OS BRUTOS TAMBÉM AMAM? – FILOSOFANDO
O anonimato do bem é muito mais intenso do que a exposição despudorada do mal.
Randerson Figueiredo
Olá leitor do blog Saber Jung, mais um encontro marcado nesta plataforma.
Ontem (28/02/2020) estava a conversar com meu avô sobre diversos assuntos, e dentre esses assuntos conversamos sobre nosso atual modo de viver, de comportamento enquanto ser humano.
E chegamos a uma conclusão um tanto quanto avassaladora.
Estamos embrutecidos como seres humanos.
É como se estivéssemos anestesiados sobre o que acontece ao nosso redor.
E meu avô disse:
- Filho, é como estivéssemos cada vez mais insensíveis diante de diversas situações que antes nos chocavam, mas que hoje não damos a mínima. Diante de tanta violência que nos circunda, de tantas situações degradantes e crimes horrendos. Acabamos por nos acostumar com a barbárie...
E ao analisar todas aquelas palavras e assertivas que meu avô acabara de falar, fiquei atônito e fui obrigado a concordar. E pensei: bem que essa nossa conversa poderia ser um bom texto de reflexão e filosofia.
E para asseverar todas essas indagações nada mais justo do que quantificar o texto com exemplos elucidativos que comprovem o que por ora estou a afirmar.
A começar por inúmeros programas policiais que praticamente fazem jorrar sangue da televisão, como posso dizer... Apagam fogo com gasolina.
Mas aí você pode dizer, ora mas o ser humano tem tendência a maldade. Disso eu bem sei, mas não é porque muita gente tem o espírito de vampiro, adoradores de sangue alheio, diga-se de passagem que o circo ficará armado, não é verdade?
A assertiva do meu avô é certa e firme como uma rocha: estamos cada vez mais insensíveis sim!
A miséria alheia, a dor do outro, não temos mais misericórdia... Isso é grave e cruel. Refugiamo-nos com um dar de ombros ao dizer: mas não foi comigo, o que posso fazer?
Sei que a realidade é essa, e ela é dura e avassaladora, mas cabe a cada um transformá-la em algo melhor, ter o mínimo de sensibilidade e altruísmo conosco e com o outro, ter cuidado e zelo não custa nada.
E meu avô completou:
- Filho, também tem outra coisa, como podemos agir de acordo com o Santo Evangelho nos propõe com o irmão? Vivemos assustados e com medo de tudo e de todos. Há muito tempo não conseguimos agir como o Evangelho assim nos ensina, pois o clima de insegurança é massacrante. Vivemos presos em nós mesmos.
Lembrei-me automaticamente da passagem do bom samaritano, a qual até já comentei aqui em outra oportunidade, bem alusiva ao que estamos falando.
Mais uma vez concordei com meu avô e completei:
- Realmente vô a realidade nos impõe medo e tristezas sem fim. E cada um de nós pode ser uma vítima em potencial de todo esse mau que está dentro de cada um de nós, assim como a bondade.
- Mas uma coisa também é certa a bondade é anônima, por isso que não temos capacidade de avaliar o bem e o mal numa escala global, porque a bondade age em surdina, filho, a maldade é explícita e escancarada, logo percebemos sua ação. Ela necessita de aplausos.
E ao observar tamanha desenvoltura no vernáculo do meu avô pude observar o quão estamos longe de atingir uma melhoria na esfera espiritual, pois acredito que ainda estamos no abecedário no quesito fraternidade, no quesito amor mesmo.
O que parece é como sentíssemos prazer com a tragédia alheia.
E assim finalizo o texto de hoje com uma indagação: será que os brutos também amam?


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