OS GURUS DE SODOMA E OS JULGAMENTOS DE GOMORRA – POSTAGEM ESPECIAL
Uma
sagrada verdade sempre será inacessível àquele que faz da mentira uma crença
inabalável.
-
Randerson Figueiredo
Olá,
prezado leitor deste humilde e sincero blog.
O
mundo ultimamente se transformou numa bandeja de restaurante pronto a sempre
servir o melhor prato ou o pior dependendo da situação.
Não
me cabe aqui o julgamento raivoso e intempestivo sob qualquer hipótese,
acredito que a vida tem me ensinado grandes e importantes lições no que diz
respeito a intersubjetividade.
Acredito
que todos nós estamos a saber do que aconteceu com o líder espiritual Dalai
Lama, e o alvo de julgamentos que ele foi acometido por parte de certos
posicionamentos.
Acredito
que mais do que nunca, uma reflexão é necessária.
Eu
vou falar diretamente por mim... Há muitos anos, desde quando me deparei com a
psicologia analítica, percebi o quanto a questão da sombra é importante do
ponto de vista não só ontológico, mas puramente físico-espiritual mesmo.
Quando
li a obra de Deepak Chopra, O EFEITO SOMBRA, percebi que em minhas mãos estava
algo que poderia não só trabalhar como efeito de pesquisa, mas trabalhar
primeiramente em mim para depois tentar enxergar no outro.
Sim,
muitas vezes esquecemos desse pequeno detalhe.
Aquilo
que te irrita no outro pode levar a um melhor conhecimento sobre nós mesmos.
–
Carl Gustav Jung
Um
vídeo que circulou em todas as redes sociais mostra o líder espiritual pedindo
que uma criança chupe a sua língua. E aí? O que argumentar sobre essa situação?
É
bem verdade que a sociedade se sustenta num nível hierárquico amplamente regido
pelo patriarcado, e que por conseguinte é respaldado numa soma de outros
fatores que sustentam uma miscelânea de ações injustificadas a sempre
corroborar o que é válido para uns, mas insustentável para outros.
Nessas
minhas andanças internet afora, no meu instagram aqui do blog o @blogsaberjung,
sou seguido e sigo muita gente que obviamente sabe muito, mas muito mais do que
eu em relação a muitos assuntos. E eu claro, fui pedir ajuda a quem entende.
Antes
de fechar esse post, conversei com o professor de psicologia profunda Jorge
Miklos, uma grande referência para mim na abordagem junguiana, assim como
muitos outros, felizmente mantemos uma relação amistosa uns com os outros.
Ele
compartilhou uma postagem que me motivou a escrever estas linhas que
compartilho com você. Ele retirou do Instagram Despatriarcando, um importante canal de reflexão e análise fabuloso da Universidade Paulista. O meu muito obrigado aos representantes do canal.
Até
que ponto invadimos o espaço do outro?
Até
que ponto tratamos o outro como objeto?
Na
mesma perspectiva rolando o feed do Instagram me deparei com um teólogo, o qual
admiro, defendendo veementemente o seu amigo guru: ele tem o hábito de fazer comentários jocosos e seu comportamento é
puro. Disse o teólogo, que inclusive foi perseguido pela Igreja e sua
teologia alicerçada em parâmetros puramente sociais foi rechaçada pela
comunidade eclesial.
Igreja
essa que acobertou a presença de padres pedófilos durante muitos anos, diga-se
de passagem.
Até
que ponto questões como essas são tratadas somente como objeto de identificação
cultural e não como um atentado violento à dignidade do ser?
Muitas
são as perguntas e poucas são as respostas.
E
o mais curioso de tudo é que nós homens sempre somos colocados em posição de
vantagem, sempre. Como se fôssemos deuses ou heróis capazes de fazer birra caso
algo não dê certo.
O
patriarcado é uma desgraça! Reitero meu posicionamento, sempre.
Já
escrevi mais de uma vez sobre esse assunto aqui no blog.
E
o patriarcado está presente na manifestação desses “representantes de Deus na
Terra”, nesses gurus que a todo instante se deixam abraçar pelos desdobramentos
da sombra, do seu lado mais sombrio, do seu lado mais oportuno em seu benefício
próprio.
O
patriarcado reforça as desigualdades de gênero, de classes e sociais dos mais
variados tipos. Isso explica também a quantidade de mulheres que estão sendo
exterminadas a todo momento, altos índices de feminicídio.
Isso
tudo, caro leitor, é uma constatação e não julgamento.
