COMO UM GIRASSOL AMARELO – SOBRE O CORDÃO DE GIRASSOL - POSTAGEM ESPECIAL
agosto 09, 2023
Randerson Figueiredo
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agosto 09, 2023 Randerson Figueiredo 0 Comments
Hoje
estou aqui para indicar algo bem bacana.
Estou
a falar do cordão de girassol, um símbolo muito interessante que foi criado em
2016 pelos funcionários do aeroporto Gatwick em Londres.
Assim
como o cordão utilizado pelos que possuem transtorno global do espectro
autismo, cordão azul com quebra-cabeças coloridos, o cordão de girassol tem
como simbologia um cordão verde repleto de girassóis.
É
um símbolo de apoio aos que enfrentam deficiências ocultas.
O
uso dessa simbologia ajuda a conscientizar a sociedade sobre as dificuldades de
se lidar com tais transtornos: psíquicos e/ou físicos.
Inspirado
na beleza e resiliência dos girassóis, esse cordão representa solidariedade e
compreensão. Eu sinceramente acredito ser muito válido, eu já estou a usar o
meu.
Para
quem não sabe eu tenho um transtorno de natureza mental: transtorno bipolar de
humor. Junto com a esquizofrenia é considerado um transtorno de natureza oculta
e psíquica.
Além
disso, o cordão possibilita a identificação e a conexão entre pessoas que
possuem essas mesmas condições, permitindo a formação de redes de apoio e
proporcionando um senso de pertencimento.
O
item também representa empoderamento (não curto muito essa palavra, considero
problemática demais, mas nesse caso tá valendo).
Ele
simboliza a força e a resiliência daqueles que vivenciam o autismo e as
deficiências ocultas, encorajando-os a abraçar sua individualidade e
expressar-se livremente, sem medo de serem julgados ou estigmatizados.
E
quem pode usar esse cordão?
Geralmente,
quem usa o acessório são as pessoas com deficiências ocultas e/ou invisíveis,
que são condições de saúde que não são facilmente identificadas ou visíveis
externamente.
As
condições são inúmeras:
Transtorno
do Espectro Autista (TEA);
Transtornos
de ansiedade;
Transtorno
de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH);
Transtornos
de humor;
Doenças
crônicas;
Problemas
de saúde mental;
Entre
outros...
Eu
acredito que é muito importante utilizar dessa simbologia para tentar conscientizar e
aceitar pessoas que não sofrem com sintomas visíveis, mas que são ocultas,
podendo causar uma série de dificuldades na sua vida.
O
uso desse cordão tem sido uma maneira de promover a conscientização e a
aceitação dessas deficiências, buscando criar uma sociedade mais inclusiva e
acolhedora.
E
é lei.
Em
17 de julho de 2023, foi promulgada uma nova alteração na Lei Brasileira de
Inclusão, que traz uma importante mudança:
A
partir de agora, o cordão de girassol, que simboliza as “deficiências ocultas”,
passa a ser reconhecido como um símbolo nacional de identificação para pessoas
com esse tipo de deficiência. Essa modificação está registrada no Artigo 2º-A
da LBI.
É
importante ressaltar que o uso do cordão de girassol é opcional, e sua ausência
não afeta o direito ao exercício dos direitos e garantias previstos em lei.
Além
disso, é válido destacar que o uso do símbolo não dispensa a apresentação de um
documento comprobatório da deficiência, caso seja solicitado pelo atendente ou
pela autoridade competente.
No
Brasil, antes mesmo de ser lei nacional, alguns estados já haviam criado leis
que reconhecem a importância do uso do cordão do girassol, e que auxiliam no
processo de distribuição gratuita para pessoas que se enquadram no uso dele.
Sinceramente
eu acredito ser muito válida a luta pela conscientização e aceitação das
diferenças, muito mesmo. Hoje passei a utilizar verdadeiramente o cordão de
girassol.
E
será a partir de hoje uma constante em minha vida.
Sempre
lutei pela conscientização da diversidade, escrevi até livro sobre o assunto em
2015 (Desconfiei de quem não deveria – Editora Premius – Fortaleza/CE), essa
para mim sempre foi uma causa pela qual lutei ativamente.
Sempre.
