A SÍNDROME DE GABRIELA, CRAVO E CANELA

abril 19, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments



Olá caro leitor deste blog, a postagem de hoje será sobre a síndrome de Gabriela, cravo e canela... Mas antes gostaria de agradecer sobre a postagem sobre o domingo de páscoa, o soneto que elaborei rendeu quase 1400 visualizações num único dia, essa marca sinceramente leitor é sensacional, representa muito para mim diante de tudo que está acontecendo, é muito significativa. Fiz um print justamente do alcance da postagem, confira abaixo. E que se possível escute a música do tema de Gabriela interpretada por Gal Costa.




Gabriela Cravo e Canela é um dos romances mais célebres de Jorge Amado e representa um momento de mudança na produção literária do autor. Se numa primeira fase o romancista abordou temas em que a preocupação social sobressaía, posteriormente sua obra caracteriza-se por uma crônica de costumes, deliciosamente marcada por tipos populares, poderosos coronéis e mulheres sensuais. Dona Flor e Tereza Batista, personagens, respectivamente, dos romances Dona Flor e seus dois maridos e Tereza Batista cansada de guerra são figuras típicas dessa fase.

Se desde o primeiro momento a prosa de Jorge Amado é recheada de tipos característicos que representam a gente da sua terra, a partir de Gabriela o autor reforça ainda mais uma perspectiva popular e não tem medo de abusar da linguagem simples e do tom coloquial na construção de sua narrativa, fato que lhe proporciona cair nas graças do grande público.

Trata-se de uma história de amor entre Gabriela, a morena feita de cravo e canela, que conquista o amor do árabe Nacib e desafia os costumes de sua época. O romance é ambientado na Ilhéus dos anos 1920, uma cidade do interior baiano que passa por súbitas transformações graças à riqueza que a cultura do cacau está trazendo para a região.

Na verdade o que eu desejo trazer nesta postagem não é sobre literatura, mas sim a essência da mensagem da obra de Jorge Amado, em relação a música que abre esta postagem modinha para Gabriela magistralmente interpretada por Gal Costa, inclusive uma curiosidade: Jorge Amado bateu o pé e desejava que somente Gal Costa interpretasse a canção.

Mas muito bem, curiosidade à parte, como ia dizendo o que desejo realmente é mostrar o que diz a modinha... 

Eu nasci assim eu cresci assim, eu sou mesmo assim vou ser sempre assim... Gabriela...

Ou seja, mostra a famosa síndrome de Gabriela, aquela pessoa que não está aberta às mudanças e que é irredutível, que não deseja melhorar seja em que ambiente for.

A síndrome de Gabriela caracteriza-se justamente por essa característica. Muitos não conseguem enxergar um rumo para a vida e não conseguem transformá-la para suas nuances, para o que a vida realmente oferece.

Ser irredutível acredito não ser a melhor opção. Devemos a meu ver procurar ser maleáveis, procurar o melhor caminho, não é porque nascemos de uma certa maneira e cotidianamente colocamos em nossas cabeças que somos daquele jeito e pronto, está tudo acabado. Definido.

Acredito que essa é a síndrome de Gabriela. As pessoas acreditam que não precisam mudar, é isso, ou que não precisam se adaptar a situações que não lhe agradam. As pessoas ficam eternamente em suas zonas de conforto.

E meu caro, zona de conforto é algo que não deve nos pertencer.

Essa zona nos paralisa, nos deixa incrivelmente a esmo na vida.

É por isso que Gabriela deve existir somente na trama de Jorge Amado e na canção de Dorival Caymmi interpretada por Gal Costa, de outro modo ela poderia nos seduzir com sua beleza brejeira e nos deixar entoando a música e assim ficarmos paralisados diante de tudo, diante da vida.

Até a próxima.

Você também pode gostar de...

0 Comments: