O PODER DA LINGUAGEM – FILOSOFANDO ESPECIAL

março 25, 2022 Randerson Figueiredo 0 Comments

 

O corpo é um signo do corpo. A mente, uma produtora de signos, é um signo dos signos. O céu é um espelho. A terra, outro. Quem levanta a cara para o céu, desafia o destino; quem abaixa a cara para a terra, aceita-o."

Décio Signatari


Olá estimado leitor do blog Saber Jung, sempre muito bom estabelecer contato com você, hoje será um Filosofando especial, já faz um tempo que não escrevo esta série...

 

Resolvi postar hoje, haja vista ser feriado aqui no meu estado, Ceará. Consegui um tempo para me organizar melhor e selecionar o que de fato será apreciado por você no artigo que por ora apresento.

 

A postagem de hoje já vem sendo elaborada há 500 milhões de anos. 

 

Na verdade quando terminei de ler a obra O PARADOXO DA SABEDORIA do neurocientista Elkhonon Goldberg, editora Melhoramentos, tive uma constatação impressionante não só sobre o tema de hoje, mas sobre o funcionamento cerebral como um todo.

 

Portanto essa obra foi o ponto de partida para determinar o tema da postagem de hoje, os capítulos muito bem distribuídos e bem dinâmicos terminam por oferecer uma abordagem completa de como envelhecer bem, e chegar a idade da sabedoria. Utilizando uma linguagem adequada/acessível, claro.

 

Mas antes de chegar ao nosso propósito, permita-me contar algo.

 

Certa feita ao estar no ônibus de volta pra casa me deparei com duas pessoas surdas-mudas, já havia visto em outras ocasiões pessoas com esta deficiência, mas particularmente naquele dia algo chamou minha atenção.

 

Essa percepção foi depois de ter lido o livro mencionado anteriormente, foi como um clarão, tão reluzente como água cristalina.


Perceber que aquelas pessoas estavam se comunicando com uma linguagem tão clara quanto a minha que além de escrever esta postagem, consigo me comunicar normalmente através da fala.

 

O poder da linguagem é avassalador, é crucial, não somente para disseminar informações, mas sobre como e quando poderemos usá-las a nosso favor.

 

Certo dia também quando estava a cursar uma disciplina de linguística no curso de Letras/Alemão na Universidade Federal do Ceará disse no primeiro dia de aula à professora de linguística que quando uma pessoa encontra-se em surto psicótico, uma das primeiras percepções que ela perde é o poder de se comunicar com outras pessoas.

 

A professora em questão rechaçou minha informação e me deixou de escanteio, acredito que ela não tinha a menor informação sobre o que estava a comentar naquela ocasião.

 

Mas tudo bem, ninguém é obrigado a saber disso ou daquilo.

 

Mas é fundamental ter empatia e pesquisar sobre, antes de cancelar alguém sobre aquilo que não domina. Ela mesma ao falar de Ferdinand Saussure, deveria ter em mente que o pai da linguística reprovaria tal atitude caso fosse vivo.

 

Sem mágoas e ressentimentos vamos tocar o barco pra frente.

 

O que desejo salientar é o fato da linguagem não ser só um meio de comunicação, mas uma forma de libertação e/ou aprisionamento diante de diversas circunstâncias.

 

Meu objetivo aqui não é ser um manual para ser consultado, longe disso, muito longe mesmo, meu objetivo é tentar conversar um pouco sobre minhas percepções a respeito desse elo fundamental que é a linguagem.

 

No livro de Goldberg, tem um capítulo que especialmente chamou minha atenção, fala sobre chefes de estado que já estavam ficando senis(esclerosados) com o passar do tempo.

 

Pessoas como Adolf Hitler, Winston Churchill, Margareth Thatcher e o próprio Boris Yéltsin da Rússia no auge do apogeu de seu domínio político e porque não dizer centrado numa linguagem política, já estavam apresentando sinais de cansaço, já estavam se tornando dementes.

 

E quantos e quantos chefes de estado já não se encontram assim?

