O QUE VOCÊ FEZ COM AQUILO QUE FIZERAM COM VOCÊ?

janeiro 22, 2014 Randerson Figueiredo 2 Comments




Essa é um fragmento da frase de Jean-Paul Sartre que tem um significado imenso.

O que você fez com aquilo que fizeram com você o autor quis expressar a máxima de como reagimos as intempéries vividas por nós no decorrer da vida.

Nada mais atual não é verdade? A frase completa é assim: o importante não é o que fizeram com você, mas o que você fez com aquilo que fizeram com você.

Extremamente existencialista, esse jogo de palavras nos leva a uma percepção incrível a respeito da vida e também das situações embaraçosas que por vezes enfrentamos no dia a dia.

Saber que aquilo que dizem a seu respeito pode influir positiva ou negativamente em sua vida só depende de você saber dosar a ordem das coisas.

Será que agir de forma intempestiva é a melhor das soluções? Acredito que não, pois na pior das hipóteses isso só garantirá o seu nome no rol da fama dos cães raivosos.

Não ligar para o que dizem ao seu respeito é a melhor saída, ou melhor dizendo, é uma saída de mestre para as artimanhas colocadas no caminho.

Como dizem por aí, fazer ouvido de mercador sempre conforta as mentes mais instigantes a saber reagir de forma proativa e não reativa.

Agir de forma reativa é como disse no início do texto ser intempestivo, reacionário e fã ardoroso de grandes barracos para que seu ego fique satisfeito.

Agora agir de forma proativa sempre balanceia os seus argumentos de forma positiva e benéfica para quem é “beneficiado” com palavras ofensivas e obriga o interlocutor a fazer solilóquios exaustivamente.

Essa é a grande sacada para a frase de Sartre, agir de forma proativa, pois só assim o que fizeram com você vai deixar de ser importante e passará a ser mais uma experiência de glória.

Algumas pessoas ao se deixarem levar pelas frases soltas, muitas vezes maldosas, de outras pessoas passará a não mais viver e enxergar que o defeito está sempre nos outros. Quando a solução está em você.

Deriva a partir daí a projeção do indivíduo em outro indivíduo, projetamos nossas sombras no outro, sempre à procura de algum detalhe que destaque negativamente o próximo; como já falei sobre esse assunto aqui no blog.

Isso nos torna mais apreensivos e cada vez mais recalcados com nós mesmos, como diria Sartre em outra oportunidade: o inferno são os outros! Mas isso caro leitor será tema para outro texto.


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ACEITAR – O SEGREDO DA VIDA

janeiro 17, 2014 Randerson Figueiredo 0 Comments



Perdas e ganhos fazem parte de nossa existência, e saber disso já nos consagra como grandes mestres da jornada chamada vida, pois saber a hora que devemos assimilar os propósitos do destino é a grande sacada.

Por isso que o texto de hoje, mais que intuitivo é altamente recomendável que você também o considere filosófico, já que escrevo sobre o que não sei completamente e sobre as inquietudes que me assombram.

Em Aceitar – o segredo da vida quero expor a você caro leitor as minhas dúvidas e angústias quanto aos questionamentos vividos e também propor de alguma forma como podemos melhorar como ser humano, um ensinamento que pode servir a mim e a você.

A aceitação corresponde em ascender espiritualmente a uma fase de contradição física e moral. Não significa dizer também que aceitar significa não fazer nada.

Muito pelo contrário, só pelo fato de aceitar tal caminho já estamos fazendo muito. E esse muito irá se revelar depois como um acerto em nossas vidas.

Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança de que um dia tudo possa ficar bem.

Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.

Aceitar que o que nos foi submetido representa uma cordial aliança com o supremo ser que habita em nós. E que essa aliança mais tarde representará nossa liberdade salvífica da nossa consciência.

Temos que nos moldar aos parâmetros globais e estruturais da sociedade em que vivemos, caso contrário seremos expurgados do paraíso ao qual participamos.

Sim, vivemos em um paraíso. A questão é que muitos fazem do pouco que tem uma verdadeira panaceia e poucos fazem do muito que tem uma tempestade de reclamações e injúrias.

Aceitar a sua condição de ser errante e ao mesmo tempo pensante transforma a sensibilidade de quem participa da ação em algo estupendo e capaz de sofrer transformações.

