi a de Sigmund Freud, a segunda foi a de Adler, e a terceira é a escola fundada por Viktor Frankl.

Sigmund Freud definia o homem como um ser orientado para o “prazer”. Adler o definia como um ser dirigido para o “poder”. V. Frankl tinha a visão do homem como um ser dirigido para o “sentido”.

Viktor Emil Frankl nasceu em Viena no dia 26 de março de 1905. Sobreviveu à experiência de quatro campos de concentração, incluindo Auschwitz. Desde pequeno mostrou interesse pelo estudo da medicina e das ciências naturais, mas mantinha uma opinião muito crítica diante dos posicionamentos reducionistas.

Sua vocação surgiu muito cedo e sua busca pelo sentido se iniciou muito antes do acontecimento do Holocausto. Durante esse período, escreveu seu livro mais famoso, “Em busca de sentido”. 

V. Frankl estava convencido de que o que nos torna únicos é o espírito humano. Reduzir a vida e a natureza ao “nada”, como faziam muitos filósofos e psiquiatras da época, não era o pensamento mais adequado.

Aos 19 anos, ele já havia desenvolvido a suas duas ideias fundamentais.Em primeiro lugar, de que devemos responder à pergunta sobre o sentido de nossas vidas, já que somos responsáveis pela nossa existência. Em segundo lugar, de que esse sentido se encontra além da nossa compreensão e assim deve permanecer. Trata-se de algo no qual devemos ter fé.

A experiência de V. Frankl nos campos de concentração lhe permitiu constatar que o ser humano tem a capacidade de encontrar um significado, um sentido para qualquer circunstância da vida, mesmo nos momentos mais absurdos e dolorosos.

Em sua obra “Em busca de sentido”, V. Frankl escreveu sobre suas experiências nos campos de concentração (Türkhein, Kaufering, Theresienstad e Auschwitz). Ele descreveu os maus-tratos sofridos pelos prisioneiros, mas também escreveu sobre a beleza do espírito humano. Em definitiva, o livro trata de como transcender o horror e encontrar sentido inclusive nas circunstâncias mais terríveis.

Como disse, a logoterapia é reconhecida como a terceira escola vienense de psicoterapia, e foi fundada por Viktor Frankl. Foi conhecida em todo o mundo durante os anos 40. A logoterapia propõe um método de superação dos conflitos humanos que geram sofrimento.

A logoterapia permite encontrar sentido nas situações difíceis e que causam dor. Desta forma, elas se transformam em oportunidades de crescimento para as pessoas que as vivenciam.

Este método, concentrado nas vivências dos valores, nos permite encontrar sentido em todos os acontecimentos da vida, dando-nos a possibilidade, portanto, de viver uma vida plena.

Na logoterapia, as conquistas fazem referência ao “sentido”, ao “significado”, a algo que o ser humano busca sempre diante das circunstâncias do destino.
Desta forma, a logoterapia significa terapia por meio do “sentido” ou do “significado”.

Os três princípios ou pilares básicos da logoterapia são os seguintes:

1.    Liberdade de vontade;
2.    Vontade de sentido;
3.    Sentido de vida.

De todas as formas, a vida sempre conservará, até o final, um sentido oculto e uma convocatória indispensável e permanente para que seja descoberto e realizado. 

Estes são os três princípios fundamentais da logoterapia de Viktor Frankl.

Como já vimos, trata-se de uma visão humanística-existencial do ser humano que pode ser difícil de compreender se não estivermos familiarizados com o existencialismo. No entanto, a verdade é que o esforço vale a pena quando pensamos na forma como isso pode contribuir para a nossa estrutura de vida.

Esse foi o Filosofando de hoje, até a próxima.

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PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 12

abril 01, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments


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