A RATOEIRA DE KARL MARX
O título da postagem de hoje é o reflexo de outras postagens que com o passar dos tempos venho a desenvolver aqui neste canal, farei menção a alguns termos que já vimos aqui.
Como alteridade, patriarcado, arquétipo da grande mãe, self, arquétipo, sombra e dentre outros.
Há algum tempo ansiava escrever sobre Karl Marx.
Mas numa visão que você já está acostumado(a) aqui no blog: da psicologia analítica. Mas não poderia escrever sem antes estabelecer alguns dados específicos sobre alguns temas de antemão reitero, já debatidos aqui.
Sugiro que se puder leia esses textos antes de prosseguir à leitura do texto:
Segundo o que já foi estudado, o arquétipo da alteridade iniciou há dois mil anos, mas continua a crescer, continua a se expandir. Pra ser sincero, ainda está no seu início.
Ele é uma inteligência muito mais profunda que os arquétipo matriarcal e patriarcal. Ele é muito mais que uma condição estruturante de poder, mas uma completa identificação de cada símbolo.
Por isso expressões como “dar a outra face”, “amar ao próximo como a ti mesmo” refletem essa perspectiva. Esse arquétipo da alteridade apoia-se nos outros dois arquétipos: matriarcal e patriarcal.
E por isso mesmo para a implantação desse arquétipo requer o desapego, o que é sempre muito difícil e doloroso.
Não foi por acaso que, ao se tornar Cristo, Jesus tornou-se também “o cordeiro sacrificial que tira os pecados do mundo”.
E com o passar da história, a Inquisição foi a grande perseguidora da Alteridade.
Mas por meio do método científico, a alteridade conseguiu se expandir dentro das universidades.
Para ser mais direto, as grandes revoluções sociais na história foram causadas pelo arquétipo da Alteridade. Revolução Industrial e a Francesa foram as principais.
Mas com essa expansão ocasionou uma grande sombra do desenvolvimento, como desemprego, miséria, fome e desumanidade.
Nesse período, principalmente no Iluminismo e Revolução Francesa os arquétipos disputavam quem deveria tomar a dianteira nessa situação.
O que os movimentos de esquerda têm dificuldade de entender é justamente isso. Não resistem à patriarcalização do ódio, expressas pela luta de classes caminham para ditadura e depois se dizem vítimas, encobrindo sua ideologia totalitária.
Com o passar dos séculos houve uma dissociação do Self cultural, a ciência reduziu a verdade a uma dimensão puramente objetiva, a subjetiva passou a ser “descartada”.
Houve a partir daí uma disfunção da questão subjetiva.
O resultado desta cisão foi o surgimento, no século XIX, do positivismo, do materialismo científico e do materialismo dialético. Para expressar a verdade científica dissociada e com empáfia defensiva, assinalada por Jung como “a vaidade grosseira dos cientistas”.
É importante que se diga que o Socialismo surgiu a partir daí com o Iluminismo. Como expressão do arquétipo da Alteridade.
O Self Cultural dissociado e a verdade científica reduzida ao materialismo formaram a filosofia do século XIX, e nessa situação entram em cena dois personagens importantes que redigiram o Manifesto Comunista: Marx e Engels.
De cara já descartaram as demais correntes socialistas como sendo idealistas e classificaram a questão social a dimensão econômica. E manifestaram esse estudo na luta de classes.
Percebe como a questão da Alteridade com Jesus é necessária para o entendimento do texto de hoje?
E que essa dissociação do Self Cultural propiciou que o paradigma científico se tornasse a chave para se buscar a verdade e também foi reduzido a uma dimensão objetiva.
A essência do Socialismo é o acolhimento, por amor, dos menos favorecidos e das minorias oprimidas, daí o lema “liberdade, igualdade e fraternidade”, que empolgou a Revolução Francesa, em busca da República.
Sua analogia com o Sermão da Montanha de Jesus é inegável:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;... Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;... Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; ...
(Mateus 5:1-10).
Mas ao invés de expressar o Manifesto pela dialética da Alteridade, estabeleceu a ideia da ditadura do proletariado e pelo ódio ao outro. Coroou a eliminação da teoria de Hegel, que é da tese x antítese em direção a síntese.
Acredito que o erro de Karl Marx foi um erro epistemológico.
Sim, ele foi de um reducionismo severo sem antever o que lhe aguardava, ou melhor, ao que aguardava as classes menos favorecidas, sempre destroçadas.
Provando que os fins justificam os meios. Sem oposição de ideias.
Ele foi de um redutivismo sem tamanho, o que proporcionou mais adiante um extermínio em massa, com Lenin e Stalin (40 milhões de pessoas) e Mao Tse Tung (60 milhões).
É impressionante como a dinâmica arquetípica do comunismo é parecida com o Nazismo. Cuja principal arma era a eliminação da diferença.
Nazistas - judeus, ciganos, homossexuais, deficientes...
Comunismo – nobreza e burquesia
E hoje temos uma ameaça à paz mundial com o armamento da Coreia do Norte. Do ditador Kim Jong-Um.
O Socialismo comunista usurpou autocraticamente a representação da esquerda para justificar seus posicionamentos políticos e projetar defensivamente sua Sombra ditatorial em qualquer opositor com o rótulo de direita e de fascista.
Esse aprisionamento dos movimentos sociais dentro do dinamismo patriarcal defensivo da luta de classes é um dos maiores entraves, muitas vezes populistas e demagógicos, para a transformação progressista da cultura pelo Socialismo democrático.
Karl Marx armou a ratoeira que ele mesmo caiu.
Karl Marx armou a ratoeira que ele mesmo caiu.
Até a próxima!
Referências bibliográficas
BYINGTON, Carlos Amadeu Botelho (2008). Psicologia Simbólica Junguiana. A viagem de humanização do cosmos, em busca da iluminação. São Paulo: Linear B, 2008.
DESCARTES, René (1637). Discurso do Método. Porto Alegre: L&PM Eds., 2005.
ENGELS, Friedrich e MARX Karl, (1848). Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo Editorial, 2015.
LÉVI-STRAUSS, Claude (1958). Antropologia Estrutural. Biblioteca Tempo Universitário, Vol 7, pg. 393. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro, 1975.
ROUSSEAU, Jean-Jacques (1762). O Contrato Social. Porto Alegre: L&PM Eds., 2007.


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