NOVELA BOA PRA INGLÊS VER

abril 10, 2025 Randerson Figueiredo 0 Comments

 

Muito bom dia a você que me acompanha sempre por aqui nesta plataforma, ou que chegou pela primeira vez, seja muito bem-vindo ao nosso humilde blog Saber Jung.

 

Well... Com todo esse burburinho em torno do remake de Vale Tudo hoje estou aqui para dar meus pitacos sobre esse gênero tão popular chamado novela, ou mais precisamente telenovela.

 

Desde que me entendo por gente que acompanho telenovelas. A meu ver a telenovela é um construto social, uma experiência antropológica e muito genuína.

 

Veja bem, uma criança que desde cedo acompanha esse gênero com a família de um modo geral se desenvolve em torno sempre de narrativas ficcionais, e não qualquer narrativa diga-se de passagem.

 

A telenovela é popular e capaz de moldar os pormenores de uma sociedade, por isso que sustento a tese de que esse gênero tão diverso e popular é uma experiência antropológica e genuinamente versátil.

 

Dita moda, costumes e bordões caem no gosto popular.

 

Hoje não muito, pois a telenovela está sendo cada vez mais preterida pela internet e canais por assinatura, mas antigamente a audiência era maciça em torno desse grande gênero televisivo.

 

A primeira telenovela que assisti e acompanhei foi uma escrita pelo grande autor Silvio de Abreu: A próxima vítima. Baseada nos clássicos romances policiais, era uma novela em que a cada mês tinha um assassinato, onde o assassino baseava suas vítimas no horóscopo chinês.

 

A história contada por Abreu foi um enorme sucesso.

 

Muito bem escrita e finalizada com a descoberta do assassino, foi uma das grandes histórias que acompanhei ao longo destes meus 35 anos de vida.

 

Essa telenovela é de 1996, depois veio A Indomada (1997) com a exuberante Eva Wilma na pele de Maria Altiva Pedreira de Mendonça e Albuquerque, uma aristocrata falida que falava inglês em pleno sertão pernambucano.

 

Eu achava de uma genialidade absurda aqueles termos que caíram no gosto popular como por exemplo: Oxente, my God! Thank you very much, viu bichinho! Trudlou! Pela espada de Sam James!

 

Essa obra-prima foi escrita por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares.

 

Assisti a muitas e muitas obras, principalmente quando infante e início da adolescência, mas depois fui deixando de assistir, até que assisto aqui e acolá algumas cenas soltas.

 

Hoje já não se faz mais novelas como antigamente.

 

As obras eram muito bem elaboradas, não só por quem assinava o que estava escrito, mas pela direção, figurino e fotografia. Tudo era um primor, era muito bem feito.

 

Eu cheguei a acompanhar essa que está no ar como remake, a Vale Tudo original de 1988 quando esta passou no canal por assinatura Viva em 2011, realmente a novela é demais, muito bem escrita e as atuações um show à parte.

 

Foi a telenovela que me incentivou a ir a teatros também, hoje uma das minhas grandes paixões, prestigiar não só grandes nomes do cenário artístico, mas também artistas locais aqui de Fortaleza, onde moro.

 

A telenovela tem uma grande capacidade de atingir um grande número de pessoas, um público diverso, principalmente o popular, o mais humilde e sensível a grandes mudanças sociais.

 

E grandes nomes fizeram parte da telinha: Janete Clair, Dias Gomes, Ivani Ribeiro, Gilberto Braga, Aguinaldo Silva, Benedito Ruy Barbosa, Cassiano Gabus Mendes, Silvio de Abreu e Walcyr Carrasco.

 

Não, não esqueci do Manoel Carlos, apenas abro um parêntesis para ele, pois retratou mais a classe mais abastada, ali pelo Leblon e adjacências, nunca apreciei muito este autor, as falas que ele colocava junto aos personagens eram falas muito pejorativas e cheia de preconceitos, sempre percebi esse pequeno grande detalhe, por isso nunca gostei de suas novelas.

 

Esse gênero não só com bordões, mas com práticas e ações sociais construiu toda uma sociedade de noveleiros, eu sou um deles, hoje não mais como já mencionei, mas já fui e assumo com orgulho as histórias que acompanhei.

 

As práticas que falo são por exemplo o uso de cigarro e bebida alcoólica, quase não se vê mais personagens fumando ou bebendo compulsivamente como se via antes.

 

Isso reflete na sociedade direta e indiretamente.

 

Pode ficar atento, que o que estou a falar tem muito a ver, antigamente o uso de narcóticos era muito aberto, hoje entraram num consenso e perceberam que a influência midiática era gigantesca.

 

É disso que estou a falar, usar o espaço como serviço público.

 

Outro ponto que notei, as famílias não estão mais tão grandes e numerosas como antigamente, hoje se percebe um ou dois filhos no máximo, isso também é um reflexo do papel televisivo na vida das pessoas.

 

Não comem também tão compulsivamente como antes, pode notar que no café da manhã os personagens comem duas ou três coisinhas e já se levantam, tudo é mimetizado pelo público, atinge inconscientemente as pessoas.

 

Os bordões e vestuário nem se fala, tudo é copiado.

 

Como por exemplo:

 

Coisas de Laurinha (Paulo Gracindo em Rainha da Sucata com a personagem Laurinha Figueroa de Glória Menezes).

Né brinquedo, não! (Solange Couto a dona Jura de O Clone).

Cada mergulho é um flash! (Mara Manzan em O Clone).

Oxente, My God (Altiva de Eva Wilma em A Indomada).

Mistério... (dona Milu de Miriam Pires em Tieta)

Sangria desatada (Raquel Acioly de Regina Duarte em Vale Tudo).

 

Então a telenovela imprimiu uma nova roupagem à sociedade brasileira, isso não se pode negar, foi uma construção feita de forma bastante incisiva e forte. Um construto social, bem verdade.

 

Hoje, esse gênero não tem mais o peso de antes por uma série de fatore já elencados: internet, canais por assinatura, consoles e afins. Uma série de opções que antes não havia.

 

A primeira versão de Vale Tudo por exemplo realmente foi um primor, não só pelo texto, mas pelas atuações de primeira grandeza. Atuações dignas de Oscar, sinceramente.

 

Era uma novela mais teatral, cenas mais longas e muitos diálogos.

 

Hoje não se tem mais isso, as cenas são muito curtas, o que não prende a nossa atenção e nem cativa o público desejoso por grandes atuações.

 

Uma das grandes obras que tive o prazer de acompanhar foi Senhora do Destino, com a famosa vilã Nazaré Tedesco feita pela grande e magistral Renata Sorrah.

 

A meu ver uma das grandes novelas que já passou no Plim-Plim.

 

Um texto primoroso, excelentes atores e atuações de tirar o chapéu fizeram de Senhora do Destino uma das maiores obras de arte que se tem notícia.

 

Obra assinada por Aguinaldo Silva.

 

Então pra finalizar, reitero meu ponto de vista, a telenovela foi um dos pontos altos para uma mudança na sociedade na qual estamos inseridos, sem sombra de dúvidas.

 

Uma obra de arte, boa pra inglês ver!

 

Até a próxima, se Deus permitir.

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