NOSSAS ESCOLHAS AMOROSAS – POSTAGEM ESPECIAL DIA DOS NAMORADOS
Dentro de todo homem existe o reflexo de uma mulher e dentro de uma mulher existe o reflexo de um homem.
Hyemeyohst Storm
Olá prezado leitor do blog Saber Jung.
Hoje estou aqui para me redimir, isso mesmo, me redimir. Há uns anos escrevi uma postagem sobre os arquétipos Anima x Animus e sua intrincada relação, uma postagem mal elaborada, mal escrita e muito mal fundamentada.
Hoje estou aqui para tentar reescrever sobre o mesmo assunto, mas com uma fundamentação teórica mais forte e mais bem calcado em conceitos verdadeiros.
Para escrever a postagem de hoje tomei por base a obra Os Parceiros Invisíveis – o masculino e o feminino dentro de cada um de nós, de John A. Sanford da coleção Amor e Psique da Editora Paulus.
Muito bem, li e reli a obra para que fique bem claro as minhas sérias intenções com você nobre leitor, em procurar levar a melhor informação, de forma séria e antenada de acordo não só com Jung, mas com os teóricos da psicologia profunda.
O texto de hoje será bem direcionado ao dia dos namorados, dia 12 está se aproximando, domingo próximo e eu como de costume quando alguma data especial se aproxima procuro escrever sobre o assunto.
Dei sorte a postagem hoje abordar sobre as escolhas amorosas e psicologia analítica.
Então vamos direto ao ponto...
Numa visão rápida a respeito sobre homem e mulher, costumamos pensar sermos apenas um homem ou uma mulher e que os arquétipos anima e animus não se fazem presentes como fatores psicológicos dentro de cada indivíduo.
Os antigos alquimistas já cantaram a pedra há muitos anos que nosso ser adâmico embora masculino, carrega Eva consigo, ou seja, sua parte feminina e que por conseguinte está oculta em seu corpo.
Em Gênesis o ser humano original era tratado como macho e fêmea.
Inclusive este aspecto é encontrado em diversas tradições, por exemplo as persas e as talmúdicas, falam neste assunto, um ser humano bissexualizado.
Inclusive o personagem de Platão, Aristófanes, descreve sobre essa questão: o homem tinha um formato circular com 4 braços e 4 pernas e duas faces opostas entre si. Chegavam a rivalizar com os deuses devido a sua tamanha inteligência. Os deuses como não são de ficar só na conversa lançaram um raio separando esse corpo em dois: uma feminina e outra masculina.
É daí que vem a estória das duas partes separadas que vivem lutando para se reunir. A outra metade. E quando se encontra a parte real de si mesma é com alguém que se vive para a vida toda, mesmo sem saber o que um deseja em relação ao outro.
O pensamento do índio americano Storm que abra esta postagem é um retrato fiel do curandeirismo. O feiticeiro ou xamã da tribo tem como espírito curador vamos dizer assim um espírito feminino e vice-versa.
É somente a união destes dois princípios que forma um ser humano completo: o homem com seu arquétipo feminino (anima) e a mulher com seu arquétipo masculino (animus).
É importante dizer que diante de uma diversidade de cientistas Carl Gustav Jung foi o pioneiro a tratar desta questão e a diferenciar o tratamento individualizado no homem e na mulher.
Jung chamou os opostos existentes no homem e na mulher de anima e de animus. Anima é o componente feminino numa personalidade de homem e Animus é o componente masculino numa personalidade de mulher.
Anima e Animus aparecem em diversos momentos, mas principalmente no comportamento humano, o que é motivo principal do texto de hoje.
Eles são considerados arquétipos porque são blocos essenciais na estrutura psíquica de todo homem e de toda mulher.
E se algo é arquetípico e típico, ou seja, formam a base de padrões de comportamentos instintivos e não aprendidos, resumindo: estão no inconsciente coletivo de uma sociedade e são passados a gerações o que logo veio a ser explicado pela neurobiologia.
Anima e Animus são cada vez mais evidenciados pelo empirismo.
Agora o que evidencia as semelhanças e diferenças entre homem e mulher? Será que há uma diferença crucial psicológica entre homens e mulheres?
A resposta a esta última pergunta é não, pelo menos pra mim.
O que provoca uma certa diferença entre homens e mulheres está mais associada a um fator cultural. Cada um pode desempenhar o que o outro faz, exceto o homem em relação à gravidez, obviamente.
Cada pessoa é uma combinação de polaridades masculinas e femininas.
Agora lembrei-me dos chineses em relação a terminologia do Yang e Yin, Yang em relação ao masculino e Yin ao feminino, são terminologias espirituais que giram a vida e claro são princípios cósmicos e sua interação determinam o curso dos acontecimentos.
O Segredo da Flor de Ouro, que é uma obra que adquiri essa semana na Editora Vozes e em breve trarei comentários aqui pro blog, é um livro chinês de meditação fala-nos sobre os pólos psíquicos existentes em cada homem e em cada mulher.
Inclusive esta obra é citada nos parceiros invisíveis do Sanford.
Essa obra é traduzida pelo sinólogo Richard Wilhelm, as almas são chamadas de anima e animus, no I Ching tem outros nomes. Sabe leitor acredito que o autoconhecimento nunca foi o ponto forte dos ocidentais, já os orientais fazem esse expediente de forma mais arrojada.
