FUJO DA DOR E NÃO DA VIDA - POESIA | SETEMBRO AMARELO
FUJO DA DOR E NÃO DA VIDA
Era de se esperar
O soturno golpe da vida
Por si mesmo evidenciar
O estraçalhar da lida
Não de forma sorrateira
Mas a despertar a acolhida
A calcificar a voz derradeira
De uma caminhada tolhida
Semeei sempre o carinho
Doei parte do meu amor
A distorcer o caminho
Não fugia da vida e sim da dor
Já que o verão da andorinha
É ter milhões de sóis ao seu alcance
Mas a dor que um dia fora minha
É resgatá-la para ter a minha chance
Despertar a seguir o trilho
Do bonde que hoje encerra minha jornada
É ser como um andarilho
A segurar a sorte em uma das mãos, já calejada
Faço, porém, a minha última releitura
Da vida que sigo em frente e firme
Na frente do espelho, a criatura
Um passo certo para que se confirme
Que hoje o amanhecer logo se vai
Em dia certo, nato e constante
Meu florescer logo se esvai
No limiar da vida, num grave rompante
Consigo extrair uma nova lã
Para fazer a grande tessitura
E como uma grande tecelã
Fazer da arte da vida uma grande costura
E a não ser vista como uma vilã
De cada traço de linha, seguro, precavida
Sou firmemente uma artesã
A fugir da dor e não da vida
Randerson Figueiredo, em 1º de setembro de 2019 às 14h54min.


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