A CONVERSÃO DE SÃO PAULO – PEDAGOGIA DE DEUS

maio 20, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments



Oi leitor do blog Saber Jung!

O texto de hoje será sobre “A conversão de São Paulo” continuando a série Pedagogia de Deus.

Aqui neste espaço já falamos sobre vários assuntos nesta série que particularmente gosto muito: sobre a adúltera, sobre os ladrões, a samaritana, o bom samaritano, Jó e dentre outros assuntos.

Mas nada me toca tanto quanto falar sobre São Paulo e sua conversão.

A meu ver é uma das passagens mais tocantes na Bíblia.

Apesar de se ter pouca informação sobre a vida do apóstolo Paulo, tentarei esmiuçar tudo o que sei, de acordo com as minhas pesquisas sobre sua história.

Paulo, nome romano de Saulo, nasceu em Tarso na Cilícia (Atos 16:37; 21:39; 22:25). Tarso não era um lugar insignificante (Atos 21:39), ao contrário, era um centro de cultura grega.

Tarso era uma cidade universitária que ficava próxima da costa nordeste do Mar Mediterrâneo. Embora tenha nascido um cidadão romano, Paulo era um judeu da Dispersão, um israelita circuncidado da tribo de Benjamin, e membro zeloso do partido dos Fariseus (Romanos 11:1; Filipenses 3:5; Atos 23:6).

Recebeu ensinamentos do renomado Doutor da Lei Gamaliel, neto de Hillel.

Na morte de Estevão, que foi o primeiro mártir da Igreja, ele recebeu autoridade oficial para liderar as perseguições. Além disso, na qualidade de membro do concílio do Sinédrio, ele dava o seu voto a favor da morte dos cristãos (Atos 26:10).

Ele acreditava piamente que estava fazendo cumprir a lei e servindo a Deus. A questão é que as passagens sugerem uma súbita conversão, mas acredito que Deus o preparou para esse momento.

O que se sabe realmente é que Paulo de Tarso partiu furiosamente em direção a Damasco com o intuito de destruir a comunidade cristã daquela cidade.

De repente, algo inesperado aconteceu, algo que causou uma mudança radical, não só na vida de Paulo de Tarso, mas no curso da História. Vejamos a passagem:

E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer.(Atos 9:3-6)

Ao escrever Atos dos Apóstolos, Lucas descreve essa passagem como um ato miraculoso, fantástico, haja vista que um inimigo de Deus acabara por se transformar em apóstolo.

Ele ouviu Cristo e seguiu seus ensinamentos:

Respondeu ao chamado de Cristo: o primeiro aspecto da mudança na vida do apóstolo Paulo pode ser percebido quando, imediatamente, ele responde à voz de Cristo: “Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 9:6). Essa pergunta marcou o começo de seu novo relacionamento com Cristo (Gálatas 2:20).

De perseguidor a pregador do Evangelho:a mudança radical que atingiu a vida do apóstolo Paulo fica evidente na mensagem que ele começou a pregar na própria cidade de Damasco. Isso é realmente impressionante. Ele começou a pregar o Evangelho no mesmo lugar em que pretendia prender os seguidores de Cristo (Atos 9:1,2).

Mudança de vida total:antes da conversão, Paulo de Tarso não aceitava a divindade de Jesus. Ele até acreditava que ao perseguir seus seguidores como um animal selvagem, tentando força-los a blasfemar contra Jesus, estaria fazendo a vontade de Deus (Atos 26:9-11; 1 Coríntios 12:3). É certo dizer que ele via Jesus como um impostor. Após sua conversão, sua pregação não era outra senão anunciar que Jesus é o Filho de Deus (Atos 9:20). O Paulo duro, rigoroso, ameaçador e violento de outrora, depois de convertido passou a demonstrar ternura, sensibilidade e amor. Essas características ficam evidentes em suas obras.

Após o encontro que teve com Cristo, o apóstolo Paulo chegou em Damasco e recebeu a visita de Ananias. Foi Ananias quem o batizou (Atos 9:17,18). Também foi ali, naquela mesma cidade, que Paulo começou sua obra evangelística.

Depois de tentar se enturmar com os apóstolos ele se tornou um missionário.

A estratégia missionária usada pelo apóstolo Paulo pode ser resumida da seguinte forma:

1.    Ele trabalhava nos grandes centros urbanos, para que dali a mensagem se propagasse nas regiões circunvizinhas.
2.    Ele pregava nas sinagogas, a fim de alcançar judeus e prosélitos gentios.
3.    Ele focava sua pregação na comprovação de que a nova dispensação é o cumprimento das profecias da antiga dispensação.
4.    Ele percebia as características culturais e as necessidades dos ouvintes. Assim ele aplicava tais particularidades em sua mensagem evangélica.
5.    Ele mantinha o contato com as comunidades cristãs estabelecidas. Esse contato se dava por meio da repetição de visitas e envio de cartas e mensageiros de sua confiança.
6.    Ele estava atento as desigualdades presentes na sociedade de sua época, e promovia a unidade entre ricos e pobres, gentios e judeus. Além disso, ele solicitava que as igrejas mais prósperas auxiliassem os mais pobres.

É nessa perspectiva que acredito que Paulo, assim como a samaritana, como Tomé; ele, Paulo teve um encontro especial com o Self, Si-mesmo, Imago Dei.

Até mesmo porque o processo de conversão ocorre de dentro pra fora e não o contrário.

Portanto é necessário ouvir a voz de Deus dentro de nós, uma voz inconsciente para alcançar a plena liberdade consciente. No caso o encontro de São Paulo reflete a voz interior advinda do Self.

Acredito leitor que o encontro com o divino também é o encontro com a nossa sombra! E foi isso que aconteceu com a história de Paulo de Tarso.

Cada fase da nossa vida reflete uma tentativa de tentar se relacionar com Deus. Pois sua ideia reflete nossa capacidade e estado emocional.

Não me refiro aqui ao conceito de Deus, mas a imagem psicológica que trazemos em nós de Deus. Digo e repito, é praticamente impossível nos relacionarmos com o Deus criador de tudo, mas podemos nos relacionar com o Deus que habita em nós, com sua imagem psicológica.

Temos vários exemplos simbólicos de como esse encontro pode ocorrer, vou citar alguns:

1-   O encontro de Jacó e o Anjo de Iahweh no Antigo Testamento
2-   Arjuna e Krishna, na Sagrada Escritura dos Hindus
3-   Nietsche e Zaratustra
4-   Paulo e Cristo, nossa análise.

Psicologicamente foi uma transformação radical, a de Paulo.

A ponto de uma nova identidade nascer do encontro com a Grande Personalidade. O ego mudou tão significativamente que não respondeu mais ao mesmo nome.

Resumindo: o encontro de Paulo com Cristo foi o encontro do eu pequeno com a Grande Personalidade (Self). Que o transformou num novo homem, num novo ser.

Jung já afirmava em relação a São Paulo:

“Foi o próprio ataque aos cristãos que o transformou. Trata-se daquilo que se fala. Não da sua aceitação, ou negação”

São Paulo tornou-se “escravo” do Cristo. Ele em sua carta aos Romanos e aos Filipenses diz ter se tornado “escravo” do Cristo.

Por isso, celebrar a Conversão de São Paulo é celebrar o chamado que Jesus faz a todos nós de, no encontro com Ele, mudar a direção da vida, fazendo do Evangelho a Palavra que ilumina todas as nossas escolhas.

Até a próxima se Deus quiser.

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