A LÓGICA ARISTOTÉLICA E A MALDIÇÃO DA PSICOLOGIA PROFUNDA | FILOSOFANDO

novembro 15, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments

 

Aristóteles

Bom dia leitor, hoje 15 de novembro de 2020, dia de praticarmos nossa cidadania, dia de votação, mas antes de ir confirmar meu voto comento aqui algumas palavras sobre o pensamento de Aristóteles.

 

Sobre a lógica aristotélica e a maldição da psicologia profunda.

 

Mas, antes de tudo quem foi Aristóteles?

 

Aristóteles nasceu em 384 a.C. na Macedônia, ao norte da Grécia, e cresceu na corte como filho do médico do rei. Aos 18 anos foi para Atenas e se tornou discípulo de Platão, continuando lá por 20 anos.

 

Depois da morte de Platão em 347 a.C., Aristóteles deixou Atenas e por vários anos foi preceptor do então jovem Alexandre da Macedônia, que depois viria a se chamar Alexandre O Grande.

 

Aos 49 voltou para Atenas e fundou a escola peripatética de filosofia, que ele dirigiu por 12 anos. Depois da morte de Alexandre em 323 a.C., houve uma série de acirramentos políticos entre ele e sua colocação política macedônica.

 

Ele deixou Atenas para se recolher à ilha de Euboea, próxima da Grécia continental, onde morreu um ano depois, em 322 a.C., com 62 anos.

 

Sua relação com Alexandre O Grande é simbólica.

A meu ver Aristóteles representa o triunfo do ego. Ele foi um conquistador do mundo intelectualmente falando, assim como Alexandre foi politicamente e militarmente.

 

Num sentido mais amplo eles partilharam da mesma psicologia.

 

Em Aristóteles vemos o surgimento do ego racional consciente. Ou seja, em termos de filosofia e psicologia, Aristóteles não tem vamos dizer assim uma vasta bagagem psíquica a oferecer quanto os outros filósofos, já que sua abordagem é mais a nível consciente.

 

Com Aristóteles, a consciência do ego começa a se separar de um modo fundamental a partir de um modo de plano de fundo arquetípico.

 

Uma das grandes realizações de Aristóteles foi sua obra sobre lógica. Ele ensinou a todos como pensar objetivamente e como entender a natureza.

 

A investigação científica e objetiva começa em grande parte com ele. Ele começou a enquadrar certos fatos e conceitos em categorias.

 

Ele fala até sobre psicologia em seu tratado sobre a psique, intitulado em latim De Anima (Sobre a Alma), e em grego Pery Psyche (Sobre a Psique).

 

Trata-se do primeiro esforço objetivo em larga escala para estudar a psicologia. Muitas das questões que foram levantadas estão ainda para serem respondidas até hoje.

 

Como disse, Aristóteles é o verdadeiro formulador da lógica moderna, o filósofo que estabeleceu a lei do meio excluído, ou seja, a lógica aristotélica não permite um terceiro. O terceiro não é dado.

 

De acordo com a lógica aristotélica, ou a afirmação é verdadeira ou é falsa. Ou A é B ou A não é B. Não é possível uma terceira alternativa no mundo da lógica, no caso do meio, Aristóteles entra num terceiro entre os opostos.

 

O surgimento da lógica naquele momento era de extrema importância, pois Aristóteles estava expandindo a consciência do Ego, cuja operação principal é dividir as coisas em opostos.

 

É isso o que faz a consciência...

 

Mas essa lógica aristotélica é a maldição dos analistas junguianos e eu vou explicar o porquê agora.

 

Jung aborda esse tema logo na primeira página do livro Resposta a Jó, que começa com o seu “Ao gentil leitor”, ele diz nesse momento sobre situações nas quais a lógica aristotélica não pode ser aplicada.

 

Vejamos um trecho:

 

No que segue, falarei dos objetos veneráveis da crença religiosa. Quem quer que se ocupe de tais assuntos inevitavelmente corre o risco de ser feito em pedaços pelos dois grupos em conflito mortal acerca dessas próprias coisas. Esse conflito se deve à estranha suposição de que uma coisa só é verdadeira quando se apresenta como um fato físico. Assim algumas pessoas creem que é fisicamente verdadeiro que Cristo nasceu como filho de uma virgem, ao passo que outros negam isso como uma impossibilidade física. Todos podem perceber que não há solução lógica para esse conflito, e que seria melhor não se envolver nestas disputas estéreis. Ambos estão certos e ambos estão errados; no entanto eles poderiam deixar de lado a palavra físico. “Físico” não é o único critério da verdade: há também verdades psíquicas.

 

Nesse trecho Jung tenta desafiar a lógica aristotélica, pois sejamos sinceros, é uma abordagem puramente simples no que diz respeito às questões da psicologia profunda.

 

Outra questão que gostaria de trazer aqui pro blog é o conceito de catarse em Aristóteles.

 

Já encontrado anteriormente em Empédocles, esse termo é relacionado a Aristóteles em relação à tragédia grega, pois ele (Aristóteles), coaduna as questões da tragédia grega como sendo uma imitação de uma ação séria e completa.

 

Jung comenta essa questão em Símbolos de Transformação:


Uma pessoa pode descrever o teatro de maneira um tanto não estética, como uma instituição para trabalhar complexos particulares em público.

 

Essa é uma variante de catarse em Jung, uma variação de Aristóteles.

 

Pessoas com psicologias diferentes têm reações adversas em relação a uma peça de teatro. Por isso o teatro tem tanta importância em nossas vidas.

 

Ele nos dá uma nova dimensão arquetípica da psique, e nos faz abrir ainda mais a consciência, pois aquilo que reagimos é o que é relevante para nossa psicologia.

Mas esse é um debate que trarei com mais critério para cá, aqui pro blog mais adiante.

 

Espero que tenha gostado do Filosofando de hoje.

 

Até a próxima.

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