UMA NUDEZ SEXUALIZADA #DITADURANUNCAMAIS
O nascimento de Vênus - Sandro Botticelli
Olá leitor desta plataforma, muito boa tarde.
Hoje será uma postagem comum, não será uma postagem formulada a partir de um dos tópicos das séries do blog, uma postagem voltada mais para uma reflexão, como sempre costumo fazer aqui.
Ontem, dia 31 de março, estava indo ao médico e no caminho fiz algumas observações acredito que filosóficas e de certa forma bem abrangentes quanto ao questionamento que vou fazer hoje.
Vamos começar nosso debate por partes...
Primeiro gostaria de dizer que os assuntos que trarei hoje aqui serão entrelaçados num só tema, tentarei ser mais objetivo e franco, você leitor merece isso.
Voltando a parte de quando estava indo ao médico...
No caminho passei a observar o comportamento das pessoas, alguns indo à academia, outros ao supermercado, outros à igreja e alguns indo ao médico como era o meu caso.
E observei o óbvio ou não tão óbvio assim.
Passamos a tratar a nudez de uma forma obscura e sexualizada.
Digo isso em relação a como as pessoas se comportam no vestir, como se comportam na não-elegância na utilização dos trajes e de que forma tomam tal atitude.
Percebo que cada vez mais há uma permissividade sexual envolvendo homens e mulheres no tocante não só no vestir, mas no falar e no comportamento no geral.
A nudez é algo natural, ou pelo menos era para ser tratada assim.
Mas sexualizamos, incitamos, provocamos e deliberadamente fazemos com que o outro permaneça em nossas mentes tendo mil e uma noites que assim como Sherahzade tecia suas histórias.
Hoje observo por onde quer que eu ande mulheres e homens que provocam uns aos outros e umas as outras, é algo realmente que me entristece.
Não estou dizendo para sair por aí com um saco de batatas amarrado com um cordão junto ao corpo, não se trata disso, por favor. A questão vai muito mais além. Não é somente o que se está a vestir, mas o que há por trás disso.
Esteticamente somos atingidos pelo belo, o belo nos atrai, a beleza que insinua faz despertar os instintos mais reprimidos e avassaladores. E isso de certa forma é adoecedor e eu considero problemático.
Mulheres que andam com trajes provocantes, com roupas que marcam até o pensamento, e homens também que delimitam seus corpos com trajes minúsculos. É constrangedor.
Agir desta forma é querer ser egocêntrico e narcisista, é tomar para si uma atenção que indevidamente é atrelada a algo perfeitamente banal e desnecessário.
Sabe-se que o belo á aprazível em qualquer lugar que ande, mas forçar a barra aí já passa do sexy ao vulgar, e pergunto: onde fica a regra de etiqueta de elegância e sobriedade?
Provocar o outro, atiçar a curiosidade e se refestelar com os olhos a meu ver não me agrada em nada agir assim. Muito pelo contrário, será mesmo que o que é bonito é para se mostrar?
Tenho cá minhas dúvidas. Pelo menos não dessa forma.
Afinal somos movidos pelo desejo, carnal preferencialmente. Quando esse desejo é movido por caminhos obscuros fica muito difícil resistir à tentação.
E por falar em tentação, só fazendo um link, acredito que é por isso que os padres, muitos deles, não todos claro, não resistem às tentações, são pegos em concupiscência ou até mesmo em apelos carnais, e o que é pior, envolvendo até menores de idade.
Voltando ao assunto, acredito que esse é um apelo para se sentir notado, visto e até mesmo cobiçado como um troféu.
Fazendo outro link...
Acredito que algo que maculou a família foi a pornografia.
Acessível, barata e claramente voltada a luxúria, a pornografia minou os campos verdejantes da família, tornando-os folhagens secas e degradantes.
Hoje fiz uma hashtag com o nome #ditaduranuncamais, pois muito bem, como inúmeras situações empobrecidas que começaram e que entraram aqui na ditadura militar uma delas foi a pornografia.
Fiz aqui algumas pesquisas na internet e tem até tese de doutorado falando sobre o assunto, realmente a pornografia representa uma porta bem larga para o não-amor.
E pode me chamar de antiquado, de conservador e de retrógrado.
Estou perfeitamente acostumado com isso, e até gosto, que me chamem assim, não troco meus valores angariados com tanto suor por nada desse mundo.
Fui criado pelos meus avós, e acredito que isso já diz muito.
Pois muito bem, a pornografia foi introduzida principalmente através de revistas como Playboy e Elle e Ella, e contribuiu para a disseminação do sexo desenfreado e sem limites, um relacionamento descartável, onde está em jogo o aproveitamento carnal e o não entrelaçamento de almas.
Vídeos também começaram a ser disseminados, piorando tudo.
Era essa a relação que gostaria de estabelecer no texto de hoje. Uma relação vil entre corpos e não um amálgama entre almas. Estamos na era de uma exposição tóxica, numa sociedade da transparência.
Onde quanto mais eu me exponho, mais eu me torno visto, mas menos eu me aprofundo nas relações interpessoais, tornando-as rasteiras e da profundidade de um pires.
A sociedade na qual vivemos é um espaço onde eu me anulo por uma curtida, por um comentário, compartilhamento ou até mesmo por um olhar e/ou por um amasso.
Temos sim que nos preservar, não só por uma questão de princípios, mas por uma questão de saúde, podemos evitar doenças e outros males físicos e psíquicos.
A nudez deve ser encarada como algo natural, sem rodeios, reitero.
A sexualidade deve ser aproveitada no seu mais amplo contexto, com cautela, jamais ver o outro como objeto, mas como um ser completo e complexo com suas nuances e lindos traços.
A minha análise de hoje não é para limitar ou cercear os limites das pessoas, de jeito nenhum, mas é uma reflexão minha sobre algo que chamou minha atenção.
Observar homens e mulheres se expondo dessa forma é algo desconfortante, de certa forma fere a mim enquanto ser humano, pois vejo o meu irmão, minha irmã expondo sua intimidade que só deveria ser revelada a quem de fato merece, seu parceiro(a)/cônjuge.
Mais uma vez deixo aqui o meu protesto #ditaduranuncamais.
Esse cancro deixado por esse período tão nebuloso da nossa história jamais deve acontecer novamente, um momento nefasto, horrível e deplorável.
Trouxe-nos muitas mazelas e consequências que temos até hoje. A pornografia é somente uma delas das inúmeras. Citei a pornografia para exemplificar e deixar bem claro o teor do assunto de hoje.
O corpo é um santuário, é algo sagrado, não deve ser profanado.
Torná-lo uma mercadoria é reduzi-lo a pó diante da sua totalidade que vai muito mais além de tudo, acredito que quanto mais recluso formos, mais recôndito se encontrar nossa forma de encarar a sexualidade melhor podemos nos deparar com o belo, com o amor que tanto nos encanta e somente assim não nos depararmos com tanta frustração e amores não vividos de forma satisfatória.
Espero ser bem compreendido com esta postagem, e se não for, tudo certo. Tentei deixar o meu recado, sobre algo que me instiga e que me faz enxergar a vida com outro prisma.
Se quiser me enviar um e-mail sobre sua opinião fique à vontade.
randersomfigueiredo@hotmail.com
Ou então escrever aqui nos comentários, da mesma forma será bem-vindo(a). Como bem disse São Paulo em uma de suas cartas a comunidade de Corinto: tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.
No mais desejo um estupendo final de semana.
Fraternal abraço.


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