O DIABO VESTE PRADA | ANÁLISE DE FILME
Olá caro leitor!
Hoje nossa conversa semanal será com a série Análise de Filme com a película O Diabo Veste Prada, estrelado por Meryl Streep e Anne Hathaway.
O filme é uma maravilha para os olhos... E para a mente também.
Digo em relação aos olhos, pois do início ao fim é um desfile de moda completo, com peças de vestuário fabulosas, muito belas, verdadeiramente excelentes.
E para a mente porque o filme não se encaixa somente dentro da perspectiva organizacional, da psicologia organizacional, mas vai muito mais além.
Acredito que as temáticas abordadas dentro da psicologia no filme são várias: escolha, felicidade x sofrimento, ego, sobre a inserção do sujeito no mundo contemporâneo, consumismo, prazer.
Então todos esses temas são mesclados de forma muito uniforme.
Anne Hathaway é Andy(Andrea) Sachs uma jornalista muito comprometida com seus ideais e que consegue um emprego numa das maiores agências de moda do país, na revista de moda Ranaway.
Sua chefe é ninguém mais ninguém menos que Miranda Priestly (Meryl Streep), uma verdadeira megera que comanda e dita as regras na então revista de moda.
O discurso de Andy no início do filme é de que o trabalho com moda será algo passageiro e que existe certa futilidade com esse tipo de trabalho.
Com o passar dos dias as coisas vão mudando e Andrea vai se familiarizando cada vez mais com o mundo da moda, com a arrogância de Miranda e com o seu trabalho.
O filme em si não aborda somente a questão da psicologia organizacional, mas muito mais do que essa questão: aborda o papel que temos em escolher o que desejamos.
Cada vez mais a protagonista vai imergindo no mundo que ela está inserida, que no caso é o mundo da moda. Marcas como Dolce&Gabanna, Prada e dentre outras dão o ar da graça.
Andy escolhe fazer parte daquele mundo, e começa a perceber que vai se distanciando dos seus familiares e amigos, porque está inserida em outro momento.
Miranda, famosa por seu temperamento hostil, é uma das mais importantes celebridades do mundo da moda. Eficiente e focada em sua carreira, é extremamente rígida em seu ambiente de trabalho, dificulta a inserção de Andy no perfil de trabalhadores do núcleo de produção da revista.
A editora chega a chamar Andy de “a moça gorda” (para os padrões de beleza da revista), porém inteligente.
Ela começa a perceber que a realidade é bem diferente do que seu ego havia planejado. Ela num determinado momento passa a abraçar tão rapidamente aquele novo mundo que passa a agir como as pessoas que ela sempre criticava.
Um dos pontos altos do filme.
Miranda é extremamente autoritária, deseja incessantemente gozo e satisfação pessoal através do seu trabalho. Mas para dar uma quebrada nessa imagem impecável da superpoderosa editora de moda, ela banca a fada madrinha de suas filhas.
Ela simplesmente realiza todos os desejos de suas filhas, mesmo que para isso tenha que acabar com a sanidade mental dos seus funcionários, principalmente Andrea, num determinado momento ela (Miranda) pede que Andy consiga os manuscritos do Harry Potter para que as meninas possam lê-los.
As ricas meninas são coibidas de passar por qualquer restrição, e assim, privadas do sofrimento, o que indica um sintoma marcante de nossa contemporaneidade, a satisfação a qualquer custo.
A meu ver a mensagem central do filme é ESCOLHA.
Andy sempre foi proibida de tomar as suas próprias decisões, sempre depositou no outro a responsabilidade por se tornar o ser horrendo que ela tanto criticava.
Quase no final do filme ela tem uma autorreflexão e passa a enxergar com mais clareza o que tem que se feito, o que realmente é necessário ser tomado como decisão para que sua vida possa ser tomada de volta.
Ou seja, ela passa a ser sujeito da ação, ao passo que antes ela não tomou as rédeas da situação e sofreu de fato dores, decepções e constrangimentos.
O ego fragilizado torna-se sujeito da ação. Um período de transição.
Esse filme sem sombra de dúvida é um aprendizado grandioso, uma lição de vida, pois nos mostra mais que relações interpessoais, mostra quem nós queremos nos tornar.
Outra pauta também observada no filme é a sociedade de consumo.
Um elegante desfile de moda é aberto do início ao fim. Um vestuário de cair o queixo, realmente roupas muito bonitas e bem delineadas, o que faz com que a fotografia do filme seja impecável.