 

O Hitler por exemplo além de apresentar sinais de Alzheimer, também no fim da vida já estava com Mal de Parkinson, muitos tremores, sinais de um cérebro calcado em destruição e mau uso da nossa máquina orgânica.

 

Churchill também claramente cansado, já não vinha desempenhando um papel tão crucial assim depois do fim da Segunda Grande Guerra, além de perder as eleições no parlamento britânico ao que tudo indica ele também tinha bipolaridade, outro agravante, tendo em vista os seus excessos com bebida.

 

Margareth Thatcher terminou seus últimos dias realmente senil.

 

Conta-se que o Boris Yéltsin certo dia ao chegar de viagem chegou a urinar nos pneus de um avião onde se encontrava ao desembarcar, todos ficaram perplexos com tal atitude. Realmente ele não estava bem.

 

Outro também foi o Ronald Reagan, ex-ator de filmes e o 40º presidente norte-americano, encontrava-se deveras debilitado mentalmente.

 

Todos esses exemplos demonstram que o uso que fazemos do nosso cérebro tem um enorme poder quando utilizamos a linguagem em suas diversas facetas.

 

Para citar um exemplo: Adolf Hitler.

 

Hitler era da Áustria, queria se consagrar como um pintor, entrar na Academia de Belas Artes de Viena, foi rejeitado duas vezes, seu desespero foi perseguir os artistas ao se tornar o Hitler que conhecemos.

 

Quando esteve preso, escreveu o famoso Mein Kampf, utilizou do seu domínio da linguagem para conquistar seguidores, apropriou-se indevidamente do bigode de Charles Chaplin, outro uso da linguagem claramente explícito, também se apropriou do símbolo da suástica, era no sentido anti-horário ele colocou no outro sentido, até a simbologia foi modificada. Ela antigamente simbolizava as pegadas de Buda, era um símbolo de boa fortuna e felicidade. Virou símbolo de destruição e desumanidade.

 

O Hitler para mim é um exemplo clássico de como a linguagem pode ser utilizada para o lado obscuro, para o lado negativo.

 

A simbologia citada também é um exemplo de linguagem. E como é.

 

Não só a escrita e nem a fala representam um complexo emaranhado onde a linguagem está inserida. É necessário todo um arcabouço para uma melhor compreensão de um todo em particular.

 

A meu ver uma das linguagens mais bem estabelecidas é com a utilização de símbolos, a simbologia é muito forte, muito rica, entra aí o inconsciente coletivo com a utilização dessas imagens que perpassam gerações a perder de vista.

 

Considero uma das linguagens simbólicas mais bem elaboradas e que servem como exemplo positivo é a do trânsito: clara, objetiva, simples e limpa. É uma linguagem muito bacana de ser explorada, onde todos que fazem uso dela, sabem do que se trata, e até mesmo os que não fazem de forma direta, mas indireta, como os pedestres.

 

O poder transformador da linguagem só é valorizada implicitamente ou até mesmo explicitamente quando mais dela se precisa. É um poder exercido a partir de uma hierarquia, de cima pra baixo.

 

Acredito sim, que conhecimento é poder, mas com uma ressalva, só é poder quando abrimos a janela da consciência para experimentar o que de melhor esse poder pode nos ofertar, sempre em função de um bem maior, caso contrário torna-se uma frivolidade, uma vaidade.

 

Aprender, apreender e compreender requer uma dose de coragem.

 

E uma das personalidades mais corajosas que conheço nesse sentido é um grande expoente da linguagem, chama-se Noam Chomsky.

 

O pai da gramática gerativa.

 

Chomsky se destaca não só como um linguista fantástico, mas ao utilizar o seu poder transformador da linguagem, transforma-se também num ativista fora de série.

 

Vale a pena salientar que não é somente possuir o poder ao fazer uso da linguagem que a torna distinta, mas como se faz uso dela, de que forma, qual a sua intenção. É esse a meu ver o diferencial.

 

E o Noam Chomsky utiliza seu expediente linguístico com essa finalidade, ele é um dos maiores intelectuais vivos do mundo ao lado de Habermas da Escola de Frankfurt, este último é dificílimo interpretar, na minha modesta opinião.


