ESPELHO QUEBRADO

maio 29, 2016 Randerson Figueiredo 0 Comments



Comparo nossa vida com um espelho. Dessa forma, nossas atitudes influenciam quem está ao nosso redor, positiva ou negativamente referente da forma como agimos. Refletimos isso.

O agir... A o agir. A ação que nos completa é justamente tentar limpar o espelho do outro, assim como fazemos com nossos espelhos, substantivamente e espiritualmente falando vamos por assim dizer.

De preferência com jornal e álcool começamos a limpar aquele objeto imundo que não mais reflete com clareza nossas inquietudes e anseios mais recônditos.

O espelho está mais que sujo e embaçado, vem uma ventania e quebra-o com toda força, lançando-o ao chão, despedaçando-o por inteiro. Resta agora cacos que refletem não mais todos de uma parte, mas sim partes do todo.

E esse mesmo espelho que está quebrado nos mostra o quanto dificultamos a vida, ou mesmo o quanto ela é dificultosa diante de mim e diante do outro que se vê num retalho de espelho.

Colar já não adianta mais quando milímetros dele se esvaíram pelas frestas da porta que levaram a nossa beleza que se manisfesta assim que nos olhamos no bendito espelho.

E com a mesma visão, que são as janelas da alma, tentamos rever onde mora o fabricante que pode nos dar um espelho novo.

Mas não adianta, tentamos a todo momento conseguir um novo objeto, sem chance. Dessa vez nos veremos com o espelho quebrado mesmo, pois a única forma de juntar os cacos é se cortando mesmo, juntando um por um.

A grande jogada é não procurar quebrar o espelho do outro, pode conseguir um emprestado, perfeitamente pode sim. Agora cuidado para não transformar o emprestado em roubado, dessa forma terá grandes chances de quebrá-lo, assim como fez com o seu.

Cuidar desse objeto tão precioso faz parte de nossas ações cotidianas capazes de lustrar com calma e retidão de quem tanto gostamos: nós mesmos e quem sabe na melhor das hipóteses, o outro.

Mais do que um objeto, alguns simplesmente o tratam somente como objeto, outros o tratam com zelo e dedicação. Pois mesmo quebrado ele pode ter uma grande capacidade de regeneração, resta encontrar alguém que cuide tão bem do seu espelho quanto você.

Fraternal abraço e até a próxima se Deus quiser.

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O INFERNO SÃO OS OUTROS

maio 21, 2016 Randerson Figueiredo 0 Comments



Uma das frases mais aclamadas de Jean-Paul Sartre é justamente essa: o inferno são os outros. E essa frase por ser tão emblemática e ao mesmo tempo tão certeira nos faz refletir sobre vários pontos.

Ela é proveniente de uma das peças de teatro que ele escreveu, uma peça chamada Entre quatro paredes (Huis clos no original francês). E entraremos num assunto chamado intersubjetividade.

A intersubjetividade é a relação entre os indivíduos. E essa relação diz muito decorrente de nossas escolhas. A profissão, valores...

Ainda na peça Entre quatro paredes, Sartre afirma que, afinal, um homem “nada mais é do que a soma das escolhas que fez durante sua vida”. É nesse movimento que nossa existência pode ganhar um sentido que, a priori, ela não tem.

O Homem pode ser mantido sobre a mais cruel dominação, mas pode continuar livre, devido a sua consciência, ou seja, ontologicamente ele é livre. Oriunda da nossa liberdade radical.

Nesse ínterim as relações humanas são quase sempre conflituosas, tendemos sempre a entrar em conflito com a liberdade de um para o outro. A minha liberdade com a do outro.

Mas isso não é de todo ruim, pelo contrário, o olhar do outro é o que nos faz progredir porque ele realmente alimenta a chance de nos lançarmos no que melhor podemos ser. Ontologicamente falando.

Agora vou chegar ao título do texto.
As características humanas são sempre carregadas de tensão, na perspectiva Sartriana O inferno são os outros, justamente porque não conseguimos controlar o outro, o que ele pensa, o que ele nos diz, qual o limite da sua liberdade.

E isso é gerador de conflito.

Claro que o que fiz hoje foi uma análise rápida e superficial sobre a famosa frase de Sartre, mas, sobretudo apontei fatos para que possamos amadurecer e ver o outro não como inimigo.

