UM AUTORITARISMO TUPINIQUIM

janeiro 07, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments



Já faz certo tempo que não escrevo aqui na seara da internet, mais precisamente neste blog. Agora de volta, pretendo mais do que nunca estar mais afiado do que antigamente.

O tema de hoje será sobre o autoritarismo brasileiro.

Um autoritarismo tupiniquim.

A antiga imagem de país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza que o grande Jorge Bem Jor canta em sua canção e que somos altamente civilizados e brandos não passa de mera pilheria.

Eu costumo até falar com os meus mais próximos que o Brasil sempre esteve envolto por uma névoa cinzenta que destrói essa imagem pacata, cordial e ordeira.

Presenciamos o surgimento de uns tempos pra cá de um novo populismo, a meu ver claro, um populismo autoritário, onde na figura de um “mito” tudo pode ser resolvido.

Esse autoritarismo está presente hoje em diversos países: na Turquia de Recep Tayyip Erdogan; na Polônia, de Andrzej Duda; na Hungria; de Viktor Orbán; na Itália; de Matteo Salvini; na Venezuela; de Nicolás Maduro; nas Filipinas de Filipe Duterte; nos Estados Unidos de Donald Trump e em Israel de Benjamin Netanyahu.

É uma manifestação global, pelo que podemos observar.

E aqueles que eram vistos como adversários hoje são vistos como inimigos. Os inimigos mais nefastos à atual política brasileira são intelectuais, as universidades, os professores e a ciência.

Os chamados inimigos internos. Levam esta alcunha.

No âmbito dos costumes, prega-se um retorno à sociedade patriarcal – em seus conceitos de hierarquia e ordem. No campo da política, torna-se frequente o estímulo ao uso da polícia do estado ou, se preciso, de milícias para, se preciso, reprimir adversários políticos transformados em inimigos.

Transformamo-nos em marionetes conservadoras, nas quais elementos de um cruel passado continua a ser reconstituído de forma altamente violenta.

Onde questões de gênero são demonizadas e minorias são atacadas.

Segundo minhas pesquisas temos 8 eixos centrais que fazem com que o Brasil continue a ser um atraso em matéria de civilidade e humanidade.

Vamos a eles:

1 – Escravidão
2 – Mandonismo
3 – Patrimonialismo
4 – Corrupção
5 – Desigualdade social
6 – Violência
7 – Raça e gênero
8 – Intolerância

1 – Escravidão

O Brasil simplesmente foi o último país das Américas a abolir o trabalho escravo, foram milhões, salvo engano mais de 12 milhões de pessoas que foram sequestradas e mandadas direto para as Américas. Além de ser amparada pela legalidade, a escravidão moldou condutas e definiu desigualdades sociais. E o seu fim não representou igualdades sociais, muito pelo contrário, a liberdade é negra, mas a igualdade é branca. Estamos muito longe ainda da igualdade racial. Basta observar as estatísticas e fazer as devidas comparações.

2 – Mandonismo

O patriarcalismo e a figura do masculino foram realocados desde o período colonial à república Velha e Nova. Só tivemos uma nova nomenclatura de um para outro. E se alastraram com o voto de cabresto a questão do mandonismo. O “mandonismo político, cultural e social” se expressa em todos os quesitos que discriminam a igualdade social, de renda e de propriedade.

3 – Patrimonialismo

A lógica dos latifúndios. Já escrevi sobre esse assunto



4 – Corrupção

Já argumentei sobre esse tema aqui.


5 – Desigualdade Social

Um gatilho puxa o outro.
Mão de obra escrava, divisão latifundiária da terra, corrupção e patrimonialismo, em grandes doses, explicam os motivos que fizeram do país uma realidade desigual.
O que verdadeiramente nos atrasa é uma educação deficitária. Acredito que o verdadeiro caminho é uma educação de qualidade.

6 – Violência

Também já foi tratado aqui no blog.



7 – Raça e gênero

Os marcadores sociais não mentem, pelo menos não eram para mentir. Os marcadores sociais de raça e gênero têm capacidade de produzir diversas formas de hierarquia e subordinação na sociedade brasileira. Ela demonstra que as desigualdades socioeconômicas e a violência estão aglutinadas em torno da raça, do gênero, geração e da região. Esses dados provam a existência consentida de práticas de exclusão, pois naturalizam a violência cotidiana.


8 – Intolerância

Houve no Brasil uma mudança nos padrões de comportamento, o que tende a se acentuar em tempos de crise econômica, social e cultural, violência e polarização política. Como disse, um gatilho puxa o outro, a perpetuação desses variados gatilhos possibilitou uma sociedade autoritária e discriminatória.

Para finalizar

É impossível não salientar os papéis desses gatilhos, desses eixos, na sociedade brasileira. Todos eles de forma randômica, vamos por assim dizer, contribuíram para o entrelaçamento da nossa atual sociedade.

É essa sociedade brasileira a qual participamos, como explicitado, sem o verniz da boa conduta que nos torna altamente autoritários, pois não temos somente o pé na senzala, temos o corpo inteiro. Temos uma culpa que iremos carregar pelo resto da vida.

E o que vem sendo atacada de forma sistemática é a educação.

Ela é o esteio que garantirá sair do fundo do poço.

Mas que vem sendo atacada de forma vil.

Esses foram alguns questionamentos levantados por mim, Randerson Figueiredo, para marcar meu retorno a este blog. Como bem disse Darcy Ribeiro: A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto.  

Até a próxima.

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