A ESCOLHA DO CAMINHO

julho 27, 2013 Randerson Figueiredo 0 Comments




Mais do que um objetivo na vida, devemos escolher um caminho a seguir, e mais do que um caminho um sentido a ser traçado.

A escolha do caminho nada mais é do que uma escolha de fato e de destino. De fato pela ocasião em que é tomada a decisão e de destino, pois podemos trabalhar nosso limiar da vontade.

E quando escolhemos nosso caminho a ser seguido devemos nos orientar pelo sentido. Será este somente direita e esquerda? Não. Pode ser o meio também.

E por falar em meio, já que é nele que vivemos, a maior ousadia é procurar transformá-lo de acordo com as circunstâncias morais, éticas e factuais.

A transformação do meio nos oferece uma celeuma enorme de oportunidades, afinal a sociedade foi profundamente modificada por nós, foi mexida e remexida para chegarmos onde estamos.

E não pense que isso foi um elogio porque não foi. A transformação da sociedade poderia e deveria ter sido algo mais apropriado, deixando de lado o ego e suas variantes.

Estamos costumeiramente nos abortando como indivíduos providos de uma pseudo-inteligência. Estamos altamente conectados mas ao mesmo tempo sozinhos em casa, sem uma presença que nos aqueça na noite fria de madrugada.

Ao passo que ser conectado virou sinônimo de antenado, de logado... Este foi o caminho que escolhemos. Dura constatação.

A escolha deste caminho reflete um passo infalso na busca de uma identidade sociocultural capaz de fazer valer quem somos de verdade, por qual objetivo estamos aqui.

A revolução tecnológica nos trouxe benefícios espantosos mas também malefícios que cegam a quem quer que seja.

É a máxima de quem perde faz com que o outro ganhe. Ganhe mais notoriedade, mais “status” e mais condições de se manter vivo e em evidência de uma forma geral. Afinal também esquecem de mencionar que o carro(nós) pode estar parado sem saber para onde ir mas também pode ser por falta de gasolina, sem ânimo, sem objetivos concretos, sem vontade.


Estas são as escolhas do caminho, sem nenhum sentido prático, claro.    

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DEUS - LUZ NA ESCURIDÃO.

julho 19, 2013 Randerson Figueiredo 0 Comments





É muito saudável poder acreditar em um ser que vela por nós. Um ser que apesar de ser insistentemente colocado à prova revela-se ainda misericordioso conosco.

Não quero aqui neste espaço lançar base para discussões sem fundamentos entre ateus e cristãos, quem sou eu para fazer tal análise, mas para fazermos reflexão com base nas questões que ligam este mundo a outra dimensão(dimensões).

Muitas vezes somos pegos ao acaso quando analisamos nossa condição humana, nosso existir. Dirimir estas dúvidas requer uma dose de autoconhecimento incrível.

É aí que entra o olhar para dentro, como bem disse Carl Jung: quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta. E é nesse ínterim que desejo seguir este texto.

Deus revela-se nas pequenas coisas, nos pequenos detalhes, nas frações de segundo. Um verdadeiro baluarte de nossas inquietações e martírios.

Precisamos sentir a montanha e não necessariamente tocá-la, compreende? É necessário seguir cinco estágios para se obter uma abertura espiritual, veja:

Estágio 1: Abertura - Temos uma poderosa experiência pessoal que nos eleva para fora de nossa consciência do dia a dia. Pode ser uma súbita visão interior, capaz de mudar a vida para sempre ou uma sensação de consciência da unidade; ou ainda ter a sensação de que está seguro, que tudo na sua vida tem um propósito.

Estágio 2: Revisar o significado da vida - Seja aos poucos, seja de repente, percebemos que a vida material não é o que parece na superfície. Há um propósito maior, que implica uma mente e uma consciência, maior que a mente do indivíduo.

Estágio 3: Tornar-se parte do plano - Se a realidade mais elevada passa fazer mais sentido que a vida cotidiana, começamos a encontrar maneiras de nos transformar. Aumenta nosso desejo de viver num plano diferente.

Estágio 4: Seguir o caminho - Com uma visão em mira levamos a sério o processo de atingir uma realidade superior. A meta é Deus ou uma consciência mais elevada e deve-se encontrar uma maneira de chegar lá.

Estágio 5: Iluminação - A consciência superior se torna uma realidade viva. A mudança está completa. Não temos mais outra forma de ver o mundo a não ser como um aspecto do divino. Na verdade o sagrado e o não sagrado não tem mais significados distintos. Existe apenas a luz da consciência para onde olhar.

Sinceramente digo a você que está lendo este texto, acredito que qualquer vida com um significado mais profundo se encaixa neste modelo, sem levar em conta a religião.

E digo mais, uma das maiores falhas das religiões é afirmar que tem patente do caminho para Deus.