Quando fui assistir a esse filme no cinema em 2006 com um grupo de amigos do colégio, não assisti com o intento que assisto hoje, obviamente, ainda era muito jovem, tinha apenas 16 anos. Cursava à época o segundo ano do ensino médio, nem sonhava em ter blog.
Hoje percebo que além das atuações espetaculares dos atores em cena, há algo muito maior escondido nas entrelinhas, que é justamente o que trouxe aqui hoje.
Ia-me esquecendo, tem uma parte do filme que mostra uma Miranda frágil e decadente, sem maquiagem, sóbria e triste, isso de certa forma foi elaborado para humanizar a personagem de Streep e não torna-la caricata demais. Acertaram na mosca.
Algumas curiosidades das filmagens:
Atrizes cotadas
Helen Mirren e Kim Basinger foram cogitadas para interpretar o papel de Miranda Priestly.
Primeira vez
É o 1º de dois filmes em que o diretor David Frankel e a atriz Meryl Streep trabalham juntos. O posterior foi Hope Springs (2012).
Não apareceu
Mamie Gummer, filha da atriz Meryl Streep fez uma ponta como funcionária da loja Starbucks. A cena foi deletada no corte final.
Repetindo roupa
A audição de Simon Baker para o papel de Christian foi feita com um vídeo que o próprio ator enviou. Na gravação, o ator usava uma jaqueta verde, desenhada por ele mesmo. O personagem Christian usa a mesma peça de roupa quando encontra Andy pela primeira vez.
Condição da top model
Gisele Bundchen aceitou participar do filme, mas impôs uma condição: ela não interpretaria uma modelo.
Preparação
Anne Hathaway se preparou para o papel trabalhando como voluntária por uma semana numa casa de leilões.
Mãe de verdade
Anne Hathaway posou com David Marshall Grant e com sua verdadeira mãe para a foto de Andrea com seus pais.
Miranda, no filme e no livro
No rascunho original do roteiro, Miranda explica como ela iniciou sua carreira, começando como assistente e trabalhando duro para chegar ao topo. No rascunho também contava que Miranda havia nascido em Pearl River, Nova York. A cena viria antes do momento em que Miranda confessa seu divórcio para Andy.
Entretanto, no livro homônimo que deu origem ao filme, Miranda nasceu com o nome de Miriam Princhek, de família judia, no extremo leste de Londres como assistente de um designer inglês. Ela foi começando a ficar conhecida no mundo da moda e passou a estudar francês para se tornar editora junior da revista de moda francesa Chic. Com 24 anos ela mudou seu nome para Miranda Priestly.
Fora de atividade há mais de um século
No filme, o jornal que contrata Andy é o "New York Mirror". O Mirror foi um jornal real que acabou em 1898 e teve em sua equipe o famoso escritor Edgar Allan Poe.
Leilão beneficente
O manuscrito que Miranda pede para Andy conseguir, custe o que custar, é o de Harry Potter e as Relíquias da Morte, sétimo da saga do bruxo. Um dos livros usados para representar o manuscrito foi vendido num leilão por US$ 586 e a renda foi direcionada para a Dress for Success, uma organização sem fins lucrativos que ajuda mulheres desfavorecidas.
Famosa revista de moda
Uma publicação da revista fictícia Runaway pode ser vista atrás da mesa de Emily, ao lado da máquina de fax. Existem três modelos de capa, baseados na capa da Vogue de 2004 com Priscilla Presley, Lisa Marie Presley and Riley Keough.
Prêmios
OSCAR
2007
Indicações
Melhor Atriz - Meryl Streep
Melhor Figurino
GLOBO DE OURO
2007
Ganhou
Melhor Atriz - Comédia/Musical - Meryl Streep
Indicações
Melhor Filme - Comédia/Musical
Melhor Atriz Coadjuvante - Emily Blunt
BAFTA
2007
Indicações
Melhor Atriz - Meryl Streep
Melhor Atriz Coadjuvante - Emily Blunt
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Figurino
Melhor Maquiagem
MTV MOVIE AWARDS
2007
Melhor Revelação - Emily Blunt
Melhor Vilão - Meryl Streep
Melhor Comediante - Emily Blunt
Trailer
FICHA TÉCNICA
O DIABO VESTE PRADA
Título Original: The Devil wears Prada
País: Estados Unidos
Direção: David Frankel
Roteiro: Aline Brosh Mc Kenna
Elenco: Adrian Grenier, Anne Hathaway, Emily Blunt, Gisele Bündchen, Meryl Streep, Stanley Tucci, Tracie Thoms
Gênero: Comédia/Drama
Duração: 109 min
Ano: 2006



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