E a crítica sempre será um fator para que nosso embasamento possa crescer sempre, lógico que uma crítica bem fundamentada, não é verdade?

Merleau-Ponty, por exemplo, faz uma crítica à filosofia de Sartre, particularmente no que diz respeito à intersubjetividade, por uma via que acho muito fecunda.

No entanto, a perspectiva filosófica de Sartre sobre as relações com os outros traz alguns elementos importantes para pensarmos. No fundo, o que a teoria sartriana coloca é que, se o homem é livre (embora sempre imerso numa “situação” particular)

Precisamos do olhar do outro para crescer, para intersubjetivamente sermos quem somos e encontrar no profundo ser a nossa essência.

O desafio é aprender a conviver com esse “sujeito infernal” e julgador, este individuo que insiste em refletir uma imagem distinta e igual a vossa.

É extraordinário o quanto o julgamento alheio 'faz sentido', trás significado, ao mesmo tempo em que perturba também atribui um valor existencial.


Não há nada que me prenda a um sentimento de tragédia em mim mesmo, a não ser o olhar penetrante do outro em agir numa fração de segundos e sempre corroborar a assertiva de que o inferno são os outros.

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PEDAGOGIA DE DEUS – NOVA SÉRIE NO BLOG SABER JUNG

maio 18, 2016 Randerson Figueiredo 0 Comments



O que você faria se Deus não existisse? A resposta pode parecer simples: não existiríamos. É com essa perspectiva, tentando analisar vários fatos sobre a vida como um todo que lanço hoje a nova série do blog Saber Jung – PEDAGOGIA DE DEUS.

Serão mais do que relatos, irei retratar aqui no blog de que forma Deus age em nossas vidas e como ele perpetua sua docilidade em vários aspectos de nossa existência. Veja alguns exemplos:

Ciência x espiritualidade
Ateísmo x espiritualidade
Fenomenologia x espiritualidade
Psicologia (claro) x espiritualidade
Filosofia x espiritualidade

Como a espiritualidade se relaciona com essas situações? Qual seu viés de fato? A que veio? E o que pretende? A busca pela verdade, e que verdade é essa?

Meu propósito é lançar como se sabe questionamentos sobre os mais variados assuntos, não tão somente obter respostas prontas e engessadas. Então vamos ao trabalho. Se possuir alguma sugestão entre em contato comigo pelo formulário contato, no blog.

“Que Deus nos mostre o verdadeiro caminho para trilharmos com dignidade a estrada chamada esperança”.Randerson Figueiredo.

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# SÉRIE PECADOS CAPITAIS # 7 # LUXÚRIA – O PRAZER PELA CARNE

maio 18, 2016 Randerson Figueiredo 0 Comments



Hoje é o nosso último texto sobre a série pecados capitais, o tema de hoje será sobre luxúria.

Engana-se quem pensa que luxúria diz respeito somente ao prazer pelo sexo desenfreado, pela banalidade da carne, pelo prazer em possuir sexualmente falando.

A luxúria vai muito mais além...

“A luxúria é como a avareza: aumenta a sua própria sede com a aquisição de tesouros”.
Barão de Montesquieu

Quanto mais se pratica a luxúria mais se quer praticar, por isso é um pecado tão grave quanto os outros, pois na luxúria o que predomina é o prazer pelo prazer.

Há nesse caso falta de amor.

E a supressão do amor em muitas, ou melhor, todas as ocasiões são geradoras de conflitos. Fica-se dessa forma insaciável em todas as circunstâncias.

Já que você vê o outro como um pedaço de carne, algo que pode te satisfazer naquele momento, naquela perspectiva, no âmbito material.

Sempre que posso alio o texto a uma constante máxima divina: Deus. A Bíblia está aí para nos guiar, e como ela nos guia para a chama rediviva do Espírito Santo.

Veja o que a Bíblia nos ensina:

“Fugi da fornicação. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que fornica peca contra o seu próprio corpo.Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”.
1 Coríntios 6:18-20

Claríssimo não é mesmo?

A luxúria se enquadra nessa questão de fornicação sim! Pois como disse, a partir do momento que nos deixamos envaidecer por questões efêmeras isso se torna um complicador a todos os envolvidos.

A Bíblia nos passa uma mensagem muito clara: vosso corpo é o templo do Espírito Santo... E ter uma vida errada, cheia de percalços e tudo isso conscientemente é ter grilhões amarrados nos pés a todo instante.


