DE OLHOS BEM FECHADOS – ANÁLISE DE FILME
Hoje vamos de análise de filme com a película De olhos bem fechados do diretor Stanley Kubrick.
Na abertura de De Olhos Bem Fechados, enquanto uma despida Nicole Kidman se arruma elegantemente para ir a uma festa ao lado de um charmoso Tom Cruise, ouvimos o alegre instrumental de Dmitri Shostakovitch, Valsa 2, enquanto aqueles dois personagens se vestem de maneira apropriada para o evento ao qual estão se encaminhando.
Pouco antes de o casal deixar o recinto, a música é interrompida, e neste momento, sem nenhum tipo de artifício e tendo como mérito apenas suas simples imagens, Stanley Kubrick nos deixa claro que a partir dali, aquelas aparências serão apenas a capa para uma sucessão de momentos onde o verdadeiro eu daquelas figuras será dissecado.
Porque De Olhos Bem Fechados é exatamente sobre isto: a desconstrução das aparências. E nessa desconstrução é inevitável virar o rosto com certa ojeriza, pois reflete alguns de nossos comportamentos. Preferimos muitas vezes não encarar a verdade.
A meu ver, De olhos bem fechados, é um filme de horror, sim. Mas um horror que se encontra dentro do próprio ser humano. Com suas angústias, traições e segredos obscuros. E claro também dentro da sociedade que nos cerca.
Baseado no conto Traumnovelle, de Arthur Schnitzler, Kubrick troca o cenário de Viena da obra original por uma sombria Nova Iorque, onde acompanharemos as desventuras do casal, especialmente as do Dr. William Harford (Cruise), que após uma ligação de um de seus pacientes, caminha pelas ruas da cidade e se vê frente a frente com diversas realidades surreais e perturbadoras.
Meu objetivo não é dissecar o filme, mas dar um gostinho de querer assisti-lo, como sempre, claro.
É um filme de horror mergulhando em verdades perturbadoras, levando o espectador a entrar numa espécie de transe durante as duas horas e meia de projeção. Sentimo-nos desconfortáveis e incomodados, mas apenas porque Kubrick nos obriga a encarar o nosso próprio eu em tela, aquele eu escondido e adormecido em meio às aparências.
Muitos arquétipos da análise de Jung estão presentes na película.
Uma delas muito evidente é a persona. E esse arquétipo fica muito evidente em algumas cenas do filme. Fica muito claro, explícito até.
O filme em si mostra o nosso despreparo em lidar com a realidade que nos cerca, queremos a todo o momento fugir da realidade através de sonhos ou até mesmo pesadelos.
Decidimos muitas vezes viver aprisionados dentro das convenções propostas pela sociedade.
Uma curiosidade é que Kubrick morreu cinco dias depois de entregar o corte final do filme à produtora. Stanley Kubrick encerrou sua carreira com um dos mais brilhantes filmes de horror já feitos sobre um dos muitos lados obscuros do ser humano.
Trailer
Ficha Técnica
De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, EUA/Reino Unido, 1999)
Roteiro: Stanley Kubrick, baseado em romance de Arthur Schnitzler
Direção: Stanley Kubrick
Elenco: Tom Cruise, Nicole Kidman, Sidney Pollack, Leelee Sobieski, Alan Cumming, Todd Field, Vinessa Shaw, Christiane Kubrick
Duração: 159 min.



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