UMA POSITIVIDADE TÓXICA
Olá nobre leitor desta plataforma, boa noite!
Você deve estar estranhando o horário e o dia de postagem, postei ontem sobre a série contos de fada e um dia depois cá estou de volta, mas não estranhe, é assim mesmo, às vezes aparece uma vontade súbita de escrever.
O post de hoje será sobre uma positividade tóxica.
E no que consiste essa tal positividade tóxica? Algo de positivo que nos é imposto? Ou seria uma felicidade tóxica mesmo? O que de fato estou a falar?
Certa feita estava a assistir uma palestra de dois pesquisadores brasileiros e eles falavam sobre felicidade, era um homem e uma mulher, o pesquisador era um nome renomado da psiquiatria e a filósofa um nome também conhecido da filosofia.
Até aí tudo tranquilo, até o psiquiatra começar a desviar o assunto e começar a falar dele, de suas conquistas, de bater suas metas, de seus achados e nada de falar de felicidade.
Considerei estranho, haja vista a filósofa realmente procurar tratar do assunto com veemência e altivez necessárias a lidar com tal situação, sobre o que consiste a felicidade, citou filósofos e tudo mais.
Mas o que eu desejo salientar não é sobre a dispersão do psiquiatra sobre o assunto, mas dentro das minhas possibilidades tentar discernir sobre um assunto que é tema de séculos e séculos.
Somos colocados em xeque quando o assunto é felicidade.
A questão ontológica da felicidade foi colocada de escanteio em relação ao ter algo, ao possuir algo. Mas essa assertiva deve ser colocada com muito cuidado.
Ora, posso muito bem ser uma pessoa de posses, mas com zelo pelo próximo que muito afaga minhas feridas ao estabelecer com ele uma relação dialética de moral e ética. Ser altruísta. Perfeitamente possível.
O ser pode ser conjugado com o ter de forma plena, nesse exemplo acima é perfeitamente possível, ser alguém que tem condições e partilhar com o outro.
Agora o contrário acredito ser algo quase impossível.
Como é que eu posso ter antes de ser? Acredito que não dá. Se eu tiver antes de ser eu jamais conseguirei exprimir o que de melhor eu posso oferecer.
Então acredito que é uma questão de valores, de princípios e principalmente de prioridades. E o que está em jogo em nossa sociedade hoje?
O que está em jogo são os interesses, antes de mais nada.
Se acreditarmos que teremos felicidade antes de sermos algo, aí meu amigo as coisas realmente vão degringolar de uma vez por todas, esse passo acredito que está errado.
Porque se agirmos desta forma cairemos numa curva chamada de curva da felicidade, quanto maior for a curva, maior é a queda, ou seja será diretamente proporcional a quantidade de bens acumulados.
Normalmente quando se cai nessa curva aparece uma angústia sem fim, uma tristeza incalculável e uma melancolia sem precedentes. Ocasionando até em última instância o suicídio.
Acredito que devemos preservar nossos valores e princípios que não trocamos por nada deste mundo, nem pelo bem mais valioso e nem pela joia mais valiosa do mundo.
Como diz um ditado de sábios orientais:
Dinheiro perdido, nada perdido
Saúde perdida, muito perdido
Caráter perdido, tudo perdido
Se hoje estou aqui numa tarde/noite de sábado a escrever tudo isso especialmente para você que me acompanha e a você que passou a me acompanhar é porque acredito em tudo que estou a escrever.
E não me venha com essa de que crer é poder porque não é.
Isso também é uma forma de adoecimento, você acreditar que só porque crê em algo que aquilo vai se manifestar como num passe de mágica na sua vida...
Arthur Schopenhauer já havia cantado a pedra: nosso querer é infinito, mas nosso poder é limitado. Hoje somos inundados por propagandas das mais estapafúrdias, uma delas diz que viveremos e experimentaremos o infinito, vivendo sem fronteiras, que idiotice sem tamanho caro leitor.
Dia desses estava a ler O Sentido da Vida de um bispo da Bahia chamado Dom Valfredo Tepe da Editora Vozes, um livro muito bom, baseado nos ensinamentos de Viktor Frankl.
Acredito que é aí que está a chave da felicidade: saber o sentido da nossa existência, para onde vamos, qual a direção das nossas velas a singrar em busca a firmar no porto da felicidade.
Não existe vento favorável de quem não sabe para onde ir – Sêneca.
E o que observo é uma busca desenfreada pela felicidade, priorizamos tudo que não é necessário e evidenciamos de fato e de direito algo que não nos servirá.
Desprezamos valores e princípios que formam o leme e a chalana que podem nos levar de um ponto a outro de conquistas não materiais, mas espirituais, concisas e precisas.
Preferimos deixar esse barquinho, por vezes sem graça, a construir um gigantesco navio, quase sempre a infindáveis prestações, justamente para exibir aos outros, para dizer que esse navio é do tamanho da nossa felicidade, quando na verdade bem sabemos que se trata para compensar nossa falta de estima, nossa miséria e outras “cositas mas”.
Bem, não preciso nem dizer o que aconteceu com o Titanic não é?
Hoje supervalorizamos o ter, isso já é sabido, basta notar o prestígio de alguns países em detrimento de outros, se fosse por conhecimento e sabedoria a Grécia seria a maior potência do mundo, mas as grandes potências são outras, sempre colocando à disposição no rol de uma felicidade fake, ter as coisas, possuí-las...
Ou melhor, se deixar possuir por elas.
Falei muito sobre felicidade, mas e a tristeza? Onde está a tristeza nessa questão toda? Qual o problemas de vez em quando em se estar triste?
Sabe leitor, aprendi que patologizamos demais as situações.
Não vejo problema nenhum de vez em quando em ficar triste. É comum, pode de vez em quando acontecer. E não há nada demais nisso.
Às vezes quando estamos tristes já procuramos um médico, agora eu sei que quando esses períodos de tristeza se prolongam indefinidamente realmente é hora de procurar ajuda.
Até também acredito que estar excessivamente feliz a todo instante aí impera uma certa agonia, uma efusividade incontrolável que não condiz com a realidade, como se o mundo desabasse ao seu redor e a pessoa feliz, ou fingindo ser.
O equilíbrio é o melhor caminho, muitos dizem que a felicidade não é deste mundo, mas acredito que é sim. E perceber que os valores estão intimamente ligados com essa busca da felicidade.
Espero que tenha gostado da conversa, qualquer coisa é só mandar um alô, escrever um comentário ou enviar um e-mail com sua crítica e/ou sugestão, mantendo o respeito e a cordialidade, claro:
randersomfigueiredo@hotmail.com
É importante salientar que não sou psicólogo, psicanalista e muito menos psiquiatra, todas essas prerrogativas pertencem a minha forma de pensar e faço de tudo para que também pertençam a minha forma de agir.
Até a próxima.


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