MAL-ESTAR NA EXISTÊNCIA

julho 03, 2013 Randerson Figueiredo 0 Comments



Quando li o a obra de Freud intitulada: O mal-estar na civilização confesso que fiquei com muita vontade de escrever um texto sobre o assunto.

Antes de mais nada este livro deveria se chamar Mal-estar na existência. Eu explico o porquê. Segundo o livro, para Freud, o mal-estar está na civilização pois se não fôssemos civilizados conseguiríamos encontrar prazer, desta forma seríamos felizes.

Mas eu discordo do pai da psicanálise, a questão deveria ser reformulada não para a civilização, mas para a existência. Acredito que o homem nunca admitiu a sua condição humana.

O Homem busca constantemente a felicidade, sob dois aspectos: ausência de desprazer ou obtendo prazer. Não suportamos a felicidade contínua, por isso a importância do sofrimento.

Lembrei-me agora do texto bíblico, mitologia cristã. Adão e Eva no paraíso, será que os dois se sentiam felizes no paraíso, a ponto de desobedecer o Criador?

Não pessoal! Como disse, o Homem nunca admitiu a sua condição humana, creio que ali eles já estavam infelizes, como bem citou Goethe: "nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos".

Adão e Eva é o exemplo clássico de que essa sucessão de dias belos é extremamente estafante e adoecedor. Existem ameaças aos sentimentos: a decadência do próprio corpo, o mundo externo que pode voltar-se contra nós e, o principal e mais penoso, o relacionamento com os outros.
O mal-estar da existência é pré-civilizatório. Então, sob a pressão dessas ameaças ao sofrimento, o Homem abre mão do princípio do prazer em prol do princípio da realidade por meio do controle da vida instintiva, acreditando estar feliz por ter escapado da infelicidade e sobrevivido ao sofrimento.

Evitar o sofrimento está em primeiro plano e o prazer coloca-se no secundário; caso haja o sofrimento no relacionamento humano, o indivíduo tende a isolar-se conseguindo assim, a felicidade da quietude que se pode denominar de sacrifício da vida.

A civilização, segundo Freud, é a responsável pela desgraça da humanidade; se não fossemos civilizados seríamos primários e viveríamos sob o princípio do prazer e aí seríamos felizes.

O que buscamos para nos proteger está inserido nesta mesma civilização que nos faz sofrer. Somos hostis com a civilização porque nos tornamos neuróticos por não tolerar as restrições impostas pela sociedade, a qual nos impede o alcance da felicidade.

Percebe-se que apesar de dominar-se a natureza não se chegará ao objetivo final do propósito do viver, que é ser feliz. A felicidade é, na sua essência, subjetiva.

Temos inclinação da agressividade perante aos outros e conosco, isto nos perturba muito ao nos relacionarmos com os demais. É difícil amar aquele que não conheço.

É difícil manter o ensinamento "amar o próximo como amas a ti mesmo". Este próximo não é apenas um ajudante em potencial ou objeto sexual, mas também alguém que irá satisfazer a minha agressividade, submetendo-o a diversos papéis, como: trabalho escravo, abuso sexual, roubo, humilhação, sofrimento, tortura, morte, etc.; as paixões do instinto são maiores que qualquer outro interesse.

Sempre haverá a destruição da natureza para a construção da civilização. Sem a agressividade os Homens sentem-se desconfortáveis. É difícil viver na civilização porque é imposto ao sacrifício da sexualidade e, também, ao da agressividade. Nos achamos altamente evoluídos mas somos extremamente atrasados no tratamento dado aos outros, no modo de nos relacionarmos.

O homem primitivo achava-se mais confortável por não conhecer as restrições do instinto, por outro lado, o Homem civilizado abriu mão de uma parcela de possibilidades de felicidade por uma parcela de segurança.

O controle da natureza pelos Homens deu-lhes o poder de exterminá-los, este é o principal mal-estar na civilização/existência traduzido por inquietação, infelicidade e ansiedade.

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