E é aí que está o grande lance! Podemos reformular nossas situações penosas e degradantes. Aceitar que podemos errar, mas que ao mesmo tempo aprender que é errando que se aprende.   

Aceitar que tudo tem seu tempo também é um ato de dignidade e sabedoria, e que a espiritualidade não está aí à toa, ela trabalha incessantemente para contribuir para o nosso aprendizado.

Veio-me a mente agora a oração de São Francisco, belíssima oração para os que anseiam em penetrar no âmago da humildade, do perdão e da caridade.

O texto de hoje se resume nestas três palavras com um significado imenso: humildade, perdão e caridade. Aceitar que não somos meras marionetes do campo redivivo da sinergia astral mas que podemos atuar de forma incessante e viva conosco e com os outros.

Principalmente com os outros, queremos moldar o outro ao nosso bel-prazer, isso além de ser um tremendo erro é uma inconstância absurda, quando agimos assim estamos corroborando um atestado de negligência com nós mesmos, pois não permitimos conhecer o próximo e sua bagagem cultural e emocional.

Ao castrar essa possibilidade demarcamos território com o intuito de sermos o centro das atenções e dificultar a ação alheia. Uma errada decisão.


Aceitação é basicamente isso, saber reconhecer as limitações mas empreender esforços para o acessível, o possível e o desejável para que os objetivos sejam fielmente cumpridos.

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A BREVIDADE DA VIDA

janeiro 13, 2014 Randerson Figueiredo 0 Comments



Este blog, o Jung na Veia não é um diário propriamente dito, mas sim um campo de ideias nas quais eu lanço meus principais questionamentos a respeito da vida.

E por falar em ideias, hoje veio-me à cabeça sobre a brevidade da vida, o quanto ela é fugaz, o quanto ela é um sopro de um lugar para outro.

A vida muitas vezes nos toma de assalto pelo simples fato de não sermos como ela gostaria que fossemos, e sempre vamos remando contra a correnteza. Uma escolha errada diga-se de passagem.

E a cada escolha errada que tomamos como referência nos tornamos pessoas frustradas mas com um aprendizado que levaremos para o resto de nossas vidas: procuramos não errar mais.

Mas essa não é uma tarefa fácil. É necessário muito empenho e dedicação para saber onde se está falhando e como se está cometendo o grande erro, ou os grandes erros.

Assumir uma postura de vitorioso antes do tempo não é uma boa estratégia, haja vista que a vida em sua breve existência nos dá o ar da graça com mais uma surpresa, boa ou ruim.

Cabe a cada um como encarar essa surpresa da melhor maneira possível, se retraindo ou amando você mesmo do jeito que você é, do (su)jeito que você pode vir a ser.

Fenecer nesta vida todos nós iremos um dia, mais cedo ou mais tarde, e iremos parar no mesmo destino, digo isso em relação ao aspecto físico e não ao apelo espiritual.

Não encarar as situações como mero espectador já é um bom começo, isso nos torna mais atuantes e vibrantes no aspecto emocional e fantástico da obra chamada vida.

Nunca admitimos nossa condição humana, como bem disse Hannah Arendt. Será que é tão complicado nos deixar levar pelas emoções? Vou ser bem sincero com você que está lendo este texto, a era da razão não me atrai tanto assim.

Corações fechados, olhos cerrados, bocas reprimidas para um mundo cheio de benesses, de alegrias e esperança. Mas por outro lado temos tudo ao contrário para um mundo amargurado, vilipendiado e castrado pelo homem.

O que é mais espantoso é que pelo exemplo que dei, temos o coração aberto as amarguras da vida, pois só abrimos os olhos (físico e espiritual) para o que nos convém.

E a vida vai passando, a vida acontece, a vida sorri para nós e não estamos nem aí. Ela passa como um cavalo selado pronta para nos levar ao mais recôndito do nosso ser.


Saber o momento certo de agir esse é um dos segredos, pois ficar parado e não fazer nada não é a mesma coisa. Já que a vida é um sopro, que esse vento sopre as velas do nosso barquinho a nosso favor, e que a brevidade da vida represente uma eternidade em nossa pequena existência.

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