O GRANDE DITADOR – ANÁLISE DE FILME

março 29, 2020 Randerson Figueiredo 0 Comments



Hoje a análise de filme será com o estupendo filme O grande ditador do grande Charlie Spencer Chaplin. Quero neste espaço agradecer publicamente ao meu avô por ter me apresentado a este gênio do cinema, pois desde criança que assisto aos filmes de Chaplin. 

Já assisti a esse filme inúmeras vezes, tenho a coleção completa dos filmes do Chaplin, e vez ou outra assisto as suas brilhantes interpretações que marcaram a história do cinema.

A meu ver sem querer desmerecer outros trabalhos desse gênio de codinome Chaplin, é a sua obra-prima. Primeiro, porque era a transição do cinema mudo pro falado e segundo que foi de uma sutileza e tremenda coragem enfrentar o maior ditador da época que era o Hitler.

Na sua autobiografia, que eu também tenho e rara por assim dizer, ele disse que faria o filme para se vingar de quem o tinha roubado o bigode. Sim, Hitler tinha vamos dizer assim havia se “inspirado” em Charlie Chaplin para fazer o seu conhecido bigode.

Mas polêmicas à parte...

O filme nos mostra a importância da democracia, a democracia seria o ideal de liberdade, de diversidade, de livre expressão, de luta pelos direitos, de valorização de espaço público.

É interessante esse contexto histórico do filme para refletir sobre as diferenças do regime totalitarista existente na época para o que seria uma democracia. Pensar também que tipo de democracia é essa que temos vivido atualmente.

O filme sem sombra de dúvidas é um manifesto de liberdade.

E o discurso final é o ponto alto da película.

A crítica de Chaplin chegou ao mundo do cinema, quando em seu discurso invoca a liberdade e a igualdade entre “negros, judeu, gentio e branco.”

Chaplin roga para que passemos a usar as virtudes que nos tornam humanos e não apenas as máquinas criadas com grande tecnologia, pois se necessita nesse mundo de mais “afeição e doçura.”

E é com a frase de Charlie Chaplin que encerro esse texto, em um pedido para todos, soldados nessa luta que todos lutamos, que nos diferencia dos incautos e nos proporciona a voz:

Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Sinopse do filme:

Adenoid Hynkel (Charlie Chaplin) assume o governo de Tomainia. Ele acredita em uma nação puramente ariana e passa a discriminar os judeus locais. Esta situação é desconhecida por um barbeiro judeu (Charlie Chaplin), que está hospitalizado devido à participação em uma batalha na 1ª Guerra Mundial. Ele recebe alta, mesmo sofrendo de amnésia sobre o que aconteceu na guerra. Por ser judeu, passa a ser perseguido e precisa viver no gueto. Lá conhece a lavadora Hannah (Paulette Goddard), por quem se apaixona. A vida dos judeus é monitorizada pela guarda de Hynkel, que tem planos de dominar o mundo. Seu próximo passo é invadir Osterlich, um país vizinho, e para tanto negocia um acordo com Benzino Napaloni (Jack Oakie), ditador da Bacteria.

Eis o discurso completo:

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!
Charlie Chaplin – 1940

Curiosidades, bastidores, novidades, e até segredos escondidos de "O Grande Ditador" e da sua filmagem! – Retirados do site Adorocinema:

Vários

- Charlie Chaplin teve a ideia de O Grande Ditador quando Alexander Korda, seu amigo, reparou na semelhança física existente entre Carlitos e Adolf Hitler. Posteriormente Chaplin descobriu que ele e Hitler tinham nascido com apenas uma semana de diferença, tinham a mesma altura e peso e ainda nasceram na pobreza e depois ascenderam. Chaplin resolveu usar esta semelhança para atacar Hitler quando soube da política de opressão racial que o governante estava implementando na Alemanha;

- A produção teve início em 1937, quando ainda não estava claro que o nazismo era uma ameaça real. Em 1940, quando foi lançado, não havia mais esta dúvida;

- Quando Chaplin anunciou a produção de O Grande Ditador a Inglaterra logo divulgou que iria banir o filme de suas salas de cinema. Na época o país buscava uma conciliação com o governo nazista. Na época em que o filme foi lançado a situação tinha mudando drasticamente, já que a Inglaterra e a Alemanha estavam em guerra. O filme foi então usado como veículo de propaganda anti-nazista;

- Quando soube que alguns executivos de estúdios queriam convencer Chaplin a desistir do filme, o presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt enviou um representante, Harry Hopkins, para encorajá-lo a fazer o filme;

- Originalmente se chamaria The Dictator, mas a Paramount Pictures notificou Chaplin de que detinha a posse deste título devido a um livro de Richard Harding Davies, cujos direitos de adaptação para o cinema foram adquiridos pelo estúdio. A Paramount informou que cobraria US$ 25 mil caso o título não fosse alterado. Foi quando Chaplin resolveu alterá-lo para The Great Dictator;

- Foi inteiramente financiado por Charlie Chaplin e tornou-se seu maior sucesso de bilheteria;

- A produção durou 539 dias;

- É o último filme em que Charlie Chaplin usa as vestimentas de Carlitos;