E sempre será. Até eu morrer.
Então
essas são as minhas considerações sobre esse cordão.
Mais
do que isso, são as minhas considerações sobre a minha inserção na sociedade.
Com calma, com paciência e sobriedade um dia poderemos conseguir uma sociedade
mais humanizada, mais segura e consciente das suas responsabilidades junto aos
seus.
Eu
acredito piamente nisso, acredito que um dia chegaremos lá. Pode não ser agora,
pode não ser amanhã e nem daqui a dez anos, mas em algum momento o sol brilhará,
a fazer o girassol se voltar para a janela em busca de luz, de sentido e
vitalidade.
Até
a próxima, se Deus quiser.
O GRANDE FILHO DA OUTRA – UMA MISOGINIA ESCANCARADA
agosto 02, 2023
Randerson Figueiredo
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agosto 02, 2023 Randerson Figueiredo 0 Comments
A
postagem de hoje será bem reflexiva e amplamente filosófica.
Eu
sempre me questionei sobre a alcunha do chamado “palavrão”: filho da puta. Esse
palavrão sempre me soou estranho, bastante, muito mesmo.
Muitas
pessoas veem nesse palavrório chulo algo que possa macular, denegrir a imagem
de outrem. Será que realmente essa palavra pode realmente manchar a imagem de
uma pessoa?
E
o mais curioso é que sempre para manchar a imagem da mulher.
É
a puta, a vadia, a piranha e mais recentemente a piriguete! Termos
essencialmente voltados ao universo feminino que escancaram nosso preconceito
tão visceral de cada dia.
E
isso sempre me deixou encafifado. Pensativo. Reflexivo.
O
porquê da mulher ser tão vítima, ser tão achincalhada e rebaixada de forma tão
sórdida por nós homens? Eu nunca consegui encontrar a resposta dessa questão.
O
termo filho da puta remete a algo
baixo, a algo pejorativo e triste.
É
como se as mulheres que praticam a atividade mais antiga da sociedade fossem
diretamente pro quinto dos infernos. Eu sinceramente não vejo por esse lado.
Será
que a eterna guerra dos sexos que se arrasta por milênios terá como ponto
culminante a inveja? De nossa parte, claro, dos homens. Essa é uma das razões
que procuro observar.
Sim,
porque as mulheres são muito mais competentes e determinadas do que nós, isso
não é mais nenhuma novidade, o que se apregoa é o fato de nós homens não
entendermos isso de uma vez por todas.
Os
grandes vilões da história somos nós, homens. Fato!
Porque
cargas d’água passamos a perseguir mulheres que utilizam como expediente
laboral o seu corpo como ganha-pão? Utilizando uma expressão péssima como
referência sintomática de poder falocêntrico?
A
meu ver isso me cheira a misoginia.
No
fundo no fundo nós homens só enxergamos as mulheres como meros aparelhos
reprodutores, como meros objetos sexuais e não como companheiras, como
parceiras e como mulher mesmo.
A
realidade é que inconscientemente buscamos uma nova mãe para nossas frustrações,
arrependimentos e recalques. Ninguém mexe na mulher que tenho em casa, mas eu
posso mexer com qualquer mulher que tá na rua.
Esse
é o pensamento retrógrado que muitos homens dissipam por aí.
Essa
ideia atrasada e cáustica reverbera no machismo estrutural e no sistema que
vela nosso sono dia após dia: o patriarcado. Algo aterrador e muito
problemático.
A
mulher que trabalha como profissional do sexo, tem o direito de ser quem ela
quiser. É um trabalho. Não deixa de ser um trabalho. E tem que ser respeitada.
Sempre!
Agora
colocar na cabeça medíocre de um homem de
neanderthal aí é que mora o perigo, porque pra esse homem, ele pode agir
como bem entender já que está pagando, tudo vale.
Sabe
leitor, sendo bem sincero, e quem me conhece sabe que sou profundamente
sincero, nas rodas de amigos e familiares nunca me senti bem com piadas e falas
desconexas envolvendo grupos que merecem todo nosso respeito: negros, lgbtqia+,
prostitutas e dentre outros.
