A MORTE DO TERAPEUTA
Hoje estou aqui para falar sobre um assunto delicado.
Suicídio.
Hoje é o dia mundial de prevenção ao suicídio - 10.09.2018.
Hoje estou aqui para falar sobre um assunto tabu na seara clínica, o suicídio entre profissionais da saúde mental: psiquiatras, psicólogos e psicanalistas.
Quem de nós já não precisou de algum desses profissionais?
Eu mesmo sou acompanhado por um grande profissional dessa área: psiquiatra. Tenho Transtorno Bipolar de Humor como já mencionado numa postagem anterior e desenvolvo a psicoterapia junto a este profissional.
Um grande médico por sinal. E também um grande amigo.
Esses profissionais lidam constantemente não só com as alegrias, mas principalmente com as frustrações dos seus pacientes.
São verdadeiros depositários das nossas angústias e chateações; alegrias e irritabilidade.
É necessário que também cuidem de sua saúde mental mais do que nunca. Sem antes enxergar o tabu por justamente serem profissionais da área psi deveriam enxergar as suas próprias limitações.
A pesquisa sobre suicídio entre esses profissionais é bastante escassa. Pela alta complexidade envolvida no desenvolvimento deste tipo de investigação.
Precisamos falar sobre suicídio no meio profissional, especialmente sobre o viés da prevenção. Falamos tanto abertamente sobre suicídio entre jovens e adultos e esquecemo-nos dos que nos ajudam.
Há um verdadeiro estigma.
Há o preconceito por ser alguém da área e também a ajuda pode ser interpretada como humilhação ou fracasso de quem é da área. Sabe-se que uma das razões mais comuns de psicólogos e terapeutas não admitirem sofrer depressão ou ideações suicidas está relacionada ao medo da censura profissional (Deutsch, 1985).
Todas essas questões dificultam muito a intervenção e prevenção do suicídio entre trabalhadores da saúde mental. DeAngelis (2011) sugere que algumas medidas deveriam ser tomadas para prevenir o suicídio entre psicólogos (e psiquiatras):
(1) treinamentos sobre risco e prevenção ao suicídio deveriam ser incluídos nos cursos de formação e qualificação de profissionais de saúde mental;
(2) melhoraria no treinamento dos profissionais qualificados não somente no gerenciamento do comportamento suicida com clientes, mas também em métodos de intervenção com colegas que eventualmente estejam vivenciando dificuldades;
(3) tornar habitual a discussão sobre os desafios envolvidos em ser um psicólogo;
(4) melhorar o ensino sobre estratégias de como lidar com possíveis casos de morte de colegas por suicídio;
(5) criar grupos de suporte profissional a fim de reduzir o isolamento inerente ao exercício da profissão.
Tema delicado.
Mas acredito que essa tarefa cabe aos amigos, familiares e profissionais dessas áreas, claro. Da mesma forma que trabalham divulgando aqui na sociedade como um todo, acredito que também trabalham nos consultórios de forma preventiva.
Mais do que seres ditos “intocáveis” por muitos, eles são nossos amigos também e merecem assim como a população, atenção de nossa parte (pacientes) e da sociedade como um todo.
Até a próxima.
Referência
ZORTEA, T. C. E quando o psicólogo ou psiquiatra morre… por suicídio?. Glasgow, 2015. Disponível em: http://comportamentoesociedade.com;. Acesso em: 10/09/2018


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