PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 130

agosto 14, 2023 Randerson Figueiredo 0 Comments

 

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COMO UM GIRASSOL AMARELO – SOBRE O CORDÃO DE GIRASSOL - POSTAGEM ESPECIAL

agosto 09, 2023 Randerson Figueiredo 0 Comments

 

Hoje estou aqui para indicar algo bem bacana.

 

Estou a falar do cordão de girassol, um símbolo muito interessante que foi criado em 2016 pelos funcionários do aeroporto Gatwick em Londres.

 

Assim como o cordão utilizado pelos que possuem transtorno global do espectro autismo, cordão azul com quebra-cabeças coloridos, o cordão de girassol tem como simbologia um cordão verde repleto de girassóis.

 

É um símbolo de apoio aos que enfrentam deficiências ocultas.

 

O uso dessa simbologia ajuda a conscientizar a sociedade sobre as dificuldades de se lidar com tais transtornos: psíquicos e/ou físicos.

 

Inspirado na beleza e resiliência dos girassóis, esse cordão representa solidariedade e compreensão. Eu sinceramente acredito ser muito válido, eu já estou a usar o meu.

 

Para quem não sabe eu tenho um transtorno de natureza mental: transtorno bipolar de humor. Junto com a esquizofrenia é considerado um transtorno de natureza oculta e psíquica.

 

Além disso, o cordão possibilita a identificação e a conexão entre pessoas que possuem essas mesmas condições, permitindo a formação de redes de apoio e proporcionando um senso de pertencimento.

 

O item também representa empoderamento (não curto muito essa palavra, considero problemática demais, mas nesse caso tá valendo).


Ele simboliza a força e a resiliência daqueles que vivenciam o autismo e as deficiências ocultas, encorajando-os a abraçar sua individualidade e expressar-se livremente, sem medo de serem julgados ou estigmatizados.

 

E quem pode usar esse cordão?

 

Geralmente, quem usa o acessório são as pessoas com deficiências ocultas e/ou invisíveis, que são condições de saúde que não são facilmente identificadas ou visíveis externamente.

 

As condições são inúmeras:

 

Transtorno do Espectro Autista (TEA);

Transtornos de ansiedade;

Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH);

Transtornos de humor;

Doenças crônicas;

Problemas de saúde mental;

Entre outros...

 

Eu acredito que é muito importante utilizar dessa simbologia para tentar conscientizar e aceitar pessoas que não sofrem com sintomas visíveis, mas que são ocultas, podendo causar uma série de dificuldades na sua vida.

 

O uso desse cordão tem sido uma maneira de promover a conscientização e a aceitação dessas deficiências, buscando criar uma sociedade mais inclusiva e acolhedora.

 

E é lei.

 

Em 17 de julho de 2023, foi promulgada uma nova alteração na Lei Brasileira de Inclusão, que traz uma importante mudança:

 

A partir de agora, o cordão de girassol, que simboliza as “deficiências ocultas”, passa a ser reconhecido como um símbolo nacional de identificação para pessoas com esse tipo de deficiência. Essa modificação está registrada no Artigo 2º-A da LBI.

 

É importante ressaltar que o uso do cordão de girassol é opcional, e sua ausência não afeta o direito ao exercício dos direitos e garantias previstos em lei.

 

Além disso, é válido destacar que o uso do símbolo não dispensa a apresentação de um documento comprobatório da deficiência, caso seja solicitado pelo atendente ou pela autoridade competente.

 

No Brasil, antes mesmo de ser lei nacional, alguns estados já haviam criado leis que reconhecem a importância do uso do cordão do girassol, e que auxiliam no processo de distribuição gratuita para pessoas que se enquadram no uso dele.

 

Sinceramente eu acredito ser muito válida a luta pela conscientização e aceitação das diferenças, muito mesmo. Hoje passei a utilizar verdadeiramente o cordão de girassol.

 

E será a partir de hoje uma constante em minha vida.

 

Sempre lutei pela conscientização da diversidade, escrevi até livro sobre o assunto em 2015 (Desconfiei de quem não deveria – Editora Premius – Fortaleza/CE), essa para mim sempre foi uma causa pela qual lutei ativamente.

 

Sempre. E sempre será. Até eu morrer.

 

Então essas são as minhas considerações sobre esse cordão.