Como já mencionei o texto de hoje é o último da série sobre pecados capitais, espero de coração que tenham gostado, de fazer uma visão filosófica com espiritualidade. E em breve outra série vem aí. Posso adiantar que será sobre Deus e sua pedagogia... 

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A CONQUISTA DO ESTADO (POSTAGEM ESPECIAL)

maio 12, 2016 Randerson Figueiredo 0 Comments



Hoje estava garimpando meu pequeno acervo de livros e encontrei um best seller das ciências políticas sobre o regime militar, o livro se chama 1964 - A conquista do estado de René Armand Dreifuss.

O título do meu texto de hoje é justamente referente a esse período, mas também referente ao que acabou de acontecer.

Não me canso em observar as "coincidências" absurdas daquele período e hoje, o que aconteceu com Dilma Rousseff. Sim, apesar de não concordar na sua totalidade com a visão esquerdista de René Dreifuss ela foi vítima de um golpe.

UM GOLPE DE CLASSE! Sim, porque quando li esse livro e comparando os fatos, creio que as divergências se complementam com algo muito maior, que é justamente o jogo de interesses.

Vamos recorrer à história... Sabia-se que o afastamento de Jango, um presidente considerado fraco e refém dos sindicalistas de esquerda, iam ao encontro dos interesses do grande capital.

Sabia-se também que as manifestações públicas da classe média nos últimos dias do governo civil haviam dado o empurrão final no presidente. Ou seja, a classe civil foi muito importante para sua derrocada.

Leia-se aí classe média e empresariado.

Não sei se vocês repararam, mas o dólar caiu depois que Dilma saiu. E pode se preparar porque a terceirização vai comes de esmola, pra valer, mesmo. Sim porque os empresários mais do que nunca irão dar as cartas.

Membros da FIESP e no caso aqui FIEC estão vibrando com o ocorrido.

A Federação das Indústrias é uma espécie de Ipes (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), fundado em 1961. Representam um conceito de vanguarda para as questões empresariais, que estão em busca claro de seus objetivos.

O complexo Ipes/Ibad se tornava o verdadeiro partido da burguesia e seu estado-maior para a ação ideológica, política e popular, fomentando o que havia de pior: um golpe!

O que mais me impressiona é a constante cíclica da história, quando as situações se repetem, com novos personagens claro, mas a sua essência é a mesma...

Como bem disse Goethe: escrever a história é um modo de nos livrarmos do passado. E como indicou Dreifuss em seu livro arrebatador e fascinante, o golpe aqui no Brasil é sim de classe, é da mídia, é da classe média, do empresariado (que mandam e desmandam aqui).

O livro parece que resistiu ao tempo, inclusive foi reeditado pela editora Vozes, não é necessário correr atrás dele em sebos, são 900 páginas de pura história que te mostra o caminho das pedras para entender um pouco mais a triste situação que assola esse país.

Não sou de esquerda, aliás dizer que é isso ou aquilo é meio temeroso, vou trocar a palavra por perigoso (você deve ter entendido o porquê). Apenas analisando esse intrincado golpe vejo que tudo foi maquiavelicamente arquitetado.


Torço por você Dilma, torço por todos que acreditam na melhoria desse país, por você que lê esse texto e tem em mente crescer para fazer crescer o outro, o semelhante. Orgulho de você, Dilma, tchau querida.

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PORQUE GOSTAMOS DE QUEM NÃO GOSTA DA GENTE?

maio 10, 2016 Randerson Figueiredo 0 Comments



"O amor é um andarilho que muitas vezes vive só, mas também acompanhado."
Randerson Figueiredo


Sinceramente se eu tivesse essa resposta concretamente estaria num mar de rosas, muito rico e provavelmente satisfeito em ter as prateleiras esgotadas por todos terem comprado meu livro de auto-ajuda.


Como não a tenho de forma simples e direta vamos às questões que se coadunam com nossa realidade.


Tendemos, eu disse tendemos, a gostar de quem não dá a mínima pra gente. Ficar com elucubrações filosóficas é a melhor saída, a questão é mais do ser, questão ontológica mesmo.


Aí vem um garotinho mimado chamado EGO, sim, quando ele é frustrado sai de baixo, quer por que quer aquilo que muitas vezes não lhe compete, faz birra e tudo mais.