Só colocando um adendo aqui no texto, é por isso que práticas como a Yoga e o Feng Shui são tão subvalorizadas e tratados como práticas macaqueadas pelos ocidentais, a verdade é essa.
E sendo bem sincero, não lidamos com o autoconhecimento de forma satisfatória porque só tendemos a lidar com ele quando sofremos, essa também é outra verdade.
Um arquétipo que só se evidencia para os outros e pouco para nós é a sombra coletiva. São Paulo já nos falava em Rm 7,19: não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero.
E sobre a anima e o animus aí que não se evidencia mesmo.
Sabe porquê? Porque geralmente a anima e o animus são geralmente projetados, e essa projeção é um mecanismo inconsciente. E quando são projetadas em outras pessoas a percepção que temos delas fica alterada.
O homem projeta a anima na mulher e a mulher o animus no homem.
É importante dizer que a anima e o animus não compartilham a realidade do ego, mas nos transmitem um modo diferente de funcionamento psicológico.
Na obra O homem e seus símbolos Jung usou um termo muito interessante sobre anima e animus: a anima é a personificação de todas as tendências psicológicas femininas na psique do homem.
E o contrário na mulher.
O ego identifica-se com a qualidade masculina ou feminina do corpo.
Já a anima e o animus são uma função do inconsciente.
Às vezes o homem não desenvolve um ego proeminentemente masculino, isso poderá gerar um ego homogeneizado, uma masculinidade efeminada, podendo levar à homossexualidade.
Essas imagens psíquicas projetadas (anima e animus) constituem os parceiros invisíveis numa relação homem-mulher. E a pessoa que carrega a imagem projetada é supervalorizada ou subvalorizada, dependendo da situação.
Eles são cheios de energia psíquica o que nos atinge emocionalmente.
No fundo no fundo desejamos nos identificar com as imagens projetadas sobre nós, afinal de contas é mais fácil não reconhecer as fragilidade de nossa personalidade.
E o que fazer para que essa projeção hiper/mega positiva não se perpetue por muito tempo? Eu respondo de supetão: nada!
Sabe porquê? Porque a realidade há de tomar as rédeas da situação.
Não há uma paixão que resista a uma dose de realidade caro leitor.
E eu não estou aqui agourando ninguém em relação aos nobres sentimentos que emanam do coração, tsc tsc, nada disso... Estou apenas sendo verdadeiro.
Eu já me apaixonei também, sei como funciona.
A incapacidade que os apaixonados têm de resistir aos preceitos reais do cotidiano é reconhecida por todos os grandes poetas, e perpassa gerações.
Foi por isso que Romeu e Julieta terminou com a morte, ora bolas, é simples chegar a esta constatação: já pensou o Romeu encontrar Julieta numa loja e não se decidirem pela melhor panela que poderiam adquirir? Rapidinho a estória deles estaria liquidada. Brincadeiras a parte.
Outra também foi a história de Camelot. Não vou aqui me deter a explicar a história, pois presumo que o nobre leitor já saiba do que estou a falar.
Já indo para o finalmente do desfecho do nosso texto, quando nos apaixonamos por alguém, ou melhor, pela imagem psíquica dessa pessoa, pela projeção tendemos a nos apaixonar por nós mesmos!
Isso chega a ser bem nítido.
Pois veja bem, desta forma nos encontramos num estado de espírito perfeitamente egoísta. O amor realmente começa quando se passa a conhecer a outra pessoa, quando se preocupa com ela, quando procura conhece-la de verdade.
Toda vez que há uma projeção podemos conhecer um pouco do nosso interior, porque a projeção aproxima os sexos e os torna visíveis para nós.
Agora algo que desejo frisar é que a projeção não é boa nem má, é o que dela fazemos que a torna boa ou má, deu pra compreender?
Nossas escolhas amorosas não dependem somente da parte consciente (ego), mas principalmente da projeção inconsciente que é deflagrada sobre o parceiro.
E sem dúvida a anima e o animus têm papel fundamental na escolha dos nossos relacionamentos, quando a anima e o animus são projetados eles podem provocar atrações e repulsões entre homens e mulheres.
E fora da projeção podem provocar efeitos perturbadores.
É o próximo ponto que irei abordar numa outra postagem mais adiante.
Espero que tenha gostado da postagem de hoje, deu para abordar acredito com clareza sobre os principais aspectos dos arquétipos anima e animus em relação às “escolhas” amorosas, bem diferente daquela postagem inicial na qual não tinha o conhecimento que tenho hoje, pelo menos um pouquinho mais.
Se for possível deixe sua opinião:
randersomfigueiredo@hotmail.com
Pelo e-mail ou aqui nos comentários, será muito bem-vind@.
É BOM SALIENTAR QUE NÃO SOU PSICANALISTA, PSICÓLOGO OU PSIQUIATRA.
Os assuntos que constam nesta plataforma são retirados de obras especializadas e de estudo autodidata, não sou da área PSI, mas tenho profunda admiração pelos estudos da psicologia profunda.
Até a próxima.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
Os Parceiros Invisíveis
Autor(a): John A. Sanford
Coleção: Amor e Psique
Acabamento: Brochura
Idioma: Português
Edição: 1ª
Número de Páginas: 176
Reimpressão: 17ª (2021)
Editora/Fabricante: PAULUS Editora
Peso (em gramas): 172g
Ano Lançamento: 1997
Dimensões (cm): 13 (larg) x 20 (alt)
Código de Barras: 9788534910057
ISBN: 9788534910057



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