AS DORES DO MUNDO | POESIA
AS DORES DO MUNDO
- POESIA
Por Randerson
Figueiredo
Lava-me a alma caridosa
As lágrimas que por ora choro
Fenece os rompantes daquilo que adoro
Cura os amores em ideia caprichosa
Em tom solene a vida traz à lume
O colorido já desbotado da aquarela
Entre becos sem saídas está a viela
A seguir o ponto de luz do vaga-lume
A iluminar o breu profundo
Que se aproxima da montanha Sagrada
Esta sempre bem iluminada
Um mistério insondável deste mundo
Onde os lenhadores acendem a fogueira
Recolhem suas lenhas como trabalho
Elas choram pelo ato falho
Ao queimarem na lareira
Se hoje o meu interior
Reflete o frio que vem de fora
Chegou a grande hora
Espelhar o verdadeiro amor
As dores sofridas não calam o viver
É forte aquele que mergulha com a alma
Mantém uma incrédula calma
Entre o nascer e o morrer
Preciosas são as fragilidades
São elas que nos ofertam diamantes
Lapidados e amarrados em barbantes
A riscar todas as iniquidades
Brilham ao menor sinal de luminescência
Como os olhos de um gato siamês
Coradas são as bochechas da minha tez
Hoje presto minhas preces em vidência
De tudo que vivi hoje labuta minha coragem
Sossegada e abraçada com a realidade
Hoje sorrio ao navegar no lago da bondade
Sementes foram plantadas em aragem
Onde o meu pranto ressuscita o moribundo
E ele mesmo conserta o arado
Nem de perto vivi o que viveu o Crucificado
Ao morrer e a reviver por este mundo
Randerson Figueiredo, em 3 de março de 2025 às
20h30.


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