NOVELA BOA PRA INGLÊS VER
Muito bom dia a você que me
acompanha sempre por aqui nesta plataforma, ou que chegou pela primeira vez,
seja muito bem-vindo ao nosso humilde blog Saber Jung.
Well... Com todo esse
burburinho em torno do remake de Vale Tudo hoje estou aqui para dar meus
pitacos sobre esse gênero tão popular chamado novela, ou mais precisamente telenovela.
Desde que me entendo por gente
que acompanho telenovelas. A meu ver a telenovela é um construto social, uma
experiência antropológica e muito genuína.
Veja bem, uma criança que
desde cedo acompanha esse gênero com a família de um modo geral se desenvolve
em torno sempre de narrativas ficcionais, e não qualquer narrativa diga-se de
passagem.
A telenovela é popular e capaz
de moldar os pormenores de uma sociedade, por isso que sustento a tese de que esse
gênero tão diverso e popular é uma experiência antropológica e genuinamente
versátil.
Dita moda, costumes e bordões
caem no gosto popular.
Hoje não muito, pois a
telenovela está sendo cada vez mais preterida pela internet e canais por
assinatura, mas antigamente a audiência era maciça em torno desse grande gênero
televisivo.
A primeira telenovela que
assisti e acompanhei foi uma escrita pelo grande autor Silvio de Abreu: A
próxima vítima. Baseada nos clássicos romances policiais, era uma novela em que
a cada mês tinha um assassinato, onde o assassino baseava suas vítimas no
horóscopo chinês.
A história contada por Abreu
foi um enorme sucesso.
Muito bem escrita e finalizada
com a descoberta do assassino, foi uma das grandes histórias que acompanhei ao
longo destes meus 35 anos de vida.
Essa telenovela é de 1996,
depois veio A Indomada (1997) com a exuberante Eva Wilma na pele de Maria Altiva
Pedreira de Mendonça e Albuquerque, uma aristocrata falida que falava inglês em
pleno sertão pernambucano.
Eu achava de uma genialidade
absurda aqueles termos que caíram no gosto popular como por exemplo: Oxente,
my God! Thank you very much, viu bichinho! Trudlou! Pela espada de Sam James!
Essa obra-prima foi escrita
por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares.
Assisti a muitas e muitas
obras, principalmente quando infante e início da adolescência, mas depois fui
deixando de assistir, até que assisto aqui e acolá algumas cenas soltas.
Hoje já não se faz mais
novelas como antigamente.
As obras eram muito bem
elaboradas, não só por quem assinava o que estava escrito, mas pela direção,
figurino e fotografia. Tudo era um primor, era muito bem feito.
Eu cheguei a acompanhar essa
que está no ar como remake, a Vale Tudo original de 1988 quando esta passou no
canal por assinatura Viva em 2011, realmente a novela é demais, muito bem
escrita e as atuações um show à parte.
Foi a telenovela que me
incentivou a ir a teatros também, hoje uma das minhas grandes paixões,
prestigiar não só grandes nomes do cenário artístico, mas também artistas
locais aqui de Fortaleza, onde moro.
A telenovela tem uma grande
capacidade de atingir um grande número de pessoas, um público diverso,
principalmente o popular, o mais humilde e sensível a grandes mudanças sociais.
E grandes nomes fizeram parte
da telinha: Janete Clair, Dias Gomes, Ivani Ribeiro, Gilberto Braga, Aguinaldo
Silva, Benedito Ruy Barbosa, Cassiano Gabus Mendes, Silvio de Abreu e Walcyr
Carrasco.
Não, não esqueci do Manoel
Carlos, apenas abro um parêntesis para ele, pois retratou mais a classe mais
abastada, ali pelo Leblon e adjacências, nunca apreciei muito este autor, as
falas que ele colocava junto aos personagens eram falas muito pejorativas e
cheia de preconceitos, sempre percebi esse pequeno grande detalhe, por isso
nunca gostei de suas novelas.
Esse gênero não só com bordões,
mas com práticas e ações sociais construiu toda uma sociedade de noveleiros, eu
sou um deles, hoje não mais como já mencionei, mas já fui e assumo com orgulho
as histórias que acompanhei.
As práticas que falo são por exemplo
o uso de cigarro e bebida alcoólica, quase não se vê mais personagens fumando
ou bebendo compulsivamente como se via antes.
Isso reflete na sociedade direta
e indiretamente.
Pode ficar atento, que o que
estou a falar tem muito a ver, antigamente o uso de narcóticos era muito
aberto, hoje entraram num consenso e perceberam que a influência midiática era gigantesca.
É disso que estou a falar,
usar o espaço como serviço público.
Outro ponto que notei, as famílias
não estão mais tão grandes e numerosas como antigamente, hoje se percebe um ou
dois filhos no máximo, isso também é um reflexo do papel televisivo na vida das
pessoas.
Não comem também tão
compulsivamente como antes, pode notar que no café da manhã os personagens
comem duas ou três coisinhas e já se levantam, tudo é mimetizado pelo público,
atinge inconscientemente as pessoas.
Os bordões e vestuário nem se
fala, tudo é copiado.
Como por exemplo:
Coisas de Laurinha (Paulo
Gracindo em Rainha da Sucata com a personagem Laurinha Figueroa de Glória
Menezes).
Né brinquedo, não! (Solange
Couto a dona Jura de O Clone).
Cada mergulho é um
flash! (Mara Manzan em O Clone).
Oxente, My God (Altiva
de Eva Wilma em A Indomada).
Mistério... (dona Milu de Miriam Pires em Tieta)
Sangria desatada
(Raquel Acioly de Regina Duarte em Vale Tudo).
Então a telenovela imprimiu
uma nova roupagem à sociedade brasileira, isso não se pode negar, foi uma
construção feita de forma bastante incisiva e forte. Um construto social, bem
verdade.
Hoje, esse gênero não tem mais
o peso de antes por uma série de fatore já elencados: internet, canais por
assinatura, consoles e afins. Uma série de opções que antes não havia.
A primeira versão de Vale Tudo
por exemplo realmente foi um primor, não só pelo texto, mas pelas atuações de
primeira grandeza. Atuações dignas de Oscar, sinceramente.
Era uma novela mais teatral,
cenas mais longas e muitos diálogos.
Hoje não se tem mais isso, as
cenas são muito curtas, o que não prende a nossa atenção e nem cativa o público
desejoso por grandes atuações.
Uma das grandes obras que tive
o prazer de acompanhar foi Senhora do Destino, com a famosa vilã Nazaré
Tedesco feita pela grande e magistral Renata Sorrah.
A meu ver uma das grandes
novelas que já passou no Plim-Plim.
Um texto primoroso, excelentes
atores e atuações de tirar o chapéu fizeram de Senhora do Destino uma
das maiores obras de arte que se tem notícia.
Obra assinada por Aguinaldo
Silva.
Então pra finalizar, reitero
meu ponto de vista, a telenovela foi um dos pontos altos para uma mudança na
sociedade na qual estamos inseridos, sem sombra de dúvidas.
Uma obra de arte, boa pra inglês
ver!
Até a próxima, se Deus
permitir.


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