ENTRE A LUZ E A ESCURIDÃO – PEDAGOGIA DE DEUS

setembro 20, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments



Olá caro leitor do blog Saber Jung, mais um salutar encontro nesta plataforma de troca de conhecimento.

 

Hoje será a vez da série Pedagogia de Deus.

 

Estava a ler alguns jornais por estes dias e fiquei pensativo, muito pensativo sobre diversas questões e anseios pelos quais a sociedade vem passando nos últimos tempos.

 

Ao observar toda essa miscelânea, esse mosaico de informações cheguei a conclusão que estamos sempre em busca da luz, do lado benevolente da história, do lado luminoso.

 

Acabamos por nos tratar como seres super especiais que só admitimos à luz, a melhor parte, nos achamos seres altamente iluminados dispostos a reprimir qualquer dose que seja de dor, de maldade, de um lado obscuro que fazemos questão de reprimir.


E é aí que mora o perigo.

 

O Pedagogia de Deus de hoje versará sobre esse assunto porque irei abordar também num viés rapidamente teológico, sobre a questão de céu e inferno.

 

Procuramos rejeitar o nosso lado obscuro e isso é armazenar trevas.

 

Mais tarde não entendemos o que o corpo irá expressar na forma de mau humor, de doenças psicossomáticas ou um inconsciente visivelmente perturbado.

 

Voltando a falar em relação aos jornais, o que eu percebo é que nós tendemos a adorar um lado luminoso e recusamos um lado obscuro, e com o passar dos tempos resíduos são acumulados constantemente.

 

E esses resíduos são condensados através de guerras, caos econômico, greves e intolerância racial. Diuturnamente recebemos esses resíduos pelas manchetes dos jornais do mundo inteiro: é a sombra coletiva dando o ar da (des)graça.

 

Temos uma necessidade crucial de sermos plenos a todo momento.

 

Mais uma vez repito: isso é um desserviço que você presta contra você mesmo. É uma autossabotagem. O Jung mesmo dizia em suas palestras: não somos anjos nem demônios, somos os dois.

 

E por falar em anjo e demônio, muitas vezes acreditamos que o maior bode expiatório da história que é o demônio, satanás, belzebu e satã para os íntimos é o culpado-mor de toda desgraceira da sociedade.

 

E por que tudo isso?

 

Porque é muito fácil encontrar um culpado, alguém que leve a culpa pelo caos que assola o mundo, sendo que nós mesmos somos os responsáveis por tudo isso.

 

Uma vez eu disse aqui no blog que o demônio precisava tirar férias, porque ele trabalha demais, muito mesmo, ele está ocupado demais em representar o inferninho da vida de muita gente.


Acredito em Deus, mas suspeito que Ele deseja que nos tornemos a nossa melhor versão, mas para que isso aconteça devemos descer primeiramente do pedestal e analisar o que de fato desejamos realmente.

 

Já que estamos numa conversa franca e cordial... Vou revelar algo.

 

Eu nunca lembro de ter dito que sou uma boa pessoa, isso nunca saiu da minha boca, não que eu lembre, posso estar enganado, mas jamais fiz essa afirmativa. Tais palavras jamais saíram de meus lábios.

 

Agora se o outro com suas observações afirmar isso, aí talvez eu possa até acreditar, mas isso já é outra questão.

 

Valorizamos muito tais aferições. E isso só faz incutir cada vez mais no inconsciente um comportamento neurótico, ou seja, vivemos uma sociedade altamente doente, onde o aparato maior é viver de aparências e esquecer a essência.

 

Tudo isso que acabei de escrever é uma questão ontológica.

 

Por isso que o tema da postagem de hoje foi justamente esse, vivemos entre a luz e a escuridão. Escolhemos a luz, até aí tudo bem, ótima escolha, estamos de parabéns... Só que a questão que se apresenta é que devemos incorporar a escuridão também.

 

Devemos conversar com a sombra coletiva com alguma dignidade.

 

Acredito que somente desta forma poderemos compreender o pensamento de Jung que diz:


Não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão.

 

E tratar melhor da nossa própria caminhada, da nossa jornada, respeitando nossos próprios limites e o bem-estar alheio. Somente assim, conseguiremos perceber que por entre becos e ruas sem saída sempre existirão caminhos reluzindo o clarão do alvorecer.

 

Até a próxima.

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