BEM-VINDO AO BRASIL FEUDAL
Peço licença a você leitor, para hoje escrever um texto de cunho político, sei que este blog é de psicologia analítica e filosofia, mas você irá entender o motivo, acredito.
Não muito tempo atrás, nos idos de 2007, quando assistia às aulas no ensino médio com o grande mestre em história D’laias Moares, especialista em Idade Média pude perceber que o Brasil nunca saiu do referido período.
Segundo M. Monteiro: "Por feudalismo devemos entender o modo de produção no qual as relações sociais de produção estão baseadas na servidão; a propriedade dos meios de produção está dividida entre a classe dominante (a nobreza feudal) e a classe dominada (os servos), e o objeto fundamental da produção é o valor de uso."
O colonialismo empregado aqui no Brasil admitiu um feudalismo fragmentado, mas a economia mercantil estava em formação. Portanto a economia latifundiária tomava uma base forte não do feudalismo, mas do capitalismo.
Mas essa mistura de conceitos e características não foi suficiente para diluir os efeitos de uma sociedade feudal...
Muito frequentemente as formas escravistas entrelaçaram-se com as formas servis de produção: o escravo provia o seu sustento dedicando certa parte do tempo à pesca ou à lavoura em pequenos tratos de terra que lhe eram reservados.
Desse modo, o regime de trabalho escravo se misturava com o regime medieval da renda-de-trabalho e da renda produto, além de outras variantes da prestação pessoal de trabalho.
Não faltava aos senhorios coloniais a massa de moradores "livres" ou de agregados, utilizados nos serviços domésticos ou em atividades acessórias desligadas da produção, os quais coloriam o pano de fundo do cenário feudal.
O regime latifundiário no Brasil hoje acredito que chega a ser tal e qual ao que era empregado no Brasil-Colônia, se não for pior. A meu ver o aspecto mais preponderante a respeito do feudalismo.
Essa estrutura latifundiária feudal e colonial, apresenta características primordiais do capitalismo. Ou seja, ter terras, ser dono de terras era sinônimo de poder e ainda hoje é!
Mostram-nos tais conclusões, que a redistribuição da terra, a divisão da propriedade latifundiária não é uma simples operação aritmética, uma reparação de injustiças ou uma medida de assistência social.
Sem contar que nesse texto dou ênfase a poucas situações que caracterizam este país como um dos mais ricos e ao mesmo tempo um dos mais atrasados do mundo.
Não é necessário ser do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) para saber que uma reforma agrária é necessária para sair de um governo que possui um sistema espoliativo e opressor.
Tudo isso para libertar as forças produtivas e abrir novos caminhos à emancipação econômica e ao progresso de nosso país.
Por isso que sempre afirmei que o Brasil nunca saiu do feudalismo.
Por essas e outras que segundo a visão de grande parte dos historiadores que as superestruturas feudais influenciaram bastante a colônia. Impregnaram-se de forma constante aqui no Brasil. Por exemplo para Caio Prado Júnior que analisava principalmente a circulação e não o processo de produção como os marxistas.
Até hoje temos a presença de trabalho escravo, algo que acredito ser análogo à servidão. Essas e outras situações transformam esse país num campo minado para a sobrevivência.
Um governo que tolhe cada vez mais direitos.
Que prioriza os ricos e pretere os pobres.
Que faz de tudo para ridicularizar ao passo que é ridicularizado, óbvio.
Um país que só regride cada vez mais.
Sinceramente leitor, sei que este espaço é para psicologia analítica preferencialmente como já falei, mas diante de tudo que está acontecendo não posso nem devo me calar. E olha que só fiz pincelar um quadro que merece mais tinta guache.
Olho para todos os lados e não vejo saída, a situação é de amargar.
Tinha que escrever esse texto hoje. Que Deus nos ajude hoje, porque na época da Idade Média diziam que Ele tirou férias.
Um fraternal abraço e até a próxima.


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