JUNG PARA LEIGOS – NOVA PLATAFORMA SOBRE FILOSOFIA, ESPIRITUALIDADE E PSICOLOGIA PROFUNDA

maio 17, 2025 Randerson Figueiredo 0 Comments

 

Bom dia.

 

Eu me chamo Randerson Figueiredo, autor da antiga plataforma Saber Jung, tive que deletar a antiga plataforma, pois a minha conta do blog foi invadida (hackeada).

 

Para não deixar de escrever sobre o que tanto gosto, sobre estas temáticas, resolvi criar uma nova plataforma, a plataforma JUNG PARA LEIGOS sobre os mais diversos assuntos.

 

Este blog seguirá as mesmas diretrizes do Saber Jung, até minha indexação foi prejudicada, principalmente a indexação nos navegadores de pesquisa. Os leitores não conseguiam encontrar o blog.

 

Então tive que tomar uma decisão muito séria e retomar as atividades praticamente do zero. Isso é muito bom, porque é um novo desafio de não parar, mas de continuar mesmo caindo, levantar e continuar.

 

Agradeço imensamente a você, leitor, que me acompanha por aqui.

 

E vamos continuar a aprender sempre, sempre a procurar diminuir o tamanho da minha ignorância. Um grande e fraternal abraço.

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A BUSCA PELA QUATERNIDADE, ALQUIMIA E A DIALÉTICA DE HEGEL – POSTAGEM ESPECIAL

maio 17, 2025 Randerson Figueiredo 0 Comments

 

Olá, mais uma vez cá estamos para mais um encontro salutar a envolver psicologia, filosofia e espiritualidade num só momento, tudo ao mesmo tempo agora.

 

Estava a pesquisar sobre os assuntos acima e resolvi entrelaçar os temas, tudo no seu devido lugar. Acredito que nosso encontro hoje será muito especial.

 

Quando me deparei com um dos volumes das Obras Completas de Jung, mais precisamente A Interpretação Psicológica do Dogma da Trindade (OC – 11/2) considerei de bom tom trazer esse tema aqui pra plataforma, haja vista religião ser um assunto consoante às perspectivas da psi profunda.

 

E entrelaçar os pormenores destes ou daqueles assuntos torna tudo muito interessante e maravilhoso. Do ponto de vista natural, a religiosidade é uma função natural, inerente à psique.

 

A religião é um instinto.

 

E dentro do conceito da psi analítica, a religião é tida como um processo terapêutico que assim como a psicoterapia tem a função de aliviar o sofrimento intrínseco a natureza humana.

 

As religiões originam-se de conceitos e fatores dinâmicos do inconsciente, e esses fatores se apresentam em formas de imagens dos mais variados tipos: deuses, demônios, espíritos...

 

William James, disse certa feita, que apesar dos cientistas darem uma importância maior aos fatos objetivos, a ciência funciona como uma espécie de sentimento religioso: “Essa importância em si mesma é quase religiosa. Nosso temperamento científico é devoto.”

A linguagem das religiões é elaborada a partir de símbolos.

 

E esses símbolos têm uma importância significativa na psique da gente, Jung ocupou-se mais especificamente dos símbolos cristãos, pois há mais de dois mil anos sob a custódia da cristandade ocidental.

 

O ponto de partida de Jung é a de que a Trindade cristã é um significado psicológico vivo. Se não fosse dessa forma, já teria caído no esquecimento.

 

Essa concepção trinitária do cristianismo vem de tempos remotos.

 

Babilônios, egípcios e gregos já esboçavam de forma bastante proeminente características bem peculiares em relação à trindade. O que se pode inferir que a trindade é um arquétipo que vem evoluindo ao longo dos séculos.

 

E o desenvolvimento da imagem de Deus de um para três é importantíssimo dentro da evolução da psique como um todo, esse desenvolvimento corresponde as três etapas evolutivas da psique.

 

Mas aí vem a pergunta que não quer calar...

 

A totalidade exprime-se em símbolos quaternários, a mandala é um exemplo que exprime a totalidade da psique, dividida em quatro. E o que falta para completar a trindade?