O caminho espiritual existe e pode ser seguido. Quando você deixa de procurar o Deus tradicional, surge um objetivo em seu lugar: a transcendência.

Transcender significa ir além. Jesus fez isso como ninguém. Ele no auge de sua transcendência não recomendava o prazer como substitutivo para a dor. Apontava soluções que ia além do nível do problema.

Sem transcendência nossa experiência do sofrimento nunca vai mudar. E onde está o mistério de encontrar Deus? Bem, vou citar agora o pioneiro psicólogo americano William James que resumiu este questionamento numa frase: em toda nossa volta há infinitos mundos, separados pelos mais tênues véus.

O caminho espiritual significa remover os véus que cobrem nossa própria percepção, e isso exige dedicação. O que faz com que o esforço valha a pena é saber que o despertar pode surgir a qualquer momento.


A realidade em Deus em si é muito melhor quando vista com a mesma clareza que a luz do dia, assim como uma luz na escuridão.

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MAL-ESTAR NA EXISTÊNCIA

julho 03, 2013 Randerson Figueiredo 0 Comments



Quando li o a obra de Freud intitulada: O mal-estar na civilização confesso que fiquei com muita vontade de escrever um texto sobre o assunto.

Antes de mais nada este livro deveria se chamar Mal-estar na existência. Eu explico o porquê. Segundo o livro, para Freud, o mal-estar está na civilização pois se não fôssemos civilizados conseguiríamos encontrar prazer, desta forma seríamos felizes.

Mas eu discordo do pai da psicanálise, a questão deveria ser reformulada não para a civilização, mas para a existência. Acredito que o homem nunca admitiu a sua condição humana.

O Homem busca constantemente a felicidade, sob dois aspectos: ausência de desprazer ou obtendo prazer. Não suportamos a felicidade contínua, por isso a importância do sofrimento.

Lembrei-me agora do texto bíblico, mitologia cristã. Adão e Eva no paraíso, será que os dois se sentiam felizes no paraíso, a ponto de desobedecer o Criador?

Não pessoal! Como disse, o Homem nunca admitiu a sua condição humana, creio que ali eles já estavam infelizes, como bem citou Goethe: "nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos".

Adão e Eva é o exemplo clássico de que essa sucessão de dias belos é extremamente estafante e adoecedor. Existem ameaças aos sentimentos: a decadência do próprio corpo, o mundo externo que pode voltar-se contra nós e, o principal e mais penoso, o relacionamento com os outros.
O mal-estar da existência é pré-civilizatório. Então, sob a pressão dessas ameaças ao sofrimento, o Homem abre mão do princípio do prazer em prol do princípio da realidade por meio do controle da vida instintiva, acreditando estar feliz por ter escapado da infelicidade e sobrevivido ao sofrimento.

Evitar o sofrimento está em primeiro plano e o prazer coloca-se no secundário; caso haja o sofrimento no relacionamento humano, o indivíduo tende a isolar-se conseguindo assim, a felicidade da quietude que se pode denominar de sacrifício da vida.

A civilização, segundo Freud, é a responsável pela desgraça da humanidade; se não fossemos civilizados seríamos primários e viveríamos sob o princípio do prazer e aí seríamos felizes.

O que buscamos para nos proteger está inserido nesta mesma civilização que nos faz sofrer. Somos hostis com a civilização porque nos tornamos neuróticos por não tolerar as restrições impostas pela sociedade, a qual nos impede o alcance da felicidade.

Percebe-se que apesar de dominar-se a natureza não se chegará ao objetivo final do propósito do viver, que é ser feliz. A felicidade é, na sua essência, subjetiva.

Temos inclinação da agressividade perante aos outros e conosco, isto nos perturba muito ao nos relacionarmos com os demais. É difícil amar aquele que não conheço.

É difícil manter o ensinamento "amar o próximo como amas a ti mesmo". Este próximo não é apenas um ajudante em potencial ou objeto sexual, mas também alguém que irá satisfazer a minha agressividade, submetendo-o a diversos papéis, como: trabalho escravo, abuso sexual, roubo, humilhação, sofrimento, tortura, morte, etc.; as paixões do instinto são maiores que qualquer outro interesse.

Sempre haverá a destruição da natureza para a construção da civilização. Sem a agressividade os Homens sentem-se desconfortáveis. É difícil viver na civilização porque é imposto ao sacrifício da sexualidade e, também, ao da agressividade. Nos achamos altamente evoluídos mas somos extremamente atrasados no tratamento dado aos outros, no modo de nos relacionarmos.

O homem primitivo achava-se mais confortável por não conhecer as restrições do instinto, por outro lado, o Homem civilizado abriu mão de uma parcela de possibilidades de felicidade por uma parcela de segurança.

O controle da natureza pelos Homens deu-lhes o poder de exterminá-los, este é o principal mal-estar na civilização/existência traduzido por inquietação, infelicidade e ansiedade.

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