A IMPORTÂNCIA DOS CONTOS DE FADAS | SÉRIE CONTOS DE FADAS

setembro 19, 2021 Randerson Figueiredo 0 Comments

 


Olá nobre leitor desta plataforma! Hoje marco presença para tratarmos de um assunto que andava muito esquecido por aqui, a série contos de fadas.

 

Abordarei sobre a importância dos contos de fadas, principalmente no tocante ao imaginário infantil.

 

Antigamente, até mais ou menos o século XVII os contos de fadas eram contações de histórias destinadas as classes mais baixas da população, como lenhadores e camponeses.

 

Então pode-se concluir que os contos de fadas se tornaram tradições de histórias contadas e perpassadas de geração em geração, eram histórias de sabedoria popular segundo Marie Louis Von Franz, uma das maiores pesquisadoras do assunto.

 

Os contos enriquecem o imaginário infantil, pois estabelece uma relação entre a linguagem do cotidiano e a do texto dos contos de fadas, personagens como lobo mau, bicho papão e boi da cara preta (Diatkine, 1993).

 

Uma das principais características que desejo salientar no texto de hoje é uma constante nos contos de fadas: a presença do narrador da história. As histórias que são contadas com entusiasmo permanecem a longo prazo no imaginário infantil, pois diferente do que ocorre com os efeitos audiovisuais da televisão, as crianças ao ouvirem a história são obrigadas a imaginar, a pensar e a interagir verdadeiramente com o que está sendo dito.

 

Ou seja, chego à conclusão que essas histórias têm um grande potencial terapêutico, haja vista que o “Era uma vez...” demonstra uma segurança à criança, reportando-a a um primeiro contato da sua vida psíquica, trazendo confiança e amabilidade.


É por isso que a televisão e o computador não substituem uma boa contação de histórias, pois não é o que está sendo transmitido que importa, mas como está sendo dito.

 

A metáfora também é muito presente nos contos infantis.

 

É por meio de símbolos que as abordagens dos contos de fadas podem retratar os dramas cotidianos e mais do que isso, tratar com segurança, pois há um processo de identificação, já que projeta suas situações no enredo com os personagens.

 

Algo também que observei na construção deste texto é a constante percepção de leitura dos textos. As crianças pedem que sejam lidas repetidas vezes o que constrói de forma sólida uma identificação com as estruturas do texto, o que não é permitido nem mesmo uma alteração sequer do que é lido, as crianças se irritam quando algo no texto é modificado.

 

Na idade pré-escolar por exemplo, entre 4 e 6 anos, elas exercem o apogeu da separação do faz de conta e o que é real, o que evidencia uma maturação importante nessa fase.

 

Por isso que os contos de fadas são tão importantes, porque eles verbalizam com os adultos e transcendem às crianças o seu processo imaginário, elas conseguem se comunicar mais facilmente o que desejam, o que sentem e o que podem realizar.

 

Resumindo: os contos de fadas dão vida a formas psíquicas arquetípicas, dão vida a esse conteúdo. E dão de certa forma um conforto a questões de vivências individuais.

 

E nesse assunto cito a constante luta contra as dificuldades, como representação simbólica a sombra e o mal, simbolizado quase que unilateralmente por bruxas, madrastas (más) e dragões.

 

Um dos pontos que desejo abordar é sobre a bruxa, sua presença é praticamente inevitável nessas histórias. Agora porque sua presença se faz tão necessária?

 

Segundo as minhas pesquisas, Von Franz cita que a bruxa é uma figura arquetípica da grande mãe. Representa uma mãe no seu aspecto destrutivo.

 

A bruxa representa os lados opostos, um lado sombrio e um lado luminoso, algo que gostaria de salientar é sobre a Virgem Maria, que representa somente o lado luminoso. Foi destituído o seu lado sombrio, que foi projetado na mulher. Já abordei sobre esse assunto aqui no blog - Sobre a Virgem Maria

 

Por isso que a caça às bruxas tornou-se latente em determinado período, pois a importância da Virgem Maria tornou-se evidente em todo o processo histórico.

 

É por isso que a presença desses vilões arquetípicos tornam-se presenças fundamentais para um bom conto de fada, ao utilizarem de poções mágicas ao praticarem suas maldades eles se tornam peças-chave como contraponto a identidade do herói/mocinho.

 

As crianças são motivadas pelos aspectos horripilantes dos contos de fadas porque conseguem enxergar neles um jogo onde a angústia humana pode ser retratada.

 

O medo tem uma função importante nos contos, representando uma emoção fundamental para toda a vida do ser humano e constituindo-se em um fator de proteção durante a infância.

 

Aprender a lidar com ele é um desafio para a criança. Entretanto, as possibilidades de representação de situações assustadoras parecem ser um dos atrativos em um conto infantil.

 

A partir das minhas observações no texto de hoje podemos perceber que os contos de fadas são extremamente importantes para o crescimento imaginativo, digo até mais, cognitivo das crianças.

 

Suas percepções fazem valer a máxima de que o “Era uma vez...” ainda hoje se faz necessário para o seu crescimento, para o seu amadurecimento, e que o medo, as dificuldades, a sombra e a maldade de fato fazem parte da vida como um todo.

 

É a partir desses pressupostos que as crianças validam sua entrega para a vida. Elas se sentem representadas por vários aspectos sombrios e luminosos que depreendem da história.

 

Não é somente de maldade que se faz uma boa narrativa, e nem somente de bondade também. Esse entrelaçamento é mais do que necessário, é fundamental para o avivamento dos infantes.

 

Bem, essas foram as minhas percepções, espero que você tenha gostado da postagem de hoje sobre os contos de fadas, demorei muito a escrever nesta série, mas saiu. Tentarei ser mais assíduo.

 

Qualquer crítica sinta-se à vontade para discorrer, ou por aqui nos comentários ou por e-mail:

 

E-mail: randersomfigueiredo@hotmail.com

 

No mais desejo tudo de melhor, e que sigamos lendo para nossas crianças os maravilhosos contos de fadas, afinal será com eles que conseguiremos deixar belas lições do famoso “E foram felizes para sempre.” Com o toque de verniz da realidade, claro.

 

Até a próxima.

 

Referências bibliográficas


Bonaventure, J. (1992). O que conta o conto. São Paulo: Paulinas

Diatkine, R. (1993). Histórias sem fim. Veja, 26, 17, 7-9.

Franz, M.L. (1985). A Sombra e o mal nos contos de fadas. São Paulo: Paulinas.

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