 

Já que as três pessoas divinas são perfeitas?

 

Bem, nesse ponto em 1950 a Igreja Católica resolveu dar o ar da graça e promulgar o Dogma da Assunção de Maria, segundo Jung esse acontecimento significa que a quaternidade poderia estar completa.

 

Isso segundo a Igreja. Poderia... Jung foi bem claro.

 

Para a quaternidade figurar completa seria necessário juntar aos aspectos numinosos da trindade a sombra, o lado obscuro, o lado sombrio para que a união de opostos possa sim fazer jus à totalidade.

 

À medida que as minhas pesquisas iam avançando mais eu percebia que a temática é mais profunda do que parece. É importante salientar quando Jung fala de religião, ele não fala de qualquer credo ou religião em particular.

 

O que interessa é a atitude religiosa como função psíquica.

 

É a experiência religiosa como processo psíquico, é isso.

 

Jung não só aborda sobre esse tema da trindade no OC – 11/2, mas também em Aion (OC – 9/2) e Resposta a Jó (OC – 11/4), este último não utilizado por mim, a não ser para citações.

 

Acredito que essa questão da trindade e do quatérnio é um ponto muito significativo a despeito do inconsciente coletivo, pois fica claro que a trindade é um arquétipo que sempre aparece ao longo dos séculos.

 

E nem precisa falar sobre a questão dos números: o uno – o outro – o terceiro. O três é um número perfeito, representa Deus, pois significa início, meio e fim.

 

O número um não inicia a contagem, mas sim com o dois, o outro.

 

Iremos nos deparar com essa questão da numerologia com Platão e Pitágoras (indico a obra Psique na Antiguidade – Volume I de Edward F. Edinger, capítulo sobre Pitágoras página 31 e capítulo sobre Platão página 81).

 

Para Jung, a trindade é uma representação incompleta da divindade.

 

Tanto é que as imagens das mandalas exprimem um sentimento de estabilidade e repouso, um sentimento de equilíbrio. Normalmente quando se está em perigo a mandala surge como um propósito estabilizador.

 

Todo evento que se desenrola no tempo tem um início, um meio e um fim. Passado, presente e futuro. É bem por aí que se desenrola nossa conversa, nobre leitor.

 

Então em relação a todo esse processo, pode-se dizer que o número 3 representado pelo Espírito Santo é uma união de contrários, segundo Jung.

 

Agora ao traçar um paralelo com o filósofo alemão Hegel é possível perceber um paralelo para esse simbolismo dos números, para a compreensão do processo histórico.

 

De acordo com Hegel, todos os movimentos e acontecimentos da história humana se enquadram num padrão cíclico ternário:

- Tese – uma oposição original;

- Antítese – a oposição se forma, cresce e supera a primeira;

- Síntese – a unilateralidade e a inadequação da antítese são reconhecidas, e a síntese dos dois opostos a substitui.

 

A fórmula é: TESE – ANTÍTESE – SÍNTESE.

 

Só que muita gente não se dá conta que a síntese pode se tornar uma nova tese, aí o ciclo se repete. Essa fórmula é aplicada até hoje, principalmente em formulações científicas.

 

Essa foi uma percepção de primeira grandeza, é ou não é uma evidente expressão do arquétipo trinitário? Acredito que sim, tenho a mais plena certeza.

 

Até mesmo porque, através de mais um exemplo, o desenvolvimento da consciência se desenvolve através de três fases, olha aí mais uma perspectiva da trindade:

1 – O ego identificado ao Si-mesmo;

2 – O ego alienado do Si-mesmo;

3 – O ego unido de novo ao Si-mesmo – O eixo ego-Si-mesmo.

 

Por isso é muito importante compreender essa questão da trindade cristã analogamente ao desenvolvimento da consciência da nossa psique:

 

- A idade do Pai (Si-mesmo);

- A idade do Filho (ego);

- A idade do Espírito Santo (eixo ego-Si-mesmo).

 

A ideia medieval de CORPO – ALMA – ESPÍRITO, também é outra representação trinitária da totalidade. A questão da teoria alquímica com o uso de MERCÚRIO – ENXOFRE – SAL.

