A QUEDA DO PATRIARCADO
Olá caro leitor, hoje aqui para falar sobre patriarcado, mais precisamente sobre a necessidade da derrocada, da sua queda, do seu tombamento.
Acredito que todo cidadão que se preze deveria ter consciência sobre três aspectos:
- interpretação de texto
- consciência de classe
- patriarcado
A razão pelo qual abordo hoje sobre patriarcado é muito simples, só a sua existência e permanência na sociedade na qual vivemos é uma denúncia mais que escancarada de que deve-se atacar a causa escandalosa e não os sintomas que nos afligem.
O patriarcado é um sistema social baseado em uma cultura, estruturas e relações que favorecem os homens, em especial o homem branco, cisgênero e heterossexual.
Na sociedade patriarcal há o predomínio do poder do homem. A mulher e os demais, vamos dizer assim, subalternos que não se encaixam com o padrão “normativo” que a sociedade impõe como de raça, gênero e orientação sexual fenecem impiedosamente.
O homem tem uma série de privilégios numa sociedade patriarcal, e é justamente por ser detentor desses privilégios que põe o mundo à deriva, impondo seus limites e criando uma série de situações que transformam a vida de quem não desfruta desses tais privilégios numa verdadeiro caos.
As pessoas que não participam de tais prerrogativas se tornam invisíveis, relegados a uma submissão escandalosa e prepotente.
O patriarcado é um sistema que ordena as relações sociais, políticas, econômicas, e até mesmo simbólicas, tendo como base o homem como aquele que detém o exercício do poder, a autoridade moral e o controle dos valores e sentidos.
E o pior de tudo isso é o verniz de simpatia e de desvelo que o patriarcado causa entre seus pares, e até mesmo nos seus ímpares, homens que utilizam de meios para sobrepor o seu poder.
Um desses meios é a religião, mais uma vez ela, a grande vilã da atmosfera global espiritual é uma das principais armas que os ditos cidadãos de bem subutilizam para demonstrar o seu golpe.
Uma dessas armas é a bíblia, utilizam-na como arma espiritual e a profanam a todo momento: “ah mas por que a bíblia diz assim, diz assado, é cozido e não mal passado...”
Essa utilização da bíblia é vil, só para deixar bem claro.
Outra situação que questiono é o papel da mulher, a mulher agora que está acordando de um sono de milênios, começa a se espreguiçar e a despertar para um novo sentido, para um novo caminho.
E o mais engraçado de tudo é que nós homens nos achamos no direito de sermos os detentores de um reinado sem fim, sendo que a mulher é quem detém o poder triunfante na natureza por exemplo, pois a natureza é puramente feminina, já tratei sobre esse assunto no blog.
A verdade é que o patriarcado vem sofrendo algumas mudanças, vem se adaptando às mudanças para não perecer, para não perder seu reinado, para não ruir.
A queda do patriarcado é mais que necessária, é urgente.
Até mesmo porque o homem é o ser extremamente sensível, a mulher sim é que é forte, guerreira e muito mas muito forte em sua luta diária, no cotidiano. Globalmente falando.
E essa é uma questão mais transpessoal do que se imagina. Lembra de Anima e Animus?
A mulher é a fonte natural das coisas, e não é preciso escrever muito para se constatar isso. Ela que nos dá a luz, pelo seu ventre que ganhamos vida. Não é justo o que fazemos com ela, e o pior, não é justo o que fazemos com os demais.
O que estou a escrever aqui não é somente uma crítica, mas uma denúncia sobre a nossa sociedade. O patriarcado merece cair, ruir por total.
Algumas características de uma sociedade patriarcal
· Os homens são considerados os únicos sujeitos aptos para conduzir a vida política, econômica, moral e social. Somente eles teriam capacidade suficiente para tomar decisões importantes.
· As mulheres são consideradas mais fracas, tanto física quanto mentalmente.
· Essas diferenças entre ambos generalizam práticas, recompensas e habilidades consideradas “de homem” e “de mulher”, sem considerar características individuais de cada pessoa.
· A heterossexualidade é considerada norma.
· Existe uma cultura de competência estimulada entre as mulheres como forma de mantê-las afastadas e desconectadas, indo contra o conceito de sororidade, que fomenta a empatia entre as mulheres e é uma das bases do feminismo.
· Maior incidência de violência de gênero, motivada pela ideia fundamental de que existe uma obrigação da mulher em relação ao homem: esta precisa se comportar de acordo com os interesses daquele e se submeter às suas vontades, correndo o risco de sofrer consequências caso não cumpra seu papel.
· Além de práticas e costumes, o patriarcado também se apoia em legislações para controlar os corpos das mulheres. Por exemplo, somente em 1932 as mulheres brasileiras ganharam o direito ao voto de forma ampla e irrestrita, enquanto a maioria dos homens já gozava desse direito desde a proclamação da república. Um exemplo muito discutido no Brasil e na América Latina recentemente é a criminalização do aborto, que seria um mecanismo do patriarcado para controlar os direitos reprodutivos das mulheres.
Então deu para perceber que o texto de hoje é elucidativo.
Um texto que ao ser escrito serve para esclarecer as enormes diferenças entre as pessoas na sociedade, na qual o homem exerce papel central, o que é péssimo em relação a tudo.
Embora os anos tenham passado e muitas mudanças ocorreram a nível social, econômico, político e tecnológico, o patriarcado e seus fundamentos de opressão e subordinação seguem vigentes. Alguns exemplos podem ser:
· Embora hoje em dia seja comum que homens e mulheres saiam para trabalhar, normalmente as tarefas domésticas recaem sobre as mulheres, que terminam sobrecarregadas pelo cuidado da casa e a educação dos filhos.
· Mesmo vivendo em um mundo que aceita uma maior liberdade sexual, ainda nos dias de hoje o homem é estimulado a explorar sua sexualidade, enquanto a sexualidade feminina é reprimida e desvalorizada.
· Mesmo realizando as mesmas tarefas, as mulheres ainda recebem salários inferiores quando comparadas com os homens. Um estudo do IBGE de 2018 mostra que as mulheres ganham ao redor de 20% menos que os homens em todas as ocupações selecionadas na pesquisa.
Sou homem, mas nem por isso concordo com esse sistema opressor.
Outra situação que ia esquecendo de comentar é o envolvimento de homens em conflitos, nós nos envolvemos muito mais que as mulheres, justamente para mostrar uma virilidade e masculinidade aflorada que não chega a lugar nenhum. E até chega, mas em situações trágicas.
Justamente essas situações trágicas chegam somente a quem não é branco, cisgênero e heterossexual. Pois numa sociedade altamente preconceituosa, racista e ditada por um modelo de branquitude só perdem os que não são adeptos desse modelo selvagem, que deseja salvaguardar as suas próprias situações.
Salvar a sua pele, já que todos que não fazem parte desse clube são tidos como objetos desse poder. É uma verdadeira tragédia, mas ao batermos nessa tecla poderemos algum dia despertar para uma consciência mais vívida e menos onerosa.
Espero ter colaborado para o debate sobre esse assunto, e que possamos abordar outros temas tão importantes quanto este aqui. É necessário sempre que possível tocarmos nesta ferida.
Um brinde à queda do patriarcado e até a próxima!


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