 

Mais do que isso, são as minhas considerações sobre a minha inserção na sociedade. Com calma, com paciência e sobriedade um dia poderemos conseguir uma sociedade mais humanizada, mais segura e consciente das suas responsabilidades junto aos seus.

 

Eu acredito piamente nisso, acredito que um dia chegaremos lá. Pode não ser agora, pode não ser amanhã e nem daqui a dez anos, mas em algum momento o sol brilhará, a fazer o girassol se voltar para a janela em busca de luz, de sentido e vitalidade.

 

Até a próxima, se Deus quiser.

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PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 129

agosto 09, 2023 Randerson Figueiredo 0 Comments

 


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O GRANDE FILHO DA OUTRA – UMA MISOGINIA ESCANCARADA

agosto 02, 2023 Randerson Figueiredo 0 Comments

 

A postagem de hoje será bem reflexiva e amplamente filosófica.

 

Eu sempre me questionei sobre a alcunha do chamado “palavrão”: filho da puta. Esse palavrão sempre me soou estranho, bastante, muito mesmo.

 

Muitas pessoas veem nesse palavrório chulo algo que possa macular, denegrir a imagem de outrem. Será que realmente essa palavra pode realmente manchar a imagem de uma pessoa?

 

E o mais curioso é que sempre para manchar a imagem da mulher.

 

É a puta, a vadia, a piranha e mais recentemente a piriguete! Termos essencialmente voltados ao universo feminino que escancaram nosso preconceito tão visceral de cada dia.

 

E isso sempre me deixou encafifado. Pensativo. Reflexivo.

 

O porquê da mulher ser tão vítima, ser tão achincalhada e rebaixada de forma tão sórdida por nós homens? Eu nunca consegui encontrar a resposta dessa questão.

 

O termo filho da puta remete a algo baixo, a algo pejorativo e triste.

 

É como se as mulheres que praticam a atividade mais antiga da sociedade fossem diretamente pro quinto dos infernos. Eu sinceramente não vejo por esse lado.

 

Será que a eterna guerra dos sexos que se arrasta por milênios terá como ponto culminante a inveja? De nossa parte, claro, dos homens. Essa é uma das razões que procuro observar.


Sim, porque as mulheres são muito mais competentes e determinadas do que nós, isso não é mais nenhuma novidade, o que se apregoa é o fato de nós homens não entendermos isso de uma vez por todas.

 

Os grandes vilões da história somos nós, homens. Fato!

 

Porque cargas d’água passamos a perseguir mulheres que utilizam como expediente laboral o seu corpo como ganha-pão? Utilizando uma expressão péssima como referência sintomática de poder falocêntrico?

 

A meu ver isso me cheira a misoginia.

 

No fundo no fundo nós homens só enxergamos as mulheres como meros aparelhos reprodutores, como meros objetos sexuais e não como companheiras, como parceiras e como mulher mesmo.

 

A realidade é que inconscientemente buscamos uma nova mãe para nossas frustrações, arrependimentos e recalques. Ninguém mexe na mulher que tenho em casa, mas eu posso mexer com qualquer mulher que tá na rua.

 

Esse é o pensamento retrógrado que muitos homens dissipam por aí.

 

Essa ideia atrasada e cáustica reverbera no machismo estrutural e no sistema que vela nosso sono dia após dia: o patriarcado. Algo aterrador e muito problemático.

 

A mulher que trabalha como profissional do sexo, tem o direito de ser quem ela quiser. É um trabalho. Não deixa de ser um trabalho. E tem que ser respeitada. Sempre!

 

Agora colocar na cabeça medíocre de um homem de neanderthal aí é que mora o perigo, porque pra esse homem, ele pode agir como bem entender já que está pagando, tudo vale.

 

Sabe leitor, sendo bem sincero, e quem me conhece sabe que sou profundamente sincero, nas rodas de amigos e familiares nunca me senti bem com piadas e falas desconexas envolvendo grupos que merecem todo nosso respeito: negros, lgbtqia+, prostitutas e dentre outros.

 

Aqui e acolá, dentro do próprio seio familiar ouvia falas pejorativas. Hoje já consigo me manifestar, antigamente não me manifestava não por querer, mas acredito que pela idade, era uma criança.