Mas aí é que está o lado positivo da situação. A frustração do ego é necessária para que amadureçamos e dessa forma enxergar uma via, um outro caminho que nos leve a um descansar da nossa arrogância.


E por falar em arrogância, passamos a absorver situações extremas que exacerbam nossa personalidade e dificultam nossa carga emocional, facultando vírus psicológicos, cargas, pensamentos deletérios.


Há também a questão do orgulho. Eu te trato bem, levo flores, compro bombons, sou gente boa mas mesmo assim não queres ficar comigo? Esse orgulho é ativado quando somos rejeitados. Queremos a todo custo conseguir "a conquista".


Infelizmente tendemos a agir como crianças birrentas. Essa característica só faz com que existam situações vexatórias e que causam mal-estar a todo momento.


A realidade é nua e crua, e muitas vezes cruel. Mas o real é o real, não é o dólar, o iene, a libra... Encarar a frustração de um amor não correspondido é melhor do que se frustrar depois do baque, pois aí você já está envolvido e vai dizer: mas você não era nada daquilo que eu pensava... Como se diz: pior.


Conselheiro amoroso? Eu? Nem pensar, apenas estou expondo meus pensamentos a respeito de um assunto que nos motiva sempre a ir em busca de um ideal quase que inatingível.


Lembrei-me agora daquele texto de Carlos Drummond de Andrade -


Quadrilha:

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.


Idealizamos demais, pensamos demais, nos sujeitamos demais. Essa é a questão. Pensamos que aquela pessoa que a gente acredita gostar é na verdade um ser de outro mundo, uma deusa/deus (no caso das mulheres).


E na verdade não é.


VA-LO-RI-ZA-ÇÃO. Valorize-se. Ame-se e seja exatamente quem você é. Sem tirar uma vírgula ou ponto. A questão é que mentimos para atrair a parceira/parceiro. Mascaramos.


Muitas vezes a pessoa que mais nos valoriza está ao nosso lado, um morrinho de areia, e quando nos damos conta queremos escalar o Himalaia atrás de outra pessoa, só que esse morrinho de areia pode se transformar num castelo não mais de areia, mas de concreto, um concreto tão firme que ninguém será capaz de derrubar.


E ninguém muda ninguém, tentar mudar o outro é uma tarefa quase impossível como bem disse o nosso velho amigo Jung. Eu tiraria a palavra quase. Pois muito bem, isso tudo é uma questão conjuntural e não somente estrutural, afinal de contas o amor é um andarilho que muitas vezes vive só, mas também acompanhado.

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FICA MAIS UM POUCO, HOJE VAI TER BOLO

maio 08, 2016 Randerson Figueiredo 0 Comments



O texto de hoje é mais que especial e de antemão peço desculpas pela demora em publicá-lo, perdoem-me. Não só pelo fato, motivo animador e óbvio da presente homenagem que é justamente a mãe, mas também pela sua constante presença em nossas vidas.

Primeiro quando se está grávida tudo começa com um choro para vir à tona o seu bem mais precioso: o filho. Tratá-la como uma (semi) deusa é um eufemismo dos mais brandos. Pleonasticamente falando.

A mãe por si só é muito carnal, ela trata diretamente com a criança cara a cara, face a face, cordão umbilical com cordão umbilical. E seguir seus ditames não é de todo fácil.

O filho cresce, se adapta a sua rotina e toma seu rumo, pronto, a via crucis materna dar o ar da graça com muita preocupação, alívio em saber que está tudo bem, mas desconfiança em saber se o "filhote" irá se agasalhar numa noite fria.

Para não perder de vez seu olhar doce e sereno com o filho que muitas vezes não pode ir visitá-la ela prepara almoços, jantares e cafés para não perder de vez o convívio com o doce e amado filho.

E quando o filho se prepara para ir embora depois da refeição que une toda a família numa só voz, num só intuito, num só coro... Ela diz:

- Fica mais um pouco, hoje vai ter bolo.

Lembro que minhas avós faziam muito bolo para reunir a família, sempre. O bolo é quase um fator social. Brincadeiras à parte, elas diziam:

- Cadê a coisa mais linda da vó? Você nem sabe o que eu fiz?

E eu prontamente respondia: 
- Bolo!!!

Não é simplesmente o deliciar, experimentar e provar daquela maravilha com um bom café, mas o bolo representa uma desculpa na tentativa de querer expressar com um olhar afetuoso um: eu te amo!