Eu
não estou aqui para julgar quem quer que seja, meu papel não é esse, longe de
mim realizar um trabalho tão mesquinho e medíocre a ponto de dilapidar o que
construí com tanto suor e determinação.
Gurus
não existem, essa questão de representante de Deus na Terra é uma grande
invenção para como disse: manter as rígidas estruturas da sombra e do
patriarcado em evidência.
Procurar
não se alinhar junto à sombra é o melhor posicionamento, o posicionamento mais
esclarecido que podemos ofertar a quem está destruído moralmente e
emocionalmente.
As
pessoas que procuram por tais gurus são pessoas que se encontram muitas vezes
no fundo do poço, pessoas fragilizadas emocionalmente e espiritualmente.
E
tais criaturas (ditas gurus) com o intuito de se aproveitar dessas fragilidades
lançam mão de uma parcimônia fajuta e inescrupulosa capaz de fisgar o mais
atento dos seres.
Temos
que ter cuidado, muito cuidado, com pessoas que se travestem de pura harmonia,
de pura paz espiritual e gozo sem fim no mundo além.
Aqui
mesmo em Fortaleza, um rapaz se passava como líder espiritual numa seita
chamada Comunidade Afago, ele cometia abusos das piores espécies.
Veja
a reportagem: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2020/09/29/guru-espiritual-denunciado-por-crimes-sexuais-durante-reunioes-de-seita-e-preso-em-fortaleza.ghtml
Osho,
Sri PremBaba e até mesmo o João de Deus cometiam seus excessos a todo vapor,
ainda bem que as vítimas os denunciaram, a mostrar quem de fato essas figuras
“santas e iluminadas” são de verdade.
Não
existe essa de representante de Deus na Terra, reitero.
O
corpo do outro não é público, é mais do que necessário rever certos conceitos e
certos parâmetros que norteiam a civilização como um todo.
Eu
não falo nem em divisão Ocidental e Oriental, mas na civilização como um todo,
num conjunto global. Você pode até indagar, mas isso é uma tarefa impossível!
Será mesmo?
Parar
de colocar a cultura como mote para as idiossincrasias, principalmente no âmbito
religioso.
O
que acredito que devemos nos atentar é para o despertar da nossa consciência,
sempre, e perceber que em todo campo luminoso esconde sempre uma sombra à
espreita.
Não
adianta disfarçar e nem chamar Deus de “o cara lá de cima”, para justificar
qualquer situação vexatória diante dos mitos do herói e/ou do patriarcado. Afinal essa mesma que chamava Deus em suas músicas na década de 80 e que hoje está a bradar aos quatro cantos sobre o líder espiritual fez um filme com um garoto no início da carreira, salvo engano. O sujo falando do mal lavado.
Sabe
leitor, acredito que ainda há muito a ser descoberto, muito.
Desejo
agradecer enormemente ao professor Jorge Miklos, que me respondeu prontamente
sobre minhas indagações dentro da perspectiva da psicologia analítica, muito
obrigado professor. O que precisar de mim e eu puder colaborar, também estou
aqui.
Graças
a Deus posso contar com a colaboração de quem é comprometido com a pesquisa,
com a descoberta, com o ensino e principalmente com a veracidade dos fatos.
Fico imensamente feliz por isso.
Não
cabe a ninguém julgar, mas a indagar, o que de fato convém.
Vou
indicar alguns perfis no Instagram:
Professor
Jorge Miklos - https://www.instagram.com/jorge_miklos/
(Uma
grande referência na seara da psicologia profunda)
Despatriarcando
- https://www.instagram.com/despatriarcando_/
(Textos
necessários e para importantes reflexões, perfil pertence a pesquisadora/es
associados ao PPGCom em Comunicação da Universidade Paulista)
Blog Saber Jung - https://www.instagram.com/blogsaberjung/
(Deste
ser que vos escreve)
Tem
uma frase atribuída ao dalai lama que diz assim:
Não
permita que o comportamento do outro tire a sua paz.
Nesse
caso o comportamento deste senhor que se diz a reencarnação de Buda e que
muitos acreditam ser o último, está tirando a paz de muita gente, algo muito
controverso.
Então
finalizo o texto de hoje com estas reflexões, será que se trata somente de um
relativismo cultural? Um choque de culturas? O desafio nosso de cada dia está
em fazer esmaecer as ervas daninhas que surgem e infestam nosso pequeno jardim
pleno de (in)certezas.
Até
a próxima se Deus quiser.


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