 

Isso sempre me entristecia, era o cabelo de um negro que era crespo e já virava motivo de chacota, um gay diziam que necessitava sair do armário (sendo que a pessoa que falava havia na família homossexual, o filho desse cidadão é homossexual, e ele nunca quis assumir o filho pra sociedade) e com profissionais do sexo não era diferente, era chamada de vagabunda/meretriz pra baixo.

 

Nós não podemos admitir isso, jamais.

 

Voltando a falar da mulher, que trabalha como profissional do sexo, muitas vezes não realiza esse trabalho porque quer, muitas vezes é por necessidade.

 

Quando ela engravida, o primeiro a fugir é o homem, o pai.

 

E o mais interessante: ela, a mãe, sabe de quem é o filho, mas o bocó do homem não sabe se é o pai daquela criança. Curioso não é? Eu sempre achei isso muito curioso.

 

Para não dizer que não falei das flores: Freud uma vez disse que estamos engatinhando no nosso processo evolutivo psíquico. Eu vejo isso como uma verdade irrefutável. E acredito que essse engatinhar será por um longo período.

 

Quando fugimos das nossas responsabilidades aí sim, somos os verdadeiros filhos da puta (no sentido bem podre da palavra), não o filho que acabara de nascer e que poderá ofertar àquela mãe um novo sopro, um novo ânimo. Ou não.

 

Passamos a nos esconder com um verniz chamado hipocrisia.

 

Agora também tem mulheres que gostam de trabalhar com prostituição, qual o problema? São bonitas, sexys e verdadeiras. Também não vejo nenhum problema nisso, quando os limites da razão ultrapassam os limites da emoção.

 

Elas sentem prazer ofertando prazer. Isso é maravilhoso.

 

É como costumo dizer:

 

Ao vendar os olhos dos santos o pecado desaparece.

– Randerson Figueiredo

 

Essa questão de culpa, de pecado e outras cositas más que a Igreja ama colocar em nossa alma, devemos deixar junto ao padre no confessionário, isso se você for católico, se não for, melhor ainda. É bom que não tem pecado, não tem culpa, padre... Não tem nada. Foi com os ditames da Igreja e medicina que todo esse imbróglio envolvendo as mulheres começou.

 

Devemos sempre estar dispostos a abrir nossa consciência.

 

Devemos nos livrar de tudo que é ruim, de atrasado e subjugado em nossas vidas. De um preconceito cujo cerne parte da ignorância. De um raciocínio que não nos ajuda em nada.

 

Então esse ímpeto de vociferar com alguém esse palavrório chulo não passa de uma misoginia escancarada. Filho de alguém que nada vale nessa vida. E sabemos que isso não é verdade, haja vista todo o texto desenvolvido por este que vos escreve.


O verdadeiro filho da puta (com sentido pejorativo) é o homem, esse sim, é um grande filho da outra, pois já não vale ser filho da santa devido a não assumir quem de fato nós somos.

 

Então a postagem de hoje como mencionei foi mais reflexiva.

 

Será que realmente estamos corretos em apontar, em julgar e denegrir a imagem de quem quer que seja?

 

Millôr certa feita disse: como são admiráveis as pessoas as quais não conhecemos bem. Eu acredito que ele foi muito feliz nessa assertiva, nesse pensamento.

 

Deixar de acreditar que os corpos das mulheres representam algo sujo, ruim, pecaminoso e perigoso. Isso a meu ver é uma projeção do lado psicológico feminino do homem mal aplicado na mulher.

 

Então vamos deixar de hipocrisia barata, de bobagem e vamos direto ao que interessa. Os grandes vilões da história não são as mulheres, muito pelo contrário, somos nós – homens.

 

Para finalizar um pensamento da filósofa Simone de Beauvoir: Ninguém é mais arrogante em relação às mulheres, mais agressivo ou desdenhoso, do que o homem que duvida de sua virilidade.

 

Até a próxima, se Deus quiser.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

A PROSTITUTA SAGRADA – A FACE ETERNA DO FEMININO

Editora: ‎Paulus Editora; 1ª edição (1 janeiro 1997)

Autora: Nancy Qualls-Corbett

Idioma: ‎Português

Capa comum: ‎224 páginas

ISBN-10: 8534902402

ISBN-13: ‎978-8534902403

Dimensões: ‎19.8 x 12.8 x 1.4 cm

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PENSAMENTOS ESCOLHIDOS # 128

agosto 02, 2023 Randerson Figueiredo 0 Comments

 


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