APOROFOBIA OU A SÍNDROME DE CACO ANTIBES #ELEIÇÕES 2022
Muito boa tarde caro leitor do Saber Jung.
Ontem não tive condições de postar o que gostaria de postar, que é justamente sobre o assunto de hoje: aporofobia ou chamada carinhosamente por mim de síndrome de Caco Antibes.
Se você não conhece sobre esse termo não se preocupe, iremos esmiuçar passo a passo sobre essa denominação que é mais comum do que se pensa. Pelo menos é o que acredito.
Aporofobia é a aversão ao pobre, ao menos favorecido, as pessoas que nada têm a ofertar de natureza material e que na grande maioria das vezes são hostilizadas por muitos.
A postagem de hoje não seria sobre esse tema, mudei de última hora. Ao observar certas atitudes de nossos irmãos em Cristo Jesus desprezíveis com o semelhante resolvi escrever sobre o tema. E também as eleições estão se aproximando, o pobre está cada vez mais em evidência, e já sabemos perfeitamente o porquê.
E vou logo adiantando, a postagem não será em tom cômico, apesar de assim parecer. Pelo contrário, será num tom mais do que sério, elaborada exatamente para que todos nós possamos abrir os olhos.
Não sei se já conhecia a maravilhosa música que abre esta postagem do Chico Buarque de Holanda, Brejo da Cruz, se você puder dar o play e escutar enquanto lê estas linhas agradeço imensamente.
Essa canção Brejo da Cruz diz muito, mas muito mesmo sobre o que desejo contextualizar hoje. Aporofobia é um termo cunhado por uma filósofa chamada Adela Cortina, livro este que indicarei desde já, chamado: APOROFOBIA – A AVERSÃO AO POBRE, UM DESAFIO PARA A DEMOCRACIA, da Editora Contracorrernte (2020).
Com prefácio de Jessé Souza.
O livro é uma pancada no estômago, pois muitos acreditam que quem pratica a aporofobia são os mais abastados em relação aos menos afortunados. Eles também praticam, mas os principais não são eles.
Nesse aspecto estamos redondamente enganados.
Para ilustrar esse ponto da nossa conversa, eu tinha um professor de geografia, que depois se tornou meu amigo e ele dizia o seguinte: meu querido amigo Randerson: pobre não gosta de pobre – pobre só gosta de rico – rico não gosta de pobre – rico só gosta de rico.
Eu sempre achei suas assertivas muito bacanas e inteligentes, pena que este professor já faleceu, senão iria apresentar esta postagem a ele.
Pois muito bem, voltando ao assunto...
Aqueles que produzem a verdadeira fobia são os próprios pobres contra eles mesmos. Assim como o maior preconceito racial quem produz na maioria dos casos são os próprios negros.
Difícil de engolir, eu sei, eu sei o quanto esse tema é delicado. E você há de concordar comigo que essa é uma realidade social inegável e descortiná-la é deixá-la a nu por completo.
Mais do que indicar essa obra, meu objetivo é ampliar o debate.
Outro ponto que desejo destacar é quando era infante, ao assistir aos episódios de Sai de Baixo, uma satiricom que passava aos domingos, o bordão de um dos personagens soa inesquecível: eu tenho horror a pobre! Caco Antibes no largo do Arouxe era quem fazia ressoar aos quatro cantos para quem quisesse ouvir.
Interpretado por Miguel Falabella, e muito bem interpretado por sinal, ele se dizia um lorde dinamarquês, com descendência de brasões imensuráveis e tudo o mais que uma realeza pode proporcionar...
...mas ele tinha tudo que alguém desta estirpe não pode ter: era pobre. Falido. Um pé-rapado. O Sai de Baixo alcançou índices elevadíssimos de audiência à época de sua exibição, a partir de 1996.
Era uma baita crítica a classe média brasileira. E uma crítica muito bem elaborada, pois suas nuances de sátira iam muito além de constrangimentos e péssimos hábitos.
Sua esposa, Magda, fazia o estereótipo da mulher bonita, mas tapada feito uma porta, o que sabemos que isso como disse é algo completamente ultrajante, o programa realmente era muito bem feito.
O que eu achava interessante no personagem de Caco Antibes não era sua não-riqueza, era justamente sua autoestima, ah isso era elevadíssima, ele apesar de falido e sem nenhum tostão no bolso conseguia manter-se numa pose de dar inveja a qualquer pessoa.
E sejamos sinceros, quem não conhece um Caco Antibes na vida?
E isso é muito perigoso, eu digo perigoso para a democracia. Veja bem, quanto mais você quer demonstrar ser rico, mais você alastra aos quatro cantos do mundo que é pobre.
Pessoas que muitas vezes não tem nem o que comer, mas que “arrotam” um ar de riqueza que é de dar dó. Essas pessoas sim, são extremamente perigosas. No seu mais amplo contexto.
Outro personagem que me veio a mente ao escrever esta postagem foi o Justo Veríssimo do grande Chico Anysio: eu quero que pobre se exploda! Com aquele seu bigode parecido com o... Deixa pra lá. É melhor deixar pra lá.
Por isso que resolvi escrever esta postagem em período eleitoral.
Meu amigo, o que esses políticos são capazes de fazer não está escrito, dia desses ao ler o jornal aqui do meu estado, do Ceará, me deparo com uma cena desconcertante: vários políticos de um determinado partido comendo pastel com caldo de cana em plena feira livre.
Isso é uma afronta! Um abuso! Um acinte!
No mínimo ridículo, e quem compactua com essa zona, com Z maiúsculo de Zorra. Deveriam se dar ao respeito e nos respeitar, sim, eu como pobre também me sinto ofendido com tamanha leviandade. Ora, se desejam nos dissuadir, que assim o façam, mas com a devida classe.
O pobre caro leitor, é a menina dos olhos de Deus, se você beneficia um pobre está tratando diretamente com o Altíssimo, com o Pai, com Deus. Beneficiar da forma mais autêntica e honesta, lembra das mãos, que a esquerda não veja o que a direita faz? Pois é, é sobre isso.
Ferir o pobre é por conseguinte ferir a Deus!
Então essa ojeriza junto ao pobre nada mais é que uma forma velada e desproporcional de ferir com veemência a Deus. O próprio Deus-filho se fez homem e encarnou num aspecto de pobreza, deu uma volta em todos que acreditavam que viria um Rei extremamente montado no ouro, na grana e na soberba.
De soberba já bastava os que o perseguiam: fariseus, saduceus, essênios e zelotas. E outros tantos, claro.
A educação, a eliminação das desigualdades econômicas (que se dá praticamente com o primeiro item), uma democracia que trate com igualdade os demais e uma hospitalidade cosmopolita como bem é citado no livro é o que transforma, eu acredito piamente nisso.
E não só dar atenção àqueles que estão ao nosso redor, mas aos migrantes e refugiados políticos, é algo urgente, latente.
A Editora Contracorrente está realmente de parabéns por nos proporcionar um debate tão sincero e verdadeiro nestes tempos tão obscuros que estamos vivendo.
Como disse, é mais do que necessário, é urgente!
A pobreza material realmente é capaz de matar, mas a espiritual, essa sim é nossa grande inimiga diante de uma riqueza que vai muito além de ouro e prata.
Até a próxima.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Aporofobia, aversão ao pobre – um desafio para a democracia
Autora: Adela Cortina
Tradutor: Daniel Fabre
Editora: Editora Contracorrente
Segmento específico: política
Encadernação: brochura
Idioma: português
Páginas: 200
Edição: 1ª
Ano: 2020



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