 

O próprio Freud com o Id – Ego – Superego.

 

Agora me lembrei de Lao Tsé que diz: O um gera o dois, o dois gera o três e o três gera todas as coisas (Tao Te King, 42).

 

Percebo que essa questão do três e do quatro funciona mais ou menos assim, que três é a tese e o quatro é a antítese, que devem ser resolvidos numa nova síntese.

 

Sendo mais preciso, a quaternidade só não deu o ar da graça, pois o quatro é tido simbolicamente com traços da personalidade feminina, os números pares têm essa representação, o três por ser um número ímpar representa fidedignamente a sociedade patriarcal em que vivemos.

 

Esse é um dos motivos do quatérnio não ser o protagonista em toda essa história que envolve o três e o quatro: a trindade e a quaternidade.

 

A quaternidade não representa um símbolo completamente adequado para a totalidade, segundo Jung, é necessário haver uma síntese entre a quaternidade e a trindade.

 

Mais especificamente falando, o símbolo da trindade representa um processo dinâmico, de constante mudança, de melhorias numa expansão consciente, ou seja, ao processo de individuação.

 

A missa por exemplo, para Jung, é um rito do processo de individuação, interessante não é? Em todas essas pesquisas, e não foi pouca pesquisa, pude perceber a extensão de todos esses questionamentos.

 

É tudo muito ramificado. Tudo interligado. É maravilhoso.

 

Para concluir o texto de hoje, chego à conclusão que a quaternidade não deu o ar da graça ao marcar a nossa civilização por mais do que questões psicológicas, mas políticas e antropológicas de organização tribal e patriarcal.

 

Ficou claro que a presença do feminino não era bem vista numa sociedade marcada profundamente por presença masculina. E a trindade é a representação máxima do patriarcado.

 

Apesar da busca pela quaternidade ser uma constante e temos vários exemplos:

- Os 4 evangelistas (Matheus – Marcos – Lucas – João);

- As localizações cardeais (Norte – Sul – Leste – Oeste);

- As estações da natureza (Primavera – Verão – Outono – Inverno);

- Os estados da matéria (Quente – Frio – Seco – Molhado).

 

Deixo bem claro no nosso diálogo hoje que deveria haver uma combinação, um diálogo do trino com o quatérnio. Essa relação com a dialética Hegeliana acende ainda mais o debate, de ter sempre o trino como completude no pleno desenvolvimento da consciência como um todo, numa rota para o processo de individuação.

 

Como indicação vou deixar mais uma obra: A doença que somos nós – A crítica de Jung ao cristianismo, de John P. Dourley. Aborda sobre toda essa questão de forma bem concisa e didática, o livro foi editado pela Paulus, principalmente o capítulo 5 página 72.

 

Essa obra é muito boa, fora as que vou deixar nas referências.

 

Então já vou finalizar o texto de hoje com uma frase do Oráculo de Delfos, na qual Jung fez gravar em pedra, e colocou no alto da sua porta da sua casa em Küsnacht: Invocado ou não invocado, Deus estará presente.

 

E eu completo: a trindade também!

 

Até a próxima, se Deus permitir.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

DA SILVEIRA, Nise – JUNG, vida e obra. Editora Paz & Terra, Ano: 2023.

DOURLEY, John P. – A doença que somos nós - A crítica de Jung ao Cristianismo. Editora Paulus, Ano: 1987.

EDINGER, Edward F. – A psique na Antiguidade – Volume I (Filosofia Grega Antiga). Editora Pensamento (Selo Cultrix), Ano: 2005.

EDINGER, Edward F. – Ego e Arquétipo, uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos fundamentais de Jung. Editora Pensamento (Selo Cultrix), Ano: 2020.

HEGEL, G. W. F. – Hegel – conceitos fundamentais. Editora Vozes, Ano: 2021.

JUNG, Carl Gustav – Interpretação psicológica do dogma da trindade (OC – 11/2). Editora Vozes, Ano: 2013.

JUNG, Carl Gustav – AION, estudos sobre o simbolismo do Si-mesmo (OC – 9/2). Editora Vozes, Ano: 2013.

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