- É o 1º filme de Chaplin desde Behind the Screen (1916) em que interpreta um personagem identificado por um nome;

- Segundo documentários da época, Charlie Chaplin ficou cada vez mais desconfortável para interpretar Hitler à medida que tomava conhecimento de seus atos na Europa;

- Chaplin declarou que vestir as roupas de Hynkel fazia com que ele automaticamente ficasse mais agressivo;

- A cena em que Chaplin brinca com um globo representando o planeta foi criada em 1928, para um vídeo caseiro feito pelo ator;

- A invasão da França por parte dos alemães inspirou Charlie Chaplin a incluir o famoso discurso final de O Grande Ditador;

- Chaplin pisca menos de dez vezes durante todo o discurso final, que dura cinco minutos;

- A personagem de Paulette Goddard, Hannah, recebeu este nome em homenagem à mãe de Chaplin;

- Durante as filmagens o relacionamento entre Charlie Chaplin e Paulette Goddard foi se deteriorando cada vez mais. Em 1942 ele chegou a apresentá-la como sua esposa em um evento realizado em Nova York, mas meses depois já estavam divorciados;

- Todas as supostas falas em alemão foram improvisadas;

- A linguagem usada nos sinais, pôsters e no gueto judeu é o esperanto, criado em 1887 por L.L. Zamenhof;

- Charlie Chaplin perdeu bastante tempo tentando simular o som do motor de um avião, usando vários métodos. Um dos técnicos de som resolveu o problema simplesmente indo a um aeroporto e gravando o som desejado;

- Nos créditos finais pode ser lido "qualquer semelhança com o ditador Hynkel e o barbeiro judeu são puramente incidentais";

- Jack Oakie certa vez declarou ter feito centenas de filmes, mas que as pessoas apenas o reconheciam pelo personagem Napaloni de O Grande Ditador;

- O ator Douglas Fairbanks visitou os sets de filmagens em 1939 e riu sem parar de uma cena que estava sendo rodada. Esta foi a última vez que Chaplin o viu, já que Fairbanks faleceu uma semana depois;

- Lançado 13 anos após o fim da era muda no cinema, é o primeiro filme inteiramente falado e sonorizado feito por Charlie Chaplin;

- A première mundial de O Grande Ditador ocorreu em dois cinemas de Nova York, Astor e Capitol, em 15 de outubro de 1940. Foi um grande evento de gala, no qual compareceram, entre outros, Franklin D. Roosevelt, H.G. Wells, Alfred E. Smith, Charles Laughton, Elsa Lanchester, Constance Collier, James A. Farley e Fannie Hurst. Chaplin e Paulette Goddard compareceram em ambos os cinemas;

- Após o término da 2ª Guerra Mundial, quando os horrores do nazismo foram divulgados, Chaplin declarou que, se tivesse conhecimento do ocorrido antes, jamais teria feito graça baseado em tamanha insanidade homicida;

- Não é a primeira sátira anti-nazista feita no cinema. Nove meses antes os Três Patetas lançaram You Nazty Spy! (1940), que detém este feito;

- Adolf Hitler baniu O Grande Ditador da Alemanha e de todos os países que estavam sob seu controle. Entretanto, por curiosidade mandou vir de Portugal uma cópia do filme, para que pudesse assisti-lo. Não se sabe qual foi sua reação após vê-lo;

- Um grupo de resistência dos Balcãs conseguiu uma cópia de O Grande Ditador vinda da Grécia, durante a 2ª Guerra Mundial. O filme foi exibido em um cinema militar alemão, em substituição à uma comédia, sem que o público soubesse. Quando se deram conta do filme que estavam assistindo, parte dos soldados alemães disparou em direção à tela e outra simplesmente deixou o local;

- O Grande Ditador foi banido na Espanha até a morte do ditador Francisco Franco, em 1975;

- Na Itália todas as cenas em que a esposa de Napaloni é vista foram cortadas, em respeito à viúva de Benito Mussolini, Rachele. A versão completa apenas pôde ser exibida em 2002;

- O general Dwight D. Eisenhower pediu cópias dubladas em francês de O Grande Ditador, para exibi-las na França após a vitória dos aliados sobre Hitler;

- Charlie Chaplin aceitou o convite para repetir, no rádio, o famoso discurso final de O Grande Ditador;

- O Grande Ditador foi indicado em cinco categorias no Oscar, mas perdeu em todas. Esta foi a primeira premiação em que os vencedores foram mantidos em sigilo até a divulgação na cerimônia;

- Seu orçamento foi de US$ 2 milhões.

OSCAR 1941
Indicações
Melhor Filme
Melhor Ator - Charlie Chaplin
Melhor Ator Coadjuvante - Jack Oakie
Melhor Roteiro Original
Melhor Trilha Sonora

A cena antológica com o globo terrestre que abre esta postagem.


Ficha Técnica

Data de lançamento: 1940
Duração: 2h 05min
Gênero: Comédia
Direção: Charlie Chaplin
Elenco: Charlie Chaplin, Jack Oakie, Paulette Goddard
Nacionalidade: EUA

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