A filosofia é não só uma singela disciplina, mas uma forma de estabelecer conexão através de linguagem com o mundo, por isso escolhi falar sobre esse tema no Filosofando de hoje.

 

E a linguagem é o que nos conecta. É o coche que nos transporta ou o trem-bala que nos ajuda a locomover, dependendo da situação. E esse poder só é determinado através do uso, de como a usamos.

 

Não adianta nada ter o poder se não souber como usá-lo, reitero.

 

Outro na área da psicologia que fez uma interpretação da linguagem foi o Michel Foucault, este prefiro não comentar devido à má interpretação de uma das minhas primeiras postagens aqui na plataforma. Errei feio, admito, mas peço que me compreendam, foi uma das minhas primeiras postagens aqui no blog, não tinha as percepções que tenho hoje e nem a vivência que trago no peito.

 

Sei que foi uma das primeiras postagens, realmente escrevi mal o artigo, peço desculpas a você leitor. Foi uma postagem acintosa e mal elaborada. Não é mea-culpa, mas é a verdade.

 

E por falar em filosofia, tem um filósofo maravilhoso chamado Tzvetan Todorov, de origem Búlgara, um dos meus filósofos/linguistas preferidos, Todorov consegue como ninguém ser compreendido de forma muito clara, muito simples e bem dinâmica. A meu ver um dos maiores linguistas do mundo, para mim um dos mais importantes, não poderia deixar de citá-lo hoje aqui.

 

O meu livro preferido dele é: Os gêneros do discurso. Espetacular!

 

E agora fazendo um breve resumo...

 

Ter um amplo domínio da linguagem é fundamental, mas antes de mais nada devemos tem em mente que apesar dos pesares não adianta ter um espumante Chandon se não tiver como compartilhar essa bebida com os demais; se sua vela está acesa sua chama jamais se apagará se compartilhar o que tem de melhor com o outro.

 

Acredito que os grandes filósofos, cientistas, escritores e por aí vai fizeram e fazem isso com maestria. Eles têm o poder nas mãos, e sabem disso, mas jamais se recusaram a expandir fronteiras, muito pelo contrário, antes de escalar muralhas caminharam primeiro pelas pontes...

 

Os exemplos de estadistas que utilizei foram todos extraídos da obra O Paradoxo da Sabedoria do grande Elkhonon Goldberg. Como já disse, a obra é um apanhado geral sobre o funcionamento do nosso cérebro de forma clara e objetiva. Muito rico em informações inclusive sobre linguagem. Nada melhor do que expandir fronteiras sempre e não ler somente os teóricos linguistas, mas experimentar outras fontes, inclusive de outras áreas, nesse caso a neurociência.

 

E outra coisa que gostaria de retomar é que se você não se torna inteligível, o seu poder morre. O que estou querendo dizer com isso? Que o poder da linguagem está intimamente entrelaçado ao modo como se usa essa linguagem, gostaria de expor essas ideias aos meus “amados” professores universitários, que para eles, cada rebuscamento e enfeite linguístico transformam a conversa num solilóquio(monólogo) sem fim, tornam-se completamente ininteligíveis, e isso é péssimo, chega a ser ridículo e muito desumano, acreditar que está abafando quando na verdade está sendo incompreensível. É acima de tudo, deselegante.

 

Então finalizo a postagem de hoje com uma citação desse brilhante pensador e que abre com sua foto a postagem de hoje chamado Noam Chomsky:

 

“A população geral não sabe o que está acontecendo, e eles nem sequer sabem que não sabem”.


Até a próxima nobre leitor, se Deus quiser.

 

Fraternal abraço.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

 

O PARADOXO DA SABEDORIA

Autor: Elkhonon Goldberg

Editora: ‎ Melhoramentos; 1ª edição (1 janeiro 2006)

Idioma: ‎ Português

Capa comum: ‎ 350 páginas

ISBN-10: ‎ 8506049172

ISBN-13: ‎ 978-8506049174

Dimensões: ‎ 20.4 x 13.4 x 2 cm

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