Aqui
e acolá, dentro do próprio seio familiar ouvia falas pejorativas. Hoje já consigo me manifestar, antigamente não me manifestava não por querer, mas acredito que pela idade, era uma criança.
Isso
sempre me entristecia, era o cabelo de um negro que era crespo e já virava
motivo de chacota, um gay diziam que necessitava sair do armário (sendo que a
pessoa que falava havia na família homossexual, o filho desse cidadão é homossexual,
e ele nunca quis assumir o filho pra sociedade) e com profissionais do sexo não
era diferente, era chamada de vagabunda/meretriz pra baixo.
Nós
não podemos admitir isso, jamais.
Voltando
a falar da mulher, que trabalha como profissional do sexo, muitas vezes não
realiza esse trabalho porque quer, muitas vezes é por necessidade.
Quando
ela engravida, o primeiro a fugir é o homem, o pai.
E
o mais interessante: ela, a mãe, sabe de quem é o filho, mas o bocó do homem
não sabe se é o pai daquela criança. Curioso não é? Eu sempre achei isso muito
curioso.
Para
não dizer que não falei das flores: Freud uma vez disse que estamos
engatinhando no nosso processo evolutivo psíquico. Eu vejo isso como uma
verdade irrefutável. E acredito que essse engatinhar será por um longo período.
Quando
fugimos das nossas responsabilidades aí sim, somos os verdadeiros filhos da
puta (no sentido bem podre da palavra), não o filho que acabara de nascer e que
poderá ofertar àquela mãe um novo sopro, um novo ânimo. Ou não.
Passamos
a nos esconder com um verniz chamado hipocrisia.
Agora
também tem mulheres que gostam de trabalhar com prostituição, qual o problema?
São bonitas, sexys e verdadeiras. Também não vejo nenhum problema nisso, quando
os limites da razão ultrapassam os limites da emoção.
Elas
sentem prazer ofertando prazer. Isso é maravilhoso.
É
como costumo dizer:
Ao
vendar os olhos dos santos o pecado desaparece.
–
Randerson Figueiredo
Essa
questão de culpa, de pecado e outras cositas más que a Igreja ama colocar em
nossa alma, devemos deixar junto ao padre no confessionário, isso se você for
católico, se não for, melhor ainda. É bom que não tem pecado, não tem culpa,
padre... Não tem nada. Foi com os ditames da Igreja e medicina que todo esse imbróglio envolvendo as mulheres começou.
Devemos
sempre estar dispostos a abrir nossa consciência.
Devemos
nos livrar de tudo que é ruim, de atrasado e subjugado em nossas vidas. De um
preconceito cujo cerne parte da ignorância. De um raciocínio que não nos ajuda
em nada.
Então
esse ímpeto de vociferar com alguém esse palavrório chulo não passa de uma
misoginia escancarada. Filho de alguém que nada vale nessa vida. E sabemos que
isso não é verdade, haja vista todo o texto desenvolvido por este que vos
escreve.
O
verdadeiro filho da puta (com sentido pejorativo) é o homem, esse sim, é um
grande filho da outra, pois já não vale ser filho da santa devido a não assumir
quem de fato nós somos.
Então
a postagem de hoje como mencionei foi mais reflexiva.
Será
que realmente estamos corretos em apontar, em julgar e denegrir a imagem de
quem quer que seja?
Millôr
certa feita disse: como
são admiráveis as pessoas as quais não conhecemos bem. Eu acredito que ele foi muito feliz
nessa assertiva, nesse pensamento.
Deixar
de acreditar que os corpos das mulheres representam algo sujo, ruim, pecaminoso
e perigoso. Isso a meu ver é uma projeção do lado psicológico feminino do homem
mal aplicado na mulher.
Então
vamos deixar de hipocrisia barata, de bobagem e vamos direto ao que interessa.
Os grandes vilões da história não são as mulheres, muito pelo contrário, somos
nós – homens.
Para finalizar um pensamento da filósofa Simone de Beauvoir:
Até
a próxima, se Deus quiser.
REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA
Editora:
Paulus Editora; 1ª edição (1 janeiro 1997)
Autora: Nancy Qualls-Corbett
Idioma:
Português
Capa
comum: 224 páginas
ISBN-10:
8534902402
ISBN-13:
978-8534902403
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