É justamente essa experiência quase que nababesca de unir à família num domingo não só para experimentar uma iguaria, mas para reestruturar toda uma base de anos de jornada.

Como disse, o bolo é só uma desculpa, porque para estarmos perto de quem amamos fazemos das tripas coração, o impossível, mas sempre valorizaremos a célula mater de nossa existência.

A mãe por si só é condição sine qua non a todos nós, afinal de contas sem ela não estaríamos aqui hoje, e mais do que tudo não experimentaríamos o seu carinho, o seu afeto, o seu amor e nem o seu falar num domingo depois do almoço ao dizer:

- Fica mais um pouco, hoje vai ter bolo.

Um excelente dia das mães a todos, um grande abraço.


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QUANDO DEUS FRACASSOU E A PROBLEMÁTICA DO MAL

maio 01, 2016 Randerson Figueiredo 0 Comments



Quando fazia o catecismo obviamente tinha uma visão muito rasa a respeito do Santo Evangelho e, por conseguinte não conseguia distinguir com muita facilidade a maldade disfarçada de bondade.

E por não saber fazer essa distinção, e até hoje não sei muito bem, derrapava muitas vezes em incoerência ideológica e emocional que me faziam muito mal, e de certa forma tentar encontrar o fio da meada de todo esse escárnio metafísico requer doses de paciência e discernimento espiritual.

É isso que trato o texto de hoje, será que Deus fracassou conosco? Ou será que fracassamos com ele? Essa pergunta não é tão simples assim de responder.

Mas vamos a alguns questionamentos.

Será que chegamos a era do niilismo (segundo o dicionário Houaiss:
1  redução ao nada; aniquilamento; não existência
2        ponto de vista que considera que as crenças e os valores tradicionais são infundados e que não há qualquer sentido ou utilidade na existência
3        total e absoluto espírito destrutivo, em relação ao mundo circundante e ao próprio eu) de forma tão pungente?

E quando se fala nesse assunto chegamos a questão do mal, que a meu ver se apresenta de duas formas bem distintas: mal ativo e mal passivo, aquele que age e aquele que sofre.

Ou seja: a maldade propriamente dita e o sofrimento. O primeiro aliena e o segundo tortura. Pois como já disse e expliquei em outro texto sobre o sofrimento, ele não é imposto por Deus.

Mas desse posicionamento advém algo mais perturbador: o sofrimento é consequência de uma culpa e essa culpa está atrelada a um sentimento de derrota, pois a culpa é sempre problemática. Do ponto de vista do outro, claro.

Se matou tem que morrer, se foi culpado tem que pagar, se enganou deverá também ser enganado e por aí vai. Ou seja, se há sofrimento é porque houve uma culpa. A lei de Talião dando o ar da graça sempre.

Nós mesmos procuramos questões metafísicas que não devem ser solucionadas com um piscar de olhos e sim analisadas por um viés de caráter social, psicológico e mais do que tudo filosófico.

Não analisamos nada e sim julgamos, aí está a grande jogada, ou melhor a pior delas. Não vou nem citar o Evangelho para não destoar do restante do texto, mas para bom entendedor...

Ao invés de perguntarmos de quem é a culpa, deveríamos nos indagar: qual é a causa?

A questão do fracassar ou não fracassar tem haver com uma questão ontológica, lembrei agora de Hannah Arendt no julgamento de um dos algozes do regime totalitarista (Banalidade do Mal).

Deus por se tratar de um Ser-Não Ser, subjetivo e tão objetivo quanto, nos faz acreditar que a propagação do mal é mais intrínseca do que extra-corpórea e que sua finalidade nada mais é do que aprimorar nosso estado letárgico amoral do Ser-Vir.

Para arrematar de vez e concluir coloco ainda mais um adendo muito simples: quando de fato iremos nos responsabilizar pelos nossos atos e acreditar de uma vez por todas que somos heróis e ao mesmo tempo antagonistas? Não, não é só dualidade que estou falando.

É algo muito mais profundo, quando iremos acreditar que o nosso lado negativo, a sombra como analisou Jung, irá nos levar nas profundezas do mar sem fim de maravilhas?

A resposta é clara: quando não tivermos vergonha de assumir nossas indagações e quando a sombra se tornar uma grande verdade, assim como uma chama clareia um breu, uma